Literatura: Crimes Passionais

“A educação é admirável, no entanto, é bom recordar, que nada que valha a
pena pode ser ensinado.” Oscar Wilde

Lolita

Dizem no Brasil que a política rouba, a polícia tortura e o aluno mata aula. Que as leis não pegam e que o maço de cigarros mais vendido ainda é o de Gérson. Ainda assim o crime mais cometido no país é o que se comete por amor, como aconteceu comigo.

Me apaixonei pela professora, como um filme de Lolita às avessas. Ela era uma mulher de estatura mediana, cabelos sempre ao vento e aquele olhar que engana. Os óculos cor de face acentuavam suas curvas, seu enlace com o mundo lá fora.

Literatura: Com o meu mais todo, carinho

“linho branco que até o mês passado lá no campo inda era flor” Belchior & Fagner em ‘Mucuripe’

Literatura

Ouro nas mãos. Perpetua o bramir da noite. Cara lavada, pedra rugosa. Tirada das minas, cavernas, mares. Infindo mover das areias. Não há febre. Mas é preciso cuidado, tato, manejo, para soerguer o tesouro, desvela água.

Mão aflita segurando ouro. Permitindo toque dourado. Cintilante. Autêntica de pálpebras e cílios e cristais. Orgânica. Feita de iodo e pele extenuada de méritos, raias e rédeas. Égua solta no pasto. Vaca no cingir do dia. Oferecendo leite, queijo, alimento: vida.

Literatura: Rubem Alves

Se mil vezes me perguntarem quem sou, direi: Adélia Prado
Se mil e uma, direi: Rubem Alves

Literatura

Trôpego em seus passinhos diminutos dos quais debochará mais tarde, vem com mansidão. Desmancha a fragilidade a impressionante voz que encerra quaisquer perspectivas de “últimas apresentações”. Lúdico, lúcido do porte de seus 77 anos ele alquimera (misto de alquimia e quimera) as imagens de velho triste e velho criança, que conclui caixa de ferramentas e brinquedos e com Deus explica as erotizações da fruta pudica maçã e a fruta obscena caqui.

Choro dos corações entrecortados em Hiroshima, onde foram plantados os caquizeiros a vida triunfa sobre a morte, e vítimas fatais se chocaram com a capacidade destrutiva humana: “O mundo é maravilhoso, mas os homens são terríveis. Os homens e as mulheres.” Não discrimina. A vida triunfa sobre a morte. Vaticina.

Literatura: Paulo Francis

Irônico jornalista colecionou textos impecáveis e desafetos por onde passou

Jornalismo

Há 15 anos morria o jornalista Paulo Francis, em Nova York. No banheiro da sua casa, ele agonizou os momentos finais antes de desvanecer nos braços de sua esposa, que o amparou e chorou como sugestiva parte do Brasil, sua terra natal.

Distante de agradar a todos, o jornalista inveterado, crítico de gregos e troianos, foi fiel e mordaz somente à sua própria filosofia. Como gostava de repetir, “apenas as pessoas inteligentes se contradizem”, e nessa área, Paulo Francis era inimitável.

Literatura: O Retrato de Dorian Gray

Obra atemporal de Oscar Wilde põe em debate a busca da beleza

Literatura

O Retrato de Dorian Gray, publicado em 1891, é o único romance da obra do escritor irlandês Oscar Wilde, que viveu de 1854 até 1900, e tornou-se um dos mais célebres de todos os tempos.Descrito como um “dos clássicos modernos da Literatura Ocidental”, foi classificado pela BBC como 118 na lista dos 200 romances mais populares.

A história, situada na Inglaterra aristocrática do século XIX, gira em torno de um jovem que apaixona-se por sua própria imagem ao vê-la pintada em um quadro, (reproduzindo em águas novas o mito de Narciso) e faz um pedido para que não envelheça jamais, pois com o tempo perderia a beleza estonteante de seus traços. O suspense sobre seu fim começa quando estranhamente o pedido é atendido.

Literatura: A Menina do Macramê

“da vitrola o som de um solo de clarineta parecendo uma enguia do mar subia em espiral pelo ar agitado.” Truman Capote

Flávio de Carvalho

Cabelos cortados ao pé do ouvido. Nara Leão de pele morena. Aquela vozinha pequenininha capaz de rugir.

‘Me aproveita, amor. Que eu não serei a mesma para sempre’ – disse, cerrando os lábios. ‘Tenho fases, como a lua’. Sentada no chão de encostas, ergue os braços em desagravo. Puxa uma linha, mais outra, cruza os fios de bege castanho imitando ouro.

O que a torna assim tão fascinante é justamente essa história atrás dos pontos.

Teatro: Nelson Rodrigues

O gênio do escritor brasileiro que revolucionou a dramaturgia e o jornalismo

Teatro brasileiro

Nelson Rodrigues foi, a vida inteira,um misto entre o sagrado e o profano. Foi tarado e santo, gênio e louco, revolucionário e reacionário, e por fim ninguém melhor do que ele próprio para defini-lo: foi um anjo pornográfico.

Suas peças e crônicasnada mais são do que o retrato dele próprio e do que o cercava e moldurava.Como todo artista, sua obra está completamente contaminada dele mesmo, da flor da pele ao pó do osso (como diria Caetano Veloso).

Literatura: Estive em Lisboa e lembrei de você

Livro de autor mineiro investe em narrativa fragmentada e coloquial

Literatura brasileira

Há um fato não desvelado sobre recente obra do autor mineiro Luiz Ruffato. Na verdade, dentre muitos, há um que me salta especificamente aos olhos, aparentemente de relevância questionável. É possível que isso nem tenha passado pela cabeça do autor, mas o seu protagonista guarda outra interseção com a realidade além de também ter nascido em Cataguases. Sérgio de Souza Sampaio, o Serginho, é homônimo de primeiro e último nomes do compositor esquecido que estourou com o hit “Eu quero é botar meu bloco na rua”, e depois desapareceu no olhar obscurecido do grande público.