10 pérolas da música popular brasileira

“Pintar um quadro é tão difícil quanto encontrar um diamante, seja grande ou pequeno. Todavia, enquanto todos reconhecem o valor de um luís de ouro ou de uma pérola pura, aqueles que amam os quadros e acreditam neles são, infelizmente, também raros. Mas existem.” Van Gogh

No ar desde o início do ano, o site Discografia Brasileira (discografiabrasileira.com.br) é uma contribuição única e fundamental do Instituto Moreira Salles para a memória da música e da cultura brasileira. Selecionamos algumas das principais raridades da plataforma.

100 anos de Virgínia Lane, a voz de “Sassaricando”

“Toda ditadura é casta e contra a vida; toda manifestação de vida representa, em si, um inimigo de qualquer regime dogmático.” Reinaldo Arenas

As pernas de uma mulher eram o máximo da sensualidade nos anos 50. Mas Virgínia Lane mostrou muito mais, como se comprova em fotos e arquivos de áudio e vídeo. A “Vedete do Brasil”, título que recebeu diretamente das mãos do então presidente Getúlio Vargas, combinava os atributos físicos a um talento artístico quase nato, esbanjando carisma e espontaneidade. Nascida há um século, Virgínia colecionou histórias curiosas e lançou um clássico carnavalesco que nunca saiu da boca dos foliões. Com suas pernas longilíneas e sorriso fácil, ela era a própria representação da festa mais popular do país.

Marchinha tem refrão “O Lula tá livre, babaca”; Ouça

“Um teatro do qual não se pode rir, é um teatro do qual se deve rir. Gente sem humor é ridícula.” Brecht

Depois de passar 580 dias preso em Curitiba, o ex-presidente Lula foi solto no dia 8 de novembro de 2019, em uma sexta-feira que se tornou histórica para os brasileiros. Primeiro metalúrgico a ser eleito ao posto mais alto da República no país, o petista deixou o cargo com 87% de aprovação e ajudou a eleger Dilma Rousseff como sua sucessora. Com a prisão de seu líder mais popular, a esquerda passou a empunhar a bandeira “Lula Livre”, que ganhou a adesão de autoridades internacionais, como Pepe Mujica, ex-presidente do Uruguai, Alberto Fernández, presidente da Argentina, e até do Papa Francisco, que, discretamente, recebeu uma camiseta com a imagem de Lula.

“Fargo”: Resumo do 1º episódio da 2ª temporada

“O cristianismo proibia estritamente matar o seu semelhante, mas permitia a matança de animais e tinha-se o direito de matar homens na guerra e para punir crimes contra o governo. Acho que não precisamos contar sobre as formas de governo e de negócio porque é o gênero de coisas que as pessoas transmitem umas às outras, em primeiro lugar.” Thornton Wilder

O filho caçula de uma família de mafiosos de Dakota do Sul, nos Estados Unidos, sente-se insatisfeito e diminuído com as atividades que lhe são destinadas pelos irmãos mais velhos dentro desse esquema, o que ocorre, justamente, por ser ele o mais novo e, além de tudo, inseguro do grupo. Para provar o seu valor, ele aceita a oferta de um vendedor de máquinas de escrever para coagir uma juíza. No entanto, é nesse momento que sua característica mais marcante vem à tona, e sua inabilidade emocional, aliada ao descontrole produzido pelo uso de cocaína, o leva a cometer uma série de três assassinatos de maneira descuidada e banal na lanchonete aonde tinha ido para colocar em prática o plano de coagir a juíza. Além desta, entre suas vítimas figuram uma garçonete disposta a demonstrar simpatia e disposição frente aos clientes e o cozinheiro do local, sendo que este último mantinha o recorde de pontos numa partida de futebol escolar da cidade. Antes de deixar a cena do crime o filho avista um óvni no céu.

10 figurinos extravagantes da música brasileira

“O mais louco grifo ou quimera não é uma suposição tão extravagante quanto uma escola sem contos de fadas” G. K. Chesterton

Frutas na cabeça, penachos por todo o corpo, cabelos de cores variadas. O que começou com Carmen Miranda teve continuações em Ney Matogrosso, Maria Alcina e Baby do Brasil em plena ditadura militar e chega aos tempos atuais com representantes de peso e estilo como Karol Conka, Pabllo Vittar, Gaby Amarantos e Duda Beat. Pródiga em melodias exuberantes e letras cheias de poesia, a música brasileira prova que também toma conta da cena quando o assunto é figurino. Listamos alguns dos mais exóticos e irreverentes.

10 mineiros que poderiam ter nascido no Rio

“O mar de Minas não é no mar.
O mar de Minas é no céu
pro mundo olhar pra cima e navegar
sem nunca ter um porto onde chegar…” Domínio Público

Eles são mineiros, mas dedicaram filmes, livros e canções para aquela que é considerada por muitos como a “Cidade Maravilhosa”. Vocacionados para a criação, músicos, atores, escritores e cineastas partiram de todos os cantos das Minas Gerais em busca de uma oportunidade para exercer o seu ofício e acabaram se estabelecendo no Rio de Janeiro. Hoje em dia, não é incomum que eles carreguem o sotaque praiano e tragam a saudade das montanhas.

“Asterix sempre foi um cultor da diversidade”, diz chargista Renato Aroeira

“A cabra deu ao nordestino
esse esqueleto mais de dentro:
o aço do osso, que resiste
quando o osso perde seu cimento.” João Cabral de Melo Neto

Eles são apreciadores inveterados de carne de javali, com a qual se empanturram em animados banquetes noturnos, veneram os deuses celtas, exclamam “por Tutatis!” sempre que algo os surpreende e têm um único medo: que o céu caia sobre suas cabeças. Criados há 60 anos pela dupla de quadrinistas franceses René Goscinny e Albert Uderzo, as histórias de “Asterix” se transformaram em um símbolo nacional capaz de ultrapassar barreiras geográficas e até espaciais, com direito a um satélite batizado de “Asterix”. Ouvimos o chargista belo-horizontino Renato Aroeira e o tradutor português Pedro Bouças sobre os irredutíveis gauleses.

80 anos de “Aquarela do Brasil” em 10 curiosidades

“Quando o almirante Cabral/Pôs as patas no Brasil/O anjo da guarda dos índios
Estava passeando em Paris./Quando ele voltou da viagem/O holandês já está aqui.
O anjo respira alegre:/‘Não faz mal, isto é boa gente,/Vou arejar outra vez.’
O anjo transpôs a barra,/Diz adeus a Pernambuco,/Faz barulho, vuco-vuco,
Tal e qual o zepelim/Mas deu um vento no anjo,/Ele perdeu a memória…
E não voltou nunca mais.” Murilo Mendes

A rabugice de Ary Barroso (1903-1964) era conhecida, tanto que na biografia do compositor, escrita pelo jornalista Sérgio Cabral, conta-se o seguinte episódio: em seus últimos dias de vida, Ary telefona, do hospital, para o amigo David Nasser, e avisa: “- Estou me despedindo, vou morrer”. “Como é que você sabe?”, retruca Nasser. “- Estão tocando as minhas músicas no rádio”, devolve Ary.

Paródia
De tão lendário, o comportamento ranzinza acabou dando trela para um quadro no espetáculo do comediante José Vasconcellos, que imitava Ary no aguardado instante em que, durante o seu programa radiofônico e de TV “Calouros em Desfile”, ele recebia um participante. Sucedia-se o diálogo:

Moro e Dallagnol viram tema de música da Orquestra Royal

“Não duvido do cumprimento
De uma lei concebida e redigida
Expressamente para aniquilar-me.
Ai da vítima quando aquele mesmo
Que a lei forjou, lavra a sentença!
Podeis negar que se visou perder-me?” Friedrich Schiller

Sempre atenta aos acontecimentos mais quentes da política brasileira, a Orquestra Royal não deixou passar a oportunidade de criar mais uma pérola, dessa vez em cima da polêmica dos vazamentos envolvendo o ex-juiz e atual Ministro da Justiça Sergio Moro e o procurador da Lava Jato, Deltan Dallagnol. Na canção, Moro e Deltan são comparados a diversas outras duplas ou uniões, no mínimo, peculiares. A composição ainda aproveita para tirar um sarro com a versão “Juntos e Shallow Now” de Paula Fernandes e Luan Santana.

Michel Melamed: “É hora de dizer não aos nazistas, e sim aos nossos artistas”

“A solidão mostra o original, a beleza ousada e surpreendente, a poesia. Mas a solidão também mostra o avesso, o desproporcionado, o absurdo e o ilícito.” Thomas Mann

A primeira vez que ouvi falar em Michel Melamed foi na Faculdade de Comunicação e Artes, durante o curso de jornalismo, em 2008. O professor Márcio Serelle, que mais tarde escreveria o prefácio do meu primeiro livro (“Amor de Morte Entre Duas Vidas”), falava entusiasmado sobre o trabalho “Regurgitofagia”, um marco da dramaturgia nacional que unia diversas linguagens, como poesia, teatro e artes plásticas, e propunha uma radical interação com a plateia, onde cada reação sonora emitida por esta era captada por microfones e transformada em descargas elétricas que atingiam em cheio o corpo de Melamed. Como as aulas do professor Serelle me impressionavam, a partir deste momento ambos passaram a me impressionar.

O encontro “pessoal” com Melamed se daria pouco tempo depois, quando o ator, escritor, poeta, diretor teatral e futuro apresentador de televisão apresentou uma palestra para lá de performática na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais. Da cadeira onde eu estava, a poucos metros de distância do convidado, as provocações de uma palestra que nada afirmava, mas, ao contrário, lançava questões uma atrás da outra, borrando e rompendo as barreiras entre representação e realidade, confirmaram definitivamente a admiração pela personalidade artística de Melamed. Ao ter a oportunidade de entrevista-lo, também busquei as memórias remotas do personagem. Antes de ser contratado pelo Canal Brasil, ele foi espectador da emissora.