10 álbuns antológicos de Nara Leão

“(…) cujos terraços têm cor de
estrelas.
Os suaves olhos, caimos, não desdenhosos,
a chuva também dentro do processo.
Aquilo donde partes não é o caminho
e oliveira no vento embranquecida (…)
que brancura somada a essa brancura,
que candor?” Ezra Pound

Nara Leão foi musa da Bossa Nova

Dez álbuns da discografia de Nara Leão (1942 – 1989) foram disponibilizados nas plataformas digitais pela Universal Music. Os títulos abrangem a fase final de atividade da cantora, que morreu precocemente vítima de um câncer no cérebro. Intérprete associada à Bossa Nova por sua voz de extensão pequena e seu estilo intimista de cantar, o período captado pela compilação demonstra as habilidades de Nara, capaz de transitar com desenvoltura tanto pelo repertório romântico de Roberto Carlos quanto as inovações estilísticas de Caetano Veloso, Gilberto Gil e a trupe da Tropicália, além de ser a primeira a dar voz ao samba do morro carioca.

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3 pérolas negras com Luiz Melodia

“mestressala/maravilha/contemporânea que vai
desde o largo do estácio/até a mais alta estrela
que brilha/sobre o atlântico/negro oceano
quando um dos muitos/nomes dele é ébano” Ricardo Aleixo

Luiz Melodia é autor de Pérola Negra

Pela lógica da sabedoria popular, o destino do garoto do Estácio já estava traçado desde o nascimento. Afinal de contas, se é comprovado que filho de peixe, peixinho é, logo, filho de melodia, Melodia o é; ao menos assim o foi nesta história. Herdeiro direto de Oswaldo Melodia, Luiz recriou o samba, inseriu elementos jamaicanos, chorou com a canção e chegou, inclusive, a ser posto sob o guarda-chuva dos “malditos” pela indeterminação de sua obra, o que, claro, configura mais um acerto do artista. Talentoso compositor, capaz de sacudir com poesia suas canções embriagadas por molejos e lancinantes tons percussivos, Luiz Melodia foi, também, destacado intérprete. Soube pescar para resgatar das profundezas várias pérolas negras da nossa música popular.

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10 Mulheres & Duplas Femininas Que Marcaram a Música Sertaneja

“naquela paisagem lá de dentro
avermelha um sol rebento
esquentando o meu cantar” Luhli & Lucina

Mulheres na música sertaneja

1 – Irmãs Castro
Maria de Jesus e Lourdes Amaral formaram, em 1938, a primeira dupla de mulheres a gravar música sertaneja no Brasil. Escondidas dos pais, elas venceram o concurso “Descobrindo Astros do Futuro” na rádio Bauru, interior de São Paulo. Já reconhecidas como as Irmãs Castro, lançaram, em 1945, o sucesso “Beijinho Doce”, composição de Nhô Pai, nome artístico de João Alves dos Santos.

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Análise: Jeanne Moreau personificou a liberdade feminina

“Viver, depois colocaremos uma etiqueta.” François Truffaut

Jeanne Moreau atriz de cinema francesa

Quem interpreta tem o costume de dizer que o trabalho acontece no corpo. Não através ou com, mas nele: tanto dentro quanto fora desta matéria que nos permite a existência terrena. No caso de Jeanne Moreau essa construção não ficava explícita. Difícil determinar se ali havia psicologismo, intuição ou preponderância física, fato é que o gesto se ajustava às intencionalidades – isto dito em seus melhores momentos no cinema assim como na amplitude das possibilidades cênicas, pois é o que se cristaliza dos ícones. Dito isto, o que permanece de Jeanne Moreau – em clássicos da tarimba do cínico “Os Amantes”, dirigido por Louis Malle; o existencialista “A Noite”, de Antonioni; e, principalmente, o provocativo “Jules e Jim”, de Truffaut – é o olhar inquisidor da atriz, tanto ou mais afirmativo em relação ao timbre de voz levemente travesso.

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7 Faces Musicais do Poeta Drummond

“A boca está comendo vida.
A boca está entupida de vida.
A vida escorre da boca,
lambuza as mãos, a calçada.
A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.” Carlos Drummond de Andrade

Poesias de Drummond viram música

“parti-me para o vosso amor/que tem tantas direções/e em nenhuma se define/mas em todas se resume”. Para interpretar ao poeta – o dono dos versos – ninguém melhor do que ele próprio. No entanto, Carlos Drummond de Andrade teve sua escrita transformada não apenas na cabeça e coração dos leitores, como também através da música e do cinema. Sete faces que se transmudam em outras na obra daquele que tinha uma palavra de sua predileção: “taciturno”.

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