Centenários 2016: Newton Teixeira representou a música brasileira de duas décadas

“A deusa da minha rua
Tem os olhos onde a lua
Costuma se embriagar
Nos seus olhos eu suponho
Que o sol, num dourado sonho
Vai claridade buscar” Jorge Faraj & Newton Teixeira

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É da condição dos nossos compositores tornarem-se menos conhecidos que suas obras e mesmo os intérpretes delas. Também permanece na penumbra o motivo pelo qual Newton Teixeira supostamente fugia da polícia quando se encontrou com Sílvio Caldas numa noite de seresta. O bairro era a Vila Isabel, no Rio de Janeiro, reduto da boemia carioca que não podia deixar de contar com Noel Rosa, seu poeta, e outros bambas menos notórios, mas que foram fundamentais na consolidação do gênero mais arraigado à miscigenada raiz musical brasileira, o samba. Newton começou pelo estilo, mas se consagrou, sobretudo, pela marchinha “Mal me quer”, em parceria com Cristóvão de Alencar, gravada por Orlando Silva, e a valsa “Deusa da minha rua”, com Jorge Faraj, o maior sucesso de toda sua carreira, lançada pelo Caboclinho Querido.

5 músicas brasileiras a favor da diversidade sexual

“nada importa a não ser a valia do afeto
boca, o sol é a boca de deus” Ezra Pound

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Em tempos de polarização e tendências radicais é bom relembrar o quanto a música e a arte podem contribuir positivamente para esse debate, principalmente quando se trata de aplaudir a diversidade. No caso as diversas formas de amor e união afetiva, já reconhecidas, inclusive, pelo Estado brasileiro, são cantadas em verso e prosa por nomes como o performático Edy Star, Cássia Eller, Angela Ro Ro, Caetano Veloso e Erasmo Carlos, que homenageou a mais famosa transexual do país, Roberta Close. São cinco canções que exaltam, sobretudo, a beleza da liberdade. Mas poderiam ser muitas mais, já que o amor não tem limites tal qual a música e a arte. Saravá!!!!

A folia e a dor na música de Herivelto Martins

“Nem sequer no apartamento
Deixaste um eco, um alento
Da tua voz tão querida
E eu concluí num repente
Que o amor é simplesmente
O ridículo da vida” Herivelto Martins & Aldo Cabral

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O carioca Herivelto Martins compôs clássicos da canção brasileira ao longo de frutífera carreira que também incluiu as atividades de violonista e cantor do “Trio de Ouro” em todas as suas formações, tendo sido ele o principal idealizador e entusiasta do conjunto. A briga espalhada através de jornais e músicas com Dalva de Oliveira rendeu-lhe a pecha de arrogante, mal humorado e machista, mas mais do que isso, rendeu pérolas do quilate do nome que acompanhava o trio no qual cantou por mais de cinco décadas, até o último ano de sua vida.

Crítica: música do “Tao do Trio” desfia harmonia celestial

“desculpe a hora
em que vim lhe acordar
É que o sol
vem tingindo de ouro
a barra do mar” Lydio Roberto & Etel Frota

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Antes de dizer, já sabemos. Que Etel Frota é poeta. Que a música é de Curitiba. Essa evocação celeste que permeia todo o disco do “Tao do Trio”, formado por Suzie Franco, Fernanda Sabbagh e Cris Lemos, e que se dedica inteiramente pela primeira vez ao cancioneiro de uma mulher, permite-nos aferir conjecturas que vão além do visto, pois sobrepuja alguma coisa do instinto. É de se sublinhar a intimidade com que as vozes nos laçam logo à primeira ouvida. Por isso lhe percebemos o sotaque “terreiro e universal”. “Flor de Dor” capta em harmonias delineadas por Vicente Ribeiro, responsável pelos arranjos e a direção musical, o lirismo de uma poetisa que trama suas histórias.

3 músicas brasileiras para a Páscoa

“Ainda em desamor, tempo de amor será.
Seu tempo e contratempo.
Nascendo espesso como um arvoredo
E como tudo que nasce, morrendo

À medida que o tempo nos desgasta.

Amor, o que renasce.
Voltando sempre. Docilmente sábio
Porque na suavidade nos convence
A perdoar e esperar. Em vida. In pace.” Hilda Hilst

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Para além das adaptações de mercado, o sentido da Páscoa, principalmente em sua tradição cristã e religiosa, está ligado ao renascimento, ao recomeço e, principalmente, à ressurreição de Cristo, três dias depois da sua crucificação. No calendário católico, a Páscoa, celebrada aos domingos, é precedida pela Semana Santa, a Sexta-Feira da Paixão e o Sábado de Aleluia, repercutindo o martírio do filho de Deus e sua apoteótica consagração. Muito representada nas artes plásticas, principalmente no período da Renascença, por pintores e escultores, a Páscoa também encontra consonância na música do Brasil. Alguns de nossos mais celebrados compositores trataram de ressaltar a continuidade da vida e seu ciclo infinito em canções populares. Listamos abaixo três das mais significativas, por voz e verso dos nossos artistas.

Crítica: Livro “Harmonia das Vozes” valoriza a música mineira

“Creio que é de água a raiz do vento,
Pois não soaria tão profundo
Se produzido pelo firmamento;
Os ares não contêm oceanos
Ou entonações mediterrâneas –
Mas, para o ouvido da corrente,
Há uma convicção marítima
Na atmosfera, por dentro” Emily Dickinson

Capa Livro Harmonia das Vozes

Rogério Leonel não nasceu ontem, já está na estrada há algum tempo. Para ser exato contabiliza quase meio século de carreira ligada à música. Um desses momentos cruciais aconteceu quando o violonista e compositor escreveu, no final da década de 1970, seus primeiros arranjos para o “Festival Ponteio”, promovido pela UFMG. Daí por diante não abandonou mais o ofício, e dedicou especial atenção aos arranjos para vozes. Trabalho que recebe agora a devida documentação e registro com o lançamento do livro “Harmonia das Vozes”, em que Leonel debruça-se sobre 20 canções de compositores mineiros. O projeto contou com o apoio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura.

A música carnavalesca de Lamartine Babo

“Canto pelos espaços afora
Vou semeando cantigas
Dando alegria a quem chora (…)
Canto, pois sei que a minha canção
Vai dissipar a tristeza, que mora no teu coração” Alberto Ribeiro, Braguinha & Lamartine Babo

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Não é preciso tocar um instrumento para ser um grande músico. Que o diga o carioquíssimo Lamartine Babo, de quem, sobre sua relação com a festa mais popular do país, Braguinha disse: “existe o carnaval antes e depois de Lamartine”. Em marchinhas, valsas e samba-canções, Lamartine puxa o desfile: “A tua pena não nega Lalá, tu és músico com louvor!”.

Crítica: “Miniconto” apresenta fusão inédita de dança, ginástica e música

“Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.” Fernando Pessoa [Ricardo Reis]

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Analisando a obra de Júlio Bressane o crítico de cinema Inácio Araújo afirma ser dispensável o entendimento para compreensão de uma obra de arte. Mais do que isto, muitas vezes a maneira como as pessoas buscam entender uma obra serve de barreira, e não colo ou aceitação, no sentido de entrar em contato, com o que o autor propôs; isto estando aberto, inclusive, às possibilidades inerentes ao repertório de cada espectador, anulando-se a perspectiva vertical, “de cima para baixo”, em prol da horizontalidade. Em certa medida é o que se constata no expediente do duo curitibano “Miniconto”, formado por Karla Díbia e Daniel Amaral, inclusive na característica mais concreta do trabalho, para a qual a música “Canto” ganhou clipe já em rotação.

Análise: Naná Vasconcelos foi músico da origem

“vento/que é vento/fica
parede/parede/passa
meu ritmo/bate no vento/e se
des pe da ça” Paulo Leminski

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Naná Vasconcelos foi um tipo raro na música brasileira. Não era pra qualquer um, e misturava, em seu caldo, todos os gostos, ciente da abordagem popular que sempre o caracterizou. Natural do Recife teve em seus primeiros anos as influências de Jimi Hendrix e Villa-Lobos, tão díspares quanto complementares para o estilo harmônico que criou. O percussionista, que brincou e reinventou tons e modalidades para diversos instrumentos, mas, sobretudo, o berimbau, tão caro e essencial aos nativos indígenas e povos africanos que aqui chegaram quanto da ocupação do país pelos portugueses, já era uma figura de destaque mundo afora, por diversas turnês que empreendeu pela Europa e América do Norte, fosse acompanhando as bandas de Gilberto Gil, Milton Nascimento e outros, ou como artista principal; quando gravou, com Jards Macalé, em 1994, uma espetacular jam session feita em uma tomada só, batizada, como o disco, de “Let´s Play That”, um marco de irreverência que deixa ainda mais claro o caráter inventivo e libertário da obra de Naná.

Centenários 2016: Silas de Oliveira pertence ao panteão do samba

“Sinto, abalada minha calma
Embriagada minha alma
Efeito da tua sedução” Silas de Oliveira & Joaquim Ilarindo

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Silas de Oliveira morreu e nasceu numa roda de samba. Embora o pai não tenha concordado, por suas convicções pastorais e protestantes, Silas começou a ser Silas quando fundou, junto de seus pares, dentre eles o inseparável Mano Décio da Viola, a Escola de Samba do Império Serrano, e para sempre foi batizado entre batuques, pandeiros e tamborins. Conhecido, sobretudo, pela atividade nos desfiles de carnaval, compositor arguto e perspicaz que era de temas históricos para os tradicionais sambas-enredo, também merecem destaque seus sambas de roda, tais como “Meu Drama”, popularmente chamado “Senhora Tentação”, “Cruel Paixão” e “Desprezado”. É destas canções que emergiram versos do quilate de “será que o amor por ironia/move esta fantasia, vestida de obsessão?”, regravados por ninguém menos do que Cartola; e “amanhece e anoitece/eu sei que nesse mundo tudo se fenece/então porque essa paixão/do meu coração não desaparece?”, e etc.