Beyoncé – Playback na posse de Obama?

“O vocábulo se desprende
Em longas espirais de aço
Entre nós dois.
Ajustemos a mordaça
Porque no tempo presente
Além da carícia, é a farsa
Aquela que se insinua.” Hilda Hilst

Beyonce-Obama.jpg

A desconfiança sobre a apresentação da cantora Beyoncé na posse do presidente norte-americano Barack Obama, segue rendendo discussão. O boato surgiu quando algumas mídias cravaram a utilização do recurso do playback, ou seja, música ao fundo com o artista dublando a si mesmo. Seja como for, parece-me escapar das principais manchetes o fator relevante.

Outros já se insurgiram, defendendo a pop star através de “especialistas do ramo” que, por inúmeras detecções repelem a suposta “farsa” de Beyoncé. Pois o playback começou a ser utilizado, em larga escala, na década de 80, quando os programas de auditório e shows para massas em estádios de futebol lotados garantiram cada vez mais numerários aos empresários do ramo.

Lúcio Alves (Cantores brasileiros)

“Era como se o mundo onde se juntavam fosse um navio, um navio preso em calmaria entre as duas ilhas que eram eles dois: com esforço, ele conseguia ver a margem dela, mas a dele se perdia em meio à espessa bruma.” Truman Capote

Lucio-Alves.jpg

Lúcio Alves, a voz das brumas, das manias, da solidão e da amargura. A voz de um sábado ensolarado em Copacabana.Desde os 14 anos sua voz já embalava os corações apaixonados dos “Namorados da lua”.

Uma voz grave que parecia sair das narinas e perfumava os ares cheios de dor e vida. Uma voz grave que cantava os dramas do samba-canção e as saudações otimistas da bossa nova que nascia.

PSY – US$ 8 milhões ao Youtube

“talvez o que divide o mundo não seja a política, mas a cama” Quino

PSY

Dentre tantas coreografias grotescas porque uma, especialmente, sobressai-se sobre as outras? Não cabe discutir a letra, afinal quase ninguém entende o que quer dizer o alarido inusitado de PSY. Autor e propagador do hit “Gangnam Style” em escala mundial, o sul-coreano rendeu ao Youtube, até agora, a exata quantia de US$ 8 milhões em publicidade.

Para ficar de queixo caído, não é mesmo? O visual extravagante, o contraste dos óculos pretos com o terno simetricamente azul, e o descabido de uma alegria infundada daquelas podem explicar o sucesso? Talvez. Mas não é o suficiente. Afinal, personagens aparecidos do mais absurdo dos mundos, por incrível que pareça, o nosso, existem milhões.

Latino quer provar ser compositor e prepara disco autoral

“Um autor, primeiro, é assunto. Mas a glória, mesmo, é quando ele vira falta de assunto.” Mario Quintana

Latino.jpg

Há, para toda sorte de “aproveitadores”, uma recepção específica. O cantor Latino, que agora se sai com essa de lançar “disco autoral”, é peça figurativa, quase caricatural, no cenário da música pop brasileira. O nicho pelo qual caminha está bem traçado. É um produto massivo da indústria, até outro tempo, altamente lucrativa. O que revigora a permanência do cantor nesse meio de reciclagem, provavelmente, é o ridículo dos gestos.

Existe sempre algo de cômico em Latino, o que espanta a antipatia e lhe denota aquilo que chamamos “carisma”. Tal característica é inegável em sua personagem, assim como a baixíssima qualidade do repertório, se o olharmos do ponto estritamente artístico, cultural, de estilo. É, no entanto, sucesso de entretenimento. As recentes patacoadas protagonizadas, como a expulsão do Youtube e o “roubo” da música de Psy, alicerçam os argumentos.

Naldo Na Veia – Amor de Chocolate

“Não adianta dar um ano novo para eles! Logo já vão quebrando!” Quino

Naldo.jpg

O mercado, frequentemente, alça e derruba teus eleitos. É preciso entender a lógica de reciclagem que impera nesse modelo. O segmento musical não foge ao controle da indústria, altamente lucrativa, do entretenimento. Ao sabor da novidade, torna-se preponderante mudar obstinadamente, elevando e pondo ao chão quaisquer tendências. Vender 25 mil cópias, levar “Disco de Ouro”, emplacar hits radiofônicos como “Exagerado”, “Chantilly”, “Na Veia”, e outros, parte deste processo.

O cantor Naldo parece e perecerá como a nova “sensação” do mercado. O adjetivo relembra nome de famoso chocolate, ao leite por fora, com recheio de morango. Tal como a comparação, o músico esbalda-se no topo das paradas, e a exemplo do citado, deverá enjoar rápido. O mercado aguenta pouco um sabor repetido. Embora haja referências, batidas, a Claudinho & Buchecha e eletrônica. O próprio Naldo aguentou e superou barra após perder o irmão, com quem fazia dupla. Há de se louvar o ato.

Evaldo Braga (Romantismo)

“Se chego, riem mais alto os regatos,
Brinca a brisa mais travessa;
Por que então, olhos meus, vossa névoa de prata?
Ó claro dia estival, por quê?” Emily Dickinson

Evaldo-Braga.jpg

Os mais novos o associarão a anúncios publicitários. Os antigos, a sucessos de rádio. É possível afirmar que mesmo quem não ligue o nome à pessoa certamente conhece a voz de Evaldo Braga. É ele quem entoa os versos: “Sorria, meu bem, sorria!/Da infelicidade, que você procurou/Chorar, pra quê?/Chorar/Você deve sorrir/Que outro dia será bem melhor!”.

Morto há 4 décadas, em 31 de janeiro de 1973, num acidente de carro, aos 25 anos, o cantor colecionou êxitos que, ainda hoje, ocupam lugar de destaque na preferência dos brasileiros. É o que revela o radialista Acir Antão, apresentador do matinal ‘A Hora do Coroa’, na Itatiaia. “As músicas dele estão entre as mais pedidas do programa, rivalizando com Nelson Gonçalves”.

Amy Winehouse (Cantoras internacionais)

“Eu era uma criança delirante.

Nem soube defender-me das palavras.
Nem soube dizer das aflições, da mágoa
De não saber dizer coisas amantes.

O que vivia em mim, sempre calava.” Hilda Hilst

Amy Winehouse

As lágrimas caem por elas mesmas. Nem que você queira, me levará ao centro de reabilitação. Estou na Motown. Anos 50. Negras vozes, melodias negras. Amores desfeitos na gravidade de um contrabaixo.

A tinta é uma mágoa na sobrancelha. Os cílios cortinam, mas o olhar revela. E a boca adquire o remorso compartilhado. Coração de alicate nas tatuagens. Marcas no corpo. Rouca alma.

Miltinho (Samba)

“emergem pela primeira vez no mundo das ondulações duras da água esculpida com o cuidado fotográfico da instantaneidade, até então desconhecido.” Salvador Dalí

Miltinho.jpg

Miltinho é a voz do poema das mãos, da lágrima, da menina moça e da mulher de trinta. A voz que conta as estrelas do céu, as fases da lua e as gotas de água do mar. Na voz de Miltinho, o mundo ganha novas medidas, deixando um cheiro de saudade a cada instante.

“Nas minhas mãos a despedida
Nas tuas mãos a minha vida”

Miltinho divide os sambas com a destreza de quem esculpe uma pedra. Sambando com elegância por entre as notas. Juntando corações numa única batida de frases.

Entrevista: Leny Andrade

“iluminada por luzes roxas dispostas nos cantos, ofuscava os olhos com uma brancura que só podia ser comparada consigo mesma, algo que ultrapassava o desejo e o sonho humanos.” F. Scott Fitzgerald

Leny-Andrade.jpg

Ela se intitula “queridinha dos músicos”. Não por acaso. Como faz questão de ressaltar, além de cantora profissional é formada em piano clássico. Leny Andrade chega aos 70 anos de idade no dia 25 deste mês, com a força e o vigor de quem está só começando. E uma agenda de colocar inveja em qualquer iniciante. Nova York, nos Estados Unidos, Trancoso, na Bahia, e Rio de Janeiro estão no roteiro.

O primeiro voo é para a cidade americana. De 13 a 17 de fevereiro, a intérprete se apresentará no palco do Dizzy’s Club Coca-Cola, acompanhada do “Nilson Matta’s Black Orpheus”, formado por Nilson Matta (baixo), Steve Wilson (saxofone), Klaus Mueller (piano), Alex Kautz (bateria) e Fernando Saci (percussão). O repertório é centrado na peça ‘Orfeu da Conceição’, de Vinicius de Moraes. Da lavra do ‘poetinha’, cujo centenário de nascimento é celebrado este ano, Leny destaca a “paixão por ‘Valsa de Eurídice'”.

Entrevista: Eliana Pittman

“Pois a imagem não existe. É só um jogo de luz. Pelo fascínio de uma imagem refletida nos olhos da mulher amada, um homem fica belo. Pelo fascínio de uma imagem refletida numa fonte, Narciso se transformou numa flor.” Rubem Alves

Eliana-Pittman.jpg

Musa da bossa nova. Rainha do ritmo alucinante do Pará. Os mais antigos irão apostar em Nara Leão. Os novos, em Gaby Amarantos. No entanto, o rosto surpreendente apresenta-se ao nome de Eliana Pittman. Carioca, natural do Rio de Janeiro, cantora, atriz, filha adotiva do clarinetista e saxofonista de jazz Booker Pittman, falecido em 1969. Rebento legítimo da música brasileira.

“Para entrar em meu repertório é imprescindível ter letra e melodia bonitas. Adoro trabalhos com ritmos, preciso sentir o que estou cantando”, avisa ela que, recentemente, estreou o show ‘Soul Bossa Jazz’, no teatro do Sesc, em Sorocaba. Durante a quarta música, porém, um acontecimento inusitado por pouco não pôs fim à apresentação.