10 sucessos da música infantil brasileira

“As Nações já tinham casa, máquina de fazer pano,
de fazer enxada, fuzil etc.
Foi uma criançada mexeu na tampa do vento
Isso que destelhou as Nações” Manoel de Barros

O universo infantil deu vários sucessos para a música brasileira

A música que versa sobre o universo infantil nem sempre é só para crianças, embora tenda a atendê-las. Ou seja, talvez, para a criança que teima em existir em cada um de nós. Afinal tudo na vida é feito para se ter alegria, voltar a brincar com a leveza e plenitude dos primeiros anos. Com essa intenção, muitos dos nossos cantores e compositores cravaram verdadeiros sucessos da música infantil brasileira no nosso imaginário popular, desde a década de 1940, passando pelos anos 1950, 1960 e assim por diante até os anos 2000. Com múltiplas abordagens, reafirmando o caráter diversificado da nação, passeamos ao sabor de Braguinha, Carequinha, Mamonas Assassinas, Os Trapalhões, Zacarias, Jô Soares, Adriana Partimpim e relembramos a infância.

Análise: A relação estreita entre a política e a caricatura

“É uma imagem verdadeira, nascida de um espetáculo falso.” Jean Genet

Política nacional por Renato Aroeira

Para o político não há consagração maior do que tornar-se charge. Significa que o seu rosto é conhecido, e digno de nota. Muitos preferirão, neste caso, a morte à vida, pois é quando serão transformados em pontes, avenidas, ruas, teatros, arenas, estádios, com os devidos nomes cravados na língua e nos dentes dos cidadãos.  Já o artista costuma-se virar melhor como nome de gato, peixe, cachorro e outros animais mais simpáticos e estimáveis. No sentido em que é possível estimá-los. São animais de estimação. Não raro encontra-se uma cadela Frida e um gato Picasso. Mas é curiosa, para não dizer hilária, a íntima e estreita relação estabelecida através dos anos entre a política e a caricatura. Ofício que hoje em dia adquiriu traços realmente físicos e desenháveis já foi naqueles tempos de outrora função decorrente da sátira, daqueles que versavam em praça pública para debochar dos de toga, como é o caso conhecidíssimo de Gregório de Matos, aclamado como a Boca do Inferno.

Artigo: Por que só agora, Lula?

“Demonstrar-lhe que, para a vida, se nasce de tantos modos, de tantas formas… Árvore ou pedra, água ou borboleta… ou mulher… E que se nasce também personagem!” Luigi Pirandello

Lula é investigado pela Lava Jato

Uma das poucas coisas que se aprende com o jornalismo é que versões oficiais dificilmente interessam, pela natureza de seu caráter que as impede de alguma sinceridade para além das aparências. Logo, é preciso ser auspicioso e perspicaz a fim de estimar o que brasões e espelhos escondem. Noutras: quais interesses movem os envolvidos? Para investigar e planejar a derrubada de figuras poderosas é imperioso contar com o apoio e suporte de outras tão ou mais poderosas do que ela. Isso diz a história, as peças de Shakespeare e alguns filmes de Rossellini. Trocando em miúdos, não haveria o golpe militar de 1964 ou a eleição de Collor sem certo respaldo importante, global, robusto. Maquiavel diz que um príncipe não deve formar “exército de mercenários”, pois poder e dinheiro mudam de mãos, e aquelas que foram beijadas tendem a ser dispensadas com o escárnio e escarro citados pelo poeta Augusto dos Anjos.

As diferenças do humor na internet e na televisão

“As lágrimas do mundo têm uma constância imutável. Assim que um acaba de chorar, em algum outro lugar outro começa. É a mesma coisa com a risada. Portanto, não vamos falar mal de nossa época; ela não é pior que as anteriores. Mas também não vamos falar bem dela. Não vamos falar nada.” Samuel Beckett

Programas de humor proliferam na internet

Nas últimas semanas Marcelo Adnet e Fábio Porchat estrearam programas de entrevista e – vá lá, – variedades na televisão. Júlia Rabello estreou atração que se pretende misto entre realidade e ficção. Já no caso de João Gordo foi uma reestreia, de volta à condição de entrevistador em rede televisiva, ele que, nos últimos anos, além de um programa de rádio, seguia comandando o modelo, porém na internet. Tatá Werneck, também humorista, teve tal experiência ao lado de Porchat, sob o simbólico título de “Tudo Pela Audiência”, em que o motivo do deboche era o próprio veículo. Afinal de contas, com toda a ascensão da internet a TV ainda atrai mais espectadores, ao menos em números brutos. Mas eles nem sempre fornecem toda a verdade.

Análise: 80 anos de Rolando Boldrin, herói da memória nacional

“Êta país tão sinfônico
Que é da América, da América do Sul
Êta país biotônico
Que é do Jeca, do Jeca-Tatu” Rolando Boldrin

Rolando Boldrin apresenta o programa "Sr. Brasil"

Rolando Boldrin desmente duas máximas, uma brechtiana e outra tupiniquim. Pela ordem: “Infeliz a nação que precisa de heróis”; e “O Brasil é um país sem memória”. Rolando é o herói da memória nacional. Fácil provar a hipérbole. Contra a invasão de sertanejos pop, ele mantém, há mais de década no ar, pela valente TV Cultura, um programa de música caipira, não só na vestimenta, no sotaque, como, sobretudo, no espírito, na reverência aos ensinamentos dos simples, ao aprendizado empírico daqueles que creem acima de tudo “nos seus cinco sentidos, o testemunho os leve para onde for geralmente eles não têm medo”, para citar, desta vez com razão, mais uma frase do dramaturgo alemão Bertolt Brecht. Isto tudo porque Rolando não faz mais do que dar vazão e espaço a uma terra e, principalmente, a uma gente que ele conhece bem. Neste caso, tecer loas à tradição é provavelmente a maior ousadia de Boldrin.

Análise: 80 anos de Moacyr Franco, do riso ao choro

“Ainda ontem chorei de saudade…
Relendo a carta e sentindo o perfume…
O que fazer com essa dor que me invade?
Mato esse amor ou me mata o ciúme…” Moacyr Franco

O cantor, humorista e autor Moacyr Franco

“Saio da montanha, mas a montanha não sai de mim” é um ditado inventado que poderia facilmente ser atribuído a Moacyr Franco. Embora tenha deixado Ituiutaba, no interior das Minas Gerais, há uns bons tempos, o artista jamais se furtou de carregar certo semblante típico dessas paragens. E isto para quem se especializou em desenvolver mais de uma atividade artística, como se todas formassem os “cinco dedos da mesma mão”, parodiando Jô Soares. Franco surgiu como ator, explodiu como cantor, assentou a carreira de compositor, arriscou-se na apresentação e traçou até passos sérios, como político filiado a diversos partidos. Para as duas condições que mais exercitou, entre a música e a dramaturgia, alcançou sucesso através de características díspares, sendo motivo de riso numa e oferecendo sensações para o choro noutra. Pura arte. Moacyr é contemporâneo da época de ouro do rádio no Brasil, e certamente influenciado por essa vertente levou os ensinamentos aprendidos tanto para a televisão quanto a música. Discípulo do bordão, da marca, da canção narrada.

3 músicas brasileiras para as Olimpíadas

“O homem
É o único animal que joga no bicho.” Murilo Mendes

Moreira, Elis e Trio Irakitan cantam músicas olímpicas

De quatro em quatro anos o mundo volta os olhos para mais um ciclo olímpico, a mais antiga e tradicional disputa envolvendo diversas modalidades esportivas. Em 2016, pela primeira vez na história as Olimpíadas são disputadas no Brasil, com sede na cidade do Rio de Janeiro. Com bom humor e muito ritmo, unindo a inventividade brasileira à sua típica diversidade, elaboramos uma lista com 3 músicas nacionais apropriadas para essas Olimpíadas, pelos mais variados motivos, mas sempre levando em conta alguma alusão, mesmo que simbólica, aos esportes. Abram alas para desfilarem as vozes de Elis Regina, Moreira da Silva, Trio Irakitan e seus respectivos compositores, por certo haverá medalha de ouro, prata e bronze.

O momento olímpico e político do Brasil

“Falávamos em índios, e ela me perguntou se era verdade que eles andavam completamente nus, mesmo em plena cidade, em meio aos civilizados. Disse-lhe que sim, acrescentando que no Brasil era comum os próprios civilizados andarem nus – os pobres por falta de roupa, os ricos por excesso de calor. A inglesinha fez uns olhos enormes e ficou absolutamente deslumbrada.” Fernando Sabino

Seleção Brasileira de Futebol Feminino celebra em ritmo de descontração

Em suma, a abertura olímpica, que é festa e é celebração, atendeu ao aspecto dionisíaco e antropofágico do país. O interino não recebeu mais vaias porque não lhe deram tempo nem para recitar um haicai do próprio punho. Interessante notar que nenhuma delegação exibiu tamanha diversidade de fisionomias quanto a brasileira, nem mesmo a potência norte-americana, ressaltando o atributo da miscigenação como a característica fundamental do Brasil. Até o momento o melhor golpe foi o desferido por Rafaela Silva, que conquistou o primeiro ouro brasileiro em 2016. Duro golpe é o que vem recebendo também a presidenta afastada Dilma Rousseff, agora no Senado.

3 quadros de humor sobre o futebol no Brasil

“Se eu não fosse otimista já teria me naturalizado dinamarquês.” João Saldanha

3 quadros de humor sobre o futebol brasileiro

Há, pelo menos, duas formas de arte bem populares no Brasil: uma é o riso, a outra é o drible. Juntas concederam ao público uma mistura capaz de gerar alegria e entusiasmo, crítica e reverência aos nossos craques. Em épocas distintas nossos humoristas optaram, invariavelmente, pela paródia, que aqui veremos representada em três exemplos, o primeiro fornecido pelo mestre de todos eles, vindo do interior do Ceará, o icônico Chico Anysio. Em seguida, pertencente à trupe “Casseta & Planeta”, mas com destaque próprio, toda a irreverência de Bussunda. E mais recentemente um quadro protagonizado pelo coletivo “Porta dos Fundos”, em que a atenção se volta para o gesto da torcida.

3 imagens marcantes sobre o futebol brasileiro

“Em futebol, o pior cego é o que só vê a bola.” Nelson Rodrigues

portinari - futebol

Não é de hoje que a expressão “pintura” juntou-se ao esporte mais popular do país. Assim como “gol de placa” que, dizem, teria surgido de mais um lance genial do atleta do século, Pelé, ao anotar tento consagrado com a devida homenagem. Por essas também, e, sobretudo pelo drible, artifício capaz de desconcertar o adversário e provocar êxtase na torcida, o futebol é considerado e aclamado em sua plasticidade, donde se extraíram inovações como a “folha seca”, o “drible da vaca”, o “elástico”, a “caneta”, além das defesas de mão trocada e tantas outras praticadas por aqueles que evitam o momento maior do futebol, de maior alegria, o gol. Assim, o futebol provocou e inspirou imagens marcantes capturadas pelas lentes fotográficas, mas, também por artistas do traço, da pintura, que apresentamos agora com suas peculiares visões do jogo.

Futebol em Brodósqui (pintura, 1935) – Cândido Portinari
Cândido Portinari, um dos mais talentosos e respeitados pintores brasileiros de todos os tempos, no Brasil e no exterior, reverenciado por alguns modernistas, concebeu, em 1935, o quadro “Futebol em Brodósqui”, pintura que remete à infância do artista na cidade do interior onde nasceu e reserva à atividade o espírito lúdico de sua descoberta e dos primeiros anos. Com os traços habituais e característicos do pintor, retrata-se o conhecido futebol de várzea, em que a precariedade de recursos é substituída pela invenção e criatividade. É em meio a vacas, próximas de paus, pedras e cemitérios, que as crianças brasileiras de Portinari improvisam o jogo de expressivo apelo popular cultural.