Caderno H2O – 08/07/2016

“Continuo achando graça nas coisas, gostando cada vez mais das pessoas, curiosa sobre tudo, imune ao vinagre, às amarguras, aos rancores.” Zélia Gattai

Deboche

Bicicletas
O deboche
Vem pedalando a bicicleta
Com óculos arredondados
De aros azuis
Puxa a manilha aos dentes.

O deboche
No – jor-na-lis-mo
é uma Qualidade Crítica.

QUE AINDA ACREDITA EM INDEPENDÊNCIA
SOU DE UMA GERAÇÃO
POIS QUE A AR
TE
IMITA TUDO

quanto ao jor-na-lis-mo,
ocupa papel de platéia
em minhas prioridades,
com sua relativa importância,
onde quem sobe ao palco?

É a Arte!

Caderno H2O – 01/07/2016

“Oh, senhor, sabe muito bem que a vida é cheia de infinitos absurdos, os quais, descaradamente, nem ao menos têm necessidade de parecer verossímeis. E sabe por que, senhor? Porque esses absurdos são verdadeiros.” Luigi Pirandello

bocadoinferno

Boca do Inferno
o céu da boca tem estrelas, lua e aftas,
o céu da boca espia para baixo
e vê um lindo prado,
montanhas e a faringite,
o céu da boca é algo muito afastado, e tão perto,
que nem deus sabe se é feito
de teto, de palha, fumaça,
é um estado periférico.

o céu da boca ás vezes é forma concreta
ás vezes é só soneto.
o céu da boca em alguns mete medo,
noutros pede clemência.

o céu da boca é entre o azul e o vermelho,
é algo assim, amarelo.

Crítica: “Bipolar Show” atesta irreverência criativa de Michel Melamed

“Mergulha, sem limites, no espanto e na estupefação; deste modo podes ser sem limites, assim podes ser infinitamente.” Eugène Ionesco

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Não deixa de ser elucidativo que no primeiro trabalho a dar dimensão nacional a Michel Melamed, o espetáculo “Regurgitofagia”, o ator recebesse descargas elétricas vindas da plateia. Assim o múltiplo artista transforma pensamentos elaborados em linguagens abusivas e escrachadas. Desde então, soube dar a esse processo as mais diversas formas, com trânsito por diferentes veículos e o mérito de sempre usar o suporte a favor do conteúdo. Melamed tem como intrínseca característica em seus projetos aliar ao máximo possível certo aspecto escandaloso, de imediata assimilação, sem com isto diluir a complexidade do que propõe. Em “Bipolar Show”, apresentado no Canal Brasil e que estreia sua segunda temporada, toda terça às 21h30, não é diferente. Michel mantém intactas as bases de seu estilo, dentre elas, a livre diversidade.

Caderno H2O – 17/06/2016

“As dádivas dos anjos são inaproveitáveis:
Os anjos não compreendem os homens.” Manuel Bandeira

Evolução1

Evolução da espécie
Agora eu entendo,
Quando olho no olho de um cachorro,
No compasso, na orelha, no rabinho abanando, na baba, na língua,
Toda aquela pureza,
De que você me falava e eu não via.
Agora eu entendo,
Que o cachorro é um bicho,
Sinto um troço, esquisito,
Pois sou bicho também,
Mas pareço um anfíbio.

Quando olho no olho de um cachorro,

Caderno H2O – 27/05/2016

“O mundo está cheio de coisas engraçadas; quem se quiser distrair não precisa ir à Pasárgada do Bandeira, nem à minha Ilha do Nanja; não precisa sair de sua cidade, talvez nem da sua rua, nem da sua pessoa! (Somos engraçadíssimos, também, com tantas dúvidas, audácias, temores, ignorância, convicções…).” Cecília Meireles

Poema 4-1

Três tigres tristes
Há um romântico em cada um de nós.
Há um dramático.
E também um cômico.
Com freqüência o cômico passa a perna no romântico,
Que se estabaca no chão.
Ao que o dramático chora em cântaros.
Nesta hora o cômico lhe oferece um lenço.
O dramático enxuga o pranto,
Enquanto o romântico colhe flores.
Mal desconfiam os dois que do lenço sairá uma pomba,
E das enormes e amarelas flores um esguicho d’água.

Crítica: programa “Saia Justa” vai do humor à convenção

“Eu sei que estão todos me vendo. Tem muitos que até esperam de mim, me esperam, homens e mulheres me desejam mesmo sem saber. Eu invento tudo, absoluta.” Ana Cristina Cesar

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O formato é antigo, e a atração também. No ar desde 2002 no canal pago GNT, o programa “Saia Justa” se valeu da fórmula das tradicionais mesas-redondas esportivas para colocar em seu sofá quatro mulheres discutindo os assuntos que lhes parecessem pertinentes, o que já configura, em si, uma importante colaboração e mudança na tentativa de reavaliar os costumes da nossa televisão e, por conseguinte, da sociedade que a assiste. Se ao longo dos anos contou em seu time como nomes como Rita Lee, Fernanda Young, Marisa Orth, Betty Lago, Marina Lima, Mônica Waldvogel e Luana Piovani, hoje quem tenta dar conta do recado é a apresentadora Astrid Fontenelle, as atrizes Maria Ribeiro e Mônica Martelli e a jornalista Barbara Gancia, no que alcançam êxito na maioria das vezes. Permanece, portanto, a tentativa de estabelecer um perfil diversificado entre as participantes, o que é verdade só até certo ponto.

Crítica: “Transando com Laerte” debate os temas mais relevantes da atualidade

“É preciso ir além da moral!” Eugène Ionesco

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Laerte é sinônimo de liberdade. Sempre foi, desde que começou a publicar seus quadrinhos e cartuns na década de 1970, e confirmou com veemência essa característica ao assumir a transexualidade. Mais do que liberdade, passou a ser sinônimo de libertação. Com contribuições pontuais para a televisão, sempre no gênero de humor e sempre como roteirista, como nos casos da “TV Pirata” e do “Sai de Baixo”, ganhou em 2015 a oportunidade dada pelo Canal Brasil, emissora a cabo vinculada à TV Globo, de apresentar seu próprio programa. “Transando com Laerte”, que vai ao ar na madrugada de terças-feiras a partir da meia noite, estabelece temas e recebe convidados que debatem acerca dos acontecimentos mais relevantes da atualidade com a, agora, apresentadora.