6 polêmicas com Chico Buarque

“Vagueia, devaneia
Já apanhou à beça
Mas pra quem sabe olhar
A flor também é ferida aberta
E não se vê chorar” Chico Buarque

Chico Buarque Instagram

Graças a “Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores”, música de Geraldo Vandré, uma carta de Tom Jobim (1927-1994) convocava Chico Buarque, 73, para ser vaiado. O episódio aconteceu em 1968, quando, ao receber sozinho os apupos da plateia na fase anterior do III Festival Internacional da Canção daquele ano, Jobim telegrafou para o parceiro de “Sabiá”. Interpretada pelo Quarteto em Cy, a canção venceu o concurso em detrimento do rasqueado de Vandré, preferida pelo público. “Venha urgente. Presença imprescindível”, acudia o Maestro Soberano.

Se até ali a experiência era inédita, Chico voltaria a estar no alvo décadas depois. A partir de 2013, ao ingressar no grupo Procure Saber para defender a proibição de biografias não-autorizadas, o autor de “Vai Passar”, “Apesar de Você”, “Cálice” e outras canções de resistência à ditadura militar, passou a conviver cada vez mais de perto com críticas e situações polêmicas. Foi acusado de machista, censor, hostilizado por um grupo de jovens ao sair de um restaurante no Leblon e virou meme nas redes sociais.

10 discos de sucesso da MPB Fofa

“O otimismo começa com um riso aberto e o pessimismo acaba com óculos azuis. Além disto, os dois não passam de poses.” Oscar Wilde

MPB Fofa lança discos de sucesso

Mallu Magalhães, Tiago Iorc, Clarice Falcão, Tiê, Anavitória, Ana Vilela, Marcelo Jeneci. Apesar das diferenças entre si, os citados apresentam algumas características que têm associado essa turma a um estilo definido como MPB Fofa: voz suave, violão no colo, letras simples e delicadas, a maioria com narrativas ao gosto folk que trazem certa impressão autobiográfica. Apontada como espécie de precursora desse movimento, Mallu Magalhães, a exemplo de Anavitória e Ana Vilela, primeiro chamou a atenção do público com vídeos divulgados na internet. Hoje ela acumula quatro álbuns solo e uma carreira consolidada no mercado fonográfico. Em 2017 lançou “Vem”, com 12 faixas autorais.

Entrevista: A MPB nunca foi tão fofa

“Seu manto azul oculta corujas e morcegos.
Quem dera acreditasse no carinho –
O rosto da imagem suavizada por velas,
Derramando, só em mim, seus olhos meigos.” Sylvia Plath

Mallu Magalhães e a MPB Fofa

Além do signo astrológico, Caetano Veloso se inspirou na figura “solar e luminosa” (como já disse em entrevistas) de Dadi Carvalho, à época baixista do grupo Novos Baianos, para compor, em 1977, a música “O Leãozinho” (que no disco “Bicho”, sucede “Tigresa”). Quarenta anos depois, a canção ganhou três regravações quase simultâneas (sem falar no próprio Caetano, que a interpreta em show feito com os três filhos). E isso nada tem a ver com efeméride. A mineira Roberta Campos iniciou os trabalhos com versão divulgada no formato de single.

Já o EP “Anavitória Canta Para Pessoas Pequenas, Pessoas Grandes e Não Pessoas Também” trouxe o registro da dupla de Tocantins. Por último, Ana Vilela (que estourou com o hit “Trem Bala” em 2016) escolheu a obra do baiano de Santo Amaro para ser a única não autoral de seu disco de estreia, lançado no último mês de outubro e que traz como título apenas o nome da cantora de Londrina. “Tenho uma tatuagem no braço com a palavra ‘leãozinho’ porque minha tia Simone cantava ela para mim antes de dormir, quando eu era criança. Sou apaixonada por essa música”, conta Ana.

Música e poesia: 11 poetas que viraram disco no Brasil

“animal em extinção,
quero praticar poesia
– a menos culpada de todas as ocupações.” Wally Salomão

Poetas que viraram disco no Brasil

Desde o trovadorismo os caminhos da música e da poesia se cruzam. Dando continuidade à essa tradição o paulista Cristiano Gouveia e a mineira Irene Bertachini lançaram, no último domingo (12), o disco “Lili Canta o Mundo!”, em que musicaram poemas de Mario Quintana. E o movimento não é novidade na música brasileira, que tem, por hábito, levar os versos livremente pelas notas das canções.

Entrevista: Gal Costa sem medo nem esperança

“Mas baby não se adiante, aos meus desejos
Nunca se atrase pro próximo beijo
Não me reprima, não me azucrina
Não me aluga, senão posso ficar uma arara” Lulu Santos

Gal Costa prepara inéditas para 2018

“Sim, eu pedi uma música a ela, mas ainda não recebi”. Intérprete de Tom Jobim, Caetano Veloso, Mallu Magalhães, Arnaldo Antunes, Dorival Caymmi, Jards Macalé, Luiz Melodia, Roberto Carlos e Céu, uma das cantoras mais requisitadas do Brasil assim confirma que pretende registrar, em seu próximo álbum, uma canção inédita da autora de hits como “Infiel” e “Amante Não Tem Lar”. Gal Costa, 72, adianta que o sucessor de “Estratosférica Ao Vivo”, que acaba de ser lançado em CD, DVD e nas plataformas digitais, “sai no primeiro semestre de 2018”. “Irei gravar ainda esse ano”, completa.

Além de Marília Mendonça, símbolo da nova geração de sertanejo universitário chamado por setores da imprensa de “Feminejo” – por supostamente colocar as mulheres em primeiro plano – o repertório vai abarcar músicas de Djavan, Criolo, Gilberto Gil e Nando Reis, feitas especialmente para o primeiro trabalho de inéditas da cantora desde 2015. Com Gil e Reis, Gal ainda realiza, até dezembro, o espetáculo “Trinca de Ases”. “Não posso adiantar muito mais que isso para não estragar a surpresa”, disfarça a baiana.

14 atores e atrizes brasileiras que se arriscaram na música

“O mundo tornou-se novamente ‘infinito’: na medida em que não podemos rejeitar a possibilidade de que ele encerre infinitas interpretações.” Nietzsche

Música e interpretação se misturam no Brasil

Não é de hoje que os mundos da canção e da dramaturgia se encontram. Muitos foram os artistas brasileiros que desempenharam esses dois papeis. Na última quinta-feira (2) a atriz Eva Wilma resolveu estrear no ofício, a convite de seu filho, o cantor e compositor Johnnie Beat.

EVA WILMA
Aos 83 anos, a atriz participa do espetáculo “Crise, Que Crise?”, e canta pela primeira vez no palco. De acordo com ela, sua principal inspiração foi a paulistana Inezita Barroso (1925 – 2015), atriz, cantora e apresentadora do programa “Viola, Minha Viola”, durante mais de 30 anos, na TV Cultura.

Entrevista: Roberto Menescal elege 6 discos preferidos

“Toda a arte é feita de silêncio – inclusive a própria música.” Mario Quintana

Roberto Menescal completa 80 anos

Talvez ele nem fosse músico. É o que afirma Roberto Menescal que, nesta quarta (25) completa 80 anos de vida, dos quais 60 foram dedicados à música. A estreia foi acompanhando ao violão a cantora Sylvinha Telles (1934 – 1966), em 1957. “O sonho do meu pai era que eu trabalhasse no Banco do Brasil ou na marinha, porque eram profissões mais seguras”, informa o compositor capixaba, autor de clássicos sobre a paisagem carioca como, por exemplo, “O Barquinho” e “Rio”, parcerias com Ronaldo Bôscoli (1928 – 1994).

“Um dia o Tom Jobim bateu na minha porta e me deu a desculpa que eu precisava para seguir na música”, recorda. Menescal dava aulas de violão “para mocinhas da zona sul que não sabiam tocar”, quando recebeu o convite do Maestro Soberano para gravar “Orfeu da Conceição”, peça escrita por Vinicius de Moraes que se transformou em disco e virou até filme. “Ele queria me dar cachê e eu não quis receber. Me mandou largar tudo e seguir na música. Jobim é o meu grande mestre”, exalta Menescal. Cantor bissexto, violonista dos mais requistados, arranjador e produtor musical de um sem número de trabalhos ligados à bossa nova, o aniversariante aproveita a oportunidade para presentear os fãs com a lista dos discos que mais o influenciaram.

Crítica: “Chacrinha, o Musical” diverte, mas não avança na história do protagonista

“Cada produto da fantasia, cada criação da arte deve, para existir, levar em si o seu próprio drama, isto é, o drama do qual e pelo qual é personagem. O drama é a razão de ser da personagem. É sua função vital, necessária para que ela possa existir.” Luigi Pirandello

Chacrinha, o Musical, com Stepan Nercessian

De volta aos palcos para celebrar o centenário de nascimento de Abelardo Barbosa, o espetáculo “Chacrinha, o Musical” deixa claro, desde o princípio, quais são os motivos do seu sucesso: ele está ali para divertir, e investe pesado em atrações que tragam riso e leveza ao público, tal como o protagonista homenageado, que imortalizou bordões do tipo: “eu não vim para explicar, vim para confundir”. Essa noção de que o que interessava a Chacrinha era a fantasia, e a ideia de que ele constituía sua personagem, sobretudo, no palhaço, é a responsável por um dos grandes trunfos da montagem. Logo na abertura, o cenário inspirado por cordéis pernambucanos (terra de nascimento do apresentador, natural de Surubim) sustém sobre a cena uma aura mágica, possibilitando ao espectador, justamente, fugir da realidade tacanha, obsoleta e pragmática a que a mera objetividade o relega. Cada núcleo de artistas que sobe ao palco – este disposto para reconstituir o esquema de auditório consagrado por Chacrinha – envolve a cena com coreografias bem ensaiadas, mas que em determinado ponto ficam monótonas.

10 músicas brasileiras para o Dia das Bruxas

“Sob uma luz bruxuleante
Corre e se retorce sem tento
A Vida,” Baudelaire

Dia das Bruxas no Brasil

“Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay”, esta frase, que pode ser traduzida como: “eu não acredito em bruxas, mas que elas existem, existem”, tornou-se tão presa ao imaginário popular que hoje pertence a todos. Presente no livro “Dom Quixote”, de Miguel de Cervantes, há quem afirme que o próprio autor a recolheu da sabedoria popular. Certo é que mesmo os que não acreditam em bruxas as conhece, já viu ou ouviu falar. O próximo dia 31 de outubro é o dia delas, citadas na música brasileira a torto e direito.

50 anos da Tropicália: 12 discos loucos

“um sopro interior, de plenitude cósmica” Hélio Oiticica

Tropicália completa 50 anos

Em um de seus últimos ensaios o artista plástico Hélio Oiticica (1937 – 1980) chegou a uma conclusão reveladora: “Descobri q o q faço é MÚSICA, e que MÚSICA não é ‘uma das artes’, mas a síntese da consequência da descoberta do corpo”, escreveu o inventor do parangolé, que foi também responsável pela criação do monumento artístico que nomeou a Tropicália. A abrangência da perspectiva de Oiticica, cujo verso ‘o q faço é música’ batizou disco de 1998 lançado por Jards Macalé, pode ser percebida na miscelânea e pluralidade de discos emblemáticos do movimento que, há 50 anos, balançou as estruturas da música brasileira.