12 músicas brasileiras sobre prostituição

“Sendo uma criatura exilada, expulsa da sociedade, como você e eu, porque somos artistas, a prostituta é certamente nossa amiga e nossa irmã.” Van Gogh

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Se o poeta a tem em seus sonhos, de Oswald de Andrade a Aldir Blanc, não é por acaso que a prostituta merece destaque na nossa canção. E para não dar espaço à monocromia, embora timidamente, Zé Ramalho dá luz aos homens que desempenham igual profissão. Ao longo das décadas essa atividade foi descrita, cantada, e logo, vivenciada, por Noel Rosa, Nelson Gonçalves, Gal Costa, Trio Parada Dura, Odair José, e outros, com diferenças de abordagem e um enorme poder de identificação junto ao público. O que não nos deixa mentir, embora a hipocrisia prevaleça, e o preconceito muitas vezes as relegue a um ambiente violento e hostil, a prostituição é um patrimônio histórico da humanidade. Que deveria ser tratado como na arte. Com respeito e admiração. Levar a “vida fácil” requer coragem. Cazuza já cantava essa regra com deboche.

Um observatório sobre Lobão

“Todo bom artista é um criador de problemas!” Lobão

Lobão-crédito-Rui-Mendes

João Luiz Woerdenbag Filho, mais conhecido pelo nome artístico de Lobão (Rio de Janeiro, 11 de outubro de 1957) é um cantor, compositor, guitarrista e baterista brasileiro. Sua carreira começou aos dezessete anos, depois de sair de casa formou a banda de rock progressivo Vímana, da qual faziam parte Lulu Santos, Ritchie, Luis Paulo e Fernando Gama. Três anos depois, fundou a banda Blitz com Evandro Mesquita, Fernanda Abreu e outros. Foi o baterista do primeiro disco, mas inconformado por não ter suas músicas incluídas no álbum, saiu do grupo antes mesmo do sucesso comercial.

Em 1982 inicia carreira solo com o lançamento do disco Cena de Cinema. Logo em seguida forma nova banda, Lobão e os Ronaldos lançam o disco Ronaldo foi pra Guerra, que tinha no repertório a canção Me Chama, maior sucesso comercial do músico e música mais executada na década de 80, sendo regravada por vários artistas do cenário musical brasileiro, dentre eles o ícone bossa novista João Gilberto.

Liberdade e intolerância na internet

“Ele é um cidadão livre e seguro da Terra, pois está atado a uma corrente suficientemente longa para dar-lhe livre acesso a todos os espaços terrenos e, no entanto, longa apenas para que nada seja capaz de arrancá-lo dos limites da Terra. Mas é, ao mesmo tempo, também um cidadão livre e seguro do céu, uma vez que está igualmente atado a uma corrente celeste calculada de maneira semelhante. Assim, se quer descer à Terra, a coleira do céu o enforca; se quer subir ao céu, enforca-o a coleira da Terra. A despeito de tudo, tem todas as possibilidades e as sente, recusando-se mesmo a atribuir o que acontece a um erro cometido no primeiro ato de acorrentar.” Franz Kafka

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Sim, Chuck Berry fields forever, mas rock não é mais nosso tempo, como o ex-ministro e eterno tropicalista Gilberto Gil cantou. A rumba, o mambo, o samba e o rhythm ´n´blues são filhos de Xangô, mas e o pai do nosso virtual tempo? Será que já chegou? A internet, um dos suportes mais utilizados pelo virtual promove em certa escala uma inversão, na medida em que altera a relação entre produtor e consumidor, colocando-os numa disposição anárquica em referência à produção e escolha de conteúdo. Isso em parte, pois os filtros desses mecanismos ainda são controlados pelos mesmos, mas não apenas por eles, e essa é a grande novidade da internet, mais gente envolvida na produção e na recepção de conteúdo.

A internet não destrói os nichos geográficos e sociais construídos no território físico pelo homem, nem deixa de construir novos deles, posto que é notório que esse tal ser humano, em via de regra, sempre se sentiu mais confortável quando posto em contato com seu semelhante. O diferente tende a gerar um certo desconforto e desemboca algumas vezes pro que se costuma chamar de preconceito e discriminação. Assim sendo, têm-se uma coletividade individualista, ou um individualismo coletivo, gerado não pela internet, mas pelo homem desde que se viu como gente. É difícil determinar se a internet contribuiu para uma maior individualidade ou não, posto que estabelece-se um paradoxo a partir do momento que ela se propõe a e permite uma grande interação entre os agentes participantes, além de vasta diversidade de estética e conteúdo.

A história do Trio Elétrico no Brasil

“Atrás do Trio Elétrico só não vai quem já morreu…” Caetano Veloso

Osmar_e_Fobica

Na década de 40, Adolfo Nascimento, conhecido como Dodô, e Osmar Macedo, lançaram o “pau elétrico”, o primeiro instrumento eletrificado que não provocava microfonia. Amigos desde 1938, quando da reestruturação do grupo “O Três e Meio”, do qual fez parte Dorival Caymmi, os dois músicos se dedicaram durante dez anos à pesquisa que buscava amplificar o som dos instrumentos de corda. No Carnaval de 1950, os dois saíram às ruas de Salvador em cima de um Ford 1929, que eles chamavam de fubica, tocando as músicas da Academia de Frevo do Recife em instrumentos fabricados por eles. Daí nasceu a “Dupla Elétrica”, com Dodô e Osmar tocando suas “guitarras baianas”. Um ano depois, em 1951, Temístocles Aragão se juntou à dupla para tocar um terceiro “pau elétrico”, conhecido como violão tenor, de som médio. Nascia assim, o Trio Elétrico do carnaval baiano, que em 1952, recebeu um caminhão da empresa de refrigerantes Fratelli Vita para se apresentar e assumiu o formato que mantém até hoje, 60 anos após sua criação.

Centenários 2015: Billie Holiday cantou para viver

Me Ensina Dançar Como Lennie Dale
E A Morrer Como Charlie Chaplin
E O Canto De Billie Holiday
E A Extravagância Que Vezenquando Nus Ilumina Seres Humanos

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Se Miles Davis afirma que “só existe a música negra americana”, Billie Holiday tem parte nisso. Poço de contradições, ela foi pioneira em se apresentar com uma banda formada por brancos na época da segregação racial explícita nos Estados Unidos. Revelada como celebridade por Benny Goodman, o “Rei do Swing”, a cantora pertence a uma seleta categoria de artistas em que não se distingue obra e vida. A música para Billie Holiday era a extensão vocal de sua dolorosa existência, atravessada por percalços e raros momentos de brilho. A “felicidade quando se está distraído”, de Guimarães Rosa, cabe bem a Billie. Mas não se pode culpa-la pela constante tensão dos nervos. A infância é comparável à de Edith Piaf, abandonada pelo pai, também músico, tendo que se virar junto à mãe como lavadora de prostíbulos e vítima de abuso sexual aos dez anos. Já os seus progenitores a conceberam quando tinham 15 e 13 anos respectivamente. Ou seja, crianças tomando conta de outra criança.

Os hinos de futebol na música brasileira

“Vou torcer pro time que sou fã/Vou levar foguetes e bandeira!
Não vai ser de brincadeira/Ele vai ser campeão!
Não quero cadeira numerada/Vou ficar na arquibancada
Pra sentir mais emoção!/Porque meu time bota pra ferver
E o nome dele são vocês que vão dizer…” Neguinho da Beija-Flor

hino-futebol

Os quatro grandes clubes da cidade do Rio de Janeiro, além do à época popular, América, tiveram seus hinos compostos pelo não menos popular Lamartine Babo. Famoso pelas composições carnavalescas, mas também por peças românticas e valsas, sendo a mais conhecida uma parceria com Ary Barroso (“No Rancho Fundo”), não chega a ser espantoso o êxito de Lamartine nas duas frentes. Se formos prestar atenção existe um quê de glória, de exaltação, de alegria tanto no gênero da marchinha quanto no hino. Todas as outras agremiações cariocas também foram agraciadas pelo compositor, como o Bangu, Madureira, Bonsucesso, Olaria, São Cristóvão e Canto do Rio. Isso foi fruto de um desafio proposto pelo radialista Heber de Boscoli, que dividia com Lamartine os holofotes do programa “Trem da Alegria”. Ao enorme sucesso de uma marchinha em homenagem ao Flamengo, Heber solicitou que Babo tirasse da cartola um hino por dia, para os 11 times da primeira divisão do certame local.

Pelo talento de Lamartine Babo, os torcedores de Flamengo, Fluminense, Botafogo e Vasco entoam a plenos pulmões os versos de exaltação e glória, além dos resistentes e bravos apaixonados pelo América, clube de coração de Lamartine. Tim Maia emprestou como ninguém a potência da voz para celebrar essas músicas, com exceção do Botafogo, legou registros impressionantes dos clubes cariocas. Ele, outro apaixonado e torcedor convicto do América-RJ nos faz crer ser este o mais bonito dos hinos. Prova do poder da palavra e da intenção dos sentimentos. Em São Paulo, o radialista Lauro D’Ávila foi o responsável por compor melodia e letra do hino do Corinthians, clube mais popular do estado. Fundador do São Paulo Futebol Clube, Porfírio da Paz, político brasileiro com participação no governo de Getúlio Vargas, compôs o hino do clube mais vencedor brasileiro. Com a conquista de três campeonatos mundiais, três Libertadores da América e seis títulos do campeonato brasileiro.

O chocolate na cultura popular

“e por toda a calma latente e infinitamente doce,” Salvador Dalí

chocolate

Desde que se tem notícia do seu aparecimento ainda na era pré-colombiana dos países da América Central, o chocolate não serve apenas como alimento. Claro, a sua função principal é essa, até por ser difícil negar suas qualidades tão atrativas ao paladar. Mas é sobretudo por outros sentidos como visão, tato e olfato, que o chocolate atende a diversas intenções. Não por acaso está associado a celebrações como a Páscoa e o Dia dos Namorados. No universo da cultura popular é difícil uma arte que tenha escapado ao seu charme.

No cinema certamente a iniciativa mais marcante em relação ao tema é “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, de 1971, baseado no livro de Roald Dahl. O filme eternizou a figura excêntrica de Willy Wonka, vivido nesta versão por Gene Wilder e depois interpretado por Johnny Depp no longa-metragem lançado por Tim Burton em 2005. A ideia de um ambiente repleto e coberto por chocolate sensibilizou e encheu de água na boca a adultos e crianças. Outras duas obras marcantes são a mexicana “Como Água Para Chocolate”, de 1992, e “Chocolate”, com Juliette Binoche no papel principal, de 2000.

O sadomasoquismo no cinema

“Ah, as pessoas põem a ideia de pecado em sexo. Mas como é inocente e infantil esse pecado. (…) Sexo é o susto de uma criança.” Clarice Lispector

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A obra surrealista do espanhol naturalizado mexicano Luis Buñuel, e que por anos viveu na França, certamente recebeu influência do artista plástico Salvador Dalí. Mas também atuou de maneira assertiva sobre outros nomes. Por exemplo, o pernambucano Alceu Valença se vale do título de um dos filmes mais controversos de Buñuel para batizar uma popular canção. “La Belle de Jour” do compositor é transportada para a tropical praia de Boa Viagem, enquanto a película de Buñuel passa-se em dois campos distintos. O primeiro diz respeito a um frio interior francês, já o segundo, aparentemente na imaginação da protagonista, não economiza na temperatura. O tema do sadomasoquismo, além da conotação de tabu moral, servia para espezinhar a hipocrisia burguesa, o ideário religioso e a tênue linha entre prazer e dor. Não mudou muito até agora.

Nessa década de 2010, quem puxa a fila do assunto chega pela indústria como best-seller, produção americana com recorde de arrecadação no cinema, pontos que nos permitem notar, de cara, o diferencial entre as duas obras. “50 Tons de Cinza” é também baseada em livro, o que parece ser a única ligação com “A Bela da Tarde”, de Buñuel e que tem Catherine Deneuve no papel principal, tirada das páginas de Joseph Kessel. Além de preocupações estéticas, a intenção provocativa, e o habitual misto entre delírio e realidade, justamente por essas características Buñuel ergue com unhas e dentes a bandeira da reflexão, o que lhe impede concessões à rápida assimilação mercadológica. E. L. James, ao contrário, é um produto de mercado feito para o mercado. Está intrinsicamente ligada a ele. Se Buñuel criticava o moralismo, o folhetim contemporâneo só o reforça.

5 músicas do Brasil contra a corrupção

“Tira tudo do estofo da casaca,
Faz milagres com a caixa de surpresa;
Se um garfo lá se foi ou falta a faca,
E achas que te enganaste ao pôr a mesa –
O talher que ainda há pouco evaporou-se
Surge num fosso como se osso fosse!” T. S. Eliot

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Dizem que a profissão mais antiga do mundo é a da prostituta. Há controvérsias. Mas o crime, certamente, é o de corrupção. Desde que o homem se entende por gente o espécime se apropria do dinheiro alheio para interesses particulares. Ou, quando não havia moeda, da galinha mesmo. E a vida da população e do próximo escorre pelo ralo. Não sendo um problema só do Brasil, mas bem difundido por essas terras desde que portugueses “trocavam” ouro por espelho. Claro, pode-se alegar que constam nos autos crimes mais antigos, como a matança, a miséria, a contravenção. Mas talvez todos esses tenham por base a corrupção. Afinal outra categoria bem antiga é a dos banqueiros, como a burguesia, a Igreja, a monarquia, os senhores feudais e de engenho, enfim, as instituições de poder. Por fim, não deixa de ser interessante notar a associação de corruptos com aquela profissão mais antiga. Quando chamados de “filhos da puta” indubitavelmente comete-se uma injustiça com as profissionais do sexo, que só enganam para dar prazer. É o orgasmo solidário, não egoísta.

10 músicas do Brasil para o “panelaço”

“Eu não quero você nem pra pegar na alça do meu caixão…” Panela e Garrafão

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Quando a presidente eleita com 51% dos votos discursava no “Dia da Mulher”, panelas foram ouvidas nos bairros mais ricos das capitais. O intento era de provocar bramido, ruído, incômodo, e sobretudo protestar contra as palavras de Dilma Rousseff. Essa anedota, como se constata, aconteceu no Brasil. Não obstante o conteúdo pouco consistente e em muita medida falacioso e ridículo da presidenta, há de se notar uma característica primária e preconceituosa no ato de alguns “paneleiros”. Por isso chamamos à roda aqueles que souberam protestar, acariciar ou bramir com maior elegância. Através da música brasileira. Panela cheia, vazia, velha ou do diabo, todas com a garantia e o selo da arte.