Entrevista: Geraldo Azevedo

“Do êxodo dos pássaros, do mais triste dos cães,
De uns rios pequenos morrendo sobre um leito exausto.
Livrar-me de mim mesma. E que para mim construam
Aquelas delicadezas, umas rendas, uma casa de seda
Para meus olhos duros.” Hilda Hilst

Bicho de Sete Cabeças II

“O ser humano é maluco, cria coisas contra ele”, diz o compositor Geraldo Azevedo, autor do infindável sucesso “Bicho de Sete Cabeças II” (ao lado de Zé Ramalho e Renato Rocha), recentemente revisitado por Ney Matogrosso no espetáculo “Beijo Bandido”, assistido de perto pelo entrevistado na estreia carioca. “O Ney é impressionante, valorizou ainda mais o que já era maravilhoso, aquela performance é o gol!”, entusiasma-se.

O que não anima Geraldo é o rumo das águas no mundo, antes acostumadas a peixes, limpeza e ar puro. “As pessoas não acreditam que o planeta pode mudar, as iniciativas de revitalização são todas muito tímidas, enquanto o desmatamento, a poluição, e os maus tratos são contínuos”, desabafa.

Show: Banda A CASA

“A plateia só é respeitosa quando não está a entender nada” Nelson Rodrigues

Pau e Pedra rock

Precisamos redimir a música de fossa! Esse é o intuito (no sentido de intuição) da nossa banda. A exemplo do que escreveu Paulo Scarpa em “A nova geração perdida e o cinema”, resta-nos voltar ao hedonismo ( clichê barato do Axé sem congado e do Reggae sem gingado), à depressão ( aquela auto-piedade brega de sertanejos e emos) ou uma melancólica aceitação cínica.

A opção que fazemos é pela terceira. O cinismo ainda é um tipo de humor um tanto mais inteligente que o otimismo e o pessimismo juntos. E daí vem a palavra redenção. Queremos dor de cotovelo pra valer! Chega daqueles amores que não deram certo e são cantados com toda pompa e cabeça erguida do mundo (que só quer te ver sorrir) por aqueles que não percebem o tanto que o orgulho é brega!

Entrevista: Carlinhos Vergueiro

“Quando eu passo
Perto das flores
Quase elas dizem assim:
Vai que amanhã enfeitaremos o seu fim” Nelson Cavaquinho

Vida Sonhada

Melodista, letrista e cantor. Compositor parceiro de Vinicius de Moraes, Chico Buarque e Adoniran Barbosa. Dividiu palco com Clementina de Jesus, Paulinho da Viola, João Nogueira. Conheceu aos 16 anos Nelson Cavaquinho, para quem depois produziu e dedicou discos.

Não foi por benevolência ou generosidade que Carlinhos Vergueiro enturmou-se de tanta gente boa do meio musical. Afinal foi ele o vencedor do Festival de Abertura da Rede Globo, com a canção “Como um ladrão”, em 1975.

Entrevista: Marina Lima

“Para se ser um bom filósofo é preciso ser seco, claro, sem ilusões.” Stendhal

Maneira de Ser

Haroldo de Campos, em poema, chama-a de “felina”. Nelson Motta preferiu os adjetivos “arisca” e “arredia” para defini-la. A paixão por cachorros, em especial os três do clã (Carola, Pedro Juca e a saudosa Maroca), coloca-me na cuca uma questão: a convivência plena entre cães e gata é, então, possível?

Descobertas pinçadas com a leitura do livro “Maneira de Ser”, recém-lançado pela editora Língua Geral, em primeira aventurança da compositora por esses mares salgados. A capa, azul, e a arte, minimalista, traduzem esteticamente o oceano largo em conteúdo da entrevistada.

Entrevista: Mônica Salmaso + Juarez Moreira + Pedro de Moraes

“A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.” Vinicius de Moraes

Alma Lírica Brasileira

Vinicius de Moraes chamava a todos por diminutivos, como prova de seu imenso carinho. O “poetinha”, como ficou conhecido entre os mais íntimos, e depois o Brasil inteiro, por conta dessa carinhosa mania, terá o centenário celebrado em 2013, mas as comemorações já começaram. Na capital, uma exposição na Galeria Murilo Castro, idealizada pelo filho do compositor, poeta e diplomata, Pedro de Moraes, fica em cartaz até o dia 21 de dezembro.

FOTOS
Intitulada “Os amigos do meu pai”,  a exposição abre ao público um pouco da intimidade de Vinicius, através das lentes do filho, ao mostrá-lo ao lado de grandes e célebres ‘compadres’, como Chico Buarque, Caetano Veloso, Pixinguinha, Baden Powell, Nara Leão, Maria Bethânia, Ismael Silva, Cartola, e outros.

O Futuro da Música

“Mas queria que você entendesse os meus poços escuros, os meus becos – que me fazem mergulhar em silêncios às vezes longos. (…) Não devemos nos perder, somos tão poucos,” Caio Fernando Abreu

O Futuro da Música

Acho que estamos indo pelo caminho errado. Não se apresse a considerar-me reacionário e em desfavor do progresso. Só noto uma falta de conteúdo quando se discute o futuro de engrenagens e fixa-se o pensamento nas ferramentas.

Notebook, computador, monitor LCD, Led Netbook, Tablet, MP3 e outras conotações do gênero tomam as manchetes dos jornais, já impressos em telas sensitivas. E é aí que se estabelece a confusão.

Entrevista: Marisa Monte

“e soaram no cristal dos mares
lábios azuis de outras sereias.” Cecília Meireles

O Que Você Quer Saber De Verdade

O furor provocado pela vinda da cantora Marisa Monte a Belo Horizonte pode ser percebido pela necessidade de se abrirem quatro sessões, nos dias 22, 23, 24 e 25 de novembro (todas com ingressos esgotados, esta última extra), para a apresentação da turnê “Verdade, uma ilusão” no Grande Teatro do Palácio das Artes.

A respeito do título da empreitada, a compositora admite que ele “propositadamente desmente o nome do disco (‘O Que Você Quer Saber de Verdade’), por este ser muito assertivo, resolvemos propor essa contradição, pois ela (a verdade) só existe quando não tem ninguém vendo, no íntimo. Se tiver alguém olhando, passa a ser versão” brinca.

Ivete Sangalo (Axé)

“a música delas parecia sempre a mesma, gelatinosa, suingada, submersa.” Truman Capote

Axé Music

Ivete Sangalo, pernas grossas, voz saborosa, pique imbatível, porque não me conquistas? Ivete Sangalo, domina o ritmo, o público, a massa, move montanhas, coliseus, mares. Embaixo, embasbacados rugem ao sinal de ataque.

Rainha do Axé, assim entronada desde a abertura dos portões por Daniela Mercury, conterrânea. Bahia, terra de mar salgado, gente alegre, músculos frenéticos, libido balançante.

Entrevista: Cantadores (Saulo Laranjeira, Xangai, Chico César, Elomar)

“Ouvi na viola de pastores
Bardos sonhadores que arrebanham estrelas” Elomar

Elomar não dá entrevista. Chico César, atarefado com as obrigações da secretaria de Cultura da Paraíba, está indisponível. Xangai e Saulo Laranjeira, então, tomam os préstimos de representar os ausentes e traçam as linhas e sons do que será a apresentação dos “Cantadores”, no Sesc Palladium, dia 17 de novembro, em concerto arquitetado com a direção musical do violonista e maestro João Omar de Carvalho Mello, também presente no espetáculo.

COMPROMISSO
Baiano como Elomar e ainda “com um grau de parentesco”, Xangai diz-se conhecedor da linguagem do companheiro de palco e vida, como “um habitante da Gruta de Maquiné ou Curvelo entende Guimarães Rosa“, compara.