5 músicas inesquecíveis com Tim Maia

“Não bebo, não fumo e não cheiro, só minto um pouquinho de vez em quando…” Tim Maia

Tim Maia foi um dos maiores cantores do Brasil

Tornou-se clichê dizer que a voz de Tim Maia e sua corpulência eram do tamanho de seu talento, justo ele que fugiu de frases feitas e aceitou outras tantas. Em sua trajetória dentro da música popular brasileira Tim foi definitivo ao trazer a influência da soul music americana, produzida pelos negros nos Estados Unidos, aonde, aliás, viveu por um tempo, o suficiente para ser preso por roubo de carro e posse de maconha. As muitas polêmicas que envolveram seu temperamento e o comportamento fora dos palcos foram por vezes traduzidas nas canções rasgadas e lamentosas, sempre de uma força rítmica impressionante. Tim mesmo dizia, em outras palavras, que o importante na vida era a levada. Ele legou sucessos inesquecíveis para a canção brasileira.

5 músicas revolucionárias com Clementina de Jesus

“Desde então, os povos das montanhas dizem que a amizade ajuda a tornar as pessoas mais livres.” Contos Africanos

Clementina de Jesus, a rainha Quelé da música brasileira

Somente o fato de gravar o primeiro disco com mais de 60 anos de idade já foi uma revolução de Clementina de Jesus dentro da música popular brasileira, ainda mais cantando ritmos de origem africana com sua voz típica daquelas paragens. Clementina de Jesus foi uma revolucionária do cancioneiro popular sem para isto empunhar bandeiras, pulsos ou brasões, sua presença de espírito – no que o sentido alude ao sincretismo nacional – em todos os sentidos, ao cantar as memórias de seu povo escravo e impor sua figura feminina, negra e de origem humilde, determinaram novos paradigmas para a concepção que se instaurava naquele período. A influência seguiu e deve permanecer por muito tempo ainda, forte e livre, como a ladainha de nossa Rainha Quelé Clementina.

Todas as letras do álbum “Waldir Silva em Letra & Música”

“Corria na voz do instrumento
Um gesto singular
Deus conduz e soergue da lona
O veludo das mãos”

Foto com os envolvidos no coreto da Praça da Liberdade

O projeto “Waldir Silva em Letra & Música” nasceu do desejo de ampliar o alcance da obra do instrumentista Waldir Silva, e traduzir, em palavras e versos – ou seja, letras – o que as notas instrumentais do mestre sempre disseram, além de manter viva a memória daquele que nos deixou em setembro de 2013. Para tanto, foi viabilizada a produção de CD em homenagem intitulado “Waldir Silva em Letra & Música” com a participação de nomes ligados à história afetiva e musical do cavaquinhista, além de um espetáculo de lançamento.

Análise: Ferreira Gullar foi poeta de várias faces

“Sobre o leito de sal, sou luz e gesso:
duplo espelho – o precário no precário.
Flore um lado de mim? No outro, ao contrário,
de silêncio em silêncio me apodreço.
Entre o que é rosa e lodo necessário,
passa um rio sem foz e sem começo.” Ferreira Gullar

Ferreira Gullar foi poeta, ensaísta, crítico e compositor

Antes de tornar-se clássico, Ferreira Gullar percorreu trilha em movimentos importantes da poesia brasileira. Afora rótulos sua obra, marcadamente de acento grave, caracterizou-se, do início ao fim, pela passionalidade, que o diga sua mais célebre definição do ofício: “poesia nasce do espanto”. Quando de sua mais ambiciosa proposta estilística, ao desejar “explodir com a linguagem”, o que reportou acerca de “A Luta Corporal”, ainda assim Ferreira não foi capaz de desvencilhar-se, por completo, de certa lírica, certo lirismo. Natural do Maranhão Gullar despertou ao longo da existência sentimentos díspares: foi alvo da admiração de Clarice Lispector e João Cabral de Melo Neto e do desprezo de Augusto de Campos e seus pares no neoconcretismo brasileiro. Nada que tenha influenciado, a rigor, o melhor de sua poesia, baseada entre as décadas de 1950 e 1980, período em que o país também mudou radicalmente.

Memória: Josephine Baker simbolizou liberdade feminina nos anos 1920

“Pela manhã, como deve sentir-se poderoso o vento
Ao se deter em mil auroras,
Desposando cada uma, rejeitando todas
E voando para seu esguio templo, depois.” Emily Dickinson

Josephine Baker foi símbolo de exotismo e popularidade

Há um século e uma década nascia para o mundo Freda McDonald, que para sempre permaneceria desconhecida dele. Porém sua personagem é ainda lembrada. Josephine Baker, junção do próprio sobrenome com o do marido é referência imediata para o universo da dança, dos costumes, da luta pelos direitos da mulher, dos negros e de todas as minorias perseguidas. Sua contribuição artística, ao contrário do percebido pela extensa maioria em sua época, portanto, transcendeu aos critérios momentâneos orientados pela estética a fim de alcançar aquele valor concedido às obras-primas: marcou profundamente a maneira de pensar da humanidade; ou, ao menos, sugeriu novas aberturas para ela. Natural do meio-oeste dos Estados Unidos, quando chegou à maioridade migrou para Paris, onde, dizia-se, respirava-se vanguarda e liberdade; naqueles “Loucos Anos 20” por lá passavam pintores como Picasso e escritores do porte de Hemingway e Gertrude Stein, considerada mentora intelectual de muitos deles. Mas não havia nada como o exotismo de Josephine Baker. Trazia, ao seu lado, Chiquita, uma guepardo de estimação.

6 músicas reveladoras de Sandra de Sá

“Entre cavalos e verdes pensei meu canto.
Entre paredes, murais, lamentos, ais
(Um cenário acanhado para o canto
E triste
Se o que dele se espera é até demais)
Pretendi cantar mais alto que entre os verdes
E encantar” Hilda Hilst

Sandra de Sá é uma das intérpretes mais intensas da música brasileira

Sandra de Sá talvez seja das artistas que mais se entrega a seu ofício. Oriunda da soul music brasileira apareceu ao lado de nomes como Tim Maia, Hyldon, Cassiano e outros, sendo, desde então, solitária voz feminina neste cenário. Porém, marcante. A interpretação lancinante e visceral, a entrega pelas letras românticas e o singular suingue trazido se suas raízes africanas sempre denotaram para Sandra a característica de uma cantora catártica, de pura emoção, porém com pleno domínio da técnica a serviço dos sentimentos. Pois música é cultura, não tese. Eis aí a chave para que Sandra seja tão reveladora ao cantar, tanto de si quanto para os outros, que encontram-se em meio às canções. Não é por acaso que o compadre Cazuza a apelidou de Billie Holiday.

Análise: “Estação Plural” exalta a diversidade sexual e de gênero

“Aviso que vou virando um avião. Cigana do horário nobre do adultério. Separatista protestante. Melindrosa basca com fissura da verdade. Me entenda faz favor: minha franqueza era meu fraco (…) Não olho para trás. Aviso e profetizo com minha bola de cristais que vê novela de verdade e meu manto azul dourado mais pesado do que o ar. Não olho para trás e sai da frente que essa é uma rasante: garras afiadas, e pernalta.” Ana Cristina Cesar

Atração é comandada por trio de apresentadores

Tendo como princípio a diversidade sexual e de gênero, o programa “Estação Plural”, exibido nas segundas-feiras a partir das 22h na TV Brasil, amplia o leque para a raiz e o radical inerente ao tema: diversidade de vida que almeja à tolerância e ao respeito. No elogio ao múltiplo a descoberta de que a riqueza concentra-se no que é vário, e não singular. São paradoxos esmiuçados com consciência, experiência e conhecimento: somos todos únicos e iguais em alguma medida, e é pela identificação humana que devemos reconhecer no outro todas as diferenças que nos propiciam uma existência passível de exuberância. No comando da atração Ellen Oléria, Fefito Oliveira e Mel Gonçalves exibem personalidades tão distintas quanto complementares, não no sentido limitador, mas na coesão que os tons encontram por serem de diferentes peças, para além do quebra-cabeça, mas, por ora, uma sinfonia, aonde a música foge e se oferece harmônica justamente pela impalpabilidade.

25 músicas brasileiras sobre a saudade

“De manhã escureço/De dia tardo/De tarde anoiteço/De noite ardo.
A oeste a morte/Contra quem vivo/Do sul cativo/O este é meu norte.
Outros que contem/Passo por passo:/Eu morro ontem
Nasço amanhã/Aonde há espaço:/– Meu tempo é quando.” Vinicius de Moraes

Cantores brasileiros interpretaram a saudade em suas músicas

Saudade é palavra que só existe na língua portuguesa. Saudade cantada pelos poetas e sentida por todos, unanimemente. Dizem que existe um truque do passado para que tenhamos saudade, que pela sabedoria do corpo, da mente e da alma esquecemos o que não faz falta, para guardar somente aquilo que designamos: saudade. A nostalgia cantada em versos é capaz tanto ou mais de emocionar por conter, em si, síntese de lembranças, momentos ou mesmo sonhos e aspirações. Do que “poderia ter sido e não foi…”, diria o outro. Na música brasileira “saudade” é palavra diversa e democrática. Saudade cantada em baião, toada ou trova, ao ritmo de samba, repente ou moda, parte do nosso folclore e da nossa bossa nova. Para todos os que sentem a saudade, música!

“Waldir Silva em Letra & Música” é saudação à obra de mestre do choro

“Nada melhor/É remédio da alma /Benze meu coração
Nunca vi outro igual no mundo/Em medicina alguma
Além do mais/É barato, de graça/Assim se encontrará, pode ver
Basta procurar com atenção/O som dentro de si, a soar” Raphael Vidigal

Artistas mineiros se uniram para homenagear o músico Waldir Silva

Fruto de um esforço coletivo, o álbum “Waldir Silva em Letra & Música” saúda em comunhão a obra do cavaquinhista mineiro. Proponente do projeto junto à Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, que contou com o patrocínio da multinacional ThyssenKrupp, Raphael Vidigal, jornalista e poeta; foi o autor das letras (em parcerias com André Figueiredo) para as já consagradas melodias do mestre do chorinho. A partir destas letras, o violonista Lucas Telles compôs novos arranjos para músicas conhecidas como “Duas Lágrimas”, “Veludo” e “Minas ao Luar”, esta última uma expressão do desejo de Waldir em compor o prefixo musical do evento. Integrante da banda “Toca de Tatu”, ao lado de Luísa Mitre no piano e acordeom, Abel Borges nas percussões e o xará Lucas Ladeia no cavaquinho, além da presença do músico convidado Bruno Vellozo no baixo acústico, a trupe participa de todas as faixas do CD. A eles, unem-se as participações especiais.

5 músicas brasileiras para o Dia das Bruxas

“Em todo clima, ao sol, a Morte te admira
Em tuas contorções, risível Humanidade,
E, ás vezes, como tu, ungindo-se de mirra,
Mescla a sua ironia à tua insanidade!’.” Baudelaire

Cantores brasileiros interpretaram músicas de teor místico

Embora não seja tradição nacional, o Brasil, país antropofágico por excelência, rapidamente aderiu o “Dia das Bruxas” ao seu calendário. A comemoração por essas bandas, no entanto, conta com as próprias lendas e fantasmas e, também, claro, músicas de sua autoria. Daí que Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção, Tetê Espíndola, Zé Ramalho, Geraldo Azevedo, Luhli, a turma dos “Secos & Molhados” e alguns outros sejam conclamados. A música deles, como se constata, é um assombro. Pois do susto para a admiração basta um salto. E é com as notas e versos musicais que espantaremos todos os males…