Mineiro coloca letra em música de Zé Ramalho

“Na Paraíba um mineiro assim chegou
Usava botas carmesins e um terno azul
Sobre a cabeça o chapéu de um verde rum
No olhar cingia a esperança contra alguns” Raphael Vidigal

Música de Zé Ramalho ganha letra

Quando o cavaquinista Waldir Silva (1931 – 2013) apresentou a Raphael Vidigal, 28, sua obra autoral, o jornalista logo se deteve em uma canção específica, “Paraibeiro”, composta pelo instrumentista mineiro em parceria com o músico paraibano Zé Ramalho, 67, na década de 1970, quando os dois se encontraram nos estúdios de gravação da Polygram. Ali mesmo eles compuseram a melodia, um choro instrumental que brincava com as características da música mineira e paraibana, daí o título, advindo da mistura entre um paraibano e um mineiro.

Análise: Chuck Berry levou para sua música o culto à personalidade

“Por minha missão mais tarde – promessa de iluminar a humanidade – isto é, soltar partículas – (louco como você) – (sanidade um truque convencional)” Allen Ginsberg

Chuck Berry foi um dos pioneiros do rock

O pai do rock nacional afirmava em 1989 que nunca vira “Beethoven fazer aquilo que Chuck Berry faz”. A referência era explícita por parte de Raul Seixas (em parceria com Marcelo Nova) àquele considerado por muitos como “pai do rock mundial”, embora nem um, nem o outro, tenha assimilado o epíteto com orgulho. Berry era a alma do rock’n’roll, o que facilmente se percebia nesse sucesso de 1956 que Raul usava de fundo para sua canção em reverência ao estilo. Além do deboche, a rebeldia juvenil – que não segurava palavras para dizer que o pai da música clássica devia rolar no túmulo ao ouvir as guitarras e aventuras da geração do Pós-Guerra americano – Berry introduziu uma maneira bastante própria de se portar no palco e, consequentemente, interpretar suas músicas, o que, é bem provável, contribuiu para o culto à sua personalidade marcada por exotismos e confusões de toda ordem ética e legal.

Entrevista: Jhê Delacroix, entre a irreverência e a preocupação histórica

“Tomo para mim uma tarefa inteira:
A de guardar um tempo, o todo que recebe
E livrá-lo depois de um jugo permanente.
Outros te guardarão. Não eu que só pretendo
Libertar na alegria o coração e a mente.” Hilda Hilst

Obra da artista plástica Jhê Delacroix

Ela imitava Sandy e Simony e ouvia Daniela Mercury, não necessariamente ao mesmo tempo. Entre as faxinas da mãe “escutava uma gama imensa de música de um determinado estilo”, sucesso na época, como a dupla sertaneja Zezé di Camargo & Luciano. “Não nasci Clarice Lispector por pouco”, confessa ela que, ao ser questionada sobre o nome artístico, responde como a autora de “A Maçã no Escuro”. “É segredo, só as crianças sabem”, ri-se. Assim Jhê Delacroix, natural de Niterói, no interior do Rio de Janeiro, e residente em Belo Horizonte há quatro anos mantém o mistério e não entrega pistas de parentesco com o pintor francês famoso por telas políticas, de que é o maior exemplo “A Liberdade Guiando o Povo”. Mas deixa claro que com seus 28 anos e alma lavada sem ter onde secar – para parafrasear Cazuza – navega entre a irreverência e a preocupação histórica. De volta à meninice Jhê recorda seus primeiros tempos. “Sempre amei escutar música e como também tinha essa aptidão imitava os artistas pros meninos mais velhos pra poder enturmar”.

Entrevista: Nasce o Sol Poente de Maíra Baldaia

“Rompe a amargura até transmutar em ternura
Só a arte salva de nossos monstros, a arte é cura,
Veneno e antídoto, só ela, única, perdura em nosso peito” Maíra Baldaia

Maíra Baldaia e seu sol poente

“Minhas principais influências estão nas ruas, nas mulheres do meu dia a dia, na resistência nossa de cada dia, na ancestralidade que toca o meu corpo e forma minha identidade, nos amores e nos aprendizados, na natureza e nos movimentos que ela nos propõe, nas paisagens e passagens de tempo, nas cores, na liberdade e, principalmente, nas estradas e nos novos olhares que elas nos despertam”, é com estas palavras que Maíra Baldaia se apresenta, e não há ninguém melhor do que ela para tentar o entendimento de si própria, sem pretender, com isto, a limitação. O que Maíra procura é liberdade. Mineira de Itabira – aonde, por acaso, também nasceu Carlos Drummond de Andrade – a artista já levou seu canto e sua poesia para Portugal, Espanha, Alemanha e Estados Unidos. Mas que com a aparência não se engane, Maíra, que também é atriz, está longe de deslumbrar-se com colonizadores. Suas raízes estão fincadas na África e no Brasil, que, com reverência, ela reinventa nas músicas.

15 Músicas de Sucesso no Carnaval

“O Carnaval é a invenção do Diabo que Deus abençoou…” Caetano Veloso

Músicas de sucesso no carnaval

Cantado em verso e prosa e de cabo a rabo no Brasil todo, o Carnaval é certamente a festa popular do país mais reconhecida intramuros e além deles, pois feito, principalmente, de exaltação e liberação de costumes, transas e bodes. Com a bênção de Baco, Deus e o Diabo, a festança se estende por 4 dias entre os 4 cantos e becos e bocas por avenidas, blocos, ruas, confetes e serpentinas. Tradição maior a folia canta suas alegrias, tristezas e esperanças, em forma de sátira, gozo ou lamentação desde que o mundo é mundo, mas, no caso, aqui vamos da década de 1930 até os anos 2000, com direito a Carmen Miranda, Braguinha, Assis Valente, Caetano Veloso, Gal Costa e tudo o mais!!!

4 marchinhas para o Carnaval de BH

“Parece que o olho deles
Esticou, ficou maior…
É claro, estão esperando
A volta do carnaval.” Murilo Mendes

Festa na capital mineira reúne vários foliões

Nos últimos anos, além dos bares, BH tornou-se também a capital do Carnaval. Com uma programação ampla e diversificada a cidade passou a receber os tão tradicionais e antigos blocos carnavalescos que, fora remeter à memória, trouxeram suas próprias inovações com misturas inusitadas e, acima de tudo, festeiras. Vale fantasia, vale confete e serpentina, principalmente, vale alegria! Com esse intento selecionamos 4 marchinhas para você pular durante os 4 dias de farra e folia, cada uma delas distintas entre si, para privilegiar, como marca do carnaval de Belo Horizonte, justamente a diversidade. São elas uma marcha-rancho, uma marchinha entre o romance e a ironia, e duas marchinhas políticas, ambas com aquela já habitual pegada de humor. Vamos à festa foliar!

Mulheres Criando – Vozes no deserto: Quebrando o silêncio da composição feminina

“Ô mãe, me explica, me ensina
Me diz, o que é feminina?
Não é no cabelo ou no dengo ou no olhar
É ser menina por todo lugar
Ô mãe, então me ilumina
Me diz, como é que termina?
Termina na hora de recomeçar
Dobra uma esquina, no mesmo lugar” Joyce

Coletivo Mulheres Criando em BH

A recuperação da identidade feminina na composição musical brasileira foi um caminho árduo: os acessos são sempre muito difíceis devido à documentação histórica concentrar-se nos grandes centros do Brasil, sem contar com a amplitude do assunto.

Portanto, assumo, desde o primeiro instante, que o caminho aqui a ser trilhado é do eixo da afetividade. Contento-me, como amante da música, a fazer uma busca afetiva de algumas compositoras que fizeram história na MPB e abriram caminho para tantas outras.

As dificuldades enfrentadas pelas mulheres nos diversos campos da expressão artística são inúmeras; portanto, faz-se necessário um movimento de resistência e luta como o coletivo Mulheres Criando, que surgiu no ano de 2016, na cidade de Belo Horizonte, idealizado por quatro mulheres do cenário musical da cidade.

Amorina, Bia Nogueira, Deh Mussulini e Flávia Ellen criaram o movimento Mulheres Criando[1] que promove a Mostra Mulheres Criando e o Sonora – Ciclo Internacional de Compositoras[2].  O objetivo da iniciativa é valorizar e promover o espaço da mulher compositora no cenário musical nos níveis local, nacional e internacional.

5 músicas brasileiras para o Ano Novo

“Não temos proteção para o que foi vivido,
insônias, esperas de trem, de notícias,
pessoas que se atrasaram sem aviso,
desgosto pela comida esfriando na mesa posta.
Contra todo artifício, nosso olhar nos revela.
Não perturbe inocentes, pois não há perdas
e, tal qual o novo,
o velho também é mistério.” Adélia Prado

Tarsila do Amaral pintou com modernidade as tradições do Brasil

Muda o ritmo, muda o gênero, o autor, o intérprete, e até o ano muda. De velho, passa a ser novo, mas a mensagem é sempre a mesma. Adoniran Barbosa em parceria com o maestro Hervé Cordovil conclama para que o desesperado João não perca a esperança, “que amanhã tu levanta um barracão muito melhor…”, Chico Buarque declara logo nos versos inicias que “amanhã vai ser outro dia”, e Gonzaguinha reafirma que “começaria tudo outra vez, se preciso fosse…”. Já Caetano Veloso vaticina, numa das homenagens ao sociólogo e ativista Betinho: “Gente é pra brilhar, não pra morrer de fome”. Por fim, Guilherme Arantes, em sua belíssima balada aposta: “amanhã, será um lindo dia, da mais louca alegria que se possa imaginar…”. Que assim seja…

5 músicas brasileiras para o Natal

“Não aprofundes o teu tédio./Não te entregues à mágoa vã./
O próprio tempo é o bom remédio:/bebe a delícia da manhã.
No verde, à beira das estradas,/maliciosas em tentação,
riem amoras orvalhadas./Colhe-as: basta estender a mão.(…)
A arte é uma fada que transmuta/e transfigura o mau destino.
Prova. Olha. Toca. Cheira. Escuta./Cada sentido é um dom divino.” Manuel Bandeira

Desenho de Portinari sobre o Natal

O Natal se aventura à meia-noite com o som que vem do choro do Menino Jesus. O som de passos que caminham em direção ao Salvador trazendo-lhe oferendas. Os Três Reis Magos presenteiam como graça, agradecimento. É o sinal de devoção àquele que eles acreditam trazer em si a soma da união, dos bons valores, do amor à vida que se espalha em cada grão de areia, ou gota d’água. É o som surdo duma alegria que se vê no rosto de Maria e se faz na contemplação de José. É o som dos animais que permeiam a casa escolhida para nascer o Menino, na simples manjedoura que lhe abriga tal qual sua sabedoria perene. Muito antes do som, há o barulho. Muito antes de castelos, palácios, riquezas, há manjedouras. Por isso muito antes da neve, dos sinos, das luzes e da barba branca que acolhe o corpo vermelho de um senhor bondoso e carinhoso para com as crianças há a criação da fé ao homem, ao próximo, ao suplício eterno pela caridade pura e desprovida de interesses. Pelo viver em ver o outro viver bem. E alegrar-se pelo outro como a si. Então haverá o som de harpas tocadas pelos anjos, tamborins tocados pelos sambistas e tambores tocados pelos reis magos do axé. Pois lá no início houve o deslumbramento provocado pelo choro do Menino Jesus e o sorriso cândido dos que permaneceram acortinados nele. A isso, comemora-se o Natal.

5 músicas inesquecíveis com Tim Maia

“Não bebo, não fumo e não cheiro, só minto um pouquinho de vez em quando…” Tim Maia

Tim Maia foi um dos maiores cantores do Brasil

Tornou-se clichê dizer que a voz de Tim Maia e sua corpulência eram do tamanho de seu talento, justo ele que fugiu de frases feitas e aceitou outras tantas. Em sua trajetória dentro da música popular brasileira Tim foi definitivo ao trazer a influência da soul music americana, produzida pelos negros nos Estados Unidos, aonde, aliás, viveu por um tempo, o suficiente para ser preso por roubo de carro e posse de maconha. As muitas polêmicas que envolveram seu temperamento e o comportamento fora dos palcos foram por vezes traduzidas nas canções rasgadas e lamentosas, sempre de uma força rítmica impressionante. Tim mesmo dizia, em outras palavras, que o importante na vida era a levada. Ele legou sucessos inesquecíveis para a canção brasileira.