Crítica: peça “Josephine Baker: a Vênus Negra” conta história de dançarina com graça e didatismo

“Como disciplina,/Passa o lírio pelo solo negro;
Seu alvo rizoma não se abala/E sua fé nada teme.
Mais tarde, por entre a erva,/Balança a campânula de berilo;
A vida, entre torrões, esquecida agora,/Em êxtase e precipício.” Emily Dickinson

Quem procurar fotos de Josephine Baker (1906-1975) na internet vai encontrar de tudo: desde caretas a poses sensuais, com muita nudez e roupas extravagantes, algo que não era assim tão comum de ser registrado na década de 1920. Essa dicotomia entre o sublime e o ridículo marcou toda a trajetória da cantora e dançarina norte-americana, que foi uma das pioneiras na libertação feminina, mas que, em sua época, teve de travar ainda uma outra batalha: aquela contra o racismo que, a despeito dos que pregam alguns, permanece incrustado em nossa sociedade.

Entrevistas: Simone Zuccolotto e Paulo Mendonça celebram 20 anos do Canal Brasil

“Se quiser, banco o francês
Quase tão bem como ele.
Sou brasileiro, bem sei,
Mas sou mais universal.” Murilo Mendes

Malabarismos automobilísticos e consultas de ocultismo. Foi assim que o Canal Brasil “começou”, há 20 anos, num dia 18 de setembro de 1998. A descrição corresponde à sinopse do primeiro filme exibido pela emissora. “Sonho Sem Fim”, dirigido por Lauro Escorel, não por acaso contava a história de um dos precursores do audiovisual no país: o gaúcho Eduardo Abelim, que, para conseguir produzir seus filmes, subia em veículos em movimento e jogava cartas para adivinhar o futuro. Como o protagonista, a trajetória do Canal Brasil também se firmou nesses três pilares: pioneirismo, resiliência e coragem. Confira abaixo as entrevistas com a apresentadora Simone Zuccolotto e o diretor-geral do canal, Paulo Mendonça.

22 programas marcantes na história do Canal Brasil

“A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil” Manuel Bandeira

Para comandar um programa na emissora é preciso ter estilo. Esse parece ser o principal recado que o canal enviou ao longo de uma história em que se dedicou a fomentar a cultura nacional, abarcando cinema, música, teatro, literatura e as artes plásticas, sem deixar o humor de lado e priorizando, sempre, a liberdade criativa. Listamos abaixo 20 programas inesquecíveis dessas duas décadas no ar.

Entrevistas: especialistas debatem o cenário do funk em BH

“a poesia
me chupa gostoso
prova o meu
gosto
me provoca me
morde me dá o
gozo” Bruna Kalil Othero

“Pulsos e camadas sutis que se acumulam, como um pano de fundo misterioso, uma camada de suspense que é liderada por um ponto minimalista, sinuoso, causando uma sensação estranha, um ritmo deslizante, solto, um tanto imprevisível”. Com essas palavras, o pesquisador e jornalista Gabriel Albuquerque, natural do Recife, procura desvendar a marca de um gênero que, não raro, é tachado de pobre, violento e pornográfico.

“O funk mineiro tem um toque espacial, evanescente, atmosférico e fragmentado. Eu diria que é um funk espectral”, completa Albuquerque, que faz referência ao uso de um beat (andamento rítmico) conhecido pelo nome de “panela”, “latinha” ou “garrafa”, em músicas como “Viciei Nessa Garota”, de MC Dennin, “Nóis É Bandido Vida Loka”, de MC L da Vinte, e “Bota Tudo Nela”, de MC Kaio, expoentes da nova cena belo-horizontina. Confira abaixo o depoimento de três especialistas sobre esse tema que está cada vez mais quente!

Entrevista: Funkeiro MC Papo vai da Piriguete ao Texas

“quero gozar da comida: quero gozar da bebida: quero ser bom quero ser amante quero ser amigo mas não consigo: sobre o tatami, os gusanos me servem de coberta.” Wally Salomão

“Pulsos e camadas sutis que se acumulam, como um pano de fundo misterioso, uma camada de suspense que é liderada por um ponto minimalista, sinuoso, causando uma sensação estranha, um ritmo deslizante, solto, um tanto imprevisível”. Com essas palavras, o pesquisador e jornalista Gabriel Albuquerque, natural do Recife, procura desvendar a marca de um gênero que, não raro, é tachado de pobre, violento e pornográfico. Um dos precursores do funk mineiro, MC Papo, responsável pelos hits “Piriguete” e “BH É O Texas”, analisa o cenário atual do gênero na cidade. Confira a entrevista completa na íntegra abaixo.

10 sucessos inesquecíveis do funk de BH

“Fui pra debaixo da Lua
E pedi uma inspiração:
– Essa Lua que nas poesias dantes fazia papel
principal, não quero nem pra meu cavalo; e até logo, vou gozar da
vida; vocês poetas são uns intersexuais…” Manoel de Barros

Não é apenas de pesquisadores e jornalistas que o funk produzido nas Gerais tem chamado atenção e despertado curiosidade. O público foi quem mais comprou a ideia. Uma prova é o sucesso nacional alcançado por MC Papo e MC Delano, graças aos hits “Piriguete” (2006) e “Na Ponta Ela Fica” (2015). Confira abaixo uma seleção com dez sucessos do funk de BH, feita por Kdu dos Anjos, poeta, professor e coordenador do centro cultural Lá da Favelinha, localizado no Aglomerado da Serra.

Entrevista: Valesca Popozuda exalta a liberdade sexual da mulher

“Demoro a aprender
que a linha reta é puro desconforto.
Sou curva, mista e quebrada,
sou humana. Como o doido,
bato a cabeça só pra gozar a delícia
de ver a dor sumir quando sossego.” Adélia Prado

Na linha evolutiva da música sexual brasileira, é possível dizer que, entre Rita Lee e Karol Conka, o funk de Tati Quebra-Barraco, Deize Tigrona e Valesca Popozuda se impôs como ponto nevrálgico. No começo dos anos 2000, Tati foi a responsável por entoar os versos “se eles quer que você mame/ manda eles te chupar”, invertendo a lógica estabelecida pelo universo machista. Valesca Popozuda, intérprete de “Quero Te Dar”, fala de sua experiência: “A liberdade feminina sempre existiu, só que era medrosa. Eu quis libertar as mulheres. Por que não falar do nosso órgão genital?”, questiona a artista. Confira a entrevista com Valesca na íntegra. 

Três é demais! 10 trios famosos da música popular brasileira

“Nada somos. No entanto, há uma força que prende
o instante da minha alma aos instantes da terra,
como se os mundos dependessem desse encontro,
desses prelúdios sobressaltados.” Cecília Meireles

Na próxima sexta (7), os Tribalistas se apresentam em Belo Horizonte e apresentam ao público o repertório de seu novo álbum, lançado em 2017, além de sucessos do disco de 2002, como “Velha Infância”, “Passe em Casa” e “Já Sei Namorar”. Aproveitamos a oportunidade para relembrar trios famosos da música brasileira e mostrar que, antes de Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Carlinhos Brown, a prática já era uma fórmula de sucesso em vários gêneros, do sertanejo ao rock rural, passando pelo baião, bossa nova, psicodelia, jovem guarda e samba.

Entrevista: Mano Brown defende Lula e critica a mídia

“Ah, aprende-se o que é preciso que se aprenda; aprende-se quando se quer uma saída; aprende-se a qualquer custo. Fiscaliza-se a si mesmo com o chicote; à menor resistência flagela-se a própria carne.” Franz Kafka

Todo o trabalho de Mano Brown à frente dos Racionais MC’s está fundamentado na observação social e na defesa da camada mais pobre da sociedade, frequentemente atingida pela violência no país. Por essas e outras, não é de se espantar a tomada de posição do rapper diante do estado de coisas que têm determinado a política nacional desde as manifestações de junho de 2013.

“Eu acompanhei esse processo desde o início, quando começaram a cogitar o impeachment da Dilma, com a história das pedaladas fiscais, a gente já sabia que o desfecho seria a prisão do Lula”, garante. No final do ano passado, o rapper chegou a postar em suas redes sociais uma foto ao lado do ex-presidente e de Chico Buarque, após uma partida de futebol em que os três participaram. Sem esconder o apoio, ele entoou em seus shows, mais de uma vez, o coro de “Lula Livre”.

Crítica: Musical “O Fantasma da Ópera” é clássico ultrapassado

“pode escapar-nos, porventura, e desvanecer-se, porque não confiamos em fantasmas.” Virginia Woolf

A parafernália em torno de “O Fantasma da Ópera” justifica sua grandiosidade. Cumprindo a premissa dos musicais da Broadway, a nova versão brasileira do musical aposta numa estrutura que impressiona pelos atributos físicos. O cenário não deixa de destacar os itens que terão papel narrativo no desenrolar da trama, em especial o gigantesco lustre colocado sobre a cabeça dos espectadores. A reprodução de um coral de anjos e um brinquedo de um macaco instrumentista também chama atenção pela beleza dos objetos. A atuação da orquestra é outro ponto alto.

Mas, como de praxe, afora o que se impõe pela presença física ou sonora, todo o resto fica a dever. Um musical é, por mania, grandiloquente, ainda mais quando se encontra com o universo operístico. A expansão de gestos, vozes e cores é tamanha que chega ao nível da pirotecnia, o que não anula a capacidade do time de intérpretes líricos, em especial a do protagonista, cuja voz se destaca. Thiago Arancam compõe um Fantasma ao gosto dos fãs: ele toma a cena com vigor, pela força de sua garganta e a rudeza de seu gestual.