4 Vocalistas do Barão Vermelho

“O sal da terra ainda arde e pulsa
Aqui nesse instante, e olhamos a lua
E babamos nos muros, cheios de desejos” Cazuza

Cazuza e Frejat com o Barão Vermelho

Cazuza é um dos mais prolíficos compositores brasileiros, principalmente no que tange a parcerias, não só a tempo de vida. Morto aos 32 anos, pelos efeitos da AIDS, o poeta exagerado praticou em vida a arte do encontro, e encarnou o ideal brasileiro da mistura, da mestiçagem, do liquidificador em segredos compartilhados com o público. Gregário e explosivo, lírico e desbocado, Cazuza passeou em raras parcerias ao lado de amigos como Léo Jaime e o inseparável Roberto Frejat.

Os 10 melhores discos brasileiros de 2017

“Que no coração de Bia
Meninos não têm lugar
Porém nada me amofina
Até posso virar menina
Pra ela me namorar” Chico Buarque

Melhores discos brasileiros

A volta de grandes nomes e a consolidação de intérpretes em ascensão marcaram a música nacional com discos emblemáticos lançados em 2017. Além disso, artistas que nos deixaram também tiveram os seus últimos trabalhos lançados, enquanto outros receberam homenagens pelo conjunto da obra. O blog aponta os álbuns nacionais de maior destaque no ano.

20 músicas e discos históricos de Natal

“Eu não tenho aonde ir, tudo me ignora,
ignoro tudo, pois sou natureza.
Um beija-flor enfia numa flor natalina
o seu bico comprido e come e bebe e voa,
não pousa no meu ombro,
não bebe do meu olho a água de sal.
Por agora, o que me faz prosseguir
é sua indiferença. Esta ausência de milagre.” Adélia Prado

Elvis Presley disco de Natal

Os mais conceituados letristas e melodistas brasileiros pegaram papel e instrumento para criar canções natalinas. Embora a temática se repita, a abordagem revela uma diversidade incrível de impressões sobre a festa, passando pela exaltação, alegria, reflexão, tristeza e melancolia. O humor também marca presença, assim como o samba, a marcha, o pop e a valsa. Embora não tenha uma tradição firmada de lançar discos inteiros dedicados ao Natal, alguns cantores brasileiros se arriscaram nessa empreitada, com resultados que já ficaram para a história. Tanto é verdade que continuam surgindo novidades. Por outro lado, é difícil encontrar um grande intérprete norte-americano que não tenha se dedicado a celebrar o Natal através de canções ou álbuns. E isso independe da época e até mesmo de gênero ou estilo. Que o digam Frank Sinatra e Lady Gaga.

10 músicas brasileiras conhecidas por apelidos

“Porque a maneira de reduzir o isolado que somos dentro de nós mesmos, rodeados de distâncias e lembranças, é botando enchimento nas palavras. É botando apelidos, contando lorotas. É, enfim, através das vadias palavras, ir alargando os nossos limites.” Manoel de Barros

Músicas brasileiras apelido

Quando o compositor erra, o público acerta e vem ao seu socorro. É isso o que provam os diversos apelidos que pululam na música brasileira. Uma rápida pesquisa será suficiente para que a surpresa dê lugar ao orgulho. Afinal de contas, é graças ao empenho da plateia que uma determinada canção, literalmente, troca de nome. Pois mais importante do que o cartório é o coro das vozes juntas. E nem precisa de assinatura. Já disse Jorge Amado: “anônimas por serem voz do povo”.

6 versões inusitadas de Chico Buarque

“É assim como se o ritmo do nada
Fosse, sim, todos os ritmos por dentro” Chico Buarque

Chico em versões inusitadas

O fato de Chico Buarque renegar a condição de poeta não o torna menos merecedor do título. É em poucas e esparsas doses que o compositor tem se deixado sublinhar pelo tempo. “Caravanas”, lançado seis anos após o mais recente disco de inéditas, não precisa mais do que nove faixas para suster o encanto de uma lírica graciosa, bem-humorada, irônica, musical e moderna. “Blues Para Bia” exemplifica todas essas qualidades do gênio.

6 polêmicas com Chico Buarque

“Vagueia, devaneia
Já apanhou à beça
Mas pra quem sabe olhar
A flor também é ferida aberta
E não se vê chorar” Chico Buarque

Chico Buarque Instagram

Graças a “Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores”, música de Geraldo Vandré, uma carta de Tom Jobim (1927-1994) convocava Chico Buarque, 73, para ser vaiado. O episódio aconteceu em 1968, quando, ao receber sozinho os apupos da plateia na fase anterior do III Festival Internacional da Canção daquele ano, Jobim telegrafou para o parceiro de “Sabiá”. Interpretada pelo Quarteto em Cy, a canção venceu o concurso em detrimento do rasqueado de Vandré, preferida pelo público. “Venha urgente. Presença imprescindível”, acudia o Maestro Soberano.

Se até ali a experiência era inédita, Chico voltaria a estar no alvo décadas depois. A partir de 2013, ao ingressar no grupo Procure Saber para defender a proibição de biografias não-autorizadas, o autor de “Vai Passar”, “Apesar de Você”, “Cálice” e outras canções de resistência à ditadura militar, passou a conviver cada vez mais de perto com críticas e situações polêmicas. Foi acusado de machista, censor, hostilizado por um grupo de jovens ao sair de um restaurante no Leblon e virou meme nas redes sociais.

10 discos de sucesso da MPB Fofa

“O otimismo começa com um riso aberto e o pessimismo acaba com óculos azuis. Além disto, os dois não passam de poses.” Oscar Wilde

MPB Fofa lança discos de sucesso

Mallu Magalhães, Tiago Iorc, Clarice Falcão, Tiê, Anavitória, Ana Vilela, Marcelo Jeneci. Apesar das diferenças entre si, os citados apresentam algumas características que têm associado essa turma a um estilo definido como MPB Fofa: voz suave, violão no colo, letras simples e delicadas, a maioria com narrativas ao gosto folk que trazem certa impressão autobiográfica. Apontada como espécie de precursora desse movimento, Mallu Magalhães, a exemplo de Anavitória e Ana Vilela, primeiro chamou a atenção do público com vídeos divulgados na internet. Hoje ela acumula quatro álbuns solo e uma carreira consolidada no mercado fonográfico. Em 2017 lançou “Vem”, com 12 faixas autorais.

Entrevista: A MPB nunca foi tão fofa

“Seu manto azul oculta corujas e morcegos.
Quem dera acreditasse no carinho –
O rosto da imagem suavizada por velas,
Derramando, só em mim, seus olhos meigos.” Sylvia Plath

Mallu Magalhães e a MPB Fofa

Além do signo astrológico, Caetano Veloso se inspirou na figura “solar e luminosa” (como já disse em entrevistas) de Dadi Carvalho, à época baixista do grupo Novos Baianos, para compor, em 1977, a música “O Leãozinho” (que no disco “Bicho”, sucede “Tigresa”). Quarenta anos depois, a canção ganhou três regravações quase simultâneas (sem falar no próprio Caetano, que a interpreta em show feito com os três filhos). E isso nada tem a ver com efeméride. A mineira Roberta Campos iniciou os trabalhos com versão divulgada no formato de single.

Já o EP “Anavitória Canta Para Pessoas Pequenas, Pessoas Grandes e Não Pessoas Também” trouxe o registro da dupla de Tocantins. Por último, Ana Vilela (que estourou com o hit “Trem Bala” em 2016) escolheu a obra do baiano de Santo Amaro para ser a única não autoral de seu disco de estreia, lançado no último mês de outubro e que traz como título apenas o nome da cantora de Londrina. “Tenho uma tatuagem no braço com a palavra ‘leãozinho’ porque minha tia Simone cantava ela para mim antes de dormir, quando eu era criança. Sou apaixonada por essa música”, conta Ana.

Música e poesia: 11 poetas que viraram disco no Brasil

“animal em extinção,
quero praticar poesia
– a menos culpada de todas as ocupações.” Wally Salomão

Poetas que viraram disco no Brasil

Desde o trovadorismo os caminhos da música e da poesia se cruzam. Dando continuidade à essa tradição o paulista Cristiano Gouveia e a mineira Irene Bertachini lançaram, no último domingo (12), o disco “Lili Canta o Mundo!”, em que musicaram poemas de Mario Quintana. E o movimento não é novidade na música brasileira, que tem, por hábito, levar os versos livremente pelas notas das canções.

Entrevista: Gal Costa sem medo nem esperança

“Mas baby não se adiante, aos meus desejos
Nunca se atrase pro próximo beijo
Não me reprima, não me azucrina
Não me aluga, senão posso ficar uma arara” Lulu Santos

Gal Costa prepara inéditas para 2018

“Sim, eu pedi uma música a ela, mas ainda não recebi”. Intérprete de Tom Jobim, Caetano Veloso, Mallu Magalhães, Arnaldo Antunes, Dorival Caymmi, Jards Macalé, Luiz Melodia, Roberto Carlos e Céu, uma das cantoras mais requisitadas do Brasil assim confirma que pretende registrar, em seu próximo álbum, uma canção inédita da autora de hits como “Infiel” e “Amante Não Tem Lar”. Gal Costa, 72, adianta que o sucessor de “Estratosférica Ao Vivo”, que acaba de ser lançado em CD, DVD e nas plataformas digitais, “sai no primeiro semestre de 2018”. “Irei gravar ainda esse ano”, completa.

Além de Marília Mendonça, símbolo da nova geração de sertanejo universitário chamado por setores da imprensa de “Feminejo” – por supostamente colocar as mulheres em primeiro plano – o repertório vai abarcar músicas de Djavan, Criolo, Gilberto Gil e Nando Reis, feitas especialmente para o primeiro trabalho de inéditas da cantora desde 2015. Com Gil e Reis, Gal ainda realiza, até dezembro, o espetáculo “Trinca de Ases”. “Não posso adiantar muito mais que isso para não estragar a surpresa”, disfarça a baiana.