14 atores e atrizes brasileiras que se arriscaram na música

“O mundo tornou-se novamente ‘infinito’: na medida em que não podemos rejeitar a possibilidade de que ele encerre infinitas interpretações.” Nietzsche

Música e interpretação se misturam no Brasil

Não é de hoje que os mundos da canção e da dramaturgia se encontram. Muitos foram os artistas brasileiros que desempenharam esses dois papeis. Na última quinta-feira (2) a atriz Eva Wilma resolveu estrear no ofício, a convite de seu filho, o cantor e compositor Johnnie Beat.

EVA WILMA
Aos 83 anos, a atriz participa do espetáculo “Crise, Que Crise?”, e canta pela primeira vez no palco. De acordo com ela, sua principal inspiração foi a paulistana Inezita Barroso (1925 – 2015), atriz, cantora e apresentadora do programa “Viola, Minha Viola”, durante mais de 30 anos, na TV Cultura.

Entrevista: Roberto Menescal elege 6 discos preferidos

“Toda a arte é feita de silêncio – inclusive a própria música.” Mario Quintana

Roberto Menescal completa 80 anos

Talvez ele nem fosse músico. É o que afirma Roberto Menescal que, nesta quarta (25) completa 80 anos de vida, dos quais 60 foram dedicados à música. A estreia foi acompanhando ao violão a cantora Sylvinha Telles (1934 – 1966), em 1957. “O sonho do meu pai era que eu trabalhasse no Banco do Brasil ou na marinha, porque eram profissões mais seguras”, informa o compositor capixaba, autor de clássicos sobre a paisagem carioca como, por exemplo, “O Barquinho” e “Rio”, parcerias com Ronaldo Bôscoli (1928 – 1994).

“Um dia o Tom Jobim bateu na minha porta e me deu a desculpa que eu precisava para seguir na música”, recorda. Menescal dava aulas de violão “para mocinhas da zona sul que não sabiam tocar”, quando recebeu o convite do Maestro Soberano para gravar “Orfeu da Conceição”, peça escrita por Vinicius de Moraes que se transformou em disco e virou até filme. “Ele queria me dar cachê e eu não quis receber. Me mandou largar tudo e seguir na música. Jobim é o meu grande mestre”, exalta Menescal. Cantor bissexto, violonista dos mais requistados, arranjador e produtor musical de um sem número de trabalhos ligados à bossa nova, o aniversariante aproveita a oportunidade para presentear os fãs com a lista dos discos que mais o influenciaram.

Crítica: “Chacrinha, o Musical” diverte, mas não avança na história do protagonista

“Cada produto da fantasia, cada criação da arte deve, para existir, levar em si o seu próprio drama, isto é, o drama do qual e pelo qual é personagem. O drama é a razão de ser da personagem. É sua função vital, necessária para que ela possa existir.” Luigi Pirandello

Chacrinha, o Musical, com Stepan Nercessian

De volta aos palcos para celebrar o centenário de nascimento de Abelardo Barbosa, o espetáculo “Chacrinha, o Musical” deixa claro, desde o princípio, quais são os motivos do seu sucesso: ele está ali para divertir, e investe pesado em atrações que tragam riso e leveza ao público, tal como o protagonista homenageado, que imortalizou bordões do tipo: “eu não vim para explicar, vim para confundir”. Essa noção de que o que interessava a Chacrinha era a fantasia, e a ideia de que ele constituía sua personagem, sobretudo, no palhaço, é a responsável por um dos grandes trunfos da montagem. Logo na abertura, o cenário inspirado por cordéis pernambucanos (terra de nascimento do apresentador, natural de Surubim) sustém sobre a cena uma aura mágica, possibilitando ao espectador, justamente, fugir da realidade tacanha, obsoleta e pragmática a que a mera objetividade o relega. Cada núcleo de artistas que sobe ao palco – este disposto para reconstituir o esquema de auditório consagrado por Chacrinha – envolve a cena com coreografias bem ensaiadas, mas que em determinado ponto ficam monótonas.

10 músicas brasileiras para o Dia das Bruxas

“Sob uma luz bruxuleante
Corre e se retorce sem tento
A Vida,” Baudelaire

Dia das Bruxas no Brasil

“Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay”, esta frase, que pode ser traduzida como: “eu não acredito em bruxas, mas que elas existem, existem”, tornou-se tão presa ao imaginário popular que hoje pertence a todos. Presente no livro “Dom Quixote”, de Miguel de Cervantes, há quem afirme que o próprio autor a recolheu da sabedoria popular. Certo é que mesmo os que não acreditam em bruxas as conhece, já viu ou ouviu falar. O próximo dia 31 de outubro é o dia delas, citadas na música brasileira a torto e direito.

50 anos da Tropicália: 12 discos loucos

“um sopro interior, de plenitude cósmica” Hélio Oiticica

Tropicália completa 50 anos

Em um de seus últimos ensaios o artista plástico Hélio Oiticica (1937 – 1980) chegou a uma conclusão reveladora: “Descobri q o q faço é MÚSICA, e que MÚSICA não é ‘uma das artes’, mas a síntese da consequência da descoberta do corpo”, escreveu o inventor do parangolé, que foi também responsável pela criação do monumento artístico que nomeou a Tropicália. A abrangência da perspectiva de Oiticica, cujo verso ‘o q faço é música’ batizou disco de 1998 lançado por Jards Macalé, pode ser percebida na miscelânea e pluralidade de discos emblemáticos do movimento que, há 50 anos, balançou as estruturas da música brasileira.

Os 5 videoclipes brasileiros mais visualizados

“À glória sucede/o que sucede à água:
por mais água que beba,/qual lhe sacia a sede?
Diverso o sucesso,/basta-lhe um verso
para essa desgraça/que se chama dar certo.” Paulo Leminski

Anitta vai lançar um clipe a cada mês

Após um relativo hiato vivido entre a era de ouro da MTV – nas décadas de 80 e 90 era o único canal cuja programação se resumia a transmitir vídeos musicais 24 horas por dia – e o boom das plataformas digitais, o videoclipe retomou seu protagonismo. A argumentação ganha força quando se constata que os artistas mais populares do país nos últimos anos lançaram mais videoclipes do que álbuns. Os principais gêneros a apostar no formato são o funk e o sertanejo universitário. Anitta, por exemplo, contabiliza quatro discos e 31 vídeos. Em janeiro, a sertaneja Marília Mendonça lançou três clipes de uma só tacada, enquanto a dupla Simone & Simaria mantém o posto de clipe brasileiro mais visto na história do YouTube, feito alcançado no primeiro mês de 2017.

10 músicas brasileiras para crianças

“Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
(…) Grande é a poesia, a bondade e as danças…
Mas o melhor do mundo são as crianças” Fernando Pessoa

Música brasileira feita para criança

“A infância é a camada fértil da vida”, definiu o poeta mato-grossense Nicolas Behr. Seu conterrâneo, Manoel de Barros preferiu o lado da brincadeira (nada mais apropriado, não é?) para tecer uma louvação parecida: “As Nações já tinham casa, máquina de fazer pano, de fazer enxada, fuzil etc./ Foi uma criançada mexeu na tampa do vento/Isso que destelhou as Nações”. A mesma irresponsabilidade infantil ganhou ode em versos de Fernando Pessoa: “Ai que prazer/Não cumprir um dever,/Ter um livro para ler/E não o fazer!/ (…) Grande é a poesia, a bondade e as danças…/Mas o melhor do mundo são as crianças”. Através da música, compositores brasileiros habituados ao universo “adulto” também se permitiram voltar aos primeiros anos, como Sidney Miller que, ao fim da canção “O Circo” (“Vai, vai, vai, começar a brincadeira/Tem charanga tocando a noite inteira/Vem, vem, vem, ver o circo de verdade”) de 1967, concluiu com saudade: “Foi-se embora e eu ainda era criança…”.

12 videoclipes que já fizeram história

“A imagem inteligente é uma das formas que o cinema tem de ser profundo.” Luis Fernando Veríssimo

Videoclipes históricos no Brasil e no mundo

Aquele do Michael Jackson virando zumbi, do Freddie Mercury com roupas femininas ou, ainda, o do Raul Seixas cercado por relógios são exemplos de casos onde as músicas podem ser mais lembradas pelas imagens do que pelos sons. “Thriller”, “I Want to Break Free” e “Tente Outra Vez” continuam sendo belas canções, mas fica difícil avaliar se o impacto seria o mesmo se não fosse pelos videoclipes.

Mago Hermeto Pascoal inventa mundo sonoro

“Para fazer uma campina
Basta um trevo e uma abelha
Um trevo, uma abelha
E fantasia.
Ou apenas fantasia,
Na falta de abelhas.” Emily Dickinson

Hermeto Pascoal lança No Mundo dos Sons

De todas as artes, a música é a que menos almeja captar a realidade. Sendo assim, sua natureza é essencialmente abstrata. O “mago” Hermeto Pascoal, 81, é mestre em embaralhar os significados prensados pelo dicionário, como se fossem as letrinhas de uma sopa em fogo alto, onde a condição audível mais preocupada em representar, casos da sonoplastia e da onomatopeia, se misturam a cartas que querem apenas “soar como sílabas”, diria Caetano Veloso.

O bardo baiano, que homenageou Hermeto em duas ocasiões, ao cunhar a expressão “hermetismos pascoais” (na música “Podres Poderes”, 1984) e com “O Estrangeiro”, de 1989 (nos versos “o albino Hermeto não enxerga mesmo muito bem”), não é um dos contemplados no disco lançado neste mês de agosto pelo “bruxo”, descrito pelo trompetista Miles Davis (1926-1991) como “gênio”. Entende-se, afinal, num dos “arranca-rabos” mais conhecidos da música mundial, Hermeto chamou Caetano de “musiquinho” quando este elegeu a música norte-americana como a mais importante do século XX em detrimento da brasileira.

DNA musical: 14 filhos de músicos famosos

“Pois me beijaram a boca e me tornei poeta
Mas tão habituado com o adverso
Eu temo se um dia me machuca o verso
E o meu medo maior é o espelho se quebrar” João Nogueira e Paulo César Pinheiro

Filhos de músicos famosos gravam discos autorais

Caymmi, Gil, Veloso, Baby, Moraes, Nogueira, Bosco e Buarque podem ludibriar, numa primeira vista, quem liga o nome à pessoa ou adquire o livro pela capa. Se a sentença seguinte afirmar que os sobrenomes pertencem a Alice, Bem, Moreno, Pedro, Davi, Diogo, Julia e Clara, ninguém terá sido enganado. Herdeiros de artistas famosos, os citados pertencem a uma geração que, cada vez mais, não só opta por seguir os passos profissionais dos pais como, em alguns casos, têm se lançado em empreitadas capitaneadas pelo nome mais famoso do clã.