Literatura: Carlos Drummond de Andrade

“se o poeta é um ressentido, e o mais são nuvens?” Carlos Drummond de Andrade

Literatura brasileira

Uma rosa aberta em plena guerra. Feia, no entanto ainda flor. No meio do caminho uma pedra. E o claro enigma no qual investiu-se o poeta. Mineiro de Itabira, Carlos Drummond de Andrade é comemorado hoje, data de seu aniversário, com exibição de filmes a partir das 18h na Livraria Mineiriana e sarau com a presença de escritores convidados a partir das 19h, com curadoria da poeta Thais Guimarães.

O evento criado no ano passado, com o nome de “Dia D”, pretende propagar os lírios e versos do poeta. Na parte da manhã, às 9h, a festa será no Museu das Minas e do Metal, onde também haverá exibição de filmes e leitura de poesias daquele considerado por especialistas “o maior de todos os poetas brasileiros”, dando continuidade ao festejo já iniciado no final de semana, com espetáculo teatral apresentado no Centro Cultural JK.

Literatura: O príncipe negro

“A alma escolhe sua companhia
E fecha a porta, depois.
Em sua augusta suficiência,
Cessam as intromissões.” Emily Dickinson

O Príncipe Negro Literatura

Como comemoração ao conto que havia escrito. Desci à cozinha, e quebrei um prato. Seguida, celebrei a vitória com o príncipe negro: Átila. Permita-me não recorrer à figura histórica. É que esse nome, para mim, diz respeito somente a meu conhecido íntimo, e essa é uma das benesses a que me dou o direito.

Um cachorro de personalidade felina: arredio e esnobe. Pouco se mexe quando alguém aproxima. Jamais balançou o rabo. Nega-se a dar a pata. Não se considera um animal da espécie, em suma consciência. As perguntas mais freqüentes que se faz, pois pouco (ou quase nada) se dirige aos outros, são: Qual o sentido da existência? Quando?

Literatura: Glória, Glória, Aleluia! – Você é o que você come (?)

“Os homens tem medo daqueles que personificam a vida que eles não viveram.” Oscar Wilde

Glória, Glória, Aleluia

Prodígio já nasceu chorando.
Não queria aquele nome.
Sua mãe, Glória prontamente o repreendeu.
E ele nunca mais chorou.
Quando completou um ano de idade pediu de presente uma mamadeira.
Recebeu um saboroso McLanche Feliz.
Aos 2 entrou na escola.
Seu melhor amigo era Nelson.
Fofocava com Guimarães.
Aos 3 quis ter um gato.
Ganhou um cachorro.
Queria chamá-lo Raul.
A mãe o chamou Jobim Tom.
Aos 4 chegou ao Exército.
E experimentou a liberdade.

Dia dos namorados: Par Perfeito (Literatura)

“Nunca eu tivera querido
dizer palavra tão louca:
bateu-me o vento na boca,
e depois no teu ouvido.
Levou somente a palavra,
deixou ficar o sentido.” Cecília Meireles

Dia dos namorados

Meu par perfeito, só para começar, precisa de muitos defeitos, no mínimo uns quatrocentos.

Meu par perfeito, em segundo lugar, há de brigar comigo, e se indignar, afinal se não notar os meus “poucos” defeitos, sinal de que não me vê direito.

Meu par perfeito, em terceiro lugar, precisa de várias manias, ter tiques de se irritar e blá blá blá, senão não me conquistará.

Literatura: Valsa para as estrelas

“mais vale ficar olhando para o céu do que morar aqui. Lugar mais vazio, mais vago! Nesta terra o trovão bate e tudo some.” Truman Capote

pintura Edgar Degas

Dançavam num salão celestial. Os pés eram carregados por pequeninas asas. As mãos sopravam de leve pela cintura, como a libélula toca na água. Os rostos se encontravam em narizes empinados e bocas amenas. Um intervalo condensado e eterno entre a proposição e o convite. Duas hesitações. Duas vidas em suspenso, executadas no sentido contrário aos ponteiros do relógio.

Quando acordou, lembrou-se de sua partida. Não acreditava que se fora. Aparecia com tanta realeza naquela noite. Movia-se e seus passos eram sentidos no assoalho. Sua presença era física. Não havia dúvidas.

Literatura: A Subversão da Ilegalidade

Discussão sobre a descriminalização da maconha

A Subversão da Ilegalidade

A boca seca e os velhos olhos vermelhos voltaram de vez?

Não, porque sempre estiveram aí. São mais antigos que a ressaca de Capitu e a discussão já solucionada por Clarice Lispector sobre quem veio primeiro, se o ovo ou a galinha.

As drogas quase sempre fizeram parte da história do homem. A origem da maconha data de 2723 a.C., segundo registros da Farmacopéia Chinesa, tendo chegado na Europa por volta do século XVIII, assim como no Brasil, de acordo com documentos referentes à época das Capitanias Hereditárias.Da mesma forma, as drogas também fizeram parte da vida e obra de artistas importantes e por vezes fundamentais na história da arte.

Teatro: Tennessee Williams

“Uma linha pode ser direita ou uma rua. Mas o coração de um ser humano?” Tennessee Williams

Dramaturgo norte-americano

Preencher uma página em branco como um quarto empesteado de algemas de vidro. Um menino solitário trancafiado emite o próprio ego em mugidos de desespero e rancor. Ambos sãos, sentimentos negros, pintados com o nanquim pegajoso e grudento de dias posteriores.

Papai não aceita a homossexualidade do filho, sem sequer suspeitar dos beijos e lânguidos desejos aspirados qual cocaína nas noites macias de colchão branco e revistas masculinas por sob o pijama listrado.

Literatura: Crimes Passionais

“A educação é admirável, no entanto, é bom recordar, que nada que valha a
pena pode ser ensinado.” Oscar Wilde

Lolita

Dizem no Brasil que a política rouba, a polícia tortura e o aluno mata aula. Que as leis não pegam e que o maço de cigarros mais vendido ainda é o de Gérson. Ainda assim o crime mais cometido no país é o que se comete por amor, como aconteceu comigo.

Me apaixonei pela professora, como um filme de Lolita às avessas. Ela era uma mulher de estatura mediana, cabelos sempre ao vento e aquele olhar que engana. Os óculos cor de face acentuavam suas curvas, seu enlace com o mundo lá fora.

Literatura: Com o meu mais todo, carinho

“linho branco que até o mês passado lá no campo inda era flor” Belchior & Fagner em ‘Mucuripe’

Literatura

Ouro nas mãos. Perpetua o bramir da noite. Cara lavada, pedra rugosa. Tirada das minas, cavernas, mares. Infindo mover das areias. Não há febre. Mas é preciso cuidado, tato, manejo, para soerguer o tesouro, desvela água.

Mão aflita segurando ouro. Permitindo toque dourado. Cintilante. Autêntica de pálpebras e cílios e cristais. Orgânica. Feita de iodo e pele extenuada de méritos, raias e rédeas. Égua solta no pasto. Vaca no cingir do dia. Oferecendo leite, queijo, alimento: vida.