Cazuza (Cordão umbilical do rock brasileiro)

Nomes fundamentais da cena: Cazuza, Júlio Barroso, Lobão e Zeca Neves

Cordão umbilical do rock brasileiro

Perdido na selva desde que chegara a este planeta e sonhando com Jack Kerouac, o traficante da liberdade Júlio Barroso despencara de sua janela de beira para o céu até o azul infinito. Era um frio seis de julho de 1984. Nesse dia, o mundo inteiro era um trio de Absurdettes que choravam sua viagem.

Mas não esse mundo com o qual se está acostumado. Era um mundo beat, um mundo anárquico, um mundo onde se trafica poesia. Um ano antes, esse ser colorido que só usava branco e que enxergava além do universo com seus óculos fundo de garrafa perdida no mar com o pergaminho da dúvida fizera um movimento interessante através de uma tal de Gang 90.

Show: Quatro na Roda

Quarteto dá show de choros em noite dedicada à Rainha do gênero

Show Chorinho

Ademilde Fonseca parece providencialmente ter encomendado sua partida do grande público no andar de baixo para ouvir lá no alto do andar de cima o quarteto ‘Quatro na Roda’. Se assim, nesses relevos insolentes da Terra o som já soa demasiado agradável, imagine a acústica no céu.

Prefaciados pela contadora de histórias e autora de livros, Beatriz Myrrha, e com produção de Lilian Macedo, os quatro integrantes adentraram o palco com a missão de reabrir a temporada de shows do Projeto Pizindin 2012, desta vez, homenageando todas as formas de choro cantado.

Show: Roberta Sá

Cantora apresenta repertório eclético e misturado

Segunda Pele

Elétrica, a boneca adentra a caixa recortada com papel crepôn e luzes de vaga-lumes. Se ilumina o rosto de louça, branca inocência pintada. Presente de menina larga na mão da infância as lembranças, recolhidas, caladas, catadas com pega-borboleta.

Uma música uma musa dividida divina em poses, ledos enganos brilhando as pérolas do vestido sensual. Na pele que despista a veste despe a nudez escondida (quase sempre). Pernas põem o lado de dentro de lado o fora de lodo no calo. Sobe um salto peremptório.

Dança: Valsa

Tradição européia introduziu-se ao Brasil por meio da Corte Portuguesa

Dança

Em 1808, junto com a Corte Portuguesa, chegava ao Brasil um gênero musical que transformaria toda a história das composições românticas feitas no país: a valsa.

De caráter inicialmente apenas instrumental e executada por grandes orquestras, a valsa era dançada e apreciada pela nobreza nos luxuosos salões imperiais da época, tendo inclusive Dom Pedro I como um de seus compositores.

Braguinha (Marchinha)

Marchinha de carnaval

Dono de um dos mais vastos e ricos repertórios da música brasileira, Braguinha jamais aprendeu a tocar um instrumento musical, compondo suas músicas através de uma das formas mais antigas que existem, e que desde criança se aprende, o assovio. Como se fosse um passarinho, um João de barro a construir sua casinha, Braguinha se embrenhava por entre os caminhos do carnaval, do samba-canção e da música infantil dando a medida exata ao chão e às paredes melódicas que construía. Tendo estudado arquitetura na Escola Nacional de Belas Artes, Braguinha logo se consagraria pela música, mas não abandonaria nunca a condição de arquiteto da melodia, sutilmente calculada em seus assovios que criavam personagens como a Chiquita Bacana, o Pirata da Perna de Pau, os heróis e vilões das histórias infantis e as traduções tão deliciosamente brasileiras que ele fazia para os desenhos da Disney.

Eu sou o pirata da perna de pau
Do olho de vidro, da cara de mau”

Zizi Possi (Cantoras brasileiras)

Per Amore

É um bem que Zizi Possi faz à música, o simples fato de cantar. Não obstante, versátil como uma parreira que dá cacho de uva preta ao dia e uva verde à noite, aproveita para alongar dialetos com rara ginástica e completo envolvimento. Italiano, inglês, português, no mínimo.

Maria Izildinha, nada pequena no papel que ocupa dentro do teatro brasileiro de música e poesia, começou a carreira novinha, e ocupou-se do estudo de piano dos cinco aos 17 anos. Depois, uma importantíssima tarefa, voltou-se para Salvador, na Bahia, onde ensinou o que já sabia para filhos de prostitutas e crianças abandonadas na rua no bairro do Pelourinho.

Cascatinha & Inhana (Sertanejo & Caipira)

Música sertaneja

Pare em qualquer lanchonete ou restaurante de beira de estrada que se deparará com esses dois. Não apenas um, porque assim não existiriam, mas o casal. Os sabiás do sertão resistem aos tempos tecnológicos graças ao bom grado de caminhoneiros, sertanejos, carpinteiros, advogados, biólogos, gente de bem que não se cansa de ouvir: Cascatinha e Inhana.

Mas donde vieram dois passarinhos de espécie tão rara e onde foram dar? Francisco molhava-se na cachoeira pequena, em Garça, no interior de São Paulo, conhecida justamente como ‘cascatinha’. Portanto, nada a ver com mentiras contada aos colegas durante a infância, embora seja razoável pensar que estas acontecessem para tirar vantagem junto aos demais.

Renato Russo (Rock)

Rock

O menino enrolado nos lençóis brancos. De uma Rússia onde gelo e filosofia se misturam, acompanham tua solidão. Fantasmas debaixo da cama vêm lhe assombrar todas as noites, com os mesmos presságios: uivos de lobos carregam nas patas coragem e maldade.

Os óculos embaçam o idioma. Dívidas com o português, inglês e italiano, dúvidas com o sexo. Beijou um sapo e ele se transformou em princesa, quando era o príncipe que dentro do sono erótico cultivava-lhe os sentidos prósperos, de tesão e carinho.

Carlinhos Vergueiro (Cantores brasileiros)

cantor brasileiro

É em casa que se aprende. O avô ensinando desde cedo o menino Carlinhos a apreciar a boa melodia do piano. Para depois sair mundo afora, cabelos longos a conhecer e destrinchar sozinho os mistérios envoltos em notas não decifráveis pela matemática.

Sozinho não. De preferência com a companhia de gente de bem, do bom, na boa. Se a tira-colo puder se levar um tal de Vinicius de Moraes, ou um Toquinho, melhor. Caso contrário há quem prefira andar de mãos dadas com um vulgo Adoniran Barbosa, comendo ‘torresmo à milanesa’ com a Clementina de Jesus.