7 músicas raras de Cazuza

“Meu caminho nesse mundo, eu sei, vai ter um brilho incerto e louco…” Cazuza

cazuza

Cazuza é um dos mais prolíficos compositores brasileiros, principalmente no que tange a parcerias, não só a tempo de vida. Morto aos 32 anos, pelos efeitos da AIDS, o poeta exagerado praticou em vida a arte do encontro, e encarnou o ideal brasileiro da mistura, da mestiçagem, do liquidificador em segredos compartilhados com o público. Gregário e explosivo, lírico e desbocado, Cazuza passeia em raras parcerias ao lado de amigos como Léo Jaime, Fagner, Dulce Quental, Celso Blues Boy e o inseparável Roberto Frejat; e ídolos como Maysa e Belchior. 7 raridades dignas deste nome.

Brasil, o país dos ditados

“tudo dito,
nada feito,
fito e deito” Paulo Leminski

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A origem para a profusão de ditados entre os brasileiros tem uma explicação convincente no processo de colonização do país. Como os escravos não podiam se comunicar abertamente, estabeleceram uma linguagem codificada. A semelhança com a poesia, nesse aspecto, dá a medida exata do por que uma nação mestiça, influenciada pela cultura de portugueses, italianos, holandeses, japoneses, africanos, e outros mais, concebeu expressão tão rica e singular. A música é mais uma prova desse estilo. Por vias do samba, da marchinha, do rock e da vanguarda, e através das décadas de 30, 40, 50, 60, 70, 80, 90, até os dias atuais, o Brasil se estabeleceu como o país dos ditados. Tão populares que alguns já mereceram, inclusive, as páginas de dicionários.

Centenários 2015: Alceu Penna traçou e coloriu uma ode à beleza

“Sol, s.m.
Quem tira a roupa da manhã e acende o mar
Quem assanha as formigas e os touros
Diz-se que:
se a mulher espiar o seu corpo num ribeiro
florescido de sol, sazona
Estar sol: o que a invenção de um verso contém” Manoel de Barros

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Oliviero Toscani, fotógrafo italiano, afirma que “Caravaggio e Michelangelo, sim, eram publicitários”, ao contrário dele, conhecido por campanhas polêmicas da marca Benetton. E justifica: “Criaram imagens que reproduziam o ideal de beleza no qual a Igreja Católica acreditava”. Para alguns artistas, o adjetivo “moda” é insuficiente. Alceu Penna, mineiro de Curvelo, que tem o centenário de nascimento comemorado neste ano de 2015, é um deles. Célebre pela criação de “As Garotas” na revista “O Cruzeiro”, de 1938 até 1964, Alceu transitou por categorias de entretenimento mantendo o ofício afiado na ponta do lápis. Assinou fantasias de carnaval e peças para desfiles da Rhodia. Se como estilista Penna é quase um solitário no país, ao lado de nomes como Clodovil, Dener, Zuzu Angel e Ronaldo Fraga, é possível constatar no desenho uma larga tradição nacional, especialmente na caricatura, isso sem mencionar mestres da pintura como Tarsila do Amaral e Portinari.

5 perguntas nunca respondidas por Elke Maravilha

“Mas, ao escrever-lhe, tinha em mente outro homem, um fantasma feito das lembranças mais ardentes, das leituras mais belas, dos desejos mais intensos; e, ao final, ele tornava-se tão verdadeiro e acessível que ela palpitava maravilhada, sem poder, todavia, imaginá-lo claramente, de tanto que ele se perdia, como um deus, sob a abundância de seus atributos. Morava em uma região azulada, onde escadas de seda balançavam-se nas sacadas, sob o sopro das flores, sob o luar. Sentia-o por perto; ele viria e a arrebataria toda em um beijo. A seguir, caía do alto, dilacerada, pois aqueles impulsos de amor vago a cansavam mais do que as grandes devassidões.” Gustave Flaubert

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Elke Maravilha é uma das mais exóticas e pitorescas personalidades do cenário brasileiro, basta olhar o número de vezes em que interpretou a si mesma em novelas, cinemas e seriados para constatar essa afirmação. Elke é, em si, a sua própria personagem. Natural da Rússia, despatriada no país de origem e cassada no Brasil, onde veio para morar e combateu a ditadura, Elke adotou a nacionalidade alemã. Como cantora é capaz de interpretar em seu primeiro idioma, o russo, mas também em português e alemão, indo de peças bávaras a xotes do sertão nordestino, em homenagens a Luiz Gonzaga.

Conhecida, sobretudo, como jurada de programas de calouros, onde fez fama junto a um público massificado, Elke começou a carreira como modelo, e o exemplo de beleza grega que ao longo do tempo foi substituído pelo exotismo pode ser conferido em fotografias antigas. Assim, Elke exerce o papel de uma força irreverente, libertária, culta e que ao mesmo tempo despreza todos os pedantismos, lugares comuns e baratos. Em outras palavras Elke conserva aquela qualidade tão cara a todos os artistas, o poder de transformação, a capacidade da contradição, o eterno martírio da dúvida e a busca pelo prazer.

POP-PÓS-ART (COM TOQUES DE SURREALISMO): A NOVA (PÓS) ARTE DA COLAGEM

“Mas é que eu não sabia que se pode tudo!” Clarice Lispector

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Pop-pós-art não é um movimento, nem alistamento, nem chamada. Até porque essas degenerações já estão passadas. Pop-pós-art pode ser entendida como um novo gênero, ou pra ficar mais bonito ainda, nova arte da colagem.
Sua influenciadora, a pop-art criava leituras novas através da imagem de ícones populares. A pop-pós-art não descarta nem limita populares, eruditos ou celebridades. Cria leituras e imagens novas a partir de frases, citações, textos, poemas, figuras, figurinhas e figurões pop e cult.
A matéria prima do processo é a colagem, que redimensiona o material ao deslocá-lo de seu lugar de origem, criando assim um novo (ou novos) significado (s) para ele.
A idéia da crítica depende do estilo do autor, podendo ser cínica ou feroz. Dessa forma, a utilização das colagens funciona não apenas como crítica àquele que está sendo referido, mas também como homenagem, e mais ainda, como explicitação das referências do autor, mostrando de onde partiu a idéia daquela sentença. (conferindo teor confessional ao gênero)

Crítica: exposição “Assis Horta: Retratos” mostra condição humana

“A poesia começa no momento preciso em que o objeto se torna vítreo, transparente, deixando ver coisas que nenhuma inspeção óptica objetiva poderia revelar.” Rubem Alves

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Fotografia e pintura, enquanto obra de arte, nada têm a ver com registro (embora o programa creia nesta tendência). Mas com ver, enxergar e revelar. Diga-se de passagem, isto se aplica a todas as artes: cinema, literatura, teatro, música, arquitetura e as demais artes plásticas.

No Palácio das Artes, em Belo Horizonte, até o próximo dia 7 de junho, a exposição “Assis Horta: Retratos”, conta com 200 fotografias 3×4, um painel de 360º da cidade de Diamantina e outras relíquias, como a reprodução do estúdio do artista e objetos de revelação da época. Revelação, aliás, é a palavra-chave para este trabalho. Assis, de 97 anos, conterrâneo de Juscelino Kubitschek e onde Chica da Silva fez história, contribuiu para revelar ao mundo os rostos dos trabalhadores brasileiros que pela primeira vez no país eram contemplados com uma carteira de trabalho, e como diz o programa da exposição, aspiravam à eternidade ao terem as imagens impressas nas décadas de 1930 a 1950.

Análise: Antônio Abujamra foi de canastrão a astro provocador

“Se têm a verdade, guardem-a!
Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da
técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?” Fernando Pessoa [Álvaro de Campos]

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Antônio Abujamra era um canastrão. É o que “corria à boca pequena em Porto Alegre”, revela Paulo César Peréio na entrevista ao “Provocações”, programa que Abujamra conduziu por mais de 14 anos na TV Cultura. A figura imponente e segura, o tom grave e dramático, emprestado das tragédias gregas (“Ai de mim, essa palavra deveria ser dita por uma Medéia”, dizia na abertura), a recusa ao pedantismo e ao mesmo tempo da modéstia são adjetivos e observações que não dão conta do tamanho da importância de Antônio Abujamra para a cultura e a arte no Brasil. Talvez por isso a comparação seja um meio mais efetivo no esforço de analisa-lo, de defini-lo: em termos de qualidade a associação é a Pelé no esporte. O que também dá a dimensão da diferença de tratamento a essas duas esferas. Pegando-se emprestada outra provocação de seu amigo Peréio, pode-se dizer que, assim como Paulo César, Abujamra não era “um ator característico, mas essencial, aliás eu não tenho nenhum caráter”, concluía.

Liberdade e intolerância na internet

“Ele é um cidadão livre e seguro da Terra, pois está atado a uma corrente suficientemente longa para dar-lhe livre acesso a todos os espaços terrenos e, no entanto, longa apenas para que nada seja capaz de arrancá-lo dos limites da Terra. Mas é, ao mesmo tempo, também um cidadão livre e seguro do céu, uma vez que está igualmente atado a uma corrente celeste calculada de maneira semelhante. Assim, se quer descer à Terra, a coleira do céu o enforca; se quer subir ao céu, enforca-o a coleira da Terra. A despeito de tudo, tem todas as possibilidades e as sente, recusando-se mesmo a atribuir o que acontece a um erro cometido no primeiro ato de acorrentar.” Franz Kafka

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Sim, Chuck Berry fields forever, mas rock não é mais nosso tempo, como o ex-ministro e eterno tropicalista Gilberto Gil cantou. A rumba, o mambo, o samba e o rhythm ´n´blues são filhos de Xangô, mas e o pai do nosso virtual tempo? Será que já chegou? A internet, um dos suportes mais utilizados pelo virtual promove em certa escala uma inversão, na medida em que altera a relação entre produtor e consumidor, colocando-os numa disposição anárquica em referência à produção e escolha de conteúdo. Isso em parte, pois os filtros desses mecanismos ainda são controlados pelos mesmos, mas não apenas por eles, e essa é a grande novidade da internet, mais gente envolvida na produção e na recepção de conteúdo.

A internet não destrói os nichos geográficos e sociais construídos no território físico pelo homem, nem deixa de construir novos deles, posto que é notório que esse tal ser humano, em via de regra, sempre se sentiu mais confortável quando posto em contato com seu semelhante. O diferente tende a gerar um certo desconforto e desemboca algumas vezes pro que se costuma chamar de preconceito e discriminação. Assim sendo, têm-se uma coletividade individualista, ou um individualismo coletivo, gerado não pela internet, mas pelo homem desde que se viu como gente. É difícil determinar se a internet contribuiu para uma maior individualidade ou não, posto que estabelece-se um paradoxo a partir do momento que ela se propõe a e permite uma grande interação entre os agentes participantes, além de vasta diversidade de estética e conteúdo.

A Poesia de Arthur Rimbaud

“Você nunca varou/A Duvivier às 5/Nem levou um susto saindo do Val Improviso/Era quase meio-dia/No lado escuro da vida/(…) Nunca viu Allen Ginsberg/Pagando michê na Alaska/Nem Rimbaud pelas tantas/Negociando escravas brancas” Cazuza

Rimbaud

Trabalho do curso de jornalismo da PUC Minas. Áudio-documentário para a disciplina Produção e Edição em Áudio. Roteiro e narração: Raphael Vidigal. Leitura de poemas: Bernardo Biagioni e Pedro Castro. Trilha sonora e Edição: Mozahir Salomão. Entrevistados: Haroldo Marques – Professor de Filosofia; Euclides Guimarães, o Kika – Professor de Teorias Sociais Contemporâneas; Carolina Marinho – Professora de Semiótica; Ana Paula Braga – Aluna de Jornalismo; Lucas Ucá – Músico da Banda Ledjembergs. Ano: 2011.

O chocolate na cultura popular

“e por toda a calma latente e infinitamente doce,” Salvador Dalí

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Desde que se tem notícia do seu aparecimento ainda na era pré-colombiana dos países da América Central, o chocolate não serve apenas como alimento. Claro, a sua função principal é essa, até por ser difícil negar suas qualidades tão atrativas ao paladar. Mas é sobretudo por outros sentidos como visão, tato e olfato, que o chocolate atende a diversas intenções. Não por acaso está associado a celebrações como a Páscoa e o Dia dos Namorados. No universo da cultura popular é difícil uma arte que tenha escapado ao seu charme.

No cinema certamente a iniciativa mais marcante em relação ao tema é “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, de 1971, baseado no livro de Roald Dahl. O filme eternizou a figura excêntrica de Willy Wonka, vivido nesta versão por Gene Wilder e depois interpretado por Johnny Depp no longa-metragem lançado por Tim Burton em 2005. A ideia de um ambiente repleto e coberto por chocolate sensibilizou e encheu de água na boca a adultos e crianças. Outras duas obras marcantes são a mexicana “Como Água Para Chocolate”, de 1992, e “Chocolate”, com Juliette Binoche no papel principal, de 2000.