Análise: B. B. King afirmou a cultura de um povo

“Eu acredito que há um lugar para tocar guitarra. Há um lugar para cantar o blues.” B. B. King

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Qualquer modelo para afirmação de uma identidade precisa do seu herói. Nesse caso, o blues norte-americano construiu uma lenda. A diferença entre essas duas facetas é que a primeira parece necessitar de certo caráter artificial, enquanto a segunda é inteiramente popular. Não é novidade que qualquer povo reprimido resiste, sobretudo, através de sua cultura. Por isso a importância da preservação de costumes indígenas e africanos no Brasil. Da capoeira à mandioca existe algo que nos liga diretamente ao blues. De origem negra, como o samba, o ritmo sofreu com a segregação explícita nos Estados Unidos, que motivou a famosa frase de Miles Davis: “Só existe a música erudita europeia, a música popular brasileira e a música negra americana”.

B. B. King, que dizia fazer “uma nota valer por mil” foi a síntese do orgulho negro; nos Estados Unidos, no Brasil, na África e no Oriente. Como todo artista que amplia as conotações políticas, a magia de sua música se estendeu por esse país sem fronteiras: onde a alma e o sentimento residem, na valorização da vida, em que o homem é parte da natureza, não o seu detentor, e convive com a diversidade e a crença na semelhança igualmente. Natural do sul dos Estados Unidos, Riley Ben King perdeu o pai, que fugiu, e a mãe, que morreu, aos 8 anos. Esses acontecimentos típicos nas plantações de algodão da época foram superados quando o garoto recebeu uma guitarra do primo. Longe da fazenda, adotou o codinome pelo qual ficaria conhecido no mundo inteiro.

5 perguntas nunca respondidas por Elke Maravilha

“Mas, ao escrever-lhe, tinha em mente outro homem, um fantasma feito das lembranças mais ardentes, das leituras mais belas, dos desejos mais intensos; e, ao final, ele tornava-se tão verdadeiro e acessível que ela palpitava maravilhada, sem poder, todavia, imaginá-lo claramente, de tanto que ele se perdia, como um deus, sob a abundância de seus atributos. Morava em uma região azulada, onde escadas de seda balançavam-se nas sacadas, sob o sopro das flores, sob o luar. Sentia-o por perto; ele viria e a arrebataria toda em um beijo. A seguir, caía do alto, dilacerada, pois aqueles impulsos de amor vago a cansavam mais do que as grandes devassidões.” Gustave Flaubert

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Elke Maravilha é uma das mais exóticas e pitorescas personalidades do cenário brasileiro, basta olhar o número de vezes em que interpretou a si mesma em novelas, cinemas e seriados para constatar essa afirmação. Elke é, em si, a sua própria personagem. Natural da Rússia, despatriada no país de origem e cassada no Brasil, onde veio para morar e combateu a ditadura, Elke adotou a nacionalidade alemã. Como cantora é capaz de interpretar em seu primeiro idioma, o russo, mas também em português e alemão, indo de peças bávaras a xotes do sertão nordestino, em homenagens a Luiz Gonzaga.

Conhecida, sobretudo, como jurada de programas de calouros, onde fez fama junto a um público massificado, Elke começou a carreira como modelo, e o exemplo de beleza grega que ao longo do tempo foi substituído pelo exotismo pode ser conferido em fotografias antigas. Assim, Elke exerce o papel de uma força irreverente, libertária, culta e que ao mesmo tempo despreza todos os pedantismos, lugares comuns e baratos. Em outras palavras Elke conserva aquela qualidade tão cara a todos os artistas, o poder de transformação, a capacidade da contradição, o eterno martírio da dúvida e a busca pelo prazer.

11 músicas brasileiras sobre dinheiro

“E os traidores da linguagem
………n e a malta da imprensa
E os que mentiram por salário;
os corruptos, os corruptores da linguagem
os corruptos que puseram a cobiça no dinheiro
Sobre o prazer dos sentidos;” Ezra Pound

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Da permuta ao escambo, do parcelamento ao pagamento à vista, do financiamento coletivo ao crédito sem limites, o assunto dinheiro não passa incólume em vários lares e mesas de botecos. Na música brasileira não é diferente. E essa moeda tem muitas faces. Através do rock, do samba, da marchinha, da tropicália, do samba-rock e da MPB; Caetano Veloso, Cazuza, João Donato, Léo Jaime, Angela Ro Ro, Martinho da Vila, Tim Maia, Paulinho da Viola, Moacyr Franco e muitos outros provam que há certas delícias na vida que não têm preço. Embora alguém sempre pague por elas.

POP-PÓS-ART (COM TOQUES DE SURREALISMO): A NOVA (PÓS) ARTE DA COLAGEM

“Mas é que eu não sabia que se pode tudo!” Clarice Lispector

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Pop-pós-art não é um movimento, nem alistamento, nem chamada. Até porque essas degenerações já estão passadas. Pop-pós-art pode ser entendida como um novo gênero, ou pra ficar mais bonito ainda, nova arte da colagem.
Sua influenciadora, a pop-art criava leituras novas através da imagem de ícones populares. A pop-pós-art não descarta nem limita populares, eruditos ou celebridades. Cria leituras e imagens novas a partir de frases, citações, textos, poemas, figuras, figurinhas e figurões pop e cult.
A matéria prima do processo é a colagem, que redimensiona o material ao deslocá-lo de seu lugar de origem, criando assim um novo (ou novos) significado (s) para ele.
A idéia da crítica depende do estilo do autor, podendo ser cínica ou feroz. Dessa forma, a utilização das colagens funciona não apenas como crítica àquele que está sendo referido, mas também como homenagem, e mais ainda, como explicitação das referências do autor, mostrando de onde partiu a idéia daquela sentença. (conferindo teor confessional ao gênero)

10 músicas brasileiras para as mães

“minha mãe dizia

– ferve, água!
– frita, ovo!
– pinga, pia!

e tudo obedecia” Paulo Leminski

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Ao contrário do que se costuma dizer de outras espécies, mãe não é tudo igual, e muito menos muda apenas de endereço. Na música brasileira o referido tema já foi tratado de diversas maneiras, do cômico ao dramático, da homenagem à acusação. Até Paulo Francis se intrometeu na história para afirmar que uma das mais célebres composições nacionais estende-se a um número incalculável de seres vivos. Caetano Veloso, Cazuza, Adoniran Barbosa, Chico César, Renato Russo também deram o seu palpite, que invariavelmente ganhou ressonância nas interpretações de Cássia Eller, Ângela Maria, Agnaldo Timóteo, Demônios da Garoa, e outros. Porquê mãe é mãe, inclusive a do juiz.

Centenários 2015: Orlando Silva, o “Cantor das Multidões”, uniu força e suavidade

“Meu coração, não sei por quê
Bate feliz, quando te vê
E os meus olhos ficam sorrindo
E pelas ruas vão te seguindo” Braguinha e Pixinguinha

orlando silva 1953

Ao primeiro olhar Orlando Silva apresenta mais semelhanças do que particularidades. Jovem, sofreu um acidente ao saltar de bonde e teve um pé amputado. As dores insuportáveis só eram curadas com morfina, vício que ao longo da vida substituiu pela cocaína, apontada como uma das responsáveis pela derrocada na carreira de sucessos. O período do auge comercial e de crítica durou relativamente pouco para os padrões da época, de 1936 a 1942. Foi quando registrou músicas até hoje famosas, como “Carinhoso” e “Rosa”, de Pixinguinha com Braguinha e Otávio de Souza, respectivamente, e “Nada além”, de Mário Lago com Custódio Mesquita. Entre outras gravações de impacto, mas que não resistiram ao tempo, destacam-se “Lábios que Beijei” e “Juramento falso”, da dupla J. Cascata e Leonel Azevedo, “Aos pés da cruz”, de Marino Pinto e José Gonçalves”, e “Dama do Cabaré”, de Noel Rosa, entre várias outras.

12 músicas brasileiras sobre prostituição

“Sendo uma criatura exilada, expulsa da sociedade, como você e eu, porque somos artistas, a prostituta é certamente nossa amiga e nossa irmã.” Van Gogh

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Se o poeta a tem em seus sonhos, de Oswald de Andrade a Aldir Blanc, não é por acaso que a prostituta merece destaque na nossa canção. E para não dar espaço à monocromia, embora timidamente, Zé Ramalho dá luz aos homens que desempenham igual profissão. Ao longo das décadas essa atividade foi descrita, cantada, e logo, vivenciada, por Noel Rosa, Nelson Gonçalves, Gal Costa, Trio Parada Dura, Odair José, e outros, com diferenças de abordagem e um enorme poder de identificação junto ao público. O que não nos deixa mentir, embora a hipocrisia prevaleça, e o preconceito muitas vezes as relegue a um ambiente violento e hostil, a prostituição é um patrimônio histórico da humanidade. Que deveria ser tratado como na arte. Com respeito e admiração. Levar a “vida fácil” requer coragem. Cazuza já cantava essa regra com deboche.

Um observatório sobre Lobão

“Todo bom artista é um criador de problemas!” Lobão

Lobão-crédito-Rui-Mendes

João Luiz Woerdenbag Filho, mais conhecido pelo nome artístico de Lobão (Rio de Janeiro, 11 de outubro de 1957) é um cantor, compositor, guitarrista e baterista brasileiro. Sua carreira começou aos dezessete anos, depois de sair de casa formou a banda de rock progressivo Vímana, da qual faziam parte Lulu Santos, Ritchie, Luis Paulo e Fernando Gama. Três anos depois, fundou a banda Blitz com Evandro Mesquita, Fernanda Abreu e outros. Foi o baterista do primeiro disco, mas inconformado por não ter suas músicas incluídas no álbum, saiu do grupo antes mesmo do sucesso comercial.

Em 1982 inicia carreira solo com o lançamento do disco Cena de Cinema. Logo em seguida forma nova banda, Lobão e os Ronaldos lançam o disco Ronaldo foi pra Guerra, que tinha no repertório a canção Me Chama, maior sucesso comercial do músico e música mais executada na década de 80, sendo regravada por vários artistas do cenário musical brasileiro, dentre eles o ícone bossa novista João Gilberto.

Liberdade e intolerância na internet

“Ele é um cidadão livre e seguro da Terra, pois está atado a uma corrente suficientemente longa para dar-lhe livre acesso a todos os espaços terrenos e, no entanto, longa apenas para que nada seja capaz de arrancá-lo dos limites da Terra. Mas é, ao mesmo tempo, também um cidadão livre e seguro do céu, uma vez que está igualmente atado a uma corrente celeste calculada de maneira semelhante. Assim, se quer descer à Terra, a coleira do céu o enforca; se quer subir ao céu, enforca-o a coleira da Terra. A despeito de tudo, tem todas as possibilidades e as sente, recusando-se mesmo a atribuir o que acontece a um erro cometido no primeiro ato de acorrentar.” Franz Kafka

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Sim, Chuck Berry fields forever, mas rock não é mais nosso tempo, como o ex-ministro e eterno tropicalista Gilberto Gil cantou. A rumba, o mambo, o samba e o rhythm ´n´blues são filhos de Xangô, mas e o pai do nosso virtual tempo? Será que já chegou? A internet, um dos suportes mais utilizados pelo virtual promove em certa escala uma inversão, na medida em que altera a relação entre produtor e consumidor, colocando-os numa disposição anárquica em referência à produção e escolha de conteúdo. Isso em parte, pois os filtros desses mecanismos ainda são controlados pelos mesmos, mas não apenas por eles, e essa é a grande novidade da internet, mais gente envolvida na produção e na recepção de conteúdo.

A internet não destrói os nichos geográficos e sociais construídos no território físico pelo homem, nem deixa de construir novos deles, posto que é notório que esse tal ser humano, em via de regra, sempre se sentiu mais confortável quando posto em contato com seu semelhante. O diferente tende a gerar um certo desconforto e desemboca algumas vezes pro que se costuma chamar de preconceito e discriminação. Assim sendo, têm-se uma coletividade individualista, ou um individualismo coletivo, gerado não pela internet, mas pelo homem desde que se viu como gente. É difícil determinar se a internet contribuiu para uma maior individualidade ou não, posto que estabelece-se um paradoxo a partir do momento que ela se propõe a e permite uma grande interação entre os agentes participantes, além de vasta diversidade de estética e conteúdo.

A história do Trio Elétrico no Brasil

“Atrás do Trio Elétrico só não vai quem já morreu…” Caetano Veloso

Osmar_e_Fobica

Na década de 40, Adolfo Nascimento, conhecido como Dodô, e Osmar Macedo, lançaram o “pau elétrico”, o primeiro instrumento eletrificado que não provocava microfonia. Amigos desde 1938, quando da reestruturação do grupo “O Três e Meio”, do qual fez parte Dorival Caymmi, os dois músicos se dedicaram durante dez anos à pesquisa que buscava amplificar o som dos instrumentos de corda. No Carnaval de 1950, os dois saíram às ruas de Salvador em cima de um Ford 1929, que eles chamavam de fubica, tocando as músicas da Academia de Frevo do Recife em instrumentos fabricados por eles. Daí nasceu a “Dupla Elétrica”, com Dodô e Osmar tocando suas “guitarras baianas”. Um ano depois, em 1951, Temístocles Aragão se juntou à dupla para tocar um terceiro “pau elétrico”, conhecido como violão tenor, de som médio. Nascia assim, o Trio Elétrico do carnaval baiano, que em 1952, recebeu um caminhão da empresa de refrigerantes Fratelli Vita para se apresentar e assumiu o formato que mantém até hoje, 60 anos após sua criação.