Análise: “Estação Plural” exalta a diversidade sexual e de gênero

“Aviso que vou virando um avião. Cigana do horário nobre do adultério. Separatista protestante. Melindrosa basca com fissura da verdade. Me entenda faz favor: minha franqueza era meu fraco (…) Não olho para trás. Aviso e profetizo com minha bola de cristais que vê novela de verdade e meu manto azul dourado mais pesado do que o ar. Não olho para trás e sai da frente que essa é uma rasante: garras afiadas, e pernalta.” Ana Cristina Cesar

Atração é comandada por trio de apresentadores

Tendo como princípio a diversidade sexual e de gênero, o programa “Estação Plural”, exibido nas segundas-feiras a partir das 22h na TV Brasil, amplia o leque para a raiz e o radical inerente ao tema: diversidade de vida que almeja à tolerância e ao respeito. No elogio ao múltiplo a descoberta de que a riqueza concentra-se no que é vário, e não singular. São paradoxos esmiuçados com consciência, experiência e conhecimento: somos todos únicos e iguais em alguma medida, e é pela identificação humana que devemos reconhecer no outro todas as diferenças que nos propiciam uma existência passível de exuberância. No comando da atração Ellen Oléria, Fefito Oliveira e Mel Gonçalves exibem personalidades tão distintas quanto complementares, não no sentido limitador, mas na coesão que os tons encontram por serem de diferentes peças, para além do quebra-cabeça, mas, por ora, uma sinfonia, aonde a música foge e se oferece harmônica justamente pela impalpabilidade.

Entrevista: Ana Cecília Costa cria mundos com sua arte

“Uma mulher que ama poderá desejar muito ser mãe, porém, o desejo apenas, embora profundo e intenso, não é suficiente. Entretanto, um dia ela se tornará mãe, sem, contudo, ter-se apercebido do momento em que isso se deu. O mesmo acontece com o artista: vivendo, ele reúne em si um sem-número de germes de vida e nunca poderá afirmar ‘como’ e ‘por que’, num determinado momento, um desses germes vitais penetrou a sua fantasia para tornar-se, também ele, uma criatura viva, no plano da vida superior, acima da volúvel existência de todos os dias.” Luigi Pirandello

Atriz Ana Cecília Costa é protagonista da peça "A Língua em Pedaços"

Ana Cecília Costa não nasceu ontem, mas também não se atrela ao tempo para determinar os próximos passos. Com ganas e energia de quem está sempre começando, ela segue em cartaz com o projeto “A Língua em Pedaços”, do qual foi mentora e onde interpreta a protagonista Santa Teresa D’Ávila, que tem partes de sua vida contadas no espetáculo dirigido por Elias Andreato com texto de Juan Mayorca e atuação de Joca Andreazza. “Esse é um espetáculo que desejo levar por muito tempo, porque Teresa D’Ávila é uma personagem inesgotável, atemporal, me faz muito bem interpretá-la, e percebo que também faz bem ao público ouvi-la. Temos tido uma recepção maravilhosa por onde passamos. Possivelmente, voltaremos com a peça em São Paulo ano que vem no Mosteiro de São Bento”, anseia. Mas não para por aí, ao contrário.

10 sucessos da música infantil brasileira

“As Nações já tinham casa, máquina de fazer pano,
de fazer enxada, fuzil etc.
Foi uma criançada mexeu na tampa do vento
Isso que destelhou as Nações” Manoel de Barros

O universo infantil deu vários sucessos para a música brasileira

A música que versa sobre o universo infantil nem sempre é só para crianças, embora tenda a atendê-las. Ou seja, talvez, para a criança que teima em existir em cada um de nós. Afinal tudo na vida é feito para se ter alegria, voltar a brincar com a leveza e plenitude dos primeiros anos. Com essa intenção, muitos dos nossos cantores e compositores cravaram verdadeiros sucessos da música infantil brasileira no nosso imaginário popular, desde a década de 1940, passando pelos anos 1950, 1960 e assim por diante até os anos 2000. Com múltiplas abordagens, reafirmando o caráter diversificado da nação, passeamos ao sabor de Braguinha, Carequinha, Mamonas Assassinas, Os Trapalhões, Zacarias, Jô Soares, Adriana Partimpim e relembramos a infância.

As diferenças do humor na internet e na televisão

“As lágrimas do mundo têm uma constância imutável. Assim que um acaba de chorar, em algum outro lugar outro começa. É a mesma coisa com a risada. Portanto, não vamos falar mal de nossa época; ela não é pior que as anteriores. Mas também não vamos falar bem dela. Não vamos falar nada.” Samuel Beckett

Programas de humor proliferam na internet

Nas últimas semanas Marcelo Adnet e Fábio Porchat estrearam programas de entrevista e – vá lá, – variedades na televisão. Júlia Rabello estreou atração que se pretende misto entre realidade e ficção. Já no caso de João Gordo foi uma reestreia, de volta à condição de entrevistador em rede televisiva, ele que, nos últimos anos, além de um programa de rádio, seguia comandando o modelo, porém na internet. Tatá Werneck, também humorista, teve tal experiência ao lado de Porchat, sob o simbólico título de “Tudo Pela Audiência”, em que o motivo do deboche era o próprio veículo. Afinal de contas, com toda a ascensão da internet a TV ainda atrai mais espectadores, ao menos em números brutos. Mas eles nem sempre fornecem toda a verdade.

Crítica: Apartamento “302” dá voz a mulheres brasileiras

“a poesia
me come
me penetra
me descobre me revela
gozando em cima de mim
mas eu não cuspo:
engulo” Bruna Kalil Othero

Programa 302 vai ao ar no Canal Brasil toda sexta-feira

A proposta é simples, e o trabalho também – ao menos aparentemente, mas o que fica claro é que há bem mais que aparência. Fotografar mulheres nuas em um ambiente arejado, puro, caiado. Tudo para que elas se sintam à vontade, e os recursos apontam nessa direção. Jorge Bispo, reconhecido fotógrafo do gênero, afirma na apresentação que tinha por princípio “abrir a casa para fotografar mulheres de verdade”, e que, com isto, ao passar do tempo, “a casa se tornou minha e delas”. É verdade, por que a partir da abstração do desnudamento, posto de maneira objetiva e real, as mulheres se revelam muito mais e além dos corpos. O programa vai ao ar no Canal Brasil, na meia-noite de toda sexta-feira e já coleciona mais de três temporadas de reconhecimento.

Análise: 80 anos de Rolando Boldrin, herói da memória nacional

“Êta país tão sinfônico
Que é da América, da América do Sul
Êta país biotônico
Que é do Jeca, do Jeca-Tatu” Rolando Boldrin

Rolando Boldrin apresenta o programa "Sr. Brasil"

Rolando Boldrin desmente duas máximas, uma brechtiana e outra tupiniquim. Pela ordem: “Infeliz a nação que precisa de heróis”; e “O Brasil é um país sem memória”. Rolando é o herói da memória nacional. Fácil provar a hipérbole. Contra a invasão de sertanejos pop, ele mantém, há mais de década no ar, pela valente TV Cultura, um programa de música caipira, não só na vestimenta, no sotaque, como, sobretudo, no espírito, na reverência aos ensinamentos dos simples, ao aprendizado empírico daqueles que creem acima de tudo “nos seus cinco sentidos, o testemunho os leve para onde for geralmente eles não têm medo”, para citar, desta vez com razão, mais uma frase do dramaturgo alemão Bertolt Brecht. Isto tudo porque Rolando não faz mais do que dar vazão e espaço a uma terra e, principalmente, a uma gente que ele conhece bem. Neste caso, tecer loas à tradição é provavelmente a maior ousadia de Boldrin.

Análise: 80 anos de Moacyr Franco, do riso ao choro

“Ainda ontem chorei de saudade…
Relendo a carta e sentindo o perfume…
O que fazer com essa dor que me invade?
Mato esse amor ou me mata o ciúme…” Moacyr Franco

O cantor, humorista e autor Moacyr Franco

“Saio da montanha, mas a montanha não sai de mim” é um ditado inventado que poderia facilmente ser atribuído a Moacyr Franco. Embora tenha deixado Ituiutaba, no interior das Minas Gerais, há uns bons tempos, o artista jamais se furtou de carregar certo semblante típico dessas paragens. E isto para quem se especializou em desenvolver mais de uma atividade artística, como se todas formassem os “cinco dedos da mesma mão”, parodiando Jô Soares. Franco surgiu como ator, explodiu como cantor, assentou a carreira de compositor, arriscou-se na apresentação e traçou até passos sérios, como político filiado a diversos partidos. Para as duas condições que mais exercitou, entre a música e a dramaturgia, alcançou sucesso através de características díspares, sendo motivo de riso numa e oferecendo sensações para o choro noutra. Pura arte. Moacyr é contemporâneo da época de ouro do rádio no Brasil, e certamente influenciado por essa vertente levou os ensinamentos aprendidos tanto para a televisão quanto a música. Discípulo do bordão, da marca, da canção narrada.

3 quadros de humor sobre o futebol no Brasil

“Se eu não fosse otimista já teria me naturalizado dinamarquês.” João Saldanha

3 quadros de humor sobre o futebol brasileiro

Há, pelo menos, duas formas de arte bem populares no Brasil: uma é o riso, a outra é o drible. Juntas concederam ao público uma mistura capaz de gerar alegria e entusiasmo, crítica e reverência aos nossos craques. Em épocas distintas nossos humoristas optaram, invariavelmente, pela paródia, que aqui veremos representada em três exemplos, o primeiro fornecido pelo mestre de todos eles, vindo do interior do Ceará, o icônico Chico Anysio. Em seguida, pertencente à trupe “Casseta & Planeta”, mas com destaque próprio, toda a irreverência de Bussunda. E mais recentemente um quadro protagonizado pelo coletivo “Porta dos Fundos”, em que a atenção se volta para o gesto da torcida.

Análise: Guilherme Karan tinha embocadura própria para as personagens

“Eles se habituam logo com o deboche. Basta um pouco de tédio…” Jean Genet

guilherme-karan

Fala-se muito no humor da importância da respiração, da pausa, do momento certo de enumerar a piada, ou a deixa, ou a fala. Essencial, tal aspecto, porém, não raramente precisa do acompanhamento de outro, que nem sempre recebe a mesma atenção da crítica e nem dos próprios atores, mas que, em benefício dos que o percebem e utilizam cria para estes a possibilidade de uma “marca”, o que em outros tempos era adquirido pelo “bordão”, capaz de diferenciá-los ainda que confinados a um mesmo espectro de personagem. Com a paulatina desvalorização das intérpretes de um número só, o que se configurava como certo “estilo” para os atores esmaeceu-se em privilégio de certa diversidade.

Crítica: Programa “Nasi Noite Adentro” exalta estilo de vida libertário

“Eu vi os expoentes de minha geração destruídos pela loucura, morrendo de fome, histéricos, nus, arrastando-se pelas ruas do bairro negro de madrugada em busca de uma dose violenta de qualquer coisa.” Allen Ginsberg

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De volta à programação do Canal Brasil, emissora paga vinculada à Rede Globo, toda quinta-feira a partir da meia-noite, o programa “Nasi Noite Adentro” confirma sucesso ao emplacar a sua quarta temporada. A atração comandada pelo histórico vocalista da banda paulistana Ira! explora justamente espaços recônditos da capital, ou nem tanto, pois embora anti-convencionais os lugares visitados recebem número significativo de pessoas, como comprovam os episódios; alguns, inclusive, temáticos – de que são exemplos os bastidores de uma filmagem pornô, um hotel dedicado a gays e o bar com estética punk. O estilo de vida libertário exaltado por Nasi e seus convidados recebe abrigo contundente pela noite que esconde e revela seus tabus e segredos.