Artes Plásticas: Tarsila do Amaral

“Ide, ide de mim!
Passa a árvore e fica dispersa pela Natureza.
Murcha a flor e o seu pó dura sempre.
Corre o rio e entra no mar e a sua água é sempre
a que foi sua.

Passo e fico, como o Universo.” Fernando Pessoa [Alberto Caeiro]

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No seio de uma fazendinha, a branca menina mama. A escrava luzidia de protuberâncias fartas oferece o leite, posta a incapacidade da matriarca. A menina espia o gado, a igrejinha, os porcos, e do colo da negra sente uma pontada. Está de pé, a espantar macacos. Do galho lânguido surrupiam bananas, regurgitando sementes.

A menina agora vive em São Paulo. Leva ao braço a filha, e no outro “a marca”. Cochicham as doninhas: – Esta, é desquitada. Mas de um bom marido, não precisa a Arte. A não ser a pena, o pensamento, as cores. Para o mundo um quadro. Tarsila apelidou-o: “Homem que come homem”. Oswald gostou. É o novo amante. Ainda não o apresentamos.

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Documentário da Cantora Ke$ha na MTV

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A cantora Ke$ha expressa, já no nome, o desejo por gordos cifrões. Essa é a receita infalível para quem sobrevive estritamente do universo pop, no concernente à alta quantia monetária que ainda gira, mesmo após a decaída das grandes gravadoras em vista da explosão do universo cibernético de livre acesso às canções.

Com sua mistura de eletrônica e rap, a artista teve uma ascendência meteórica na carreira, algo bem comum para quem transita em tal meio. No entanto, com a mesma velocidade que o mundo pop constrói teus ídolos, também é capaz de destruí-los. Agora, a rede de televisão especializada em música, MTV, promete lançar série de documentários sobre a vida de Ke$ha.

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Pedro Caetano – É Com Esse Que Eu Vou! (Samba)

“Um ser-aí. Cá, aqui.
Redondo gesto e gesta
vegetal, e uma festa
de cor, pingo no i.” Heládio Brito

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O bom compositor não se faz pelo nome, mas pelo conteúdo. Pedro Caetano nunca foi compositor, pelo menos era isso o que a formalidade lhe falava. Manteve seu lar com o dinheiro dos calçados e vestidos que vendeu por toda a vida, só aparecendo de corpo e cara para gravar um disco próprio aos 64 anos.

Mas a essa altura suas músicas já eram cantadas por muitos outros, populares e profissionais, sempre com popularidade e qualidade elevadas. Ciro Monteiro, Orlando Silva, Sílvio Caldas colocaram na boca suas músicas. Noel Rosa, Pixinguinha, Claudionor Cruz, apertaram com instrumento e lápis suas composições. Era o conteúdo que fazia de Pedro Caetano compositor, e dos bons.

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Madonna – Décima Turnê Mais Lucrativa da História

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Qual o segredo do sucesso irrefreável, quase linear, e absurdo, da cantora Madonna? Afinal de contas, ela não é mais a menina que despontou para o mundo da música pop quebrando tabus e desafiando verdades prontas. O poder sexual que emanava de tal figura também perdeu brio, cor, enredo. Os tempos mudaram e a artista permanece sendo associada a fama e glamour.

Como simples prova, a recente turnê, em que excursionou por países da Europa, Ásia, América do Norte e Latina, entrou no ranking das dez mais lucrativas da história. Com o feito, transformou-se, ao lado dos The Rolling Stones, Grateful Dead e Bon Jovi, uma das poucas a aparecerem na lista por mais de uma vez no curto período de três anos.

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Dança: Cancan

“Louca, a tarde de figueiras
e de rumores ardentes
cai desmaiada nas coxas
machucadas dos ginetes.
E negros anjos voavam
através do ar poente.
Anjos de compridas tranças
e de corações de azeite.” García Lorca

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Há um ambiente reservado, no fundo de uma sala escura, destinado a mulheres e homens. Polidos, os cavalheiros passam panos por sobre óculos embaçados. Descontraídas, mulheres em vermelhos vestidos vulgares erguem as pernas à altura de cabelos castanhos. A saia está ali para ser levantada. A brisa, a rigor, uma cócega, em minutos expande-se. O furacão alça coxas, canelas, rumores. No varal, a cinta-liga desprendeu-se.

Apertadas por baixo de seios, barrigas, tremores, as pernas não mais resistem à tentação libidinosa. Gorjeiam a liberdade. A tentativa logo se entrosa a um debochado jogo de copas. Aos corações, atarantados, emulam sonhos, desejos, camas. Mas é no palco que desenrola-se, a carícia de dedos e unhas. Bem costurados, os vestidos das moças. Antes, vulgares. Agora, damas. Homens carregam-nas pelas coxas, que apenas voam para as masmorras.

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