Entrevista: Carlinhos Vergueiro

“Quando eu passo
Perto das flores
Quase elas dizem assim:
Vai que amanhã enfeitaremos o seu fim” Nelson Cavaquinho

Vida Sonhada

Melodista, letrista e cantor. Compositor parceiro de Vinicius de Moraes, Chico Buarque e Adoniran Barbosa. Dividiu palco com Clementina de Jesus, Paulinho da Viola, João Nogueira. Conheceu aos 16 anos Nelson Cavaquinho, para quem depois produziu e dedicou discos.

Não foi por benevolência ou generosidade que Carlinhos Vergueiro enturmou-se de tanta gente boa do meio musical. Afinal foi ele o vencedor do Festival de Abertura da Rede Globo, com a canção “Como um ladrão”, em 1975.

Entrevista: Marina Lima

“Para se ser um bom filósofo é preciso ser seco, claro, sem ilusões.” Stendhal

Maneira de Ser

Haroldo de Campos, em poema, chama-a de “felina”. Nelson Motta preferiu os adjetivos “arisca” e “arredia” para defini-la. A paixão por cachorros, em especial os três do clã (Carola, Pedro Juca e a saudosa Maroca), coloca-me na cuca uma questão: a convivência plena entre cães e gata é, então, possível?

Descobertas pinçadas com a leitura do livro “Maneira de Ser”, recém-lançado pela editora Língua Geral, em primeira aventurança da compositora por esses mares salgados. A capa, azul, e a arte, minimalista, traduzem esteticamente o oceano largo em conteúdo da entrevistada.

Entrevista: Mônica Salmaso + Juarez Moreira + Pedro de Moraes

“A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.” Vinicius de Moraes

Alma Lírica Brasileira

Vinicius de Moraes chamava a todos por diminutivos, como prova de seu imenso carinho. O “poetinha”, como ficou conhecido entre os mais íntimos, e depois o Brasil inteiro, por conta dessa carinhosa mania, terá o centenário celebrado em 2013, mas as comemorações já começaram. Na capital, uma exposição na Galeria Murilo Castro, idealizada pelo filho do compositor, poeta e diplomata, Pedro de Moraes, fica em cartaz até o dia 21 de dezembro.

FOTOS
Intitulada “Os amigos do meu pai”,  a exposição abre ao público um pouco da intimidade de Vinicius, através das lentes do filho, ao mostrá-lo ao lado de grandes e célebres ‘compadres’, como Chico Buarque, Caetano Veloso, Pixinguinha, Baden Powell, Nara Leão, Maria Bethânia, Ismael Silva, Cartola, e outros.

O Futuro da Música

“Mas queria que você entendesse os meus poços escuros, os meus becos – que me fazem mergulhar em silêncios às vezes longos. (…) Não devemos nos perder, somos tão poucos,” Caio Fernando Abreu

O Futuro da Música

Acho que estamos indo pelo caminho errado. Não se apresse a considerar-me reacionário e em desfavor do progresso. Só noto uma falta de conteúdo quando se discute o futuro de engrenagens e fixa-se o pensamento nas ferramentas.

Notebook, computador, monitor LCD, Led Netbook, Tablet, MP3 e outras conotações do gênero tomam as manchetes dos jornais, já impressos em telas sensitivas. E é aí que se estabelece a confusão.

Entrevista: Marisa Monte

“e soaram no cristal dos mares
lábios azuis de outras sereias.” Cecília Meireles

O Que Você Quer Saber De Verdade

O furor provocado pela vinda da cantora Marisa Monte a Belo Horizonte pode ser percebido pela necessidade de se abrirem quatro sessões, nos dias 22, 23, 24 e 25 de novembro (todas com ingressos esgotados, esta última extra), para a apresentação da turnê “Verdade, uma ilusão” no Grande Teatro do Palácio das Artes.

A respeito do título da empreitada, a compositora admite que ele “propositadamente desmente o nome do disco (‘O Que Você Quer Saber de Verdade’), por este ser muito assertivo, resolvemos propor essa contradição, pois ela (a verdade) só existe quando não tem ninguém vendo, no íntimo. Se tiver alguém olhando, passa a ser versão” brinca.

Ivete Sangalo (Axé)

“a música delas parecia sempre a mesma, gelatinosa, suingada, submersa.” Truman Capote

Axé Music

Ivete Sangalo, pernas grossas, voz saborosa, pique imbatível, porque não me conquistas? Ivete Sangalo, domina o ritmo, o público, a massa, move montanhas, coliseus, mares. Embaixo, embasbacados rugem ao sinal de ataque.

Rainha do Axé, assim entronada desde a abertura dos portões por Daniela Mercury, conterrânea. Bahia, terra de mar salgado, gente alegre, músculos frenéticos, libido balançante.

Entrevista: Cantadores (Saulo Laranjeira, Xangai, Chico César, Elomar)

“Ouvi na viola de pastores
Bardos sonhadores que arrebanham estrelas” Elomar

Elomar não dá entrevista. Chico César, atarefado com as obrigações da secretaria de Cultura da Paraíba, está indisponível. Xangai e Saulo Laranjeira, então, tomam os préstimos de representar os ausentes e traçam as linhas e sons do que será a apresentação dos “Cantadores”, no Sesc Palladium, dia 17 de novembro, em concerto arquitetado com a direção musical do violonista e maestro João Omar de Carvalho Mello, também presente no espetáculo.

COMPROMISSO
Baiano como Elomar e ainda “com um grau de parentesco”, Xangai diz-se conhecedor da linguagem do companheiro de palco e vida, como “um habitante da Gruta de Maquiné ou Curvelo entende Guimarães Rosa“, compara.

Leny Eversong (Cantoras brasileiras)

“E, por mais que procure até que adoeça,
Já não encontro a mola pra adaptar-me.” Fernando Pessoa [Álvaro de Campos]

cantora brasileira Leny

Na primeira quarta-feira do mês de agosto desse ano, a cantora Leny Eversong, dona de uma das mais potentes vozes que o Brasil já teve, teria completado 90 anos de idade. Leny, que nasceu Hilda Campos Soares da Silva, começou a carreira aos 12 anos, cantando no programa “A Hora Infantil”, na Rádio Clube de Santos, cidade onde nasceu.

Demonstrando desde o início seu enorme talento para interpretar foxes estrangeiros, Leny logo passou a ser chamada de Hildinha, a “Princesa do Fox”. Pouco tempo depois, ela deixaria para trás o nome em português, mas não abandonaria as canções estrangeiras, passando a se especializar também em outros ritmos, como jazz, bolero e blues. Ela, que não falava nada em inglês, anotava na mão a pronúncia das palavras e era proibida por seu empresário de dar entrevistas fora do Brasil, arriscando no máximo alguns “all right´s” e “ok´s”.

Cazuza: Renascer em Copacabana

“A vida é bela e cruel
Despida
Tão desprevenida e exata
Que um dia acaba” Cazuza

Ao Vivo em Copacabana

Posto nas lojas em julho de 2009 o CD e DVD “Tributo a Cazuza – ao vivo na praia de Copacabana”, é o registro do show realizado em 2008, ano da celebração de 50 anos de vida do poeta caso ele não tivesse morrido em 1990, aos 32 anos.

Vários tributos pontuaram a carreira do cantor, e um dos diferenciais deste é justamente o fato de ter sido realizado na praia, dos locais preferidos e mais frequentados por Cazuza.