3 sambas preciosos de Elton Medeiros

“Quando ele nasceu tomaram cana
Um partideiro puxou samba
Oxum falou: esse promete!” Aldir Blanc

Em 1965, Elton Medeiros esteve presente no espetáculo “Rosa de Ouro”, ao lado de bambas do porte de Nelson Cavaquinho e Nelson Sargento, além da “Divina” Elizeth Cardoso que, no mesmo ano, gravaria o álbum “Elizeth Sobe o Morro”, inspirado no espetáculo idealizado por Hermínio Bello de Carvalho, num dos mais belos registros vocais da música brasileira. Com o conjunto musical A Voz do Morro, Elton atuou ao lado de Jair do Cavaquinho, Zé Kéti, Anescarzinho do Salgueiro, Nelson Sargento, Oscar Bigode, José da Cruz e Paulo César Batista de Faria, a quem Zé Kéti rebatizaria de Paulinho da Viola.

No ano de 1968, Elton cantou a música “14 Anos” com Paulinho da Viola, no álbum “Samba da Madrugada”. Em 1977, ele era um dos integrantes do disco “Os Quatro Grandes do Samba”, que dividiu com Candeia, Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito. Discreto, avesso ao excesso de exposição e com um temperamento difícil, Elton foi uma espécie de coadjuvante de luxo da música brasileira, mais pela personalidade do que pelo talento. Presente em momentos fundamentais, ele foi um dos maiores melodistas da nossa canção, com dedicação exclusiva ao samba, gênero que tomou para si. Abaixo, listamos três dessas preciosidades.

Letrux: “A prisão do Lula faz parte desse grande golpe em que estamos inseridos”

“Mas ela teve piedade de um covarde tolo,
Alimentou seu fogo,
Manteve suas brasas vivas.
O tempo é o mal.” Ezra Pound

As coincidências rondam a história de Letrux, 37, com Marina Lima. “Conheci a Marina no Hotel Marina”, diverte-se Letrux, ao relembrar o primeiro encontro, em 2008, no bairro Leblon, no Rio de Janeiro. A união musical se concretizou com “Puro Disfarce”, faixa de “Em Noite de Climão” (2017), que servirá de base para o show da dupla no Sarará. “Marina é minha madrinha musical. Amo como funciona a cabeça dela”, afirma Letrux. Preparando videoclipes para todas as canções de seu disco mais recente, a compositora promete gravar o sucessor de “Em Noite de Climão” em novembro e lançar, em breve, o single “Ouro Puro”, gravada por Elba Ramalho em 1989. Na entrevista abaixo, a artista multifacetada fala sobre encontros musicais, as características de sua geração, política, perseguição e censura à comunidade LGBT e defende a libertação do ex-presidente Lula.

80 anos de “Aquarela do Brasil” em 10 curiosidades

“Quando o almirante Cabral/Pôs as patas no Brasil/O anjo da guarda dos índios
Estava passeando em Paris./Quando ele voltou da viagem/O holandês já está aqui.
O anjo respira alegre:/‘Não faz mal, isto é boa gente,/Vou arejar outra vez.’
O anjo transpôs a barra,/Diz adeus a Pernambuco,/Faz barulho, vuco-vuco,
Tal e qual o zepelim/Mas deu um vento no anjo,/Ele perdeu a memória…
E não voltou nunca mais.” Murilo Mendes

A rabugice de Ary Barroso (1903-1964) era conhecida, tanto que na biografia do compositor, escrita pelo jornalista Sérgio Cabral, conta-se o seguinte episódio: em seus últimos dias de vida, Ary telefona, do hospital, para o amigo David Nasser, e avisa: “- Estou me despedindo, vou morrer”. “Como é que você sabe?”, retruca Nasser. “- Estão tocando as minhas músicas no rádio”, devolve Ary.

Paródia
De tão lendário, o comportamento ranzinza acabou dando trela para um quadro no espetáculo do comediante José Vasconcellos, que imitava Ary no aguardado instante em que, durante o seu programa radiofônico e de TV “Calouros em Desfile”, ele recebia um participante. Sucedia-se o diálogo:

7 curiosidades sobre João Gilberto

“Então houve um silêncio. Olharam-se; e seus pensamentos, confundidos na mesma angústia, abraçaram-se com força, como dois peitos palpitantes.” Gustave Flaubert

Tiete, o rapaz não titubeou ao avistar o poeta: o chamou de mestre, pediu um autógrafo e guardou a preciosidade num envelope pardo. Poucas horas depois, assim que chegou aos estúdios da gravadora Odeon, no Rio de Janeiro, largou com displicência a assinatura de Carlos Drummond de Andrade em um canto qualquer e nunca mais a avistou nem se preocupou com isso. O rapaz era João Gilberto (1931-2019), Papa da Bossa Nova. Essa e outras histórias são contadas na entrevista a seguir, concedida pelo jornalista Raphael Vidigal à repórter Jessica Almeida.

Entrevistas: A nova música mineira feita por mulheres

“Eu, mulher dormente, na líquida noite
alargo a ramagem de meus cabelos verdes.
Sigo dentro desse cristal ondulante,
contida como o som nos sinos imóveis.” Cecília Meireles

Para ninar o “filhote que acabava de chegar ao mundo”, Elisa de Sena, 37, compôs, em 2016, “Meu Preto”, quando o seu filho tinha apenas 2 meses. “Eu estava imersa na maternidade e na amamentação, sem dormir à noite, com 24 horas por dia de dedicação a ele”, conta Elisa. Luiza Brina, 31, também passou noites em claro. A morte do menino sírio Alan Kurdi, de 3 anos, numa praia da Turquia, em setembro de 2015, expôs ao planeta o drama dos refugiados e tirou o sono da cantora. A dor daquela imagem foi transformada por Luiza em “Estrela Cega da Turquia” (parceria com Thiago Amud), em que ela canta: “Nem incenso, nem ouro, nem manjedoura, nem altar/ Numa praia fria da Turquia/ Eu vou ninar um menino à beira-mar”.

“Gosto de aprender e me deixar absorver, para isso se refletir na minha música”, diz Luiza. Ao citar mulheres que lhe serviram como referências, a guitarrista e vocalista da banda Moons, Jennifer Souza, 31, enumera Billie Holiday, Cássia Eller, Elis Regina e Björk, e não deixa passar o nome da conterrânea e contemporânea Luiza Brina. “É sempre encorajador ver mulheres ocupando posições que foram majoritariamente ocupadas por homens”, destaca Jennifer. Abaixo você confere as entrevistas com essas três artistas lançam trabalhos novos.

Joyce Moreno: “Nunca tinha visto um governo com este ódio à cultura”

“Procuro palavras para definir o que sinto e não encontro. Talvez elas nem sequer existam, talvez seja apenas um fluxo mais forte de vida abrindo os sentidos, embrutecendo o raciocínio.” Caio Fernando Abreu

Logo que surgiu, a cantora Joyce Moreno, 71, chamou atenção por ser uma mulher dona do próprio discurso. Ou seja, além de cantar, ela era a autora de obras que, com melodias inspiradas na bossa nova e uma lírica particular, desvendavam o universo feminino sob o prisma único da mulher que se colocava como detentora dos próprios desejos e vontades. Ao festejar, em 2018, os 50 anos de seu LP inaugural, ela decidiu regravá-lo na íntegra. Ali estava presente “Me Disseram”, que integra a sétima coletânea da Mostra Cantautores. Joyce comemora o lançamento mas, com todo seu tempo de estrada, se revela preocupada com a valorização da autoria, grande mote da mostra.

Zélia Duncan: “Lula é preso político” e “bandidos tiraram Dilma do poder”

“Eu ficarei em ti, mísera, inútil, mas rebelde,
última estrela só, do campo infiel aos céus escassos.” Cecília Meireles

Há pelo menos dez anos, desde “Pelo Sabor do Gesto” (2009), Zélia Duncan, 54, não lançava um disco com a sua “cara”. Nesse tempo, a carioca homenageou dois vanguardistas paulistas: Itamar Assumpção (1949-2003), em “Tudo Esclarecido” (2012); e Luiz Tatit, com “Totatiando” (2013); e também prestou tributo à obra não menos singular de Milton Nascimento, na parceria com o violoncelista Jaques Morelenbaum, que resultou no álbum “Invento +” (2017). Para completar, colocou na praça uma coleção de sambas, com “Antes do Mundo Acabar” (2015), a exemplo do que Adriana Calcanhotto havia feito em 2011.

Agora, Zélia está de volta às origens. Por mais que tenha procurado e alcançado a diversidade que pautou discos como “Eu Me Transformo em Outras” (2004) e “Pré-Pós-Tudo-Bossa-Band” (2005), é inegável que a identidade da artista se formou nos primeiros anos da carreira, iniciada na década de 90 e que, para além da mistura bem fomentada entre folk e pop, tinha na construção poética o seu grande trunfo. É isso o que a cantora recupera em “Tudo É Um”.

8 encontros musicais marcantes entre brasileiros e latinos

“A poesia e a literatura criam comunhão, e a gente descobre que é igual ao outro.” Rubem Alves

Idealizado pelo crítico musical Carlos Albuquerque, o festival Ultrasonidos teve a sua primeira edição realizada em junho deste ano, no Rio de Janeiro. Com o intuito de promover encontros entre músicos brasileiros e os seus vizinhos latino-americanos, a iniciativa levou ao palco apresentações de Alice Caymmi com a chilena Yih Capsule, MC Carol com o equatoriano Ataw Allpa e Aori com o colombiano Las Hermanas, entre outros. Aproveitando o ensejo, relembramos 8 encontros musicais marcantes entre brasileiros e latinos.

Zeca Baleiro: “A prisão de Lula é parte de um plano da direita para ocupar o poder”

“O homem jovem é um animal rebelde à dor.” Raymond Radiguet

Zeca Baleiro, 53, avisa logo de cara: “Ando bastante rebelde ultimamente”. “Mas, hoje, sou um rebelde estratégico, calculista. Como disse o poeta: ‘Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro’”, afirma, valendo-se dos versos de Belchior (1946-2017), presentes na música “Sujeito de Sorte”, lançada em 1976. Habilidoso em citar referências que navegam por universos aparentemente distintos, Baleiro acaba de colocar na praça “O Amor no Caos: Volume I”.

Moro e Dallagnol viram tema de música da Orquestra Royal

“Não duvido do cumprimento
De uma lei concebida e redigida
Expressamente para aniquilar-me.
Ai da vítima quando aquele mesmo
Que a lei forjou, lavra a sentença!
Podeis negar que se visou perder-me?” Friedrich Schiller

Sempre atenta aos acontecimentos mais quentes da política brasileira, a Orquestra Royal não deixou passar a oportunidade de criar mais uma pérola, dessa vez em cima da polêmica dos vazamentos envolvendo o ex-juiz e atual Ministro da Justiça Sergio Moro e o procurador da Lava Jato, Deltan Dallagnol. Na canção, Moro e Deltan são comparados a diversas outras duplas ou uniões, no mínimo, peculiares. A composição ainda aproveita para tirar um sarro com a versão “Juntos e Shallow Now” de Paula Fernandes e Luan Santana.