Carmélia Alves (Cantoras brasileiras)

“Procuremos somente a Beleza, que a vida
É um punhado infantil de areia ressequida.
Um som d’água ou de bronze e uma sombra que passa…” Eugénio de Castro

Rainha do Baião

Por ser carioca, Carmélia Alves, uma menina criada em Petrópolis, no interior do estado, apareceu para os holofotes da Rádio Nacional, a mais famosa da década de 40, onde conseguira contrato, cantando sambas e imitando Carmen Miranda.

Sinceramente, o sucesso foi escasso. Não que o repertório fosse fraco, nem que Carmélia Alves não possuísse traquejo, talento, faro. Bem, talvez desse último pudéssemos considerá-lo, em parte.

Entrevista: Nando Reis

“O entusiasmo como profissão é a mais nauseante das insinceridades.” Cesare Pavese

Bailão do Ruivão

Nando Reis nunca escondeu do público, mesmo por debaixo de sua barba ruiva, a preferência por um mundo pop. Até nas canções dos tempos de “Titãs” é possível perceber que ele era de longe o menos punk e mais afeito a românticas interações entre os da trupe. E eram nove, um número nada inexpressivo para uma banda de rock.

O novo álbum do cantor, intitulado “Sei”, uma das canções inéditas e mote da apresentação em 23 deste mês no Chevrolet Hall, terá o acompanhamento do grupo “Os Infernais” e desfilará toda a ânsia amorosa que pauta o trabalho composto por 15 faixas, um número fora do comum para os padrões da indústria. “Entendo o amor como o principal motor da humanidade, no sentido de me perceber inserido e envolvido numa sociedade onde não existo sem o outro”, afiança Nando.

Entrevista: Alceu Valença & Maestro Rodrigo Toffolo

“O sol derretera o asfalto. Os pés enterravam-se nele, deixando aberta sua polpa luzidia.” Albert Camus

Valencianas Orquestra Ouro Preto

Alceu Valença está com passagem comprada para Belo Horizonte e não pretende ficar pouco tempo na capital. Pelo menos é o que indicam as apresentações marcadas, para o dia 3 de novembro com a Orquestra Ouro Preto no Palácio das Artes (gravação do DVD “Valencianas”) e em espetáculo solo como uma das atrações do “BH Music Station”, dia 17 de novembro, com repertório em homenagem a Luiz Gonzaga, na estação Vilarinho.

A respeito do primeiro evento, Alceu comenta sobre a parceria que levou os frevos e forrós cantados nos carnavais para o ambiente orquestral: “Fiquei muito emocionado com o tratamento que o maestro Rodrigo Toffolo e o arranjador Mateus Freire deram às minhas músicas. São jovens virtuosos com um carinho muito especial pela música de concerto, mas também pela música popular brasileira”, declara.

Show: Zélia Duncan (ToTaTiando)

“e eleva o peso do espaço
com todas as palavras não ditas” Luiz Tatit & Alice Ruiz

Totatiando

Na obra do artista plástico (escultor e pintor) Giorgio de Chirico, as coisas, muito além de pessoas, objetos ou asas (à imaginação), por isso o genérico de tudo, estão acopladas, transmutam-se, refratam e declamam a união como num campo magnético conduzido por imãs.

A arte de Luiz Tatit é igual, posto que difusa, e diferente, à reclusa recusa o elemento comum, congruente. O teórico que se intrometeu na ação fez questão de ungi-la a partir das conotações de verbo: a palavra desdobrada e aviltante, surpreendente – assustando – é o ás do baralho.

Entrevista: Angela Ro Ro

“Não, eu não sirvo de exemplo para ninguém. Troco até os acentos: digo amem ao invés de amém!” Angela Ro Ro

Amor meu grande amor

Angela Ro Ro desmente logo de cara que o novo álbum, gravado no Teatro Net Rio no último dia 15 de outubro, a ser lançado em 2013, seja comemorativo ao seus 30 anos de carreira: “Isso foi um equívoco de assessoria, pode riscar daí, me ajuda a desfazer esse engano, comecei a gravar em1979 e não estou celebrando nenhuma data específica, só a vida!”

“Feliz da Vida” dá nome ao disco que contém 13 canções inéditas, das 15 do repertório, e conta com a participação de Sandra de Sá (em “Beijos na Boca”), Jorge Vercilo (“Capital do Amor”), Diogo Nogueira (“Salve Jorge”), Ana Carolina (“Canto Livre”), Paulinho Moska (na canção título) e Roberto Frejat revisando os sucessos “Amor, Meu Grande Amor” e “Malandragem”.

Mestre Affonso (Samba)

“Nesses domínios é nobre a poeira,
Deixa que repouse intocada –
Não tens como removê-la,
Mas ela pode silenciar-te.” Emily Dickinson

Samba de Minas Gerais

Figura emblemática e provocativa do samba mineiro, Affonso Marra Filho, natural de Belo Horizonte, ganhou a alcunha de Mestre não apenas pela função desempenhada na bateria das mais importantes escolas de samba da capital, entre elas a “Chame, Chame”, “Canto da Alvorada”, “Bem Te Vi”, e outras.

Vencedor de diversos prêmios relacionados ao carnaval da cidade, desde cedo esteve imerso no mundo musical, onde travou amizade com Beth Carvalho, Alcione, Bezerra da Silva, Toninho Geraes, Fabinho do Terreiro e Zeca Pagodinho.

Milton Nascimento (Cantores brasileiros)

“Solto a voz nas estradas, já não quero parar
Meu caminho é de pedras, como posso sonhar
Sonho feito de brisa, vento vem terminar
Vou fechar o meu canto, vou querer me matar” Milton Nascimento & Fernando Brant

Canção da América

Dizem que ele se chama Milton. Dizem que é carioca. Dizem ser um dos maiores cantores do cenário brasileiro, crooner de primeira, além de tudo, compõe como poucos, muito, sem abrir mão da ama qualidade.

De todas essas afirmações certifico-lhes: ao menos duas são mentirosas. Não, não se chama Milton. Veio do Rio de Janeiro, mas não se apressem à precipitada conclusão. É mineiro. Mineiro de verso. Mineiro da prosa.

Humor: Paula Fernandes

“Mas por sorte nos urbanizaram sem pavimentar nossa naturalidade.” Quino

cantora de sertanejo universitário

Paula Fernandes estourou nacionalmente depois de convidada a cantar em especial da Rede Globo com o Rei Roberto Carlos. No entanto, a mineira de Sete Lagoas já trilhava passos no chamado circuito universitário da música sertaneja.

Música esta, que em minha opinião, utiliza-se das vestimentas e de alguns clichês do verdadeiro universo caipira para espalhar canções românticas e com forte apelo popular de rádio e televisão: ou seja, objeto industrial, de fábrica, conceituado segundo os preceitos de venda do mercado.

Chiquinha Gonzaga (Chorinho)

“porque tudo é vale onde o som dói.” Fernando Pessoa [Álvaro de Campos]

compositora de "Corta-Jaca"

O piano tocava ao fundo de uma sala branca, indistinta, recatada. Não era possível saber do que se tratava, até ela adentrar o recinto. Uma mulher, feminina e ferina, pousava os dedos laicos sobre o piano.

Uma mulher, e isso era tudo, e era um absurdo, até desacato. Chiquinha Gonzaga enfrentou o piano, o pioneirismo lhe coube aos ombros, leves, bem costurados, mas que se tornaram alvo de indignação quando ela defendeu os escravos.

Entrevista: Fernanda Takai

“Mas o antigo espelho, que vira e revira
nos seus longos anos de existência
coisas e rostos aos milhares;
mas o antigo espelho agora se alegrava
e exultava de haver mostrado sobre si
por um instante a beleza culminante.” Konstantinos Kaváfis

Fundamental com Andy Summers

As crônicas de Fernando Sabino a respeito de sua passagem pela Inglaterra renderam o livro “A Inglesa Deslumbrada”, onde o humor dá o tom periférico à ousadia do escritor.

Já a mais recente passagem do inglês Andy Summers pelo Brasil, astro da extinta banda The Police, resultou em parceria com a amapaense Fernanda Takai, residente em Belo Horizonte há tempo bastante para considerar-lhe mineira quem o quiser assim.