10 músicas brasileiras para o Dia dos Namorados

“Às vezes se tenho uma tristeza, as andorinhas me
namoram mais de perto.
Fico enamorado.
É uma bênção.” Manoel de Barros

Músicas brasileiras cantaram as paixões de namorados

A tradição romântica marca a música brasileira desde o seu princípio, com valsas e boleros eternizados por nomes como Carlos Galhardo, Francisco Alves e outros apaixonados do gênero. Os primeiros ritmos com acento nacional, como as serestas e o samba-canção também seguiram esse estilo, destacando cantoras cuja entrega era possível sentir nas letras e interpretações, casos de Dolores Duran, Dalva de Oliveira e, mais à frente, Maysa. Não há uma época no nosso cancioneiro em que alguém não se declare de amor. Com a proximidade do Dia dos Namorados, celebrado no Brasil nesta segunda (12), músicas para embalar os corações é o que não falta…

10 Clássicos da Festa Junina

“O rito acontece quando um poema, achando que as palavras não bastam, se encarna em gestos. Um rito é um poema transformado em festa.” Rubem Alves

Clássicos da música brasileira para festa junina

Comemorada no Brasil desde o período colonial e trazida pelos portugueses, as festas juninas adquiriram, com o tempo, características típicas do país, pródigo, justamente, em misturar influências. Além de saudar os santos, pular a fogueira em trajes alusivos à vida no interior, adornar de balões o cenário e se deleitar com canjica, quentão e milho, não falta às comemorações muita música. E talvez seja na canção aonde mais se faça notar a absorção brasileira. Fortemente baseada em gêneros nordestinos, as festividades do mês de junho legaram alguns clássicos para o cancioneiro nacional, que contemplam de Luiz Gonzaga a Lamartine Babo, com a presença de Moraes Moreira e Assis Valente. As décadas abarcam, principalmente, os anos 1930, e vão até os 1980.

Aniversário de Waldir Silva é celebrado com relançamento de disco

“Anjos que carregam flautas,
Choro de metais,
Que vem em cordas, versos,
Clara sabiá
Na alvorada das
Gerais” Raphael Vidigal & André Figueiredo

Álbum em homenagem a Waldir Silva tem letras de Raphael Vidigal

Falecido há quatro anos o músico mineiro Waldir Silva, natural de Bom Despacho e conhecido como o “Cavaquinho de Ouro”, completaria 86 anos no próximo domingo, 28 de maio. É nessa data que será relançado o disco “Waldir Silva em Letra & Música”, a partir das 14h, na “Asa de Papel Café & Arte”, espaço cultural situado na rua Piauí, 631, Santa Efigênia. O CD será vendido a R$20,00, por meio de cartão ou dinheiro, e a entrada ao local é gratuita.

O álbum traz algo peculiar na discografia do instrumentista, por ser o único cantado. Raphael Vidigal, que produziu e foi responsável por colocar letras (ao lado de André Figueiredo) nas músicas instrumentais de Waldir Silva, é quem irá autografar o disco, além de contar sobre todo o processo e revelar curiosidades, como a parceria com Zé Ramalho (na música “Paraibeiro”) e a canção criada por Waldir para ser tema do projeto “Minas ao Luar” (de mesmo nome, interpretada por Carla Villar). Cátia Magalhães, filha e herdeira do músico, que deu todo o apoio para essa empreitada, também estará presente.

Análise: Kid Vinil orbitou a cena e influenciou outras estrelas

“E a luta de resistência
se trava em todo lugar:
por cima dos edifícios
por sobre as águas do mar.” Ferreira Gullar

Kid Vinil e seu acervo musical

Kid Vinil foi dessas figuras que orbitam a cena sem se preocupar, necessariamente, em estar no centro. Se emplacou dois sucessos no posto de vocalista da banda Magazine, ambas no estilo de crônica e tendo como pano de fundo a cidade de São Paulo – com “Sou Boy” e “Tic Tic Nervoso” – sua contribuição para além da própria carreira certamente foi mais efetiva, e se estendeu até outras estrelas. Além de influenciar gerações que empregaram ou mantiveram os preceitos do rock com as informações imprescindíveis para se entender essa história, repassadas através de suas participações no comando de programas de rádio e televisão, Kid lutou para adiar ao máximo o arrefecimento do gênero consagrado nos anos 1980 em seu país, movimento do qual fez parte dentro e fora dos palcos.

Análise: Almir Guineto tomou partido de sua gente com o pagode

“Tem que lutar, não se abater
Só se entregar a quem te merecer
Não estou dando nem vendendo
Como o ditado diz
O meu conselho é pra te ver feliz” Adilson Bispo & Zé Roberto

Almir Guineto gravou a música "Conselho"

Ironicamente Almir Guineto jamais registrou em disco o seu maior sucesso como compositor, “Coisinha do Pai”, lançada por Beth Carvalho e regravada com igual êxito por um dos parceiros na criação, Jorge Aragão. Por outro lado, uma das músicas mais lembradas na voz de Guineto não foi escrita por ele. “Conselho”, dos versos “deixe de lado esse baixo astral/erga a cabeça, enfrente o mal/que agindo assim será vital para o seu coração”, é uma obra de Adilson Bispo e Zé Roberto. O que apenas revela a coesão da identidade artística e social do sambista, quase que unicamente ligado e preocupado com a sua gente e as questões relativas a ela, dando nenhuma ‘pelota’ para o que vinha de fora. Tanto que desprezou um fã ilustre, quando Mano Brown, vocalista do grupo de rap Racionais MC’s, assumiu a sua idolatria. O comportamento autossuficiente de Almir Guineto era também a sua resistência.

Análise: Canto marcado de Belchior definiu gerações

“Eis uns poucos exemplos/de ser a palo seco,
dos quais se retirar/higiene ou conselho:
não o de aceitar o seco/por resignadamente,
mas de empregar o seco/porque é mais contundente.” João Cabral de Melo Neto

Belchior é autor de "Como nossos pais"

Quando gravou o seu primeiro LP, em 1974, o Brasil vivia, há dez anos, sob o pleno domínio da tenebrosa ditadura militar que assolou o país até 1985. Para a música de Belchior esse contexto era imponderável. Nascido no interior cearense, as agruras de uma pobreza social uniam-se à violência estabelecida pela política em suas crônicas, cujas letras eram transformadas em música com o auxílio do violão. Todavia, o caráter altamente narrativo e a maneira marcada de se expressar – com forte referência do canto falado de Bob Dylan e da dicção pausada da carioca Nora Ney, sucesso absoluto na “Era de Ouro” do rádio – deram às canções de Belchior, especialmente quando interpretadas por ele, uma característica muito diferente de tudo o que se fazia na sua época. A palavra, ali, se posicionava antes da melodia, e sobressaltava a ela sem nenhuma culpa. Tanto que ainda hoje é possível recitá-las como um manifesto.

Centenários 2017: Ella Fitzgerald, o estilo a serviço da emoção

“E ao redor de todas aquelas cenas pitorescas e modorrentas, acima das árvores e das casinholas e dos rios lamacentos, flutuava o calor, nunca hostil, apenas reconfortante, como um grande peito cálido e nutritivo, amamentando a terra ainda criança.” F. Scott Fitzgerald

Ella Fitzgerald, dama da canção

Não existe comprovação de nenhum parentesco sanguíneo envolvendo Ella Fitzgerald e F. Scott Fitzgerald, mas é certo que tanto a cantora quanto o escritor norte-americano tinham algo em comum nas funções que desempenharam ao longo da vida: o estilo conciso, elegante e, até certo ponto, discreto, marca o canto de Ella assim como a escrita do autor de “Um Diamante do Tamanho do Ritz” e outros contos notáveis. O que não significa que houvesse falta de sentimento, na verdade, em ambos os casos, o estilo estava a serviço da emoção, mas não entregue a ela, prova de uma consciência que, associada a experiências de vida, fornece aos ouvintes e leitores o que se considera uma obra de arte em música e na literatura. Ella teve uma infância pobre e, tal qual a nossa exemplar brasileira Elza Soares, vestia-se tão maltrapilha que quase foi recusada pelo famoso chefe da orquestra que a acompanharia por vários anos, Chick Webb. No caso, sempre como coadjuvante, pois o estilo vinha todo de Ella Fitzgerald, “a dama do jazz”.

Análise: Jerry Adriani moldou personalidade com versões românticas

“Doce, doce amor, onde tens andado
Diga por favor, doce, doce amor
Doce, doce amor, que eu vou te encontrar
Meu bem, seja onde for” Raul Seixas & Mauro Motta

Jerry Adriani cantou em português, inglês e italiano

É curioso notar que o cantor Jerry Adriani tenha influenciado artistas tão diferentes como Renato Russo e Raul Seixas. Embora ambos sejam associados ao rock ele exerceu sobre cada um impressões díspares. O que vem a revelar uma característica marcante da trajetória de Jerry. É difícil defini-lo não pela amplitude de seu estilo, mas, justamente, porque este foi moldado a partir de um repertório que procurou abarcar várias vertentes. Associado à Jovem Guarda, Jerry é, sobretudo, um cantor romântico. Nesse sentido, tanto a canção italiana que seduziu o líder da Legião Urbana quanto a sensualidade rebelde de Elvis Presley presente na gênese de Raul Seixas convergem para a mesma direção: a passionalidade. É certo que Renato a compreendia de maneira sincera, emocionada, tal como Jerry, ao passo que Raul se valia do sentimento para desferir suas ironias ferozes e inteligentes sarcasmos. Não é o caso de “Doce, doce, amor”, música que Seixas e Mauro Motta escreveram para o já consagrado Adriani no ano de 1972.

3 músicas brasileiras para Tiradentes

“Ele representava o eterno dissidente, o constante inconformado, o eterno rebelde.” Reinaldo Arenas

Tiradentes foi retratado na música de Minas

Símbolo da insurgência por sua atuação destacada na Inconfidência Mineira – mártir e principal símbolo do movimento – o alferes Joaquim José da Silva Xavier teve sua trajetória retratada na música, no cinema, na literatura, no teatro e nas artes plásticas, dentre outras manifestações culturais igualmente populares, tanto que o apelido tornou-se, inclusive, nome de cidade mineira: Tiradentes. Especificamente na canção, o rebelde Tiradentes foi exaltado em forma de samba-enredo, usado em paródia carnavalesca e cantado com lirismo numa valsa cuja matriz principal é o chorinho. Seja como for, sua imagem permanece levando para gerações a premência da liberdade, ainda que tardia.

10 álbuns essenciais de Milton Nascimento

“Trabalhando o sal, pra ver a mulher se vestir
E ao chegar em casa, encontrar a família a sorrir
Filho vir da escola, problema maior de estudar
Que é pra não ter meu trabalho, e vida de gente levar” Milton Nascimento

Milton Nascimento é símbolo do Clube da Esquina

Milton Nascimento quer voltar às origens. Há 50 anos ele iniciou sua “Travessia” dentro da música brasileira com álbum de título homônimo. Agora o cantor celebra as “bodas de ouro” e estreia show. O retorno é também a Minas Gerais. Em junho do ano passado Milton deixou o Rio de Janeiro e fixou residência em Juiz de Fora. Como se não bastasse, escolheu Belo Horizonte para apresentar, pela primeira vez, o espetáculo “Semente da Terra”. Os ingressos esgotaram-se rapidamente. “Esse show marca o meu presente, minha carreira, meus amigos, meu passado e, sobretudo, as coisas que eu vejo no mundo de hoje, todos esses fatores convergem para a minha música”, assinala o artista, que retornou aos palcos após mais de um ano afastado.