Entrevista: Toni Garrido

“Morre e transforma-te!” Goethe

Toni Garrido

Elba Ramalho tornou icônica música composta por Dominguinhos e Nando Cordel, a versar sobre a saudade do lar. “De volta pro meu aconchego” reflete o temor de andar de avião, que obriga o sanfoneiro nordestino a percorrer longas distâncias de ônibus.

Arnaldo Antunes também avistou o tema, com a raivosa e política “Volte para o seu lar”, na qual difama a polícia, a doença, a miséria, e recolhe-se a uma casa esquecida, mas que ainda abriga confraternizações sinceras, quando todos se sentam na mesa para comer com a mão.

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Show: Edson Cordeiro (canta Herivelto Martins)

“Hoje amam, amanhã’ squecem,
Ora dores, ora alegrias;
E o seu eternamente
Dura sempre uns oito dias!…” Florbela Espanca

Edson Cordeiro

O breu, proposital, impedia-nos de vê-lo entrar em cena. Somente o piano de Miguel Briamonte foi possível distinguir na escuridão. Tal nome seria repetido tantas vezes, naquela noite, que jamais nos esqueceremos.

Quando a agudíssima voz ressoou no palco do teatro lotado, houve um minuto de espanto. Infinitamente inferior ao presenciado no momento em que se acenderam as luzes. Pois dotado daquela voz, inebriante, surgia uma miniatura de gente.

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Show: Toninho Horta & Quarteto

“Um vento varre o mundo, varre a vida.
Este vento que passa, irretratável,” Carlos Drummond de Andrade

Toninho Horta

Uma donzela magricela vem tomando a cena sem medo, de assalto, ritmada. Estica a saia, retira o chapéu florido, apresenta-se como distinta dama: guitarra. O condutor, do violão: Toninho Horta.

No encalço, enamorando-se dela, vem um baixo e robusto senhor, de chapéu austero, marrom, retirado da cabeça calva, elegantemente. Apressa-se a pentear os bigodes cinzas, e, então, distingui-se. Ezequiel Lima empunha o contrabaixo.

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Entrevista: Leandro Sapucahy

“Alguns procuram os padres, outros a poesia, eu, os amigos.” Virginia Woolf

Leandro Sapucahy

“Tenho a consciência de que o público, ás vezes, nem presta atenção, está lá, no show, só para azarar”, confirma Leandro Sapucahy, ao repercutir o estilo do trabalho “Baile do Sapuca – Sapucapeta”, posto no mercado em formato DVD pela gravadora Sony Music.

Gravado no Rio de Janeiro, na casa de shows Marina da Glória, o baile nasceu “despretensiosamente, de maneira muito espontânea”, e acabou se transformado em verdadeiro fenômeno de proporções nacionais, lotando espaços em Brasília, Maranhão, Piauí, Natal, Salvador e São Paulo.

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Humor: Jorge & Mateus – O Que É Que Tem?

“Já que não conseguimos amar-nos uns aos outros, por que não tentamos amar-nos outros aos uns?” Quino

Jorge e Mateus-O Que É Que Tem?

Dizer que o estilo autodenominado sertanejo (em alguns casos, universitário) colocou Goiás no mapa da popular canção brasileira, soa injusto. É inegável a quantidade de duplas estridentes, com refrões amargos, a emanarem da região. No entanto, é bom um exercício histórico.

Muito antes de Jorge & Mateus, surgira Zezé di Camargo & Luciano. E ainda antes deles, em tempos, hoje, remotos, despontou por aquelas bandas, com o preconceito da intelectualidade contra a cara, um tal Odair José, a cantar pílulas anticoncepcionais, prostitutas e empregadas.

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