Joubert de Carvalho (Seresta)

Maringá

Haveria algo que Joubert de Carvalho não soubesse realizar? Pois até mesmo a marchinha de carnaval lhe deu o primeiro sucesso. Não entro aqui em questão de mérito ou dificuldade. Mas é porque é tido e havido que esta não era sua prioridade. Profissão de currículo e diploma debaixo do braço, medicina, à qual se dedicou de maneira parcial, pois existia outra dama atentando-lhe os olhos: Música. E como seria possível ainda assim conseguir um cargo no Instituto dos Marítimos, promovido a médico do Estado? Rumores apontam para a troca de favores. Sendo que no Brasil inaugurou a medicina psicossomática e compôs a única canção a inspirar nome de cidade, o caso parece solucionado. O mineiro nascido em Uberaba que passou parte da adolescência em São Paulo e praticamente toda a vida adulta no Rio de Janeiro, favoreceu a sensibilidade através do uso do seu ‘ouvido interno’, como ele falava. Existem saberes intransponíveis em laudas. Como o susto de alegria perante uma Música.

Show: Quem Não Chora Não Mama

Projeto Pizindin homenageia Jacob do Bandolim com performance luxuosa

Grupo de Choro

A noite em homenagem a Jacob não poderia ter outro convidado como destaque especial: o bandolim. Carregado pelas mãos sensíveis do jovem solista Marcos Frederico, os dois, instrumento e instrumentista, se encarregaram de enfeitar a festa com anedotas, timbres e notas.

Acalentado pelo carisma e simplicidade do seu idealizador, o veterano mestre do gênero Mozart Secundino, responsável pelo manejo do violão, o grupo de choro ‘Quem Não Chora Não Mama’ subiu ao palco do Conservatório da UFMG na noite da última segunda-feira em sua completude que reúne características mistas dos integrantes.

Villa-Lobos (Música clássica)

Música clássica

Um menino de pés descalços, cabelos penteados na brisa do pasto, revigora o som do piano, da aurora, dos animais, ao juntá-los em uma roda de choro, localizada próxima à sua residência.

Aventuras na selva amazônica ganham ruídos de lendas. Mas qual a real diferença entre lenda e folclore, senão a música a erguê-las em mil alto-falantes, cantos imitando pássaros, crianças ensinado adultos em solidária demonstração de amor à arte no Maracanã, o maior estádio de futebol do Brasil.

Jacob do Bandolim (Chorinho)

Chorinho

O coração explosivo fulminou o homem-bomba. A última letra do primeiro nome, embora muda, já prenunciava o início musical do instrumento que ele iria tocar. Hoje ainda se fala no seu bandolim. Assanhado, diabinho maluco, bole-bole, doce de coco. Ainda se ouvem suas vibrações, sua alvorada e a ginga do Mané. “Jacob toca Jacob, os outros tocam bandolim”. Disse Radamés Gnatalli sobre aquele que dominou o choro e não conteve as lágrimas e emoções, despejou tudo nas cordas de um pequeno pedaço de madeira que ele abraçou com coração pronto a explodir em notas e melodias. Discípulo de Ernesto Nazareth e Pixinguinha, Jacob do Bandolim é, segundo o coro de entendedores do gênero como Sérgio Cabral e Henrique Cazes, “o maior instrumentista que o Brasil já teve.” Um mestre.

Patativa do Assaré (Repente)

Repente

O poeta que nasceu no Ceará era na verdade agricultor.

A triste partida (1965, repente) – Patativa do Assaré
O cearense Antonio Gonçalves da Silva, nasceu em Assaré, e ficou conhecido como Patativa de sua cidade. Seguiu a profissão do pai e tornou-se agricultor, mas ficou conhecido como poeta. Com pouca formação escolar, aprendeu mexendo na terra a irrigar as palavras que sentem o coração das pessoas. Principalmente as pessoas do seu nordeste, da sua aldeia inabitada que ele levou ao mundo.

Show: Quarteirão do Soul

Espaço reservado para a dança e estilo norte-americanos atrai vários olhares

Dança em BH

Por mais que o ditado permaneça e as aparências continuem enganando, ninguém parece levar isso muito a sério na capital mineira, mais precisamente na Praça Sete ou atrás do Mercado Central, no que ficou conhecido pelo nome de batismo popular, o já famoso Quarteirão do Soul, um ambiente reservado para a dança e a música do estilo musical americano.

A fundamental diferença é que essa reserva na verdade é praticamente um acordo intrínseco entre os donos da rua, ou seja, todos aqueles que participam da vida daquele lugar, ou quase todos, predomina-se a presença de pessoas da cor negra, seja por tradição, seja por racismo apenas.

Inezita Barroso (Sertanejo & Caipira)

Sertanejo

Há entidades que superam em muito suas respectivas produções. Nesse caso, a paulista Inezita Barroso pode-se considerar exceção no meio, prolífica tanto em acalentar canções de sucesso quanto em colocar o povo ao contato de suas raízes.

Raízes de fato, aquelas que emanam do mais puro atrelo ao que é maternal, vem de berço, da nascente que carrega vaga-lumes, pingas e barros. Folclore e sertanejo podem se colocar em equivalência num país de histórias insensatas e cativantes como o Brasil.

Ademilde Fonseca (Chorinho)

Chorinho

Ademilde Fonseca, a Rainha do Choro, da doce melodia, do amor sem preconceito.
Aquela cuja voz acompanha o ritmo e a velocidade que tem o mais sentimental de todos os sentimentos: o choro.
O choro é festa típica brasileira.
É confraternização alegre, em harmonia.
“é música clássica tocada com pé no chão, calo na mão e alma no céu”, disse o vocalista do conjunto MPB-4 , Aquiles Rique Reis, na mais perfeita de suas traduções.
Pois o choro remonta à mais antiga de todas as tradições brasileiras, de chorar cantando e cantar sorrindo.

“O brasileiro quando é de choro,
É entusiasmado
Quando cai no samba,
Não fica abafado
E é um desacato
Quando chega no salão”

Álbum: o micróbio do samba

Com sotaque próprio Adriana Calcanhotto inventa seu samba

Adriana Calcanhotto

O mote é samba. Mas o sotaque é de Calcanhotto. Em álbum recheado de dedicatórias, Adriana não presta homenagem. Isso porque recusa a nostalgia para apresentar salutares desvios nos quais ambienta suas composições, com coloquial destreza para o inusitado.

Um dos que recebe menção honrosa na contracapa do disco é Jards Macalé, outro iconoclasta da canção brasileira. Aliado a ele vem Lupicínio Rodrigues, chamado tão intimamente de “lupi” que merece registro a maneira descompromissada com que Adriana se enverga do “micróbio do samba” dito pelo inventor da dor-de-cotovelo para dar nome à 12ª obra de sua carreira fonográfica (exceção à coletânea “Essencial” lançada em 2010).

Entrevista: Jards Macalé

Músico segue como espécime raro e livre na estrada musical 

Músico

Torquato Neto, Emilinha Borba, Debussy, Wally Salomão, Dóris Monteiro, Beethoven, Cazuza, Guimarães Rosa, Radamés Gnatalli, Tim Maia, Glauber Rocha, Jacques Brell, Itamar Assumpção confluem-se no rio JARDS, de ondas sonoras como o “bater de asas de uma borboleta.” “Quero, principalmente, o som do silêncio.”

MACALÉ, apelido de garoto ruim de bola e habilidade no violão, supera definições sobre música. Permanece incapturável e característico, espécime raro em qualquer época: “Joguei pela janela os catálogos todos, samba, funk, música moderna, contemporânea, antiga. A carteira de identidade da música é a própria. Som é som. Não som é não som. E não som também é som. Não entendo essa necessidade desesperada de complicar a compreensão.”