Mestres e discípulos: 10 encontros entre gerações na música brasileira

“Não busco discípulos para comunicar saberes. Os saberes se encontram em livros. Busco discípulos para plantar neles as minhas esperanças.” Rubem Alves

Sabedoria e energia volta e meia se encontraram nos palcos da nossa canção, com a juventude recebendo o que de melhor poderia oferecer à velha guarda e vice-versa. Sem perder tempo com paradigmas, nossos artistas mostraram que idade é uma questão de estilo, muito mais do que de gênero, tanto que rock, samba, choro e baião se misturaram nesse caldo musical.

10 lembranças inesquecíveis dos anos 90

“O menino é hoje um homem douto que trata
com física quântica.
Mas tem nostalgia das latas.” Manoel de Barros

Para descolar uma balada e zoar era de lei estar antenado no que fosse pintar. Estiloso ou grunge, não andar na pindaíba ajudava. E se quisesse ficar com uma mina, pedir conselhos ao brother estava em alta. É possível que hoje em dia essas gírias não sejam mais tão íntimas de uma geração nascida no século XXI. Mas nos anos 90 elas eram pura lacração. Apesar disso, só agora o período recebe apreciação de um dos nossos produtos culturais mais populares. Nessa terça, a novela “Verão 90” estreia na rede Globo com o propósito de repetir o revisionismo que tramas como “Anos Dourados” (1986), “Estúpido Cupido” (1976) e “Boogie Oogie” (2014) fizeram sobre os anos 50, 60 e 70, respectivamente, e que o filme “Bingo: Rei das Manhãs” (2017) realizou com os anos 80.

Os 5 melhores discos brasileiros de 2018

“Sempre evitei falar de mim,
falar-me. Quis falar de coisas.
Mas na seleção dessas coisas
não haverá um falar de mim?” João Cabral de Melo Neto

Em um ano marcado pelo acirramento nas disputas eleitorais, a música não passou incólume. Shows de grande porte e álbuns lançados trouxeram forte viés político e se consolidaram como espécie de última trincheira da liberdade. A música negra, principalmente comandada pelo rap, foi outro aspecto em comum.

10 músicas brasileiras sobre palhaços

“O PALHAÇO

Gostava só de lixeiros crianças e árvores
Arrastava na rua por uma corda uma estrela suja.
Vinha pingando oceano!
Todo estragado de azul.” Manoel de Barros

A origem da palavra palhaço vem de seu radical “palha”. Isso porque, na Itália, era dela que se constituía a roupa do palhaço. Em inglês, o termo é associado a camponeses e a seu meio rústico. De uma forma ou de outra o palhaço é ligado à simplicidade, e o sentimento que desperta não poderia ser menos complexo: alegria. Daí por que a infância seja a morada do palhaço. No Brasil, além de palhaços célebres como Carequinha, Arrelia e Benjamin de Oliveira (o primeiro palhaço negro do país, natural de Pará de Minas), a figura mais carismática do circo foi cantada em verso e prosa por Lamartine Babo, Carlos Galhardo, Dalva de Oliveira, As Frenéticas, Chico Buarque e muitos outros, passando por ritmos como a marchinha e o samba, sempre cheios de graça…!

Crítica: musical “Elza” celebra presente político, musical e humano

“Vagueia, devaneia
Já apanhou à beça
Mas pra quem sabe olhar
A flor também é ferida aberta
E não se vê chorar” Chico Buarque

A voz do milênio segundo a BBC de Londres não saiu pela tangente, com uma daquelas respostas burocráticas, quando questionada pelo apresentador Antônio Abujamra no programa “Provocações” (em 2010) sobre o que seria caso não fosse cantora. “Prostituta”, respondeu Elza Soares. O episódio não é abordado no musical “Elza”, mas a força desse gesto é o que rege a dramaturgia desse inquestionável sucesso de público. Pobreza, miséria, fome e luto foram palavras que atravessaram mais de uma vez o caminho da intérprete de timbre único, capaz de arrancar sons da garganta com uma técnica que, segundo ela, teria sido imitada por Louis Armstrong, numa das boas sacadas cômicas da peça. Aliás, o humor também é usado para explicar a voz de Elza. Pois, para além de vividos, os dramas, quando surgem, são todos enfrentados.

Crítica: peça “Josephine Baker: a Vênus Negra” conta história de dançarina com graça e didatismo

“Como disciplina,/Passa o lírio pelo solo negro;
Seu alvo rizoma não se abala/E sua fé nada teme.
Mais tarde, por entre a erva,/Balança a campânula de berilo;
A vida, entre torrões, esquecida agora,/Em êxtase e precipício.” Emily Dickinson

Quem procurar fotos de Josephine Baker (1906-1975) na internet vai encontrar de tudo: desde caretas a poses sensuais, com muita nudez e roupas extravagantes, algo que não era assim tão comum de ser registrado na década de 1920. Essa dicotomia entre o sublime e o ridículo marcou toda a trajetória da cantora e dançarina norte-americana, que foi uma das pioneiras na libertação feminina, mas que, em sua época, teve de travar ainda uma outra batalha: aquela contra o racismo que, a despeito dos que pregam alguns, permanece incrustado em nossa sociedade.

Entrevistas: Simone Zuccolotto e Paulo Mendonça celebram 20 anos do Canal Brasil

“Se quiser, banco o francês
Quase tão bem como ele.
Sou brasileiro, bem sei,
Mas sou mais universal.” Murilo Mendes

Malabarismos automobilísticos e consultas de ocultismo. Foi assim que o Canal Brasil “começou”, há 20 anos, num dia 18 de setembro de 1998. A descrição corresponde à sinopse do primeiro filme exibido pela emissora. “Sonho Sem Fim”, dirigido por Lauro Escorel, não por acaso contava a história de um dos precursores do audiovisual no país: o gaúcho Eduardo Abelim, que, para conseguir produzir seus filmes, subia em veículos em movimento e jogava cartas para adivinhar o futuro. Como o protagonista, a trajetória do Canal Brasil também se firmou nesses três pilares: pioneirismo, resiliência e coragem. Confira abaixo as entrevistas com a apresentadora Simone Zuccolotto e o diretor-geral do canal, Paulo Mendonça.

22 programas marcantes na história do Canal Brasil

“A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil” Manuel Bandeira

Para comandar um programa na emissora é preciso ter estilo. Esse parece ser o principal recado que o canal enviou ao longo de uma história em que se dedicou a fomentar a cultura nacional, abarcando cinema, música, teatro, literatura e as artes plásticas, sem deixar o humor de lado e priorizando, sempre, a liberdade criativa. Listamos abaixo 20 programas inesquecíveis dessas duas décadas no ar.

Entrevistas: especialistas debatem o cenário do funk em BH

“a poesia
me chupa gostoso
prova o meu
gosto
me provoca me
morde me dá o
gozo” Bruna Kalil Othero

“Pulsos e camadas sutis que se acumulam, como um pano de fundo misterioso, uma camada de suspense que é liderada por um ponto minimalista, sinuoso, causando uma sensação estranha, um ritmo deslizante, solto, um tanto imprevisível”. Com essas palavras, o pesquisador e jornalista Gabriel Albuquerque, natural do Recife, procura desvendar a marca de um gênero que, não raro, é tachado de pobre, violento e pornográfico.

“O funk mineiro tem um toque espacial, evanescente, atmosférico e fragmentado. Eu diria que é um funk espectral”, completa Albuquerque, que faz referência ao uso de um beat (andamento rítmico) conhecido pelo nome de “panela”, “latinha” ou “garrafa”, em músicas como “Viciei Nessa Garota”, de MC Dennin, “Nóis É Bandido Vida Loka”, de MC L da Vinte, e “Bota Tudo Nela”, de MC Kaio, expoentes da nova cena belo-horizontina. Confira abaixo o depoimento de três especialistas sobre esse tema que está cada vez mais quente!

Entrevista: Funkeiro MC Papo vai da Piriguete ao Texas

“quero gozar da comida: quero gozar da bebida: quero ser bom quero ser amante quero ser amigo mas não consigo: sobre o tatami, os gusanos me servem de coberta.” Wally Salomão

“Pulsos e camadas sutis que se acumulam, como um pano de fundo misterioso, uma camada de suspense que é liderada por um ponto minimalista, sinuoso, causando uma sensação estranha, um ritmo deslizante, solto, um tanto imprevisível”. Com essas palavras, o pesquisador e jornalista Gabriel Albuquerque, natural do Recife, procura desvendar a marca de um gênero que, não raro, é tachado de pobre, violento e pornográfico. Um dos precursores do funk mineiro, MC Papo, responsável pelos hits “Piriguete” e “BH É O Texas”, analisa o cenário atual do gênero na cidade. Confira a entrevista completa na íntegra abaixo.