O Humor Romântico de Eduardo Dussek

“Escutar é uma coisa perigosa, sabe. Quem escuta pode ser convencido, e um homem que se deixa convencer por um argumento é uma pessoa completamente insensata.” Oscar Wilde

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Eduardo Dussek é um dos astros do espetáculo “Sassaricando – E O Rio Inventou A Marchinha”, posto em cena, há sete anos, por Rosa Maria Araújo e Sérgio Cabral. O elenco reúne, na atualidade, Inez Viana, Juliana Diniz, Pedro Paulo Malta, Beatriz Faria e Pedro Miranda. Isso porque desde a estréia o musical não saiu mais de cartaz. A recente temporada começou no dia 10 de janeiro e fica até 3 de março. A grande novidade é o local, uma casa de shows reaberta no Rio de Janeiro, o “Imperator”, também chamado Centro Cultural João Nogueira, no Méier, zona norte da cidade.

“O subúrbio foi o principal responsável pela sobrevivência do carnaval de rua”, afirma Dussek, que cita os tradicionais blocos carnavalescos e os conhecidos “clóvis”, palhaços cujo nome teria surgida de uma confusa leitura da palavra em inglês “clown”, tradução literal para os animadores de circo. A experiência tem lhe proporcionado um reencontro com as origens. “Embora tenha nascido em Copacabana, fui criado na Tijuca, e sempre freqüentei carnaval de periferia. Eu adoro aquela animação suburbana, típica das grandes agremiações, escolas, blocos, como o ‘Bafo de Onça’, ‘Cacique de Ramos’, e tantos outros”.

Bizet (Música clássica)

“e das profundezas da escadaria subia um sopro úmido e obscuro.” Albert Camus

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Bizet! Bizet! O músico pula no rio Sena e ninguém o ouve…no entanto uma voz suspirando, abafada, toca no ouvido do compositor como as correntes de Carmen. A cigana do romance levado ao palco não recebera aplausos, nem recebera vaias. Agora a indiferença do músico que se afoga e ninguém o ouve. A cigana afaga de leve seus torneados joelhos por baixo das ceroulas.

Bizet! Bizet! Grita a mãe do músico no leito de morte. Como Dom José, rejeitado, o músico largou as troças, traças e túnicas, todo o ouro de Salvador Dalí, outro espanhol ilustre do mundo dos sonhos (Muito embora o retratado seja da França), para velar a morte. Varar a noite, arder de açoite, as costas da cigana Carmen, morenas e nuas, queimam no chicote do toureiro e os chifres de boi. O sacrifício azul em sangue de prata corre.

Perlla lança Teaser de Disco Gospel

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A cantora paraguaia Perla, que aportou no Brasil com 20 anos, no início da década de 70, já não era lá uma novidade em termos de estética ou arranjo. Entre os maiores êxitos da carreira, está a infinita quantidade de discos de ouro, platina e prata, acumulados graças a versões de clássicos estrangeiros. Ou seja, originalidade nunca foi exatamente o forte da primeira Perla.

A Perlla seguinte, que adequou o nome ao acrescentar outra letra, faz coro ao excessivo e inflado mercado de celebridades descartáveis. Assim como na antecessora, os modos, as vestes, o canto, soam exagerados, exaustivos, mera reprodução do que existe em abundância. Falta o mínimo de contenção, tempo, pausa. De certa maneira, traduzem a vida moderna.

Novo Disco do The Strokes – “Comedown Machine”

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Gosto muito da canção mais batida do The Strokes, “Last Nite”. A julgar pela divulgação da primeira música do próximo álbum, intitulado “Comedown Machine” (lançamento previsto para 26 de março), ao menos para mim, a banda inglesa perdeu o encanto. Não falo aqui como especialista, mas sim um admirador distante. É que o que me detinha a soluçar ao som sujo dos garotos era justamente o desespero das letras e dos vocais.

Há, agora, ao sabor de “One Way Trigger”,  algo que, se não soa incômodo, também não tolera calor. A frieza e a retidão de caráter podem combinar e até dar certo para alguns artistas, o que não é o caso dessa meninada esperta que me fazia adorá-los ao som de “Reptilia”. Cito um exemplo grotesco para explicar o que quero dizer: gosto do distanciamento em Marina Lima.

Documentário da Cantora Ke$ha na MTV

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A cantora Ke$ha expressa, já no nome, o desejo por gordos cifrões. Essa é a receita infalível para quem sobrevive estritamente do universo pop, no concernente à alta quantia monetária que ainda gira, mesmo após a decaída das grandes gravadoras em vista da explosão do universo cibernético de livre acesso às canções.

Com sua mistura de eletrônica e rap, a artista teve uma ascendência meteórica na carreira, algo bem comum para quem transita em tal meio. No entanto, com a mesma velocidade que o mundo pop constrói teus ídolos, também é capaz de destruí-los. Agora, a rede de televisão especializada em música, MTV, promete lançar série de documentários sobre a vida de Ke$ha.

Pedro Caetano – É Com Esse Que Eu Vou! (Samba)

“Um ser-aí. Cá, aqui.
Redondo gesto e gesta
vegetal, e uma festa
de cor, pingo no i.” Heládio Brito

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O bom compositor não se faz pelo nome, mas pelo conteúdo. Pedro Caetano nunca foi compositor, pelo menos era isso o que a formalidade lhe falava. Manteve seu lar com o dinheiro dos calçados e vestidos que vendeu por toda a vida, só aparecendo de corpo e cara para gravar um disco próprio aos 64 anos.

Mas a essa altura suas músicas já eram cantadas por muitos outros, populares e profissionais, sempre com popularidade e qualidade elevadas. Ciro Monteiro, Orlando Silva, Sílvio Caldas colocaram na boca suas músicas. Noel Rosa, Pixinguinha, Claudionor Cruz, apertaram com instrumento e lápis suas composições. Era o conteúdo que fazia de Pedro Caetano compositor, e dos bons.

Madonna – Décima Turnê Mais Lucrativa da História

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Qual o segredo do sucesso irrefreável, quase linear, e absurdo, da cantora Madonna? Afinal de contas, ela não é mais a menina que despontou para o mundo da música pop quebrando tabus e desafiando verdades prontas. O poder sexual que emanava de tal figura também perdeu brio, cor, enredo. Os tempos mudaram e a artista permanece sendo associada a fama e glamour.

Como simples prova, a recente turnê, em que excursionou por países da Europa, Ásia, América do Norte e Latina, entrou no ranking das dez mais lucrativas da história. Com o feito, transformou-se, ao lado dos The Rolling Stones, Grateful Dead e Bon Jovi, uma das poucas a aparecerem na lista por mais de uma vez no curto período de três anos.

Dança: Cancan

“Louca, a tarde de figueiras
e de rumores ardentes
cai desmaiada nas coxas
machucadas dos ginetes.
E negros anjos voavam
através do ar poente.
Anjos de compridas tranças
e de corações de azeite.” García Lorca

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Há um ambiente reservado, no fundo de uma sala escura, destinado a mulheres e homens. Polidos, os cavalheiros passam panos por sobre óculos embaçados. Descontraídas, mulheres em vermelhos vestidos vulgares erguem as pernas à altura de cabelos castanhos. A saia está ali para ser levantada. A brisa, a rigor, uma cócega, em minutos expande-se. O furacão alça coxas, canelas, rumores. No varal, a cinta-liga desprendeu-se.

Apertadas por baixo de seios, barrigas, tremores, as pernas não mais resistem à tentação libidinosa. Gorjeiam a liberdade. A tentativa logo se entrosa a um debochado jogo de copas. Aos corações, atarantados, emulam sonhos, desejos, camas. Mas é no palco que desenrola-se, a carícia de dedos e unhas. Bem costurados, os vestidos das moças. Antes, vulgares. Agora, damas. Homens carregam-nas pelas coxas, que apenas voam para as masmorras.

Munhoz & Mariano – Camaro Amarelo Na Prova da UnB

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Em meio a suspeitas e confirmações de fraude em universidades particulares de todo o Brasil, a UnB – federal de Brasília, saiu-se com uma maior. Incluiu o hit da dupla Munhoz & Mariano, “Camaro Amarelo”, na primeira etapa do PAS (Programa de Avaliação Seriada), alternativa ao modelo único de vestibular. A medida, além de causar estupefação, acendeu outras questões.

É nítida a distância que o mundo acadêmico, em especial das universidades públicas, mantém da população, do que é tido como uma vida prática mais banal e intransigente. Essa notícia, portanto, vai de encontro a certo anseio de aproximação entre o universo da teoria e o que de fato aflige a atual geração. Indiferentemente a preconceitos e gostos.

Waldir Azevedo (Chorinho)

“O choro foge sem vestígios,
mas levando náufragos dentro.” Cecília Meireles

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Um estribilho é o suficiente para que as pessoas reconheçam “Brasileirinho”. A contadora de histórias Beatriz Myrrha, mineira e apresentadora do “Projeto Pizindim”, lembra que a composição “ocupa o primeiro lugar no ranking dos choros mais conhecidos do mundo”. Escrito em 1949, cuja primeira parte mantém-se, praticamente, em uma corda, é tido como o primeiro de Waldir Azevedo.

Se lhe faltava experiência para inegável feito, a posteridade tratou de garantir ao músico a eternidade devida. Nascido em 27 de janeiro de 1923, completaria, esse ano, 9 décadas de vida. Para Beatriz, a principal contribuição do aniversariante foi “ter dado ao cavaquinho o lugar de destaque no choro, pois até então servia como instrumento de mero acompanhamento”.