“É um grito de liberdade contra tudo que oprime”, diz diretor de “Bixa Travesty”

“Não respondo de medo. De medo da pressa dos inteligentes que arrematam a frase antes que ela acabe. E porque não tem resposta. Qual o segredo por trás disso tudo? Como te digo que desejo sim meu cônjuge, meu par, que não proclamo mas meu corpo pêndulo nessa direção? Que meu par é quem quer saber e dá, a bênção, as palavras: em nome do pai, e da filha, qual é o endereço? o interesse? o alvo do raio? a vida secreta do sr. Morse? Alguém viu – o sossego do urso? Alguém ficou fraco diante de sua mãe? Alguém disse que é para você que escrevo, hipócrita, fã, cônjuge craque, de raça, travestindo a minha pele, enquanto gozas?” Ana Cristina Cesar

Uma luva metálica de unhas pontiagudas usada por Ney Matogrosso na época do grupo Secos & Molhados é apresentada no documentário “Bixa Travesty” como um amuleto dado pela amiga e parceira Jup do Bairro para Linn da Quebrada, 29. A revelação do encontro entre ídolo e fã, no entanto, só acontece ao final do longa-metragem. “Ser recebida pelo Ney com tanto carinho e generosidade representa muito. A importância se dá, justamente, por ser um encontro de gerações, entre o que eu venho propondo na música agora e o que o Ney continua realizando com o seu corpo, sua força e sua coragem”, exalta Linn.

Focado na trajetória de Linn, que também participou da roteirização, “Bixa Travesty” estreia em BH, no Cine Belas Artes, no dia 28 de novembro. Mas o caminho, até aqui, não foi fácil. Lançado no Festival de Berlim no ano passado, ele recebeu o prêmio Teddy de melhor documentário. No Festival de Brasília, foi novamente premiado, dessa vez na categoria melhor filme de público, concedido pela Petrobras para fomentar a distribuição. No entanto, com a eleição de Jair Bolsonaro e a troca de governo, a premiação foi suspensa, como conta Kiko Goifman, que dirigiu o filme ao lado de Claudia Priscilla.

10 mineiros que poderiam ter nascido no Rio

“O mar de Minas não é no mar.
O mar de Minas é no céu
pro mundo olhar pra cima e navegar
sem nunca ter um porto onde chegar…” Domínio Público

Eles são mineiros, mas dedicaram filmes, livros e canções para aquela que é considerada por muitos como a “Cidade Maravilhosa”. Vocacionados para a criação, músicos, atores, escritores e cineastas partiram de todos os cantos das Minas Gerais em busca de uma oportunidade para exercer o seu ofício e acabaram se estabelecendo no Rio de Janeiro. Hoje em dia, não é incomum que eles carreguem o sotaque praiano e tragam a saudade das montanhas.

10 gringos que foram adotados pela música brasileira

“E em nossa pátria imóvel germinava e crescia
o amor com os direitos do orvalho.” Pablo Neruda

António Joaquim Fernandes morreu em setembro, aos 67 anos, vítima de câncer de pele. Com estas informações, poucos o reconheceriam. Foi no Brasil, para onde se mudou aos 11 anos, que o cantor nascido em Macedo de Cavaleiros, em Portugal, adotou o nome artístico de Roberto Leal, alcançando um enorme sucesso ao popularizar os fados de seu país. Assim como Roberto Leal, outros músicos vindos de fora escolheram o Brasil para expressar sua arte. Listamos alguns deles.

14 featurings que deram o que falar na música brasileira

“Todos eles eram bastante famosos, mas se apresentavam no palco como se fossem muito mais famosos: isto é, com modéstia.” Brecht

Levada à casa de João Nogueira pelo amigo Paulo César Pinheiro, a cantora Elis Regina ganhou de presente a música “Bolero de Satã”, com letra de Pinheiro e melodia de Guinga. Elis decidiu convidar para a faixa, gravada no álbum “Essa Mulher” (1979), Cauby Peixoto, que ela considerava o melhor cantor do Brasil.Como se sabe, Elis tinha um temperamento competitivo e era avessa a dividir os holofotes.

Ela não gostava de duetos. De fato, o que se viu foi outra coisa, mesmo com seu ídolo maior. Ao longo dos 3 min 25s da canção, a presença de Cauby se resume a 32 segundos, sendo que em boa parte deles Elis faz vocalises ao fundo, e, nos cinco segundos finais, os dois, enfim, unem suas belas vozes. O que na época era conhecido como “participação especial”, hoje, seria chamado de “featuring”, ou, até, pela abreviação do termo, “feat”. Abaixo, selecionamos alguns dos mais bombados atualmente, com direito a uma licença poética para homenagear os precursores.

Letrux: “A prisão do Lula faz parte desse grande golpe em que estamos inseridos”

“Mas ela teve piedade de um covarde tolo,
Alimentou seu fogo,
Manteve suas brasas vivas.
O tempo é o mal.” Ezra Pound

As coincidências rondam a história de Letrux, 37, com Marina Lima. “Conheci a Marina no Hotel Marina”, diverte-se Letrux, ao relembrar o primeiro encontro, em 2008, no bairro Leblon, no Rio de Janeiro. A união musical se concretizou com “Puro Disfarce”, faixa de “Em Noite de Climão” (2017), que servirá de base para o show da dupla no Sarará. “Marina é minha madrinha musical. Amo como funciona a cabeça dela”, afirma Letrux. Preparando videoclipes para todas as canções de seu disco mais recente, a compositora promete gravar o sucessor de “Em Noite de Climão” em novembro e lançar, em breve, o single “Ouro Puro”, gravada por Elba Ramalho em 1989. Na entrevista abaixo, a artista multifacetada fala sobre encontros musicais, as características de sua geração, política, perseguição e censura à comunidade LGBT e defende a libertação do ex-presidente Lula.

80 anos de “Aquarela do Brasil” em 10 curiosidades

“Quando o almirante Cabral/Pôs as patas no Brasil/O anjo da guarda dos índios
Estava passeando em Paris./Quando ele voltou da viagem/O holandês já está aqui.
O anjo respira alegre:/‘Não faz mal, isto é boa gente,/Vou arejar outra vez.’
O anjo transpôs a barra,/Diz adeus a Pernambuco,/Faz barulho, vuco-vuco,
Tal e qual o zepelim/Mas deu um vento no anjo,/Ele perdeu a memória…
E não voltou nunca mais.” Murilo Mendes

A rabugice de Ary Barroso (1903-1964) era conhecida, tanto que na biografia do compositor, escrita pelo jornalista Sérgio Cabral, conta-se o seguinte episódio: em seus últimos dias de vida, Ary telefona, do hospital, para o amigo David Nasser, e avisa: “- Estou me despedindo, vou morrer”. “Como é que você sabe?”, retruca Nasser. “- Estão tocando as minhas músicas no rádio”, devolve Ary.

Paródia
De tão lendário, o comportamento ranzinza acabou dando trela para um quadro no espetáculo do comediante José Vasconcellos, que imitava Ary no aguardado instante em que, durante o seu programa radiofônico e de TV “Calouros em Desfile”, ele recebia um participante. Sucedia-se o diálogo:

Moro e Dallagnol viram tema de música da Orquestra Royal

“Não duvido do cumprimento
De uma lei concebida e redigida
Expressamente para aniquilar-me.
Ai da vítima quando aquele mesmo
Que a lei forjou, lavra a sentença!
Podeis negar que se visou perder-me?” Friedrich Schiller

Sempre atenta aos acontecimentos mais quentes da política brasileira, a Orquestra Royal não deixou passar a oportunidade de criar mais uma pérola, dessa vez em cima da polêmica dos vazamentos envolvendo o ex-juiz e atual Ministro da Justiça Sergio Moro e o procurador da Lava Jato, Deltan Dallagnol. Na canção, Moro e Deltan são comparados a diversas outras duplas ou uniões, no mínimo, peculiares. A composição ainda aproveita para tirar um sarro com a versão “Juntos e Shallow Now” de Paula Fernandes e Luan Santana.

Michel Melamed: “É hora de dizer não aos nazistas, e sim aos nossos artistas”

“A solidão mostra o original, a beleza ousada e surpreendente, a poesia. Mas a solidão também mostra o avesso, o desproporcionado, o absurdo e o ilícito.” Thomas Mann

A primeira vez que ouvi falar em Michel Melamed foi na Faculdade de Comunicação e Artes, durante o curso de jornalismo, em 2008. O professor Márcio Serelle, que mais tarde escreveria o prefácio do meu primeiro livro (“Amor de Morte Entre Duas Vidas”), falava entusiasmado sobre o trabalho “Regurgitofagia”, um marco da dramaturgia nacional que unia diversas linguagens, como poesia, teatro e artes plásticas, e propunha uma radical interação com a plateia, onde cada reação sonora emitida por esta era captada por microfones e transformada em descargas elétricas que atingiam em cheio o corpo de Melamed. Como as aulas do professor Serelle me impressionavam, a partir deste momento ambos passaram a me impressionar.

O encontro “pessoal” com Melamed se daria pouco tempo depois, quando o ator, escritor, poeta, diretor teatral e futuro apresentador de televisão apresentou uma palestra para lá de performática na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais. Da cadeira onde eu estava, a poucos metros de distância do convidado, as provocações de uma palestra que nada afirmava, mas, ao contrário, lançava questões uma atrás da outra, borrando e rompendo as barreiras entre representação e realidade, confirmaram definitivamente a admiração pela personalidade artística de Melamed. Ao ter a oportunidade de entrevista-lo, também busquei as memórias remotas do personagem. Antes de ser contratado pelo Canal Brasil, ele foi espectador da emissora.

6 clipes bombados de K-Pop no mundo

“Vocês sabem tão bem quanto eu: as pessoas nunca podem dizer claramente o que pensam do dinheiro, da morte, da fama ou do casamento, vocês precisarão apanhá-las nas entrelinhas; vocês terão que adivinhar.” Thornton Wilder

Fogos de artifício, dois monumentais tigres de bronze e, em cada um dos sete microfones, uma cor do arco-íris. Subitamente, alguém sobrevoa a plateia. É Jungkook, que, a exemplo dos demais membros do BTS, veste um alinhado terno branco feito sob medida pela renomada grife francesa Dior. Esse é um aperitivo da turnê “Love Yourself: Speak Yourself”, que começou na Califórnia, nos Estados Unidos, e chega ao Brasil no próximo final de semana, com apresentações nos dias 25 (sábado) e 26 (domingo) de maio, no estádio Allianz Parque, em São Paulo, com capacidade para 55 mil pessoas.

Parte de uma série de oito apresentações que vai percorrer as Américas, a Europa e a Ásia, o anúncio do show avisa que se trata do “maior grupo de pop do planeta”. O esgotamento de todos os ingressos na capital paulista, que custavam entre R$ 205 (meia) e R$ 975 (inteira), torna a propaganda difícil de ser rebatida. Mas não é só isso. Depois de estrear em 2013 com o lançamento do single “No More Dream”, o conjunto de sete garotos sul-coreanos, que atualmente têm entre 21 e 26 anos, iniciou uma escalada impressionante e se consolidou como o maior expoente mundial de k-pop. A expressão é uma abreviação para korean pop, ou, em tradução literal, “música pop coreana”.

10 lembranças inesquecíveis dos anos 90

“O menino é hoje um homem douto que trata
com física quântica.
Mas tem nostalgia das latas.” Manoel de Barros

Para descolar uma balada e zoar era de lei estar antenado no que fosse pintar. Estiloso ou grunge, não andar na pindaíba ajudava. E se quisesse ficar com uma mina, pedir conselhos ao brother estava em alta. É possível que hoje em dia essas gírias não sejam mais tão íntimas de uma geração nascida no século XXI. Mas nos anos 90 elas eram pura lacração. Apesar disso, só agora o período recebe apreciação de um dos nossos produtos culturais mais populares. Nessa terça, a novela “Verão 90” estreia na rede Globo com o propósito de repetir o revisionismo que tramas como “Anos Dourados” (1986), “Estúpido Cupido” (1976) e “Boogie Oogie” (2014) fizeram sobre os anos 50, 60 e 70, respectivamente, e que o filme “Bingo: Rei das Manhãs” (2017) realizou com os anos 80.