Entrevista: Marisa Monte

“e soaram no cristal dos mares
lábios azuis de outras sereias.” Cecília Meireles

O Que Você Quer Saber De Verdade

O furor provocado pela vinda da cantora Marisa Monte a Belo Horizonte pode ser percebido pela necessidade de se abrirem quatro sessões, nos dias 22, 23, 24 e 25 de novembro (todas com ingressos esgotados, esta última extra), para a apresentação da turnê “Verdade, uma ilusão” no Grande Teatro do Palácio das Artes.

A respeito do título da empreitada, a compositora admite que ele “propositadamente desmente o nome do disco (‘O Que Você Quer Saber de Verdade’), por este ser muito assertivo, resolvemos propor essa contradição, pois ela (a verdade) só existe quando não tem ninguém vendo, no íntimo. Se tiver alguém olhando, passa a ser versão” brinca.

Ivete Sangalo (Axé)

“a música delas parecia sempre a mesma, gelatinosa, suingada, submersa.” Truman Capote

Axé Music

Ivete Sangalo, pernas grossas, voz saborosa, pique imbatível, porque não me conquistas? Ivete Sangalo, domina o ritmo, o público, a massa, move montanhas, coliseus, mares. Embaixo, embasbacados rugem ao sinal de ataque.

Rainha do Axé, assim entronada desde a abertura dos portões por Daniela Mercury, conterrânea. Bahia, terra de mar salgado, gente alegre, músculos frenéticos, libido balançante.

Entrevista: Cantadores (Saulo Laranjeira, Xangai, Chico César, Elomar)

“Ouvi na viola de pastores
Bardos sonhadores que arrebanham estrelas” Elomar

Elomar não dá entrevista. Chico César, atarefado com as obrigações da secretaria de Cultura da Paraíba, está indisponível. Xangai e Saulo Laranjeira, então, tomam os préstimos de representar os ausentes e traçam as linhas e sons do que será a apresentação dos “Cantadores”, no Sesc Palladium, dia 17 de novembro, em concerto arquitetado com a direção musical do violonista e maestro João Omar de Carvalho Mello, também presente no espetáculo.

COMPROMISSO
Baiano como Elomar e ainda “com um grau de parentesco”, Xangai diz-se conhecedor da linguagem do companheiro de palco e vida, como “um habitante da Gruta de Maquiné ou Curvelo entende Guimarães Rosa“, compara.

Leny Eversong (Cantoras brasileiras)

“E, por mais que procure até que adoeça,
Já não encontro a mola pra adaptar-me.” Fernando Pessoa [Álvaro de Campos]

cantora brasileira Leny

Na primeira quarta-feira do mês de agosto desse ano, a cantora Leny Eversong, dona de uma das mais potentes vozes que o Brasil já teve, teria completado 90 anos de idade. Leny, que nasceu Hilda Campos Soares da Silva, começou a carreira aos 12 anos, cantando no programa “A Hora Infantil”, na Rádio Clube de Santos, cidade onde nasceu.

Demonstrando desde o início seu enorme talento para interpretar foxes estrangeiros, Leny logo passou a ser chamada de Hildinha, a “Princesa do Fox”. Pouco tempo depois, ela deixaria para trás o nome em português, mas não abandonaria as canções estrangeiras, passando a se especializar também em outros ritmos, como jazz, bolero e blues. Ela, que não falava nada em inglês, anotava na mão a pronúncia das palavras e era proibida por seu empresário de dar entrevistas fora do Brasil, arriscando no máximo alguns “all right´s” e “ok´s”.

Cazuza: Renascer em Copacabana

“A vida é bela e cruel
Despida
Tão desprevenida e exata
Que um dia acaba” Cazuza

Ao Vivo em Copacabana

Posto nas lojas em julho de 2009 o CD e DVD “Tributo a Cazuza – ao vivo na praia de Copacabana”, é o registro do show realizado em 2008, ano da celebração de 50 anos de vida do poeta caso ele não tivesse morrido em 1990, aos 32 anos.

Vários tributos pontuaram a carreira do cantor, e um dos diferenciais deste é justamente o fato de ter sido realizado na praia, dos locais preferidos e mais frequentados por Cazuza.

Entrevista: Maria Alcina

“O riso magnífico é um trecho dessa música desvairada.” Cecília Meireles

Confete e serpetina

A verdade é que eles não sabiam se era homem ou mulher. Todos: jurados, público, entusiastas, críticos assustaram-se. Para alguns foi espanto de encantamento, outros de temor e repreensão. Há 40 anos, portanto no auge da ditadura militar que se estendeu no Brasil de 1964 a 1985. “Ser alegre contrastava com a situação do país.”

Um fio de corpo tremelicando no compasso da grave voz entoava “Fio Maravilha” – depois proibido o nome pelo próprio homenageado, transformado em “Filho Maravilha” – de Jorge Benjor, no Festival Internacional da Canção, de 1972. Gritos miseráveis escoavam das arquibancadas lotadas do estádio Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, de tanto era o descontrole que urros elogiosos poderiam facilmente confundir-se em apupos grossos. “Fui perseguida por comportamento, o país vivia uma outra situação física e emocional.”

Paulinho da Viola (Cantores brasileiros)

“Este pobre navegante, meu coração amante
Enfrentou a tempestade
No mar da paixão e da loucura
Fruto da minha aventura
Em busca da felicidade” Paulinho da Viola

Foi um rio que passou em minha vida

Batatinha, sambista baiano autor de escassos sucessos, sem com isso perderem relevância, condecorava com honra e merecimento Paulo César Batista Faria o Ministro do Samba, na música “Ministério do Samba”.

Não por acaso diagnosticava-o vindo de linhagem nobre, filho de César Faria, lendário violonista do conjunto de choro Época de Ouro, idealizado por Jacob do Bandolim.

Roberto Carlos – Esse Cara Sou Eu & Furdúncio

“Só não é dele a tua tristeza, ó minha triste amiga!
Porque ele não a quer.” Manuel Bandeira

Esse Cara Sou Eu

Roberto Carlos, Rei das românticas e da Jovem Guarda, volta a compor músicas novas. Espere aí, devagar com o andor que o santo é, esbarro… Talvez o plural dispense a realidade.

Novas? Sim, do ponto de vista conceitual, as músicas são novas, pois embaladas por ineditismo de palavras naquelas circunstâncias, título e notas. Mas se prestarmos atenção ao essencial, a estrutura é exatamente a mesma de repetíveis primaveras a cantada do Rei em “Esse Cara Sou Eu”, divulgada em larga escala através de “Salve, Jorge”, novela das nove da Rede Globo com autoria de Glória Perez.

Entrevista: Otto

“O que se percebe não é nada, comparado com o que se imagina” Bachelard

The Moon 1111

Embora o homem tenha pisado na lua há mais de 40 anos, o acontecimento ainda é visto como futurista. As praças do planeta Terra se preparem. Elas serão invadidas pelo som alucinante e maciço do cantor, compositor e percussionista Otto no dia 11 deste mês.

Exatamente três anos se passaram desde que o filho de Pernambuco, “natural do Agreste, em Belo Jardim”, como ele mesmo diz, acordou de sonhos intranquilos (‘Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos’, álbum lançado em 2009) ocultos na lente do escritor austro-húngaro Franz Kafka para emergir a bordo duma temperatura capaz de queimar livros, a Fahrenheit 451, “em direção ao futuro”, afirma.