11 artistas consagrados que tiveram comportamentos condenáveis

“A lua não tem porta. É uma face em seu pleno direito,
Branca feito cartilagem, incrivelmente chata.
Draga o mar como depois de um crime sujo; está quieta
Com a boca aberta em completo desespero.” Sylvia Plath

As mãos estão cheias de sangue e, ao olhar-se no espelho, a imagem refletida é a de um homem em trajes femininos, com uma peruca castanha na cabeça e olhar assustado. Esta é uma cena de “O Inquilino” (1976), um dos filmes mais perturbadores de Roman Polanski, e ninguém poderá assegurar que ela aconteceu na vida real, embora a personagem principal também fosse interpretada pelo diretor. Fato é que, um ano depois, em março de 1977, Polanski seria preso na casa do ator Jack Nicholson, em Los Angeles, nos Estados Unidos, por abusar sexualmente de uma menor de idade, a jovem modelo Samantha Geimer, de 13 anos, após oferecer bebidas e drogas a ela.

10 pérolas da música popular brasileira

“Pintar um quadro é tão difícil quanto encontrar um diamante, seja grande ou pequeno. Todavia, enquanto todos reconhecem o valor de um luís de ouro ou de uma pérola pura, aqueles que amam os quadros e acreditam neles são, infelizmente, também raros. Mas existem.” Van Gogh

No ar desde o início do ano, o site Discografia Brasileira (discografiabrasileira.com.br) é uma contribuição única e fundamental do Instituto Moreira Salles para a memória da música e da cultura brasileira. Selecionamos algumas das principais raridades da plataforma.

10 pioneiras do empoderamento feminino na música brasileira

“Pode existir, existe, mas, excepcionalmente; e exigi-la nas leis ou a cano de revólver, é um absurdo tão grande como querer impedir que o sol varie a hora do seu nascimento. Deixem as mulheres amar à vontade.” Lima Barreto

Criado pelo educador Paulo Freire (1921-1997) na década de 70, o termo “empoderamento” voltou à baila nos anos 2000. De acordo com uma pesquisa do Google, o primeiro pico de buscas pela palavra aconteceu em junho de 2013, durante protestos que marcaram o Brasil. Em 2016, “empoderamento” ficou em primeiro lugar na lista das palavras mais procuradas. Na música brasileira, o empoderamento feminino não é novidade. Antes da expressão alcançar a fama atual, Rita Lee, Angela Ro Ro, Dona Ivone Lara e outras esbanjavam atitude e coragem. Aproveitamos a comemoração do Dia Internacional da Mulher para relembrar versos de canções que se tornaram emblemáticas.

3 dicas raras de cinema, música e literatura

“diria que as grandes solenidades artísticas devem ser estremes de quaisquer outras preocupações humanas. A arte é uma religião. O gênio é o sumo sacerdote” Machado de Assis

“O Que Está Por Vir”
Vencedor, em 2016, do Urso de Prata de melhor direção no Festival de Berlim para a francesa Mia Hansen-Løve, o filme capta o atribulado período de mudanças enfrentado pela protagonista. Vivida por Isabelle Huppert, Nathalie é uma professora de filosofia que tem de lidar com problemas pessoais ao mesmo tempo em que ocorrem transformações na sociedade francesa, com revoltas estudantis e um antigo pupilo buscando um modo alternativo de vida nas montanhas. O longa está na grade de programação do Canal Brasil.

100 anos de Virgínia Lane, a voz de “Sassaricando”

“Toda ditadura é casta e contra a vida; toda manifestação de vida representa, em si, um inimigo de qualquer regime dogmático.” Reinaldo Arenas

As pernas de uma mulher eram o máximo da sensualidade nos anos 50. Mas Virgínia Lane mostrou muito mais, como se comprova em fotos e arquivos de áudio e vídeo. A “Vedete do Brasil”, título que recebeu diretamente das mãos do então presidente Getúlio Vargas, combinava os atributos físicos a um talento artístico quase nato, esbanjando carisma e espontaneidade. Nascida há um século, Virgínia colecionou histórias curiosas e lançou um clássico carnavalesco que nunca saiu da boca dos foliões. Com suas pernas longilíneas e sorriso fácil, ela era a própria representação da festa mais popular do país.

Entrevista com Arnaldo Antunes: “Lula é um político brilhante”

“O que vemos não é o que vemos, senão o que somos.” Fernando Pessoa [Bernardo Soares]

Uma das obras mais perturbadoras do espanhol Francisco Goya (1746-1828), pintada diante de seu horror com as guerras napoleônicas, traz a inscrição “O sono da razão produz monstros”. Foi “tomado por esse mesmo estado de perplexidade” que Arnaldo Antunes, 59, compôs, logo após o segundo turno das últimas eleições, “O Real Resiste”.

A música dá nome a seu mais novo disco, já disponível nas plataformas digitais. Lançada como single em dezembro, ela teve o seu videoclipe retirado, sem explicações, da grade de programação da TV Brasil. A letra, ácida, afirma em tom de ironia: “Miliciano não existe/ Torturador não existe/ Fundamentalista não existe/ Terraplanista não existe/ Monstro, vampiro, assombração/ O real resiste/ É só pesadelo, depois passa/ Múmia, zumbi, medo, depressão”.

12 brigas homéricas da música popular brasileira

“a maior parte das ocasiões de confusão no mundo vem da gramática.” Montaigne

Desde que o samba é samba e a música brasileira se entende por si própria, desavenças entre seus integrantes renderam hits e até incidentes mais graves, com direito a ações na Justiça e agressões físicas. Relembramos algumas das mais marcantes.

Noel Rosa x Wilson Batista
A rivalidade entre Noel Rosa e Wilson Batista está na capa de um LP da Odeon intitulado “Polêmica”, com uma caricatura de Nássara. “Rapaz Folgado”, de Noel, foi respondida com “Lenço no Pescoço”, de Wilson. “Palpite Infeliz” foi retrucada com “Mocinho da Vila”. “Feitiço da Vila” e “Terra de Cego” deram fim ao embate.

Marchinha tem refrão “O Lula tá livre, babaca”; Ouça

“Um teatro do qual não se pode rir, é um teatro do qual se deve rir. Gente sem humor é ridícula.” Brecht

Depois de passar 580 dias preso em Curitiba, o ex-presidente Lula foi solto no dia 8 de novembro de 2019, em uma sexta-feira que se tornou histórica para os brasileiros. Primeiro metalúrgico a ser eleito ao posto mais alto da República no país, o petista deixou o cargo com 87% de aprovação e ajudou a eleger Dilma Rousseff como sua sucessora. Com a prisão de seu líder mais popular, a esquerda passou a empunhar a bandeira “Lula Livre”, que ganhou a adesão de autoridades internacionais, como Pepe Mujica, ex-presidente do Uruguai, Alberto Fernández, presidente da Argentina, e até do Papa Francisco, que, discretamente, recebeu uma camiseta com a imagem de Lula.

Majur: “Hoje sabemos com quem estamos lutando”

“exalando de todo seu corpo um perfume de seiva, de verdura e de ar livre.” Gustave Flaubert

Majur, 23, que se define como não binária, ambientou o clipe de “Africaniei” na sua cidade natal, Salvador. “É uma aula sobre a história do nosso povo. Somos um país laico que tem a diversidade como qualidade”, informa Majur, que, aliás, é uma das atrações mais aguardadas do Planeta Brasil, assim como seu “padrinho”, Caetano. Levada por Maria Gadú à casa dele, ela logo despertou o interesse do músico, que escreveu um texto para enaltecer suas qualidades. “Caetano é uma das minhas maiores referências, e estar com ele hoje me traz um sentimento de gratidão”, agradece Majur, que começou a cantar aos 5 anos, no coral da Orquestra Sinfônica da Juventude de Salvador. Em junho de 2019, ela gravou com Emicida e Pabllo Vittar o clipe de “AmarElo”, que considera “um ‘start’ para o mundo”. “Nós três temos histórias de luta e resistência e encontramos um jeito de deixar uma mensagem de ânimo, utilizando a música como tecnologia de afeto”, afirma Majur.

10 filmes internacionais com músicas brasileiras

“A música entrava, imediatamente, como os primeiros compassos de qualquer música logo fazem por sobre a fantástica textura do seu espírito, dissolvendo-a sem dor e sem ruído como uma repentina onda dissolve as torres de areia construídas por crianças.” James Joyce

Durante uma cena de bar, emerge num filme sobre máfia protagonizado por Robert De Niro, Al Pacino e Joe Pesci, um chorinho com influência de baião, batizado de “Delicado”. Composta, em 1951, por Waldir Azevedo, a música compõe a trilha sonora de “O Irlandês” (2019), filme dirigido por Martin Scorsese. Na versão, a canção recebeu um arranjo para orquestra e reafirmou a tradição musical brasileira de estar presente em produções internacionais.