Alô, Dolly!, com Marília Pêra e Miguel Falabella brinda com humor preciso e canto robusto

“Acredito que aquele amor permanece tão forte e intenso em sua lembrança porque foi sua primeira solidão profunda, o primeiro trabalho íntimo com que o senhor elaborou sua vida.” Rilke

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“Alô, Dolly!” é peça de nostalgia para Miguel Falabella. O diretor, que vem se debruçando sobre o tema da retrospectiva ao vislumbrar os próximos passos – como na série televisa “Pé na Cova”, onde o enfoque é a morte e a natural tendência humana a recordar o passado ante a perspectiva futura – tem uma óbvia relação afetiva com o espetáculo e este sentimento o conduz. Primeiro por ter sido o primeiro musical que assistiu, aos nove anos de idade, época da montagem protagonizada no Brasil por Bibi Ferreira e Paulo Fortes, em 1966. A escolha de Marília Pêra para interpretar Dolly Levi segue o mesmo caminho. A atriz foi a primeira diretora de Miguel nos palcos.

Agora os papéis se invertem. Além de dirigir, Falabella atua e assina tradução e adaptação. No texto o acerto é em cheio, comprovando a boa mão do intérprete do rabugento comerciante Horácio para distribuir as palavras tanto nas canções quanto nos diálogos. Já a adequação poderia ter apostado numa cisão mais profunda com o original, ambientando a história em cidades nacionais que a comportariam perfeitamente, como São Paulo substituindo Nova York e qualquer outra interiorana do estado no lugar da caipira Yonkers. Não seria nenhum absurdo, afinal o próprio Falabella confessou a inspiração em Mazzaropi para a composição de seu personagem.

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Um Método Perigoso, de David Cronenberg

“Por vezes, o olhar dos dois homens se encontrava; o do jovem, taciturno e sombrio, inalterável em sua obstinação; o do velho, escarnecendo com um desprezo incansável.” D. H. Lawrence

Um-Metodo-Perigoso

A madeira crepitava insistentemente. Como lascas soltando-se do corpo roliço da árvore e alcançando a mortal liberdade em toras de fumaça dobradiças a definhar. O cheiro das cinzas empanzinava o ambiente em igual modelo a pneus inúteis recheados por água podre. O barulho, no entanto, e os sentimentos correlatos estavam imperceptíveis ante a agrura de Freud. O sofrimento do homem de nervoso charuto detivera-se no chão como prego.

À sua frente, coaxando feito sapo em noite de lua que para a espécie é orgia, o protestante Jung avolumava-se em contrações na medida exata da madeira a crepitar de novo. E de novo, e de novo, e de novo, e de novo, o ritual resultou numa esfera de paralelas estanques. O medo recusou-se a surgir na cabeça de Freud, enquanto os pés de Jung não eram capazes, sequer, de encostar-se sem temerem as faíscas.

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Disfarces

“Il y a toujours
quelque chose d’absente
qui me tourmente.” de Camille Claudel para Rodin

Gustav-Klimt

Nuca no bafo. Não se olham. Palavras intactas na garganta. Árida, rareando seca saliva dentro’boca. Incômodos, sérios, prosseguem caminho no silêncio itinerante.

Levanto-me depressa. Tonteira me arremessa. Rascunho um poema. Já foi embora (o outro). Pensei.

Mas não escrevi. Já não sinto orgulho nenhum. Humildade nenhuma. E sou só esse resto em meio ao meio que restou. Concreto caoticamente caibo na liquidez da vida.

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Canção Encantada do Peterpan de Alagoas

“Clair de lune, chiaro de luna, claro de luna…mas os franceses, os italianos e os espanhóis saberão mesmo o que seja o luar, que nós bebemos de um trago só?” Mario Quintana

peterpan 1944

José Fernandes de Paula ou José Borba, o popular Peterpan (21/01/1911 – 28/04/1983), seria mais popular se fosse diretamente associado às suas composições. Embora poucas tenham alcançado sucesso contínuo, algumas permeiam com certa insistência o imaginário musical brasileiro.

Gravado por nomes como Aracy de Almeida, Quatro Ases e um Coringa e Nana Caymmi, o herói do Brasil com apelido herdado da eterna criança americana completaria em 2011 seu centenário, não fosse a morte vir lhe precipitar aos 72 anos. Não importa, para quem gosta de música e olha pro céu, o Peterpan de Alagoas continua criança.

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Brasil, Esse País Dos Aflitos

“Brasil, mostra a tua cara!” Cazuza

Brasil-aflito

Análise

Muita gente é cativada a participar dos protestos em várias extremidades do Brasil, e até fora dele; casos de Inglaterra, Irlanda e França; ao acessar no Facebook, Twitter, e outros, um tipo de informação ali amplamente difundida, em contraposição inicial ao silêncio da imprensa massiva, depois reprimida a modificar a cartilha.

É contumaz o equívoco quando se avalia a importância da rede social. Costuma-se apontá-la como fator determinante para a série de acontecimentos. Essa teoria não se sustenta por um único argumento: ela é suporte, não conteúdo.

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