Cortes & costuras

“Bem no centro da faísca, praça central do coração da chama, a porta de um reino sem durar:” Paulo Leminski

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Tinha os olhos amarelos & xadrez. Uma anja preta. Gato a tira-colo. Colo atira gato. No céu de Olinda, ouvia Capiba. No chão de Pedreiras, João do Vale. Farpilhos desfarrapados cobriam a túnica que envolvia cabeça raspada, orelhas furadas e nuca desprotegida. Tudo doía. Nu exposto ao escrutínio.

Exaurida da casca transitória e rija dos gestos. Era um ovo, uma cobra de Tarsila. Verde-rosa. Sambava balé. A ralé ouriçava. Escrevia na tentativa íngreme de ser Maleável e Eterna como as Palavras. Mas escrever não derrama. Impreciso trabalho frágil.

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Maestro Hervé Cordovil entre o samba, rock e baião

“A verdade do piano não é o piano: são as músicas que ele pode tocar.” Rubem Alves

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O mineiro Hervé Cordovil (03/02/1914 – 16/07/1979) transitou pelos mais variados gêneros com a mesma eficácia, para dizer pouco. Isso porque o pianista, regente e compositor desencorajado por Eduardo Souto, diretor da Casa Edison, no início de carreira, escreveu parcerias com Noel Rosa, Lamartine Babo e Luiz Gonzaga, para citar alguns. E foi ele o compositor sozinho de sucesso de Dick Farney, “Uma Loura”, e da Jovem Guarda, “Rua Augusta”. Nascido em Viçosa, Hervé conquistou quietinho o reconhecimento, e sem fazer barulho, apenas som de primeira.

Pé de manacá (baião, 1950) – Hervé Cordovil e Mariza Pinto Coelho
“Pé de manacá” foi composto por Hervé Cordovil em parceria com sua prima Mariza Pinto Coelho e alcançou sucesso em 1950, na interpretação de Isaurinha Garcia. O baião inocente revela a essência pura e simples do amor, enfeitado por versos de rara simplicidade.

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O Humor Romântico de Eduardo Dussek

“Escutar é uma coisa perigosa, sabe. Quem escuta pode ser convencido, e um homem que se deixa convencer por um argumento é uma pessoa completamente insensata.” Oscar Wilde

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Eduardo Dussek é um dos astros do espetáculo “Sassaricando – E O Rio Inventou A Marchinha”, posto em cena, há sete anos, por Rosa Maria Araújo e Sérgio Cabral. O elenco reúne, na atualidade, Inez Viana, Juliana Diniz, Pedro Paulo Malta, Beatriz Faria e Pedro Miranda. Isso porque desde a estréia o musical não saiu mais de cartaz. A recente temporada começou no dia 10 de janeiro e fica até 3 de março. A grande novidade é o local, uma casa de shows reaberta no Rio de Janeiro, o “Imperator”, também chamado Centro Cultural João Nogueira, no Méier, zona norte da cidade.

“O subúrbio foi o principal responsável pela sobrevivência do carnaval de rua”, afirma Dussek, que cita os tradicionais blocos carnavalescos e os conhecidos “clóvis”, palhaços cujo nome teria surgida de uma confusa leitura da palavra em inglês “clown”, tradução literal para os animadores de circo. A experiência tem lhe proporcionado um reencontro com as origens. “Embora tenha nascido em Copacabana, fui criado na Tijuca, e sempre freqüentei carnaval de periferia. Eu adoro aquela animação suburbana, típica das grandes agremiações, escolas, blocos, como o ‘Bafo de Onça’, ‘Cacique de Ramos’, e tantos outros”.

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Bizet (Música clássica)

“e das profundezas da escadaria subia um sopro úmido e obscuro.” Albert Camus

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Bizet! Bizet! O músico pula no rio Sena e ninguém o ouve…no entanto uma voz suspirando, abafada, toca no ouvido do compositor como as correntes de Carmen. A cigana do romance levado ao palco não recebera aplausos, nem recebera vaias. Agora a indiferença do músico que se afoga e ninguém o ouve. A cigana afaga de leve seus torneados joelhos por baixo das ceroulas.

Bizet! Bizet! Grita a mãe do músico no leito de morte. Como Dom José, rejeitado, o músico largou as troças, traças e túnicas, todo o ouro de Salvador Dalí, outro espanhol ilustre do mundo dos sonhos (Muito embora o retratado seja da França), para velar a morte. Varar a noite, arder de açoite, as costas da cigana Carmen, morenas e nuas, queimam no chicote do toureiro e os chifres de boi. O sacrifício azul em sangue de prata corre.

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Perlla lança Teaser de Disco Gospel

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A cantora paraguaia Perla, que aportou no Brasil com 20 anos, no início da década de 70, já não era lá uma novidade em termos de estética ou arranjo. Entre os maiores êxitos da carreira, está a infinita quantidade de discos de ouro, platina e prata, acumulados graças a versões de clássicos estrangeiros. Ou seja, originalidade nunca foi exatamente o forte da primeira Perla.

A Perlla seguinte, que adequou o nome ao acrescentar outra letra, faz coro ao excessivo e inflado mercado de celebridades descartáveis. Assim como na antecessora, os modos, as vestes, o canto, soam exagerados, exaustivos, mera reprodução do que existe em abundância. Falta o mínimo de contenção, tempo, pausa. De certa maneira, traduzem a vida moderna.

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