4 Sucessos de João Roberto Kelly

“Eu passo as minhas horas a brincar com palavras.
Brinco de carnaval.
Hoje amarrei no rosto das palavras minha máscara.
Faço o que posso.” Manoel de Barros

João Roberto Kelly é autor de marchinhas de sucesso

Gravado por Elis Regina, Elza Soares, Cauby Peixoto, Ademilde Fonseca, Angela Maria, Emílio Santiago, Dalva de Oliveira e Agnaldo Timóteo (numa rara parceria com o poeta J. G. de Araújo Jorge), ele se orgulha, principalmente, de “ser cantado pelo povo”. Prestes a completar 80 anos no próximo dia 24 de junho, o geminiano João Roberto Kelly segue compondo marchinhas. Autor de sucessos carnavalescos do porte de “Cabeleira do Zezé”, “Mulata Bossa Nova”, “Maria Sapatão” e “Joga a Chave, Meu Amor”, Kelly colocou na praça sua mais recente criação através da internet, com um vídeo postado no YouTube onde, acompanhado por outros foliões, destila sua verve irônica. “Alô Alô Gilmar” faz troça de Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

6 marchinhas (quase) mineiras para o Carnaval

“Exaltação – Império Sentido na Avenida – Carnaval da síncope. Pratos limpos atirados para o ar. Circo instantâneo, pano rápido mas exato descendo sobre a sua cabeleira de um só golpe de carícia, e o teu espanto!” Ana Cristina Cesar

marchinha sobre temer e silvio santos

Nos últimos anos, além dos bares, BH tornou-se também a capital do Carnaval. Com uma programação ampla e diversificada a cidade passou a receber os tão tradicionais e antigos blocos carnavalescos que, fora remeter à memória, trouxeram suas próprias inovações com misturas inusitadas e, acima de tudo, festeiras. Vale fantasia, vale confete e serpentina, principalmente, vale alegria! Com esse intento selecionamos 6 marchinhas mineiras para você pular durante os 4 dias de farra e folia, cada uma delas distintas entre si, para privilegiar, como marca do carnaval de Belo Horizonte, justamente a diversidade. São elas uma marcha-rancho, uma marchinha entre o romance e a ironia, uma marcha em homenagem ao Carnaval e três marchinhas políticas, ambas com aquela já habitual pegada de humor. Vamos à festa foliar!

5 marchinhas compostas por mulheres

“Ó Abre alas/ Que eu quero passar
Eu sou da Lira/ Não posso negar
Rosa de Ouro/ É quem vai ganhar” Chiquinha Gonzaga

As compositoras, cantoras e instrumentistas têm mostrado a cara e mudado o panorama do Carnaval na cidade de Belo Horizonte, cujo aumento da visibilidade para canções compostas por mulheres é latente. Um exemplo prático é a presença de 15 autoras inscritas no Concurso de Marchinhas Mestre Jonas 2018. Apesar do recorde, o número ainda é inferior em relação ao de homens.

Mas é uma mulher a autora da primeira música carnavalesca de sucesso da nossa história: Chiquinha Gonzaga. Composta em 1899, a marcha-rancho “Ó Abre Alas” estourou no Carnaval de 1901 e é definida pelo Dicionário Cravo Albin da Música Brasileira como “pioneirismo da produção carnavalesca, antecipando-se em 20 anos à fixação do gênero”. A publicação ainda afirma que a música seguiu como a preferida dos foliões por nove anos seguidos, até as festividades de 1910.

Entrevista: Aos 70 anos, músico Tavito revê sua trajetória

“Eu quero a esperança de óculos
E meu filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal” Tavito & Zé Rodrix

Tavito compôs "Casa no Campo" com Zé Rodrix

Aos 13 anos de idade, Luís Otávio Carvalho ganhou o seu primeiro violão. Conhecido desde a infância como Tavito, o compositor aprendeu o ofício de maneira autodidata, participando de festas e serenatas na capital mineira. Autor de clássicos como “Casa no Campo” (com Zé Rodrix) e “Rua Ramalhete” (com Ney Azambuja), ele partilhou da convivência com nomes fundamentais do Clube da Esquina, como Milton Nascimento, Toninho Horta e Nelson Angelo. Nascido em Belo Horizonte, o músico destaca os momentos mais especiais de suas sete décadas de história.

Discografia do músico mineiro Flávio Henrique

“Lua luou
Vento ventou
Rio correu pro mar
Foi beijar
As areias de lá” Flávio Henrique

Flávio Henrique é autor de Casa Aberta

Nascido em Belo Horizonte no dia 20 de julho de 1968, o cantor, compositor, instrumentista, arranjador e produtor cultural Flávio Henrique, teve suas músicas gravadas por grandes nomes do cenário nacional. Em 1999, Ney Matogrosso escolheu “Olhos de Farol”, parceria do mineiro com Ronaldo Bastos, para dar título ao disco que continha músicas de Cazuza, Rita Lee, Lenine e Itamar Assumpção. Flávio Henrique compôs com Paulo César Pinheiro e Luiz Tatit e viu suas canções ecoarem por meio das vozes de Milton Nascimento, Ed Motta, Fernanda Takai e Zeca Baleiro. Ele também foi presidente da Empresa Mineira de Comunicação (EMC), à qual pertencem a Rede Minas e a rádio Inconfidência.

4 Vocalistas do Barão Vermelho

“O sal da terra ainda arde e pulsa
Aqui nesse instante, e olhamos a lua
E babamos nos muros, cheios de desejos” Cazuza

Cazuza e Frejat com o Barão Vermelho

Cazuza é um dos mais prolíficos compositores brasileiros, principalmente no que tange a parcerias, não só a tempo de vida. Morto aos 32 anos, pelos efeitos da AIDS, o poeta exagerado praticou em vida a arte do encontro, e encarnou o ideal brasileiro da mistura, da mestiçagem, do liquidificador em segredos compartilhados com o público. Gregário e explosivo, lírico e desbocado, Cazuza passeou em raras parcerias ao lado de amigos como Léo Jaime e o inseparável Roberto Frejat.

Os 10 melhores discos brasileiros de 2017

“Que no coração de Bia
Meninos não têm lugar
Porém nada me amofina
Até posso virar menina
Pra ela me namorar” Chico Buarque

Melhores discos brasileiros

A volta de grandes nomes e a consolidação de intérpretes em ascensão marcaram a música nacional com discos emblemáticos lançados em 2017. Além disso, artistas que nos deixaram também tiveram os seus últimos trabalhos lançados, enquanto outros receberam homenagens pelo conjunto da obra. O blog aponta os álbuns nacionais de maior destaque no ano.

20 músicas e discos históricos de Natal

“Eu não tenho aonde ir, tudo me ignora,
ignoro tudo, pois sou natureza.
Um beija-flor enfia numa flor natalina
o seu bico comprido e come e bebe e voa,
não pousa no meu ombro,
não bebe do meu olho a água de sal.
Por agora, o que me faz prosseguir
é sua indiferença. Esta ausência de milagre.” Adélia Prado

Elvis Presley disco de Natal

Os mais conceituados letristas e melodistas brasileiros pegaram papel e instrumento para criar canções natalinas. Embora a temática se repita, a abordagem revela uma diversidade incrível de impressões sobre a festa, passando pela exaltação, alegria, reflexão, tristeza e melancolia. O humor também marca presença, assim como o samba, a marcha, o pop e a valsa. Embora não tenha uma tradição firmada de lançar discos inteiros dedicados ao Natal, alguns cantores brasileiros se arriscaram nessa empreitada, com resultados que já ficaram para a história. Tanto é verdade que continuam surgindo novidades. Por outro lado, é difícil encontrar um grande intérprete norte-americano que não tenha se dedicado a celebrar o Natal através de canções ou álbuns. E isso independe da época e até mesmo de gênero ou estilo. Que o digam Frank Sinatra e Lady Gaga.

10 músicas brasileiras conhecidas por apelidos

“Porque a maneira de reduzir o isolado que somos dentro de nós mesmos, rodeados de distâncias e lembranças, é botando enchimento nas palavras. É botando apelidos, contando lorotas. É, enfim, através das vadias palavras, ir alargando os nossos limites.” Manoel de Barros

Músicas brasileiras apelido

Quando o compositor erra, o público acerta e vem ao seu socorro. É isso o que provam os diversos apelidos que pululam na música brasileira. Uma rápida pesquisa será suficiente para que a surpresa dê lugar ao orgulho. Afinal de contas, é graças ao empenho da plateia que uma determinada canção, literalmente, troca de nome. Pois mais importante do que o cartório é o coro das vozes juntas. E nem precisa de assinatura. Já disse Jorge Amado: “anônimas por serem voz do povo”.

6 versões inusitadas de Chico Buarque

“É assim como se o ritmo do nada
Fosse, sim, todos os ritmos por dentro” Chico Buarque

Chico em versões inusitadas

O fato de Chico Buarque renegar a condição de poeta não o torna menos merecedor do título. É em poucas e esparsas doses que o compositor tem se deixado sublinhar pelo tempo. “Caravanas”, lançado seis anos após o mais recente disco de inéditas, não precisa mais do que nove faixas para suster o encanto de uma lírica graciosa, bem-humorada, irônica, musical e moderna. “Blues Para Bia” exemplifica todas essas qualidades do gênio.