Perlla lança Teaser de Disco Gospel

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A cantora paraguaia Perla, que aportou no Brasil com 20 anos, no início da década de 70, já não era lá uma novidade em termos de estética ou arranjo. Entre os maiores êxitos da carreira, está a infinita quantidade de discos de ouro, platina e prata, acumulados graças a versões de clássicos estrangeiros. Ou seja, originalidade nunca foi exatamente o forte da primeira Perla.

A Perlla seguinte, que adequou o nome ao acrescentar outra letra, faz coro ao excessivo e inflado mercado de celebridades descartáveis. Assim como na antecessora, os modos, as vestes, o canto, soam exagerados, exaustivos, mera reprodução do que existe em abundância. Falta o mínimo de contenção, tempo, pausa. De certa maneira, traduzem a vida moderna.

Munhoz & Mariano – Camaro Amarelo Na Prova da UnB

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Em meio a suspeitas e confirmações de fraude em universidades particulares de todo o Brasil, a UnB – federal de Brasília, saiu-se com uma maior. Incluiu o hit da dupla Munhoz & Mariano, “Camaro Amarelo”, na primeira etapa do PAS (Programa de Avaliação Seriada), alternativa ao modelo único de vestibular. A medida, além de causar estupefação, acendeu outras questões.

É nítida a distância que o mundo acadêmico, em especial das universidades públicas, mantém da população, do que é tido como uma vida prática mais banal e intransigente. Essa notícia, portanto, vai de encontro a certo anseio de aproximação entre o universo da teoria e o que de fato aflige a atual geração. Indiferentemente a preconceitos e gostos.

Beyoncé – Playback na posse de Obama?

“O vocábulo se desprende
Em longas espirais de aço
Entre nós dois.
Ajustemos a mordaça
Porque no tempo presente
Além da carícia, é a farsa
Aquela que se insinua.” Hilda Hilst

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A desconfiança sobre a apresentação da cantora Beyoncé na posse do presidente norte-americano Barack Obama, segue rendendo discussão. O boato surgiu quando algumas mídias cravaram a utilização do recurso do playback, ou seja, música ao fundo com o artista dublando a si mesmo. Seja como for, parece-me escapar das principais manchetes o fator relevante.

Outros já se insurgiram, defendendo a pop star através de “especialistas do ramo” que, por inúmeras detecções repelem a suposta “farsa” de Beyoncé. Pois o playback começou a ser utilizado, em larga escala, na década de 80, quando os programas de auditório e shows para massas em estádios de futebol lotados garantiram cada vez mais numerários aos empresários do ramo.

PSY – US$ 8 milhões ao Youtube

“talvez o que divide o mundo não seja a política, mas a cama” Quino

PSY

Dentre tantas coreografias grotescas porque uma, especialmente, sobressai-se sobre as outras? Não cabe discutir a letra, afinal quase ninguém entende o que quer dizer o alarido inusitado de PSY. Autor e propagador do hit “Gangnam Style” em escala mundial, o sul-coreano rendeu ao Youtube, até agora, a exata quantia de US$ 8 milhões em publicidade.

Para ficar de queixo caído, não é mesmo? O visual extravagante, o contraste dos óculos pretos com o terno simetricamente azul, e o descabido de uma alegria infundada daquelas podem explicar o sucesso? Talvez. Mas não é o suficiente. Afinal, personagens aparecidos do mais absurdo dos mundos, por incrível que pareça, o nosso, existem milhões.

Latino quer provar ser compositor e prepara disco autoral

“Um autor, primeiro, é assunto. Mas a glória, mesmo, é quando ele vira falta de assunto.” Mario Quintana

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Há, para toda sorte de “aproveitadores”, uma recepção específica. O cantor Latino, que agora se sai com essa de lançar “disco autoral”, é peça figurativa, quase caricatural, no cenário da música pop brasileira. O nicho pelo qual caminha está bem traçado. É um produto massivo da indústria, até outro tempo, altamente lucrativa. O que revigora a permanência do cantor nesse meio de reciclagem, provavelmente, é o ridículo dos gestos.

Existe sempre algo de cômico em Latino, o que espanta a antipatia e lhe denota aquilo que chamamos “carisma”. Tal característica é inegável em sua personagem, assim como a baixíssima qualidade do repertório, se o olharmos do ponto estritamente artístico, cultural, de estilo. É, no entanto, sucesso de entretenimento. As recentes patacoadas protagonizadas, como a expulsão do Youtube e o “roubo” da música de Psy, alicerçam os argumentos.

Peça Meu Tio É… Tia! – Crítica Teatral

“escancaro os tabus, mas não revelo os mistérios.” Rita Lee

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A peça “Meu Tio é… Tia!”, há nove anos em cartaz na capital mineira, chega ao palco do Palácio das Artes por conta da39ª Campanha de Popularização do Teatro e da Dança. O descuido com a parte técnica, como evidentes chiados e falhas no microfone dos atores, deixa transparecer o desdém com o “santo de casa”, ou, em outras palavras, a crença de que “a grama do vizinho é sempre mais verde”.

O que não livra o espetáculo de críticas contumazes. Há, obviamente, embora sem creditar a “homenagem”, uma transposição do enredo de “A Gaiola das Loucas”, originalmente francesa, para a realidade regionalista. Várias piadas aprecem adaptadas a clichês e locais de Belo Horizonte. Outro artifício usado é recorrer a expressões “hit” na web e na TV. As novelas da Rede Globo servem de esteio e aparador.

Humor: Jorge & Mateus – O Que É Que Tem?

“Já que não conseguimos amar-nos uns aos outros, por que não tentamos amar-nos outros aos uns?” Quino

Jorge e Mateus-O Que É Que Tem?

Dizer que o estilo autodenominado sertanejo (em alguns casos, universitário) colocou Goiás no mapa da popular canção brasileira, soa injusto. É inegável a quantidade de duplas estridentes, com refrões amargos, a emanarem da região. No entanto, é bom um exercício histórico.

Muito antes de Jorge & Mateus, surgira Zezé di Camargo & Luciano. E ainda antes deles, em tempos, hoje, remotos, despontou por aquelas bandas, com o preconceito da intelectualidade contra a cara, um tal Odair José, a cantar pílulas anticoncepcionais, prostitutas e empregadas.

Humor: A Grande Família

“O poema é uma bola de cristal. Se apenas enxergares nele o teu nariz, não culpes o mágico.” Mario Quintana

A Grande Família

O seriado “A Grande Família” completa 40 anos da primeira exibição, em 1972, quando a trama escrita por um time de redatores, que ia de Max Nunes a Paulo Pontes, passando por Oduvaldo Viana Filho (o Vianinha) e Armando Costa, invadiu os televisores nacionais. Com direção de Milton Gonçalves, no primeiro ano, e Paulo Afonso Grisolli, nos seguintes, a atração contou com bela recepção do público, e permaneceu ocupando a grade até 1975.

Os personagens eram os mesmos. Centrada na família Silva, a série descortinava a rotina de Lineu, Nenê, Tuco, Bebel, Seu Flor, Agostinho e Júnior, o único filho do casal suprimido na mais recente versão (em virtude do viés político que tornou o personagem anacrônico com o passar do tempo). Esta iniciou-se em 2001, e trouxe como novidade, claro, a mudança dos atores. Porém a qualidade do elenco manteve-se intacta, inegável trunfo capaz de seduzir crianças, jovens e adultos de variadas idades.

Entrevista: Ziraldo

“Pintor, se queres assegurar
um lugar predominante
na Sociedade, é preciso que,
desde tua primeira juventude,
dês um terrível pontapé
na perna direita dela.” Salvador Dalí

Menino Maluquinho

Do porte de seus 80 anos, o cartunista, chargista, escritor, jornalista Ziraldo, para ficar no básico, é um moleque atrevido, maluquinho, menino. Obediente à sua própria escrita, afirma: “Tudo na vida tem limite, isso de ‘perder o amigo mas não a piada é, em si, uma piada. Ninguém é sozinho na vida. É preciso ter coragem para dizer as verdades e aguentar as consequências.”

E dá um pitaco a respeito do humor vigiado, politicamente correto, que nos espreita à vontade: “Na época do Pasquim criamos várias charges sobre a tragédia que se transformou no filme, aliás, belíssimo, ‘Os Sobreviventes dos Andes’, e o Quino, muito meu amigo, inventor da Mafalda, disse que era um absurdo fazer graça com aquilo, ao que eu retruquei que cada um tem o seu próprio absurdo, o humor tem um limite peculiar”, reflete.

Humor: Paula Fernandes

“Mas por sorte nos urbanizaram sem pavimentar nossa naturalidade.” Quino

cantora de sertanejo universitário

Paula Fernandes estourou nacionalmente depois de convidada a cantar em especial da Rede Globo com o Rei Roberto Carlos. No entanto, a mineira de Sete Lagoas já trilhava passos no chamado circuito universitário da música sertaneja.

Música esta, que em minha opinião, utiliza-se das vestimentas e de alguns clichês do verdadeiro universo caipira para espalhar canções românticas e com forte apelo popular de rádio e televisão: ou seja, objeto industrial, de fábrica, conceituado segundo os preceitos de venda do mercado.