A Escolha de Sofia: Alguém tem que ceder

“A lua foi ao cinema,
passava um filme engraçado,
a história de uma estrela
que não tinha namorado.” Paulo Leminski

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A quatro meses das convenções partidárias, o PT vive em Minas Gerais situação parecida com a que seu rival histórico, o PSDB, vive no plano nacional. E o problema começou justamente quando integrantes do partido resolveram deixar a rivalidade de lado e uniram-se ao PSDB para levantar a bandeira branca de Márcio Lacerda, mais ou menos como se Cruzeiro e Atlético se unissem para torcer juntos pelo América.

Agora, a estrela vermelha está mais rachada do que nunca em Minas, e a briga é para ver quem consegue juntar mais pedaços, pois se uma estrela tem cinco pontas e a disputa está dividida em dois dentro do partido, a matemática prova que alguém há de sair perdendo.

Crítica: peça “Beije minha lápide” esmaece força do texto de Oscar Wilde

“É um absurdo nos dividirem em gente boa ou má. Somos apenas encantadores ou entediantes.” Oscar Wilde

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Numa definição clássica a linguagem é um fim em si para o texto literário, enquanto para o jornalístico serve como base à informação. Não significa que ambas não sejam nutridas por uma estética e, evidentemente, o conteúdo. No entanto, a arte, pela própria conotação, tem maior apreço pelo envelope, a forma, o invólucro. Ritmo, estrutura, vocabulário garantem, ou não, o impacto, que deve ser causado no jornalismo pelo fato em si. É este o pecado primeiro da montagem “Beije minha lápide”, com texto de Jô Bilac e direção de Bel Garcia, pois, ao se apropriar de passagens importantes da obra do dramaturgo, aforista e escritor britânico Oscar Wilde, elimina o contexto que lhes garantia o viço, mas essa originalidade, que por tal circunstância não seria lamentável, resulta numa leitura superficial, que tende para a demagogia e confere um tom entre o piegas e a piada.

É possível observar fenômeno parecido na internet. Clarice Lispector, Guimarães Rosa, Caio Fernando Abreu e muitos outros, por caminharem, como um Lupicínio Rodrigues da canção popular, na tênue linha entre o derramamento de autoajuda e a precisão acabam arrolados junto a Paulo Coelho quando as frases são pinçadas a bel prazer e lançadas à deriva. Da mesma maneira uma declaração de um político ou celebridade para um jornal, retirada do todo, e que, por estratégia publicitária, estampará a manchete, ganhará contornos mais ridículos e escandalosos. Neste cenário não há como Marco Nanini, ator de reconhecidos recursos, e que protagoniza a peça, escapar de soar inseguro, hesitante, melodramático, com atropelos nas falas que desmentem a dicção quase sempre perfeita apresentada em outros trabalhos. Com esse abacaxi nas mãos não há como produzir omelete. Cenário e iluminação não contribuem, e a trilha sonora é discreta.

Para onde vamos?

“O futuro, ai de mim, me é mais próximo que o instante já.” Clarice Lispector

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Da onde viemos? Por quê estamos? Para onde vamos? Essas perguntas filosóficas sempre angustiaram o homem. E é essa última em especial que vem sendo feita com maior freqüência nos últimos dias.

Após um relativamente curto período de crise que atingiu o Brasil, a dúvida é saber o que vem a seguir. A descoberta do pré-sal e o direito de sediar a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 terão papel decisivo na resposta dessa pergunta.

Liberdade e intolerância na internet

“Ele é um cidadão livre e seguro da Terra, pois está atado a uma corrente suficientemente longa para dar-lhe livre acesso a todos os espaços terrenos e, no entanto, longa apenas para que nada seja capaz de arrancá-lo dos limites da Terra. Mas é, ao mesmo tempo, também um cidadão livre e seguro do céu, uma vez que está igualmente atado a uma corrente celeste calculada de maneira semelhante. Assim, se quer descer à Terra, a coleira do céu o enforca; se quer subir ao céu, enforca-o a coleira da Terra. A despeito de tudo, tem todas as possibilidades e as sente, recusando-se mesmo a atribuir o que acontece a um erro cometido no primeiro ato de acorrentar.” Franz Kafka

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Sim, Chuck Berry fields forever, mas rock não é mais nosso tempo, como o ex-ministro e eterno tropicalista Gilberto Gil cantou. A rumba, o mambo, o samba e o rhythm ´n´blues são filhos de Xangô, mas e o pai do nosso virtual tempo? Será que já chegou? A internet, um dos suportes mais utilizados pelo virtual promove em certa escala uma inversão, na medida em que altera a relação entre produtor e consumidor, colocando-os numa disposição anárquica em referência à produção e escolha de conteúdo. Isso em parte, pois os filtros desses mecanismos ainda são controlados pelos mesmos, mas não apenas por eles, e essa é a grande novidade da internet, mais gente envolvida na produção e na recepção de conteúdo.

A internet não destrói os nichos geográficos e sociais construídos no território físico pelo homem, nem deixa de construir novos deles, posto que é notório que esse tal ser humano, em via de regra, sempre se sentiu mais confortável quando posto em contato com seu semelhante. O diferente tende a gerar um certo desconforto e desemboca algumas vezes pro que se costuma chamar de preconceito e discriminação. Assim sendo, têm-se uma coletividade individualista, ou um individualismo coletivo, gerado não pela internet, mas pelo homem desde que se viu como gente. É difícil determinar se a internet contribuiu para uma maior individualidade ou não, posto que estabelece-se um paradoxo a partir do momento que ela se propõe a e permite uma grande interação entre os agentes participantes, além de vasta diversidade de estética e conteúdo.

A Poesia de Arthur Rimbaud

“Você nunca varou/A Duvivier às 5/Nem levou um susto saindo do Val Improviso/Era quase meio-dia/No lado escuro da vida/(…) Nunca viu Allen Ginsberg/Pagando michê na Alaska/Nem Rimbaud pelas tantas/Negociando escravas brancas” Cazuza

Rimbaud

Trabalho do curso de jornalismo da PUC Minas. Áudio-documentário para a disciplina Produção e Edição em Áudio. Roteiro e narração: Raphael Vidigal. Leitura de poemas: Bernardo Biagioni e Pedro Castro. Trilha sonora e Edição: Mozahir Salomão. Entrevistados: Haroldo Marques – Professor de Filosofia; Euclides Guimarães, o Kika – Professor de Teorias Sociais Contemporâneas; Carolina Marinho – Professora de Semiótica; Ana Paula Braga – Aluna de Jornalismo; Lucas Ucá – Músico da Banda Ledjembergs. Ano: 2011.

O punhal das formigas

“Deixai entrar a Morte, a iluminada
A quem vem para mim, pra me levar
Abri todas as portas par em par
Como asas a bater em revoada” Antero de Quental

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O homem é o único animal capaz de tirar a própria vida. Capaz, portanto, de vencer o instinto de sobrevivência, ou de sair perdendo. Ao enfiar o pé no acelerador do carro contra o poste a faca encerra-se ainda mais na barriga cheia de remédios, e o nó já está pronto. Duas filhas. Por que trazê-las para este mundo? A vida e sua espera resignada dos fatos não suficientemente afasta a consciência da morte.

Ao entrar no veículo tinha dinheiro suficiente para se mudar de cidade. Abandonar a terra natal que lhe dera aspereza e sal e ir em busca destes colírios no mar. No interior de uma praia onde a areia desenha seu rosto com conchas ocas, lambaris que se escodem, pedrinhas e a bege cor do desânimo. Numa destas praias em que o herói de Albert Camus cometeu o assassinato por conta do sol e esperou paciente por uma sentença de morte. Quando a explosão ocorre a vida ainda pulsa em suas veias.

Político não carrega tijolo no país das reformas

“Ele é pequeno e quieto, a cor é preta
Desde a ponta da orelha ao rabo esguio;
Esgueira-se na mais estreita greta
E se equilibra no mais frágil fio.” T. S. Eliot

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A reforma política vem sendo discutida no Brasil desde o primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso, em 1995. Durante esses 15 anos que se passaram as mudanças ocorridas foram a implantação do direito à reeleição e a fidelidade partidária, que determina que o mandato pertence ao partido e não ao político.

As duas mudanças são interessantes, na medida em que o Brasil é um país onde tradicionalmente vota-se com maior freqüência na figura do que em quem a segura. Não é de hoje que a estrela de Lula brilha mais que a do PT.

Até que um quarto nos separe

“Sobrevivi à morte sucessiva das coisas do teu quarto.
Vi pela primeira vez a inútil simetria dos tapetes e o azul diluído
Azul-branco das paredes. E uma fissura de um verde anoitecido
Na moldura de prata. E nela o meu retrato adolescente e gasto.” Hilda Hilst

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Às 7 da manhã em ponto, o despertador em formato de relógio nas cores azul e cinza, com ponteiros costumeiramente pretos, toca o som de uma sirene aguda como a da ambulância quando em desespero para passar pelos carros na avenida tentando salvar mais uma vida.

Em tédio e desespero, o advogado Carlos Alberto desperta ao som de seu despertador-relógio e ouve na rádio o “Cotidiano” de Chico Buarque a lhe conformar.

Rádio preto velho da marca Phillips, maltratado pelo tempo e pelas vezes em que foi derrubado do criado-mudo castanho ao lado de sua cama, sem querer, num impulso de insônia e medo.

Rádio que ficou ligado a noite inteira, pois Carlos Alberto só dorme com ele acordado, e agora o desliga pois já está de pé.

O chocolate na cultura popular

“e por toda a calma latente e infinitamente doce,” Salvador Dalí

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Desde que se tem notícia do seu aparecimento ainda na era pré-colombiana dos países da América Central, o chocolate não serve apenas como alimento. Claro, a sua função principal é essa, até por ser difícil negar suas qualidades tão atrativas ao paladar. Mas é sobretudo por outros sentidos como visão, tato e olfato, que o chocolate atende a diversas intenções. Não por acaso está associado a celebrações como a Páscoa e o Dia dos Namorados. No universo da cultura popular é difícil uma arte que tenha escapado ao seu charme.

No cinema certamente a iniciativa mais marcante em relação ao tema é “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, de 1971, baseado no livro de Roald Dahl. O filme eternizou a figura excêntrica de Willy Wonka, vivido nesta versão por Gene Wilder e depois interpretado por Johnny Depp no longa-metragem lançado por Tim Burton em 2005. A ideia de um ambiente repleto e coberto por chocolate sensibilizou e encheu de água na boca a adultos e crianças. Outras duas obras marcantes são a mexicana “Como Água Para Chocolate”, de 1992, e “Chocolate”, com Juliette Binoche no papel principal, de 2000.

O sadomasoquismo no cinema

“Ah, as pessoas põem a ideia de pecado em sexo. Mas como é inocente e infantil esse pecado. (…) Sexo é o susto de uma criança.” Clarice Lispector

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A obra surrealista do espanhol naturalizado mexicano Luis Buñuel, e que por anos viveu na França, certamente recebeu influência do artista plástico Salvador Dalí. Mas também atuou de maneira assertiva sobre outros nomes. Por exemplo, o pernambucano Alceu Valença se vale do título de um dos filmes mais controversos de Buñuel para batizar uma popular canção. “La Belle de Jour” do compositor é transportada para a tropical praia de Boa Viagem, enquanto a película de Buñuel passa-se em dois campos distintos. O primeiro diz respeito a um frio interior francês, já o segundo, aparentemente na imaginação da protagonista, não economiza na temperatura. O tema do sadomasoquismo, além da conotação de tabu moral, servia para espezinhar a hipocrisia burguesa, o ideário religioso e a tênue linha entre prazer e dor. Não mudou muito até agora.

Nessa década de 2010, quem puxa a fila do assunto chega pela indústria como best-seller, produção americana com recorde de arrecadação no cinema, pontos que nos permitem notar, de cara, o diferencial entre as duas obras. “50 Tons de Cinza” é também baseada em livro, o que parece ser a única ligação com “A Bela da Tarde”, de Buñuel e que tem Catherine Deneuve no papel principal, tirada das páginas de Joseph Kessel. Além de preocupações estéticas, a intenção provocativa, e o habitual misto entre delírio e realidade, justamente por essas características Buñuel ergue com unhas e dentes a bandeira da reflexão, o que lhe impede concessões à rápida assimilação mercadológica. E. L. James, ao contrário, é um produto de mercado feito para o mercado. Está intrinsicamente ligada a ele. Se Buñuel criticava o moralismo, o folhetim contemporâneo só o reforça.