Hebe Camargo (Cantoras brasileiras)

Cantora brasileira

Hebe Camargo canta ‘Quem É?’

Quem a vê hoje assim tão bem vestida na televisão, não imagina que já foi uma caipira. E de microfone em punho, de sair pelos interiores cantando moda de viola de braço dado com a sua irmã, Rosalinda. Ou ela é que era a Rosalinda? E a outra a Florisbela? Não tenho certeza.

Com muito menos desenvoltura do que se vê hoje na televisão, mas com o mesmo jeito tranqueiro e desinibido que ela sempre teve. Desde os motivos de roda até os altos estandartes do amor, proferidos pelo Rei Roberto Carlos, ela sempre cantou as palavras.

Nara Leão (Cantoras brasileiras)

Cantora brasileira

A artista Nara Leão podia parecer indefesa para aqueles que escutassem sua voz, mas não percebessem a presença explícita do que cantava sua boca, seus gestos contidos e sua interpretação diminuta. Nara era imensa como um leão. Não em seu corpo, de porte médio. Não em seus cabelos, cortados ao pé do ouvido. Nem em sua voz, de fato, pequena. Mas em sua participação como artista dentro daquilo que se convencionou chamar de música popular brasileira, bossa nova, samba do morro carioca ou tropicália. Nara Leão nunca foi uma cantora convencional. Mas convenceu a todos com seu timbre lisonjeiro e desafiador. Natural de Vitória, no Espírito Santo, morreu aos 47 anos, depois de lutar por uma década contra um tumor no cérebro.

Núbia Lafayette (Romantismo)

Cantora brasileira

A cantora Núbia Lafayette, natural de Assu, no Rio Grande do Norte, foi devota de um estilo de cantar recorrente nos grandes cantores de sua geração, fazendo uso de sua voz extensae sua capacidade para interpretações dramáticas. Colecionou sucessos ao longo da carreira como “Casa e comida, ”Devolvi”, “Seria tão diferente”, “Solidão”, e tem Alcione como uma das milhares de fãs declaradas.

Ritchie (Pop)

Cantor

A Inglaterra arrecadou para si a primazia do invento do futebol. Ao que o Brasil abocanhou a tradição e a ginga que apenas a cria, e não o inventor, é capaz de esbaldar.

No Reino Unido, nasceu o garoto loiro de olhos azuis, fã dos Beatles e Rolling Stones, Richard David. Mas o Brasil, há o assanhado e íntimo Brasil foi logo lhe pegando pela cintura, chamando de Ritchie e concedendo abrigo e abraço para seu talento.

“Menina Veneno,
O mundo é pequeno demais
Pra nós dois
Em toda cama que eu durmo
Só dá você, só dá você…”

Joubert de Carvalho (Seresta)

Maringá

Haveria algo que Joubert de Carvalho não soubesse realizar? Pois até mesmo a marchinha de carnaval lhe deu o primeiro sucesso. Não entro aqui em questão de mérito ou dificuldade. Mas é porque é tido e havido que esta não era sua prioridade. Profissão de currículo e diploma debaixo do braço, medicina, à qual se dedicou de maneira parcial, pois existia outra dama atentando-lhe os olhos: Música. E como seria possível ainda assim conseguir um cargo no Instituto dos Marítimos, promovido a médico do Estado? Rumores apontam para a troca de favores. Sendo que no Brasil inaugurou a medicina psicossomática e compôs a única canção a inspirar nome de cidade, o caso parece solucionado. O mineiro nascido em Uberaba que passou parte da adolescência em São Paulo e praticamente toda a vida adulta no Rio de Janeiro, favoreceu a sensibilidade através do uso do seu ‘ouvido interno’, como ele falava. Existem saberes intransponíveis em laudas. Como o susto de alegria perante uma Música.

Show: Quem Não Chora Não Mama

Projeto Pizindin homenageia Jacob do Bandolim com performance luxuosa

Grupo de Choro

A noite em homenagem a Jacob não poderia ter outro convidado como destaque especial: o bandolim. Carregado pelas mãos sensíveis do jovem solista Marcos Frederico, os dois, instrumento e instrumentista, se encarregaram de enfeitar a festa com anedotas, timbres e notas.

Acalentado pelo carisma e simplicidade do seu idealizador, o veterano mestre do gênero Mozart Secundino, responsável pelo manejo do violão, o grupo de choro ‘Quem Não Chora Não Mama’ subiu ao palco do Conservatório da UFMG na noite da última segunda-feira em sua completude que reúne características mistas dos integrantes.

Villa-Lobos (Música clássica)

Música clássica

Um menino de pés descalços, cabelos penteados na brisa do pasto, revigora o som do piano, da aurora, dos animais, ao juntá-los em uma roda de choro, localizada próxima à sua residência.

Aventuras na selva amazônica ganham ruídos de lendas. Mas qual a real diferença entre lenda e folclore, senão a música a erguê-las em mil alto-falantes, cantos imitando pássaros, crianças ensinado adultos em solidária demonstração de amor à arte no Maracanã, o maior estádio de futebol do Brasil.

Jacob do Bandolim (Chorinho)

Chorinho

O coração explosivo fulminou o homem-bomba. A última letra do primeiro nome, embora muda, já prenunciava o início musical do instrumento que ele iria tocar. Hoje ainda se fala no seu bandolim. Assanhado, diabinho maluco, bole-bole, doce de coco. Ainda se ouvem suas vibrações, sua alvorada e a ginga do Mané. “Jacob toca Jacob, os outros tocam bandolim”. Disse Radamés Gnatalli sobre aquele que dominou o choro e não conteve as lágrimas e emoções, despejou tudo nas cordas de um pequeno pedaço de madeira que ele abraçou com coração pronto a explodir em notas e melodias. Discípulo de Ernesto Nazareth e Pixinguinha, Jacob do Bandolim é, segundo o coro de entendedores do gênero como Sérgio Cabral e Henrique Cazes, “o maior instrumentista que o Brasil já teve.” Um mestre.

Patativa do Assaré (Repente)

Repente

O poeta que nasceu no Ceará era na verdade agricultor.

A triste partida (1965, repente) – Patativa do Assaré
O cearense Antonio Gonçalves da Silva, nasceu em Assaré, e ficou conhecido como Patativa de sua cidade. Seguiu a profissão do pai e tornou-se agricultor, mas ficou conhecido como poeta. Com pouca formação escolar, aprendeu mexendo na terra a irrigar as palavras que sentem o coração das pessoas. Principalmente as pessoas do seu nordeste, da sua aldeia inabitada que ele levou ao mundo.

Show: Quarteirão do Soul

Espaço reservado para a dança e estilo norte-americanos atrai vários olhares

Dança em BH

Por mais que o ditado permaneça e as aparências continuem enganando, ninguém parece levar isso muito a sério na capital mineira, mais precisamente na Praça Sete ou atrás do Mercado Central, no que ficou conhecido pelo nome de batismo popular, o já famoso Quarteirão do Soul, um ambiente reservado para a dança e a música do estilo musical americano.

A fundamental diferença é que essa reserva na verdade é praticamente um acordo intrínseco entre os donos da rua, ou seja, todos aqueles que participam da vida daquele lugar, ou quase todos, predomina-se a presença de pessoas da cor negra, seja por tradição, seja por racismo apenas.