6 músicas brasileiras para a Semana das Crianças

“A infância
É a camada
Fértil da vida” Nicolas Behr

Signac_-_Portrait_de_Félix_Fénéon

Mais do que uma simples questão de idade, o lugar da infância é o da ilusão, da fantasia, da “curiosidade”, como bem repetia Rubem Alves. É na infância que as portas para a brincadeira estão abertas, que os sonhos florescem e a diversão impera. Na música brasileira não é diferente. O tema foi tratado por Chico Buarque, Sidney Miller, Fernando Brant, Milton Nascimento, Cazuza, Aldir Blanc e muitos outros, com todo o frescor da primavera, a estação onde a infância floresce e onde “deve rezar todo adulto que se preze”, como nos alerta Fernando, autor de versos cantados por Milton, “Bola de meia, bola de gude…”.

Crise dos refugiados: 5 músicas para incentivar a tolerância à diversidade

“pariso
novayorquizo
moscoviteio
sem sair do bar

só não levanto e vou embora
porque tem países
que eu nem chego a madagascar” Paulo Leminski

Chico-Buarque

Com o mundo em convulsão devido às guerras no Oriente Médio, abastecidas pelas grandes potências, tais como Estados Unidos e o continente europeu e que, segundo relatórios da Anistia Internacional, continuam enviando armas para a região, onde há grande quantidade de petróleo, põe-se novamente à prova questões sobre a solidariedade humana e o modo como se comportar no mundo. Mais do que isto, a tolerância à diversidade é um tema que desafia a espécie e seus pares. A crise dos refugiados alimenta migrações em todo o planeta. Cinco músicas compostas por pessoas das mais diferentes tribos demonstram como é possível ter um ideal comum, propor a união e enriquecer a existência a partir da congregação; de culturas, instrumentos e vozes.

Rock in Rio 2015: controvérsias e destaques nos 30 anos do festival

“(meu rock and roll é o movimento de um
anjo voando na cidade moderna)
(seu obscuro arrastar os pés é o movimento
de um serafim que perdeu
suas asas)” Allen Ginsberg

rock-in-rio

Passados 30 anos de sua primeira edição, o Rock in Rio 2015 começou as comemorações de sua efeméride com três dias de shows lotados na capital do Rio de Janeiro. Entre atrações nacionais e internacionais destacaram-se o reencontro do antigo casal Pepeu Gomes e Baby do Brasil, rememorando sucessos dos “Novos Baianos”, a apresentação com o vocalista Adam Lambert substituindo Freddie Mercury no “Queen”, o sempre aclamado Elton John, além de bandas de heavy metal como Korn, Metallica, e homenagem para Cássia Eller feita por Zélia Duncan, Mart’nália e outros.

O clima de nostalgia predominou, e diferenças substanciais puderam ser notadas entre um momento e outro. Por exemplo, na primeira edição somente “Barão Vermelho”, que ainda tinha Cazuza à frente de seus vocais, e os “Paralamas do Sucesso”, saíram imunes das vaias e agressões entre as bandas brasileiras que se apresentaram no festival. Herbert Vianna, inclusive, protagonizou uma defesa ostensiva de Eduardo Dussek, que se apresentara antes de sua banda, convidando quem vaiava a trabalhar para subir ao palco no próximo festival. Fato este que não foi privilégio daquele ano.

Crítica: Sátiro e irreverente, Jards Macalé lança primeiro DVD ao vivo

“Quando eu nasci
Um anjo louco
Um anjo torto
Um anjo doido
Veio ler a minha mão” Torquato Neto & Jards Macalé

Macalé - foto de Dulce Helfer

Sátiro, selvagem, gaiato. Com essas palavras alguns músicos e convidados definem o protagonista nos extras do DVD. Há também os que preferem as atribuições propícias ao nome: MACALÍSTICO, MACALÉA, JARDS JACARÉ. Não são raros os artistas cultos que utilizam a irreverência para fugir do pedantismo. De Antônio Abujamra a Paulo César Peréio, passando por Cazuza, com parada providencial em Paulo Leminski, Jards Macalé é mais um deles. Só que Macalé, como seus pares, nunca foi só mais um.

Relegado ao lugar de “maldito”, o músico que tentou suicídio na década de 1980, renasce. Além de ter música no próximo álbum de Ney Matogrosso, Macalé agora lança seu primeiro DVD. Com formação erudita e goles na fonte de João Gilberto e Baden Powell, o músico apresenta trabalho coerente com a sua trajetória, subvertida pela tradição da diversidade. Há de tudo um pouco em Jards Macalé, e seus parceiros comprovam. Dos tropicalistas Torquato Neto e Wally Salomão ao samba de breque malandro de Moreira da Silva.

Entrevista: As surpresas musicais de Mariana Arruda

“Mas nem uma mulher em chamas
Cede o beijo assim de antemão
Há sempre um tempo, um batimento
Um clima que a seduz
E eis que nada mais se diz
Os olhos se reviram para trás
E os lábios fazem jus” Chico Buarque

Mariana-Arruda-Francisco

Mariana Arruda surpreende. Inclusive para quem já a conhece. Atriz do grupo “Maria Cutia” desde 2006, ela estreia o espetáculo em que homenageia Chico Buarque, uma de suas maiores, senão a maior, paixão. E canta, entretém, diverte. A busca de originalidade e a mescla em sua vida são duas constantes. “Minha paixão por Chico Buarque vem desde cedo. Quando criança ouvia suas canções cantadas por Elis, Gal e Nara. Esse amor foi crescendo e, em 2005, a paixão tornou-se objeto e o Chico foi tema da minha dissertação de mestrado na Faculdade de Letras da UFMG”. “Francisco”, o atual projeto, foi realizado através do financiamento coletivo na plataforma “Variável 5”. Mariana retorna, então, ao início desse processo que desemboca em apresentação criativa.

“Foram dois anos intensos, ele e eu, suas tantas letras e histórias. Sua obra, inúmeras outras vezes, foi também motor inspirador dos meus experimentos de cena nas pesquisas no teatro, dos meus cartões de aniversário, das dedicatórias de livros… finalmente, chegou o dia de celebrar esse amor platônico”, sublinha. Mas Mariana não está sozinha nesse embalo. E o afeto aparece também para conduzir as participações. “O show começou a surgir nas minhas aulas de canto com a Babaya. Convidei o Leandro Aguiar que também é professor e tem uma história com a música e o teatro, assim como eu. Ele foi do grupo ‘Ponto de Partida’ e escolheu a dedo cada músico para compor a banda e, já no primeiro ensaio, vivemos uma sintonia plena”, garante.

Entrevista: O charme musical de Kícila Sá

“Pés, para quê os quero, se tenho asas para voar?” Frida Kahlo

kicila-sa

Se todo grande time começa com um bom goleiro, a busca de autenticidade começa pela assinatura, no que Kícila Sá não faz por menos. “Posso dizer que sou eu mesma. Quando escrevo, penso no que estou sentindo e como gostaria de me expressar. Pode ser algo do dia a dia, ou um ideal. Acredito que buscar a minha própria voz é uma auto-descoberta, pois a cada dia descubro que posso ser tantas e todas, mas que sou honesta quando sou eu mesma”, afirma. Cantora, atriz e compositora, a artista dispensa, por ora, a “dançarina”, apesar de se expressar no palco com desenvoltura e também posar para fotos com domínio de cena. Natural de Belo Horizonte, emerge no cenário independente da capital. Lançou o primeiro EP em 2012, e atualmente prepara tributo ao centenário de nascimento de Billie Holiday, ao lado de seis outras cantoras.

Esse e outros projetos fazem parte da agenda de Kícila Sá, que não dispensa o mistério. “Sem previsão de show no momento. Minha banda e eu vamos fazer uma imersão para trabalhar num projeto novo. É hora de parar de fazer show e focar. Quero lançar um disco em breve, mas ainda vou soltar na rede um clipe e um vídeo-poema. Estou gravando um curta-metragem com o diretor Ivo Costa que se chama ‘O Presente de Camila’, que deve sair no segundo semestre, e também fica pronto o longa-metragem ‘OTTO’, em que também participo como atriz. Tenho um show dia 28 de junho com o ‘Farside’, que é um projeto de música eletrônica, em que participo com o produtor Daniel Romano, o músico Gabriel Guedes e o baterista Rodrigo Carioca. Têm várias produções em andamento. Não vou contar tudo, pois muita coisa precisa ser finalizada”.

Análise: Fernando Brant colocou em versos sentimentos universais

“Um menino existe em nós, e isso nada tem a ver com idade. Um menino é aquele que fez o que eu fiz e continua fazendo. É aquele pedaço de vida que ama a bola, a lama e a brincadeira. Pratica o impossível e o perigoso, e nada sofre. É o altar em que adulto que se preze deve rezar diariamente.” Fernando Brant

Fernando-Brant

Tão célebre quanto o “se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia”, de Tolstoi, ficou o “amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito”, “todo artista tem de ir aonde o povo está”, “sou do mundo, sou Minas Gerais”, e outras máximas propagadas por Fernando Brant, autor, em parcerias com Milton Nascimento, de músicas como “Travessia”, “Canção da América”, “Nos Bailes da Vida”, “Bola de meia, bola de gude”, “Aqui é o país do futebol”, e uma infinidade de outras que não perdem a qualidade pela quantidade.

Se o compositor tende a ficar à sombra de seu intérprete, Brant teve para iluminar suas palavras a voz e a melodia de Milton Nascimento e a entrega incomparável da maior cantora do Brasil, Elis Regina, além de inspirados encontros afetivos e musicais com Lô Borges e Geraldo Vianna. A associação entre música e sentimento, afeto e literatura, aliás, é uma constante em sua obra. A luta pelos direitos autorais e a atividade de cronista corroboram com a imagem do sujeito simples preocupado com seu tempo e os seus companheiros.

Centenários 2015: Frank Sinatra, a elegância e calma dos clássicos

“…Quem me faz uma letra para a voz do vento?” Mario Quintana

Frank-Sinatra

Sinatra é um mito. Tanto que nem é preciso citar seu primeiro nome. Capaz de ganhar um Oscar e ter a figura associada à máfia italiana, “A Voz” disse a que veio principalmente na música. A lendária inspiração para uma das personagens do clássico “O Poderoso Chefão” é praticamente uma nota de rodapé na trajetória de Frank Sinatra, o que sugere a medida de seus calcanhares. Com um fraco para a autopromoção, o cantor foi exemplo de charme, elegância e interpretação, e soube unir, como nenhum outro astro, as linhas que em geral separam indústria e arte.

Americano, filho de imigrantes italianos, sendo o pai boxeador e analfabeto e a mãe uma dona de casa, Sinatra surgiu na década de 1940, e experimentou um movimento vertiginoso na carreira, com raros momentos de estabilidade. O controle total do palco, dos gestos, do andamento da música, uma de suas marcas registradas, contrastava com o frenesi de suas jovens fãs, nada comparado, em escândalo, a Elvis Presley, e que beirava à histeria, mas no ritmo e complacência daquele que foi também conhecido como “Olhos Azuis”. A sensualidade em Frank Sinatra tem mais a ver com o flerte do que com o ato.

50 anos da Jovem Guarda: música feita para o público

“Os velhos acreditam em tudo, os de meia idade suspeitam de tudo, os jovens sabem tudo.” Oscar Wilde

jovem-guarda

A “Jovem Guarda” começou com uma proibição; e não foi o “É proibido proibir” de Caetano Veloso nem o “É proibido fumar”, de Roberto e Erasmo Carlos. No segundo ano de instauração da ditadura militar no Brasil, em 1965, as transmissões de jogos de futebol ao vivo pela televisão estavam suspensas. Assim, com o horário vago, a TV Record de São Paulo colocou no ar o programa que trazia o nome de que se apoderou o movimento, ou, antes, tenha sido o contrário.

Surgida de maneira espontânea no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, por um grupo de garotos aficionados pela influência da música norte-americana e dos Beatles, as baladas singelas e românticas foram rapidamente captadas por barões da indústria, entre eles Carlos Imperial. Com uma lógica de mercado que incluía a diversificação de produtos ligados à música, como roupas, acessórios, expressões, brinquedos e reprodução em larga escala, a “Jovem Guarda” virou um produto de massa.

7 músicas raras de Cazuza

“Meu caminho nesse mundo, eu sei, vai ter um brilho incerto e louco…” Cazuza

cazuza

Cazuza é um dos mais prolíficos compositores brasileiros, principalmente no que tange a parcerias, não só a tempo de vida. Morto aos 32 anos, pelos efeitos da AIDS, o poeta exagerado praticou em vida a arte do encontro, e encarnou o ideal brasileiro da mistura, da mestiçagem, do liquidificador em segredos compartilhados com o público. Gregário e explosivo, lírico e desbocado, Cazuza passeia em raras parcerias ao lado de amigos como Léo Jaime, Fagner, Dulce Quental, Celso Blues Boy e o inseparável Roberto Frejat; e ídolos como Maysa e Belchior. 7 raridades dignas deste nome.