100 anos de Virgínia Lane, a voz de “Sassaricando”

“Toda ditadura é casta e contra a vida; toda manifestação de vida representa, em si, um inimigo de qualquer regime dogmático.” Reinaldo Arenas

As pernas de uma mulher eram o máximo da sensualidade nos anos 50. Mas Virgínia Lane mostrou muito mais, como se comprova em fotos e arquivos de áudio e vídeo. A “Vedete do Brasil”, título que recebeu diretamente das mãos do então presidente Getúlio Vargas, combinava os atributos físicos a um talento artístico quase nato, esbanjando carisma e espontaneidade. Nascida há um século, Virgínia colecionou histórias curiosas e lançou um clássico carnavalesco que nunca saiu da boca dos foliões. Com suas pernas longilíneas e sorriso fácil, ela era a própria representação da festa mais popular do país.

Marchinha tem refrão “O Lula tá livre, babaca”; Ouça

“Um teatro do qual não se pode rir, é um teatro do qual se deve rir. Gente sem humor é ridícula.” Brecht

Depois de passar 580 dias preso em Curitiba, o ex-presidente Lula foi solto no dia 8 de novembro de 2019, em uma sexta-feira que se tornou histórica para os brasileiros. Primeiro metalúrgico a ser eleito ao posto mais alto da República no país, o petista deixou o cargo com 87% de aprovação e ajudou a eleger Dilma Rousseff como sua sucessora. Com a prisão de seu líder mais popular, a esquerda passou a empunhar a bandeira “Lula Livre”, que ganhou a adesão de autoridades internacionais, como Pepe Mujica, ex-presidente do Uruguai, Alberto Fernández, presidente da Argentina, e até do Papa Francisco, que, discretamente, recebeu uma camiseta com a imagem de Lula.

“Fargo”: Resumo do 1º episódio da 2ª temporada

“O cristianismo proibia estritamente matar o seu semelhante, mas permitia a matança de animais e tinha-se o direito de matar homens na guerra e para punir crimes contra o governo. Acho que não precisamos contar sobre as formas de governo e de negócio porque é o gênero de coisas que as pessoas transmitem umas às outras, em primeiro lugar.” Thornton Wilder

O filho caçula de uma família de mafiosos de Dakota do Sul, nos Estados Unidos, sente-se insatisfeito e diminuído com as atividades que lhe são destinadas pelos irmãos mais velhos dentro desse esquema, o que ocorre, justamente, por ser ele o mais novo e, além de tudo, inseguro do grupo. Para provar o seu valor, ele aceita a oferta de um vendedor de máquinas de escrever para coagir uma juíza. No entanto, é nesse momento que sua característica mais marcante vem à tona, e sua inabilidade emocional, aliada ao descontrole produzido pelo uso de cocaína, o leva a cometer uma série de três assassinatos de maneira descuidada e banal na lanchonete aonde tinha ido para colocar em prática o plano de coagir a juíza. Além desta, entre suas vítimas figuram uma garçonete disposta a demonstrar simpatia e disposição frente aos clientes e o cozinheiro do local, sendo que este último mantinha o recorde de pontos numa partida de futebol escolar da cidade. Antes de deixar a cena do crime o filho avista um óvni no céu.

10 figurinos extravagantes da música brasileira

“O mais louco grifo ou quimera não é uma suposição tão extravagante quanto uma escola sem contos de fadas” G. K. Chesterton

Frutas na cabeça, penachos por todo o corpo, cabelos de cores variadas. O que começou com Carmen Miranda teve continuações em Ney Matogrosso, Maria Alcina e Baby do Brasil em plena ditadura militar e chega aos tempos atuais com representantes de peso e estilo como Karol Conka, Pabllo Vittar, Gaby Amarantos e Duda Beat. Pródiga em melodias exuberantes e letras cheias de poesia, a música brasileira prova que também toma conta da cena quando o assunto é figurino. Listamos alguns dos mais exóticos e irreverentes.

10 mineiros que poderiam ter nascido no Rio

“O mar de Minas não é no mar.
O mar de Minas é no céu
pro mundo olhar pra cima e navegar
sem nunca ter um porto onde chegar…” Domínio Público

Eles são mineiros, mas dedicaram filmes, livros e canções para aquela que é considerada por muitos como a “Cidade Maravilhosa”. Vocacionados para a criação, músicos, atores, escritores e cineastas partiram de todos os cantos das Minas Gerais em busca de uma oportunidade para exercer o seu ofício e acabaram se estabelecendo no Rio de Janeiro. Hoje em dia, não é incomum que eles carreguem o sotaque praiano e tragam a saudade das montanhas.

“Asterix sempre foi um cultor da diversidade”, diz chargista Renato Aroeira

“A cabra deu ao nordestino
esse esqueleto mais de dentro:
o aço do osso, que resiste
quando o osso perde seu cimento.” João Cabral de Melo Neto

Eles são apreciadores inveterados de carne de javali, com a qual se empanturram em animados banquetes noturnos, veneram os deuses celtas, exclamam “por Tutatis!” sempre que algo os surpreende e têm um único medo: que o céu caia sobre suas cabeças. Criados há 60 anos pela dupla de quadrinistas franceses René Goscinny e Albert Uderzo, as histórias de “Asterix” se transformaram em um símbolo nacional capaz de ultrapassar barreiras geográficas e até espaciais, com direito a um satélite batizado de “Asterix”. Ouvimos o chargista belo-horizontino Renato Aroeira e o tradutor português Pedro Bouças sobre os irredutíveis gauleses.

80 anos de “Aquarela do Brasil” em 10 curiosidades

“Quando o almirante Cabral/Pôs as patas no Brasil/O anjo da guarda dos índios
Estava passeando em Paris./Quando ele voltou da viagem/O holandês já está aqui.
O anjo respira alegre:/‘Não faz mal, isto é boa gente,/Vou arejar outra vez.’
O anjo transpôs a barra,/Diz adeus a Pernambuco,/Faz barulho, vuco-vuco,
Tal e qual o zepelim/Mas deu um vento no anjo,/Ele perdeu a memória…
E não voltou nunca mais.” Murilo Mendes

A rabugice de Ary Barroso (1903-1964) era conhecida, tanto que na biografia do compositor, escrita pelo jornalista Sérgio Cabral, conta-se o seguinte episódio: em seus últimos dias de vida, Ary telefona, do hospital, para o amigo David Nasser, e avisa: “- Estou me despedindo, vou morrer”. “Como é que você sabe?”, retruca Nasser. “- Estão tocando as minhas músicas no rádio”, devolve Ary.

Paródia
De tão lendário, o comportamento ranzinza acabou dando trela para um quadro no espetáculo do comediante José Vasconcellos, que imitava Ary no aguardado instante em que, durante o seu programa radiofônico e de TV “Calouros em Desfile”, ele recebia um participante. Sucedia-se o diálogo:

Moro e Dallagnol viram tema de música da Orquestra Royal

“Não duvido do cumprimento
De uma lei concebida e redigida
Expressamente para aniquilar-me.
Ai da vítima quando aquele mesmo
Que a lei forjou, lavra a sentença!
Podeis negar que se visou perder-me?” Friedrich Schiller

Sempre atenta aos acontecimentos mais quentes da política brasileira, a Orquestra Royal não deixou passar a oportunidade de criar mais uma pérola, dessa vez em cima da polêmica dos vazamentos envolvendo o ex-juiz e atual Ministro da Justiça Sergio Moro e o procurador da Lava Jato, Deltan Dallagnol. Na canção, Moro e Deltan são comparados a diversas outras duplas ou uniões, no mínimo, peculiares. A composição ainda aproveita para tirar um sarro com a versão “Juntos e Shallow Now” de Paula Fernandes e Luan Santana.

Michel Melamed: “É hora de dizer não aos nazistas, e sim aos nossos artistas”

“A solidão mostra o original, a beleza ousada e surpreendente, a poesia. Mas a solidão também mostra o avesso, o desproporcionado, o absurdo e o ilícito.” Thomas Mann

A primeira vez que ouvi falar em Michel Melamed foi na Faculdade de Comunicação e Artes, durante o curso de jornalismo, em 2008. O professor Márcio Serelle, que mais tarde escreveria o prefácio do meu primeiro livro (“Amor de Morte Entre Duas Vidas”), falava entusiasmado sobre o trabalho “Regurgitofagia”, um marco da dramaturgia nacional que unia diversas linguagens, como poesia, teatro e artes plásticas, e propunha uma radical interação com a plateia, onde cada reação sonora emitida por esta era captada por microfones e transformada em descargas elétricas que atingiam em cheio o corpo de Melamed. Como as aulas do professor Serelle me impressionavam, a partir deste momento ambos passaram a me impressionar.

O encontro “pessoal” com Melamed se daria pouco tempo depois, quando o ator, escritor, poeta, diretor teatral e futuro apresentador de televisão apresentou uma palestra para lá de performática na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais. Da cadeira onde eu estava, a poucos metros de distância do convidado, as provocações de uma palestra que nada afirmava, mas, ao contrário, lançava questões uma atrás da outra, borrando e rompendo as barreiras entre representação e realidade, confirmaram definitivamente a admiração pela personalidade artística de Melamed. Ao ter a oportunidade de entrevista-lo, também busquei as memórias remotas do personagem. Antes de ser contratado pelo Canal Brasil, ele foi espectador da emissora.

10 lembranças inesquecíveis dos anos 90

“O menino é hoje um homem douto que trata
com física quântica.
Mas tem nostalgia das latas.” Manoel de Barros

Para descolar uma balada e zoar era de lei estar antenado no que fosse pintar. Estiloso ou grunge, não andar na pindaíba ajudava. E se quisesse ficar com uma mina, pedir conselhos ao brother estava em alta. É possível que hoje em dia essas gírias não sejam mais tão íntimas de uma geração nascida no século XXI. Mas nos anos 90 elas eram pura lacração. Apesar disso, só agora o período recebe apreciação de um dos nossos produtos culturais mais populares. Nessa terça, a novela “Verão 90” estreia na rede Globo com o propósito de repetir o revisionismo que tramas como “Anos Dourados” (1986), “Estúpido Cupido” (1976) e “Boogie Oogie” (2014) fizeram sobre os anos 50, 60 e 70, respectivamente, e que o filme “Bingo: Rei das Manhãs” (2017) realizou com os anos 80.