14 atores e atrizes brasileiras que se arriscaram na música

“O mundo tornou-se novamente ‘infinito’: na medida em que não podemos rejeitar a possibilidade de que ele encerre infinitas interpretações.” Nietzsche

Música e interpretação se misturam no Brasil

Não é de hoje que os mundos da canção e da dramaturgia se encontram. Muitos foram os artistas brasileiros que desempenharam esses dois papeis. Na última quinta-feira (2) a atriz Eva Wilma resolveu estrear no ofício, a convite de seu filho, o cantor e compositor Johnnie Beat.

EVA WILMA
Aos 83 anos, a atriz participa do espetáculo “Crise, Que Crise?”, e canta pela primeira vez no palco. De acordo com ela, sua principal inspiração foi a paulistana Inezita Barroso (1925 – 2015), atriz, cantora e apresentadora do programa “Viola, Minha Viola”, durante mais de 30 anos, na TV Cultura.

Crítica: “Chacrinha, o Musical” diverte, mas não avança na história do protagonista

“Cada produto da fantasia, cada criação da arte deve, para existir, levar em si o seu próprio drama, isto é, o drama do qual e pelo qual é personagem. O drama é a razão de ser da personagem. É sua função vital, necessária para que ela possa existir.” Luigi Pirandello

Chacrinha, o Musical, com Stepan Nercessian

De volta aos palcos para celebrar o centenário de nascimento de Abelardo Barbosa, o espetáculo “Chacrinha, o Musical” deixa claro, desde o princípio, quais são os motivos do seu sucesso: ele está ali para divertir, e investe pesado em atrações que tragam riso e leveza ao público, tal como o protagonista homenageado, que imortalizou bordões do tipo: “eu não vim para explicar, vim para confundir”. Essa noção de que o que interessava a Chacrinha era a fantasia, e a ideia de que ele constituía sua personagem, sobretudo, no palhaço, é a responsável por um dos grandes trunfos da montagem. Logo na abertura, o cenário inspirado por cordéis pernambucanos (terra de nascimento do apresentador, natural de Surubim) sustém sobre a cena uma aura mágica, possibilitando ao espectador, justamente, fugir da realidade tacanha, obsoleta e pragmática a que a mera objetividade o relega. Cada núcleo de artistas que sobe ao palco – este disposto para reconstituir o esquema de auditório consagrado por Chacrinha – envolve a cena com coreografias bem ensaiadas, mas que em determinado ponto ficam monótonas.

50 anos da Tropicália: 12 discos loucos

“um sopro interior, de plenitude cósmica” Hélio Oiticica

Tropicália completa 50 anos

Em um de seus últimos ensaios o artista plástico Hélio Oiticica (1937 – 1980) chegou a uma conclusão reveladora: “Descobri q o q faço é MÚSICA, e que MÚSICA não é ‘uma das artes’, mas a síntese da consequência da descoberta do corpo”, escreveu o inventor do parangolé, que foi também responsável pela criação do monumento artístico que nomeou a Tropicália. A abrangência da perspectiva de Oiticica, cujo verso ‘o q faço é música’ batizou disco de 1998 lançado por Jards Macalé, pode ser percebida na miscelânea e pluralidade de discos emblemáticos do movimento que, há 50 anos, balançou as estruturas da música brasileira.

Os 5 videoclipes brasileiros mais visualizados

“À glória sucede/o que sucede à água:
por mais água que beba,/qual lhe sacia a sede?
Diverso o sucesso,/basta-lhe um verso
para essa desgraça/que se chama dar certo.” Paulo Leminski

Anitta vai lançar um clipe a cada mês

Após um relativo hiato vivido entre a era de ouro da MTV – nas décadas de 80 e 90 era o único canal cuja programação se resumia a transmitir vídeos musicais 24 horas por dia – e o boom das plataformas digitais, o videoclipe retomou seu protagonismo. A argumentação ganha força quando se constata que os artistas mais populares do país nos últimos anos lançaram mais videoclipes do que álbuns. Os principais gêneros a apostar no formato são o funk e o sertanejo universitário. Anitta, por exemplo, contabiliza quatro discos e 31 vídeos. Em janeiro, a sertaneja Marília Mendonça lançou três clipes de uma só tacada, enquanto a dupla Simone & Simaria mantém o posto de clipe brasileiro mais visto na história do YouTube, feito alcançado no primeiro mês de 2017.

10 músicas brasileiras para crianças

“Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
(…) Grande é a poesia, a bondade e as danças…
Mas o melhor do mundo são as crianças” Fernando Pessoa

Música brasileira feita para criança

“A infância é a camada fértil da vida”, definiu o poeta mato-grossense Nicolas Behr. Seu conterrâneo, Manoel de Barros preferiu o lado da brincadeira (nada mais apropriado, não é?) para tecer uma louvação parecida: “As Nações já tinham casa, máquina de fazer pano, de fazer enxada, fuzil etc./ Foi uma criançada mexeu na tampa do vento/Isso que destelhou as Nações”. A mesma irresponsabilidade infantil ganhou ode em versos de Fernando Pessoa: “Ai que prazer/Não cumprir um dever,/Ter um livro para ler/E não o fazer!/ (…) Grande é a poesia, a bondade e as danças…/Mas o melhor do mundo são as crianças”. Através da música, compositores brasileiros habituados ao universo “adulto” também se permitiram voltar aos primeiros anos, como Sidney Miller que, ao fim da canção “O Circo” (“Vai, vai, vai, começar a brincadeira/Tem charanga tocando a noite inteira/Vem, vem, vem, ver o circo de verdade”) de 1967, concluiu com saudade: “Foi-se embora e eu ainda era criança…”.

12 videoclipes que já fizeram história

“A imagem inteligente é uma das formas que o cinema tem de ser profundo.” Luis Fernando Veríssimo

Videoclipes históricos no Brasil e no mundo

Aquele do Michael Jackson virando zumbi, do Freddie Mercury com roupas femininas ou, ainda, o do Raul Seixas cercado por relógios são exemplos de casos onde as músicas podem ser mais lembradas pelas imagens do que pelos sons. “Thriller”, “I Want to Break Free” e “Tente Outra Vez” continuam sendo belas canções, mas fica difícil avaliar se o impacto seria o mesmo se não fosse pelos videoclipes.

Análise: Paulo Silvino colocou corpo expressivo a favor das piadas

“Posso inventar qualquer coisa, zombar dos outros, criar toda espécie de mistificações, fazer todo tipo de piadas e não ter a impressão de ser um mentiroso; essas mentiras, se quiser chama-las mentiras, sou eu, tal como sou; com essas mentiras, não simulo nada, na realidade com essas mentiras estou dizendo a verdade.” Milan Kundera

Paulo Silvino deu vida ao porteiro Severino

Se o modelo de beleza grega é pautado pela constância entre equilíbrio, simetria, harmonia e proporcionalidade, o que esta noção sugere como risível aponta justamente para o contrário. Diante deste segundo quadro, podemos nos deparar, frente ao ridículo, com outras duas possibilidades: repulsa ou empatia. Quando esta segunda reação acontece estamos, inevitavelmente, no campo do humor. No caso do ator Paulo Silvino, uma observação panorâmica revela o uso destas valências em todos os personagens que ele, literalmente, incorporou ao longo da trajetória. Não que sua representação buscasse o realismo ou alguma naturalidade, ao contrário. Com trejeitos e cacoetes típicos das definições de caricatura, Silvino soube colocar seu corpo expressivo e abundante a favor de piadas tão imediatas quanto uma assimilação física da realidade. Criou bordões cuja impulsão vinha mais da estética que do conteúdo. Prova é que a mera reprodução das palavras utilizadas não é capaz de alcançar o sentido delas quando imprimidas na tela por meio das atuações.

Entrevista: O encontro de Louise Cardoso com Leila Diniz

“Toda mulher é meio Leila Diniz…” Rita Lee

Louise Cardoso protagonizou o filme "Leila Diniz"

“Nem de amores eu morreria, porque eu gosto mesmo é de viver deles”. A frase pertence àquela que se habituou a contrariar padrões e dar a volta nos clichês. Mais do que atriz, Leila Diniz tornou-se símbolo da liberação feminina em plena ditadura militar no Brasil, tanto que, em 1969, após uma polêmica entrevista recheada de palavrões ao jornal O Pasquim, foi outorgada lei que ficou conhecida como Decreto Leila Diniz, e que ampliava a censura do regime antidemocrático. Não adiantou, pois ela seguiu desfilando liberdade até 1972, a despeito de empunhar bandeiras ou palavras tidas como as de ordem.

Quinze anos após a trágica morte de Leila num acidente de avião em Nova Déli, na Índia, Louise Cardoso recebeu a missão de interpretar a artista na cinebiografia lançada em 1987 e dirigida por Luiz Carlos Lacerda, o popular Bigode, amigo íntima da homenageada, tanto que trabalhou com ela, por exemplo, em “Mãos Vazias”, na adaptação para o romance de Lúcio Cardoso. “Assim que o convite chegou, a primeira coisa que fiz foi procurar conhecer a fundo a Leila. Vi seus filmes todos mais de uma vez, li muitas entrevistas dela, conversei com pessoas que conviveram intimamente, e depois o diretor Luiz Carlos Lacerda me emprestou os diários dela. Aí pude saber quem realmente era Leila Diniz, sua maneira de pensar o mundo, como sentia as pessoas, suas opiniões, desejos, sonhos, medos”, relembra Louise.

Análise: Kid Vinil orbitou a cena e influenciou outras estrelas

“E a luta de resistência
se trava em todo lugar:
por cima dos edifícios
por sobre as águas do mar.” Ferreira Gullar

Kid Vinil e seu acervo musical

Kid Vinil foi dessas figuras que orbitam a cena sem se preocupar, necessariamente, em estar no centro. Se emplacou dois sucessos no posto de vocalista da banda Magazine, ambas no estilo de crônica e tendo como pano de fundo a cidade de São Paulo – com “Sou Boy” e “Tic Tic Nervoso” – sua contribuição para além da própria carreira certamente foi mais efetiva, e se estendeu até outras estrelas. Além de influenciar gerações que empregaram ou mantiveram os preceitos do rock com as informações imprescindíveis para se entender essa história, repassadas através de suas participações no comando de programas de rádio e televisão, Kid lutou para adiar ao máximo o arrefecimento do gênero consagrado nos anos 1980 em seu país, movimento do qual fez parte dentro e fora dos palcos.

A Arte imita a Vida

“Não tenho absolutamente nenhuma ojeriza pelas adivinhas; acho até que são bastante úteis, pois mantêm e sustentam no nosso espírito essa coisa que é mais necessária à nossa vida que o próprio pão: a ilusão.” Lima Barreto

Nelson Xavier interpreta Chico no cinema

Pixinguinha, Chacrinha, Bozo e Carlos Marighella irão viver novamente, graças à magia do cinema. Figuras da atualidade como Roberto Carlos, Erasmo Carlos, o maestro João Carlos Martins e a trupe do Planet Hemp também terão suas vidas contadas na tela grande em 2017. Nada que já não tenha acontecido com Olga Benário, Leila Diniz, Luz Del Fuego, Noel Rosa, Tiradentes, Heitor Villa-Lobos, Xica da Silva, Madame Satã e Bruna Surfistinha. A prática é comum também fora de terras brasileiras – vide os casos de Napoleão, Gandhi, Edith Piaf, Truman Capote, Oscar Wilde e mais uma infinidade – e, embora crescente, está longe de ser novidade. No entanto, a quantidade de filmes com essa temática prevista para estrear no Brasil este ano revela que há algo de novo acontecendo no mercado.

Em 2016, por exemplo, a cinebiografia de Elis Regina levou 538 mil espectadores às salas de cinema, sendo a nona maior bilheteria de um filme nacional no ano. Protagonizado por Andreia Horta, a mimese da personagem impressionou leigos e especialistas, embora o longa-metragem não tenha sido tão bem recebido pela mídia especializada, que acusou a “opção claramente conservadora do ponto de vista cinematográfico, o que, aliás, é norma do cinema brasileiro atual”, escreveu o crítico Inácio Araújo. Luiz Bolognesi, roteirista do filme, ao lado de Hugo Prata (diretor) e Vera Egito, afirma que a maior dificuldade em uma empreitada deste vulto “é condensar uma vida que teve 36 anos em uma hora e meia de duração, pois é preciso estabelecer um recorte e definir a linha que iremos seguir para contar a história”. No caso de “Elis” a opção foi priorizar “a relação dela com os homens, desde o pai, passando pelos maridos (Ronaldo Bôscoli e César Camargo) até os amantes, pois tiveram uma importância fundamental na obra dela, foram todas relações intensas e atribuladas que ela levou para a música”, considera.