O Futuro da Música

“Mas queria que você entendesse os meus poços escuros, os meus becos – que me fazem mergulhar em silêncios às vezes longos. (…) Não devemos nos perder, somos tão poucos,” Caio Fernando Abreu

O Futuro da Música

Acho que estamos indo pelo caminho errado. Não se apresse a considerar-me reacionário e em desfavor do progresso. Só noto uma falta de conteúdo quando se discute o futuro de engrenagens e fixa-se o pensamento nas ferramentas.

Notebook, computador, monitor LCD, Led Netbook, Tablet, MP3 e outras conotações do gênero tomam as manchetes dos jornais, já impressos em telas sensitivas. E é aí que se estabelece a confusão.

Cinema: Charlie Chaplin

“Mancha de tinta ou gordura, em todo caso mancha de vida.
Passar os dedos no rosto branco… não, na superfície branca.
Certos papéis são sensíveis, certos livros nos possuem.
Mas só o homem te compreende. Acostuma-te, beija-o.” Carlos Drummond de Andrade

Luzes da Cidade

Os calcanhares encostam-se desaforados. Aquiles, o herói, os mantinha escondidos. Porque o vagabundo não teme que sejam vistos assim? Chamam a atenção dos outros. E se o homem mais forte do mundo possuía os calcanhares fracos, imaginem o desastrado, infantil, tolo e débil ladrão de quentinhas da bengala imunda.

O passo frouxo, indecoroso e hesitante não deixa mentir. É mesmo um sujeito desprezível, pobre de alma e bens materiais. Pertence aos mendigos, vem do colo dos famintos, divide a trouxa e a cama com cachorros de rua. Não há um sorriso, um resquício de felicidade no rosto de lua atabalhoada, lua sem iluminação, nem minguante, minguada.

Literatura: Torquato Neto

“e deu-se que um dia eu o matei, por merecimento.
sou um homem desesperado andando à margem do rio parnaíba.” Torquato Neto

Soy loco por ti América

Muita gente não entende ainda que a canção “Cajuína” é uma homenagem do poeta Caetano Veloso a outro poeta, Torquato Neto, natural de Teresina, no Piauí, morto aos 28 anos, na capital Rio de Janeiro, um dia após aniversariar, por suicídio.

Poeta porque Caetano Veloso, em especial nessa música, exprime uma veia lírica e doída, dessas que sangram indolentemente.

Literatura: Carlos Drummond de Andrade

“se o poeta é um ressentido, e o mais são nuvens?” Carlos Drummond de Andrade

Literatura brasileira

Uma rosa aberta em plena guerra. Feia, no entanto ainda flor. No meio do caminho uma pedra. E o claro enigma no qual investiu-se o poeta. Mineiro de Itabira, Carlos Drummond de Andrade é comemorado hoje, data de seu aniversário, com exibição de filmes a partir das 18h na Livraria Mineiriana e sarau com a presença de escritores convidados a partir das 19h, com curadoria da poeta Thais Guimarães.

O evento criado no ano passado, com o nome de “Dia D”, pretende propagar os lírios e versos do poeta. Na parte da manhã, às 9h, a festa será no Museu das Minas e do Metal, onde também haverá exibição de filmes e leitura de poesias daquele considerado por especialistas “o maior de todos os poetas brasileiros”, dando continuidade ao festejo já iniciado no final de semana, com espetáculo teatral apresentado no Centro Cultural JK.

Literatura: O príncipe negro

“A alma escolhe sua companhia
E fecha a porta, depois.
Em sua augusta suficiência,
Cessam as intromissões.” Emily Dickinson

O Príncipe Negro Literatura

Como comemoração ao conto que havia escrito. Desci à cozinha, e quebrei um prato. Seguida, celebrei a vitória com o príncipe negro: Átila. Permita-me não recorrer à figura histórica. É que esse nome, para mim, diz respeito somente a meu conhecido íntimo, e essa é uma das benesses a que me dou o direito.

Um cachorro de personalidade felina: arredio e esnobe. Pouco se mexe quando alguém aproxima. Jamais balançou o rabo. Nega-se a dar a pata. Não se considera um animal da espécie, em suma consciência. As perguntas mais freqüentes que se faz, pois pouco (ou quase nada) se dirige aos outros, são: Qual o sentido da existência? Quando?

Literatura: Glória, Glória, Aleluia! – Você é o que você come (?)

“Os homens tem medo daqueles que personificam a vida que eles não viveram.” Oscar Wilde

Glória, Glória, Aleluia

Prodígio já nasceu chorando.
Não queria aquele nome.
Sua mãe, Glória prontamente o repreendeu.
E ele nunca mais chorou.
Quando completou um ano de idade pediu de presente uma mamadeira.
Recebeu um saboroso McLanche Feliz.
Aos 2 entrou na escola.
Seu melhor amigo era Nelson.
Fofocava com Guimarães.
Aos 3 quis ter um gato.
Ganhou um cachorro.
Queria chamá-lo Raul.
A mãe o chamou Jobim Tom.
Aos 4 chegou ao Exército.
E experimentou a liberdade.

Dia dos namorados: Par Perfeito (Literatura)

“Nunca eu tivera querido
dizer palavra tão louca:
bateu-me o vento na boca,
e depois no teu ouvido.
Levou somente a palavra,
deixou ficar o sentido.” Cecília Meireles

Dia dos namorados

Meu par perfeito, só para começar, precisa de muitos defeitos, no mínimo uns quatrocentos.

Meu par perfeito, em segundo lugar, há de brigar comigo, e se indignar, afinal se não notar os meus “poucos” defeitos, sinal de que não me vê direito.

Meu par perfeito, em terceiro lugar, precisa de várias manias, ter tiques de se irritar e blá blá blá, senão não me conquistará.

Literatura: Valsa para as estrelas

“mais vale ficar olhando para o céu do que morar aqui. Lugar mais vazio, mais vago! Nesta terra o trovão bate e tudo some.” Truman Capote

pintura Edgar Degas

Dançavam num salão celestial. Os pés eram carregados por pequeninas asas. As mãos sopravam de leve pela cintura, como a libélula toca na água. Os rostos se encontravam em narizes empinados e bocas amenas. Um intervalo condensado e eterno entre a proposição e o convite. Duas hesitações. Duas vidas em suspenso, executadas no sentido contrário aos ponteiros do relógio.

Quando acordou, lembrou-se de sua partida. Não acreditava que se fora. Aparecia com tanta realeza naquela noite. Movia-se e seus passos eram sentidos no assoalho. Sua presença era física. Não havia dúvidas.

Literatura: A Subversão da Ilegalidade

Discussão sobre a descriminalização da maconha

A Subversão da Ilegalidade

A boca seca e os velhos olhos vermelhos voltaram de vez?

Não, porque sempre estiveram aí. São mais antigos que a ressaca de Capitu e a discussão já solucionada por Clarice Lispector sobre quem veio primeiro, se o ovo ou a galinha.

As drogas quase sempre fizeram parte da história do homem. A origem da maconha data de 2723 a.C., segundo registros da Farmacopéia Chinesa, tendo chegado na Europa por volta do século XVIII, assim como no Brasil, de acordo com documentos referentes à época das Capitanias Hereditárias.Da mesma forma, as drogas também fizeram parte da vida e obra de artistas importantes e por vezes fundamentais na história da arte.

Teatro: Tennessee Williams

“Uma linha pode ser direita ou uma rua. Mas o coração de um ser humano?” Tennessee Williams

Dramaturgo norte-americano

Preencher uma página em branco como um quarto empesteado de algemas de vidro. Um menino solitário trancafiado emite o próprio ego em mugidos de desespero e rancor. Ambos sãos, sentimentos negros, pintados com o nanquim pegajoso e grudento de dias posteriores.

Papai não aceita a homossexualidade do filho, sem sequer suspeitar dos beijos e lânguidos desejos aspirados qual cocaína nas noites macias de colchão branco e revistas masculinas por sob o pijama listrado.