Leny Eversong (Cantoras brasileiras)

“E, por mais que procure até que adoeça,
Já não encontro a mola pra adaptar-me.” Fernando Pessoa [Álvaro de Campos]

cantora brasileira Leny

Na primeira quarta-feira do mês de agosto desse ano, a cantora Leny Eversong, dona de uma das mais potentes vozes que o Brasil já teve, teria completado 90 anos de idade. Leny, que nasceu Hilda Campos Soares da Silva, começou a carreira aos 12 anos, cantando no programa “A Hora Infantil”, na Rádio Clube de Santos, cidade onde nasceu.

Demonstrando desde o início seu enorme talento para interpretar foxes estrangeiros, Leny logo passou a ser chamada de Hildinha, a “Princesa do Fox”. Pouco tempo depois, ela deixaria para trás o nome em português, mas não abandonaria as canções estrangeiras, passando a se especializar também em outros ritmos, como jazz, bolero e blues. Ela, que não falava nada em inglês, anotava na mão a pronúncia das palavras e era proibida por seu empresário de dar entrevistas fora do Brasil, arriscando no máximo alguns “all right´s” e “ok´s”.

Cazuza: Renascer em Copacabana

“A vida é bela e cruel
Despida
Tão desprevenida e exata
Que um dia acaba” Cazuza

Ao Vivo em Copacabana

Posto nas lojas em julho de 2009 o CD e DVD “Tributo a Cazuza – ao vivo na praia de Copacabana”, é o registro do show realizado em 2008, ano da celebração de 50 anos de vida do poeta caso ele não tivesse morrido em 1990, aos 32 anos.

Vários tributos pontuaram a carreira do cantor, e um dos diferenciais deste é justamente o fato de ter sido realizado na praia, dos locais preferidos e mais frequentados por Cazuza.

Entrevista: Maria Alcina

“O riso magnífico é um trecho dessa música desvairada.” Cecília Meireles

Confete e serpetina

A verdade é que eles não sabiam se era homem ou mulher. Todos: jurados, público, entusiastas, críticos assustaram-se. Para alguns foi espanto de encantamento, outros de temor e repreensão. Há 40 anos, portanto no auge da ditadura militar que se estendeu no Brasil de 1964 a 1985. “Ser alegre contrastava com a situação do país.”

Um fio de corpo tremelicando no compasso da grave voz entoava “Fio Maravilha” – depois proibido o nome pelo próprio homenageado, transformado em “Filho Maravilha” – de Jorge Benjor, no Festival Internacional da Canção, de 1972. Gritos miseráveis escoavam das arquibancadas lotadas do estádio Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, de tanto era o descontrole que urros elogiosos poderiam facilmente confundir-se em apupos grossos. “Fui perseguida por comportamento, o país vivia uma outra situação física e emocional.”

Paulinho da Viola (Cantores brasileiros)

“Este pobre navegante, meu coração amante
Enfrentou a tempestade
No mar da paixão e da loucura
Fruto da minha aventura
Em busca da felicidade” Paulinho da Viola

Foi um rio que passou em minha vida

Batatinha, sambista baiano autor de escassos sucessos, sem com isso perderem relevância, condecorava com honra e merecimento Paulo César Batista Faria o Ministro do Samba, na música “Ministério do Samba”.

Não por acaso diagnosticava-o vindo de linhagem nobre, filho de César Faria, lendário violonista do conjunto de choro Época de Ouro, idealizado por Jacob do Bandolim.

Roberto Carlos – Esse Cara Sou Eu & Furdúncio

“Só não é dele a tua tristeza, ó minha triste amiga!
Porque ele não a quer.” Manuel Bandeira

Esse Cara Sou Eu

Roberto Carlos, Rei das românticas e da Jovem Guarda, volta a compor músicas novas. Espere aí, devagar com o andor que o santo é, esbarro… Talvez o plural dispense a realidade.

Novas? Sim, do ponto de vista conceitual, as músicas são novas, pois embaladas por ineditismo de palavras naquelas circunstâncias, título e notas. Mas se prestarmos atenção ao essencial, a estrutura é exatamente a mesma de repetíveis primaveras a cantada do Rei em “Esse Cara Sou Eu”, divulgada em larga escala através de “Salve, Jorge”, novela das nove da Rede Globo com autoria de Glória Perez.

Entrevista: Otto

“O que se percebe não é nada, comparado com o que se imagina” Bachelard

The Moon 1111

Embora o homem tenha pisado na lua há mais de 40 anos, o acontecimento ainda é visto como futurista. As praças do planeta Terra se preparem. Elas serão invadidas pelo som alucinante e maciço do cantor, compositor e percussionista Otto no dia 11 deste mês.

Exatamente três anos se passaram desde que o filho de Pernambuco, “natural do Agreste, em Belo Jardim”, como ele mesmo diz, acordou de sonhos intranquilos (‘Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos’, álbum lançado em 2009) ocultos na lente do escritor austro-húngaro Franz Kafka para emergir a bordo duma temperatura capaz de queimar livros, a Fahrenheit 451, “em direção ao futuro”, afirma.

Carmélia Alves (Cantoras brasileiras)

“Procuremos somente a Beleza, que a vida
É um punhado infantil de areia ressequida.
Um som d’água ou de bronze e uma sombra que passa…” Eugénio de Castro

Rainha do Baião

Por ser carioca, Carmélia Alves, uma menina criada em Petrópolis, no interior do estado, apareceu para os holofotes da Rádio Nacional, a mais famosa da década de 40, onde conseguira contrato, cantando sambas e imitando Carmen Miranda.

Sinceramente, o sucesso foi escasso. Não que o repertório fosse fraco, nem que Carmélia Alves não possuísse traquejo, talento, faro. Bem, talvez desse último pudéssemos considerá-lo, em parte.

Entrevista: Nando Reis

“O entusiasmo como profissão é a mais nauseante das insinceridades.” Cesare Pavese

Bailão do Ruivão

Nando Reis nunca escondeu do público, mesmo por debaixo de sua barba ruiva, a preferência por um mundo pop. Até nas canções dos tempos de “Titãs” é possível perceber que ele era de longe o menos punk e mais afeito a românticas interações entre os da trupe. E eram nove, um número nada inexpressivo para uma banda de rock.

O novo álbum do cantor, intitulado “Sei”, uma das canções inéditas e mote da apresentação em 23 deste mês no Chevrolet Hall, terá o acompanhamento do grupo “Os Infernais” e desfilará toda a ânsia amorosa que pauta o trabalho composto por 15 faixas, um número fora do comum para os padrões da indústria. “Entendo o amor como o principal motor da humanidade, no sentido de me perceber inserido e envolvido numa sociedade onde não existo sem o outro”, afiança Nando.

Entrevista: Alceu Valença & Maestro Rodrigo Toffolo

“O sol derretera o asfalto. Os pés enterravam-se nele, deixando aberta sua polpa luzidia.” Albert Camus

Valencianas Orquestra Ouro Preto

Alceu Valença está com passagem comprada para Belo Horizonte e não pretende ficar pouco tempo na capital. Pelo menos é o que indicam as apresentações marcadas, para o dia 3 de novembro com a Orquestra Ouro Preto no Palácio das Artes (gravação do DVD “Valencianas”) e em espetáculo solo como uma das atrações do “BH Music Station”, dia 17 de novembro, com repertório em homenagem a Luiz Gonzaga, na estação Vilarinho.

A respeito do primeiro evento, Alceu comenta sobre a parceria que levou os frevos e forrós cantados nos carnavais para o ambiente orquestral: “Fiquei muito emocionado com o tratamento que o maestro Rodrigo Toffolo e o arranjador Mateus Freire deram às minhas músicas. São jovens virtuosos com um carinho muito especial pela música de concerto, mas também pela música popular brasileira”, declara.

Show: Zélia Duncan (ToTaTiando)

“e eleva o peso do espaço
com todas as palavras não ditas” Luiz Tatit & Alice Ruiz

Totatiando

Na obra do artista plástico (escultor e pintor) Giorgio de Chirico, as coisas, muito além de pessoas, objetos ou asas (à imaginação), por isso o genérico de tudo, estão acopladas, transmutam-se, refratam e declamam a união como num campo magnético conduzido por imãs.

A arte de Luiz Tatit é igual, posto que difusa, e diferente, à reclusa recusa o elemento comum, congruente. O teórico que se intrometeu na ação fez questão de ungi-la a partir das conotações de verbo: a palavra desdobrada e aviltante, surpreendente – assustando – é o ás do baralho.