PSY – US$ 8 milhões ao Youtube

“talvez o que divide o mundo não seja a política, mas a cama” Quino

PSY

Dentre tantas coreografias grotescas porque uma, especialmente, sobressai-se sobre as outras? Não cabe discutir a letra, afinal quase ninguém entende o que quer dizer o alarido inusitado de PSY. Autor e propagador do hit “Gangnam Style” em escala mundial, o sul-coreano rendeu ao Youtube, até agora, a exata quantia de US$ 8 milhões em publicidade.

Para ficar de queixo caído, não é mesmo? O visual extravagante, o contraste dos óculos pretos com o terno simetricamente azul, e o descabido de uma alegria infundada daquelas podem explicar o sucesso? Talvez. Mas não é o suficiente. Afinal, personagens aparecidos do mais absurdo dos mundos, por incrível que pareça, o nosso, existem milhões.

Latino quer provar ser compositor e prepara disco autoral

“Um autor, primeiro, é assunto. Mas a glória, mesmo, é quando ele vira falta de assunto.” Mario Quintana

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Há, para toda sorte de “aproveitadores”, uma recepção específica. O cantor Latino, que agora se sai com essa de lançar “disco autoral”, é peça figurativa, quase caricatural, no cenário da música pop brasileira. O nicho pelo qual caminha está bem traçado. É um produto massivo da indústria, até outro tempo, altamente lucrativa. O que revigora a permanência do cantor nesse meio de reciclagem, provavelmente, é o ridículo dos gestos.

Existe sempre algo de cômico em Latino, o que espanta a antipatia e lhe denota aquilo que chamamos “carisma”. Tal característica é inegável em sua personagem, assim como a baixíssima qualidade do repertório, se o olharmos do ponto estritamente artístico, cultural, de estilo. É, no entanto, sucesso de entretenimento. As recentes patacoadas protagonizadas, como a expulsão do Youtube e o “roubo” da música de Psy, alicerçam os argumentos.

Peça Meu Tio É… Tia! – Crítica Teatral

“escancaro os tabus, mas não revelo os mistérios.” Rita Lee

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A peça “Meu Tio é… Tia!”, há nove anos em cartaz na capital mineira, chega ao palco do Palácio das Artes por conta da39ª Campanha de Popularização do Teatro e da Dança. O descuido com a parte técnica, como evidentes chiados e falhas no microfone dos atores, deixa transparecer o desdém com o “santo de casa”, ou, em outras palavras, a crença de que “a grama do vizinho é sempre mais verde”.

O que não livra o espetáculo de críticas contumazes. Há, obviamente, embora sem creditar a “homenagem”, uma transposição do enredo de “A Gaiola das Loucas”, originalmente francesa, para a realidade regionalista. Várias piadas aprecem adaptadas a clichês e locais de Belo Horizonte. Outro artifício usado é recorrer a expressões “hit” na web e na TV. As novelas da Rede Globo servem de esteio e aparador.

Humor: Jorge & Mateus – O Que É Que Tem?

“Já que não conseguimos amar-nos uns aos outros, por que não tentamos amar-nos outros aos uns?” Quino

Jorge e Mateus-O Que É Que Tem?

Dizer que o estilo autodenominado sertanejo (em alguns casos, universitário) colocou Goiás no mapa da popular canção brasileira, soa injusto. É inegável a quantidade de duplas estridentes, com refrões amargos, a emanarem da região. No entanto, é bom um exercício histórico.

Muito antes de Jorge & Mateus, surgira Zezé di Camargo & Luciano. E ainda antes deles, em tempos, hoje, remotos, despontou por aquelas bandas, com o preconceito da intelectualidade contra a cara, um tal Odair José, a cantar pílulas anticoncepcionais, prostitutas e empregadas.

Humor: A Grande Família

“O poema é uma bola de cristal. Se apenas enxergares nele o teu nariz, não culpes o mágico.” Mario Quintana

A Grande Família

O seriado “A Grande Família” completa 40 anos da primeira exibição, em 1972, quando a trama escrita por um time de redatores, que ia de Max Nunes a Paulo Pontes, passando por Oduvaldo Viana Filho (o Vianinha) e Armando Costa, invadiu os televisores nacionais. Com direção de Milton Gonçalves, no primeiro ano, e Paulo Afonso Grisolli, nos seguintes, a atração contou com bela recepção do público, e permaneceu ocupando a grade até 1975.

Os personagens eram os mesmos. Centrada na família Silva, a série descortinava a rotina de Lineu, Nenê, Tuco, Bebel, Seu Flor, Agostinho e Júnior, o único filho do casal suprimido na mais recente versão (em virtude do viés político que tornou o personagem anacrônico com o passar do tempo). Esta iniciou-se em 2001, e trouxe como novidade, claro, a mudança dos atores. Porém a qualidade do elenco manteve-se intacta, inegável trunfo capaz de seduzir crianças, jovens e adultos de variadas idades.

Entrevista: Ziraldo

“Pintor, se queres assegurar
um lugar predominante
na Sociedade, é preciso que,
desde tua primeira juventude,
dês um terrível pontapé
na perna direita dela.” Salvador Dalí

Menino Maluquinho

Do porte de seus 80 anos, o cartunista, chargista, escritor, jornalista Ziraldo, para ficar no básico, é um moleque atrevido, maluquinho, menino. Obediente à sua própria escrita, afirma: “Tudo na vida tem limite, isso de ‘perder o amigo mas não a piada é, em si, uma piada. Ninguém é sozinho na vida. É preciso ter coragem para dizer as verdades e aguentar as consequências.”

E dá um pitaco a respeito do humor vigiado, politicamente correto, que nos espreita à vontade: “Na época do Pasquim criamos várias charges sobre a tragédia que se transformou no filme, aliás, belíssimo, ‘Os Sobreviventes dos Andes’, e o Quino, muito meu amigo, inventor da Mafalda, disse que era um absurdo fazer graça com aquilo, ao que eu retruquei que cada um tem o seu próprio absurdo, o humor tem um limite peculiar”, reflete.

Humor: Paula Fernandes

“Mas por sorte nos urbanizaram sem pavimentar nossa naturalidade.” Quino

cantora de sertanejo universitário

Paula Fernandes estourou nacionalmente depois de convidada a cantar em especial da Rede Globo com o Rei Roberto Carlos. No entanto, a mineira de Sete Lagoas já trilhava passos no chamado circuito universitário da música sertaneja.

Música esta, que em minha opinião, utiliza-se das vestimentas e de alguns clichês do verdadeiro universo caipira para espalhar canções românticas e com forte apelo popular de rádio e televisão: ou seja, objeto industrial, de fábrica, conceituado segundo os preceitos de venda do mercado.

Humor: Luan Santana

“Meio mundo gosta de cachorro e até hoje ninguém sabe o que quer dizer AU AU” Quino

Sertanejo Universitário

Não dedicarei mais do que seis parágrafos a esse assunto. E olha que são muitos. Quando me pediram para escrever sobre o sucesso do portentoso rapaz não resisti à tentação de fazê-lo através do humor. Afinal levar a sério certas abobrinhas é como misturar salada com o molho indevido.

Sério é sim a influência maléfica que determinadas imposições podem gerar sobre a cultura de alguns países. Disto darei conta mais tarde. A priori quero falar da estupenda interpretação de Luan Santana, como quem mastiga pedras enquanto, hmm hmm, engasguei, canta.

Humor: Avenida Brasil

“Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.” Augusto dos Anjos

Nina e Carminha

Viajei para o interior de Minas Gerais e constatei que Débora Falabella mantém o mesmo sotaque dos tempos em que ainda morava em Belo Horizonte. Esta mania de comer as letras finais e primeiras, deixando só o sumo do interesse entre dentes é patrimônio histórico desta terra.

Na pele da malvada / boazinha Nina, a menina de boneca de pano numa das mãos e faca afiada na outra protagonizou ao lado de Adriana Esteves uma das cenas mais comentadas nos últimos dias. Digo isto pois peguei um ônibus da capital para a cidadezinha interiorana e afirmo: tudo que supera as grades e porteiras da periferia homérica é digno de nota.

Humor: As Empreguetes

“A única coisa que eu sei é que os passarinhos não precisam de escada para subir em nenhum lugar!” Quino

Perguntaram-me o que achava do clipe que só anda rolando (pois proibido nos outros) site da Rede Globo, verdadeira febre sem carnaval, fora de época.  Pois o susto foi grande quando lhes confrontei meu desconhecimento. Facilmente não sou um jornalista bem informado desse país.

Apesar do ledo engano à primeira vista, decidi satisfazer o meu gosto e provar do bolo já raspado por incensados dedos e tatos (e línguas até). Procurei pelo novo fenômeno da teledramaturgia musical brasileira e em poucos minutos estava de frente àquele que me revelaria.