10 faces artísticas do inesquecível Ivon Curi

“Acaso será que existe um autor capaz de indicar ‘como’ e ‘por que’ uma personagem lhe nasceu na fantasia? O mistério da criação artística é idêntico ao do nascimento natural” Luigi Pirandello

Ivon Curi já era, na década de 50, o que hoje se costuma chamar de artista plural. Além de cantar em vários idiomas, ele era capaz de interpretar – tanto na música, quanto no cinema – da comédia ao drama. Nessa dobradinha, sempre levava uma arte para a outra, ou seja, atuava musicalmente e cantava com dramaticidade. Mineiro de Caxambu, Ivon logo migrou para o Rio de Janeiro, então grande meca da cultura nacional. O legado, para além dos sucessos, foi a grandeza de carregar a sátira, a brincadeira e a impertinência charmosa para patamares, até então, jamais explorados. Gravou, ao todo, mais de 50 discos.

Beijar é uma arte! 15 manifestações culturais sobre o beijo

“Profundezas de rubi não drenadas
Escondidas num beijo para ti;
Faz de conta que esta é um beija-flor
Que ainda há pouco me sugou.” Emily Dickinson

Compositor, produtor e instrumentista mineiro, Geraldo Vianna colocou em todas as plataformas digitais seu mais novo trabalho, “O Beijo – Um poema musical”, na última quinta-feira (13), data em que se comemora o Dia Internacional do Beijo. O álbum apresenta 14 faixas que refletem sobre o tema, algumas em parceria, como no caso de “O Beijo”, assinada com Fernando Brant. Além disso, uma obra do compositor erudito Robert Schumann ganhou letra de Murilo Antunes. “O beijo é um gesto, uma atitude que atravessa a história da humanidade e representa momentos importantes em nossa vida, nos conduzindo a várias experiências e sentimentos. Desde o carinho, o respeito e a sensualidade, até o beijo histórico que induz à traição. Além de tudo isso ele nos dá várias formas de prazer”, infere Geraldo. O disco, que sofreu “influências literárias de Florbela Espanca, Castro Alves e García Lorca”, vai ser apresentado em show ainda no primeiro semestre deste ano, mas não tem previsão de ser lançado em edição física. Vianna define o trabalho como “uma declaração de que a música mora no meu coração”.

10 músicas de sucesso “chiclete” no Carnaval

“a fama é uma senhora muito gorda que não dorme com a gente, mas quando a gente desperta ela está sempre olhando para nós, aos pés da cama.” Gabriel García Márquez

Músicas de sucesso no Carnaval

Com uma lógica de descarte cada vez mais acelerada permanece a dúvida sobre quanto tempo dura o sucesso hoje. O fato de não terem planejado todo esse retorno midiático coloca uma nova questão na mesa: quanto tempo ele vai durar? Uma breve busca pelas músicas cantadas com entusiasmo pelos foliões na última década revela um cenário pouco otimista, afinal de contas, a maioria perdeu espaço. “Todas as culturas do mundo têm esse tipo de música, são os clássicos da fuleragem. ‘Ai Se Eu Te Pego’ é igual ‘Macarena'”, compara o produtor musical Carlos Eduardo Miranda. “Fenômenos populares sempre foram efêmeros porque são consumidos à exaustão e dificilmente chegam ao próximo passo. O que mudou foi que tínhamos artistas de carreira e pouca vendagem convivendo lado a lado com os imediatistas. Não há como haver a sofisticação de outrora com um ensino cada vez mais miserável. Os letristas de hoje são um retrato da educação que tiveram”, completa o DJ Zé Pedro, dono do selo Joia Moderna. Michel Teló, Parangolé, Banda Vingadora, Wesley Safadão, e outros, integram a nossa lista. Confira!

Hit pra toda vida: 10 artistas marcados por 1 único sucesso

“acabo como começo
canções de fracasso
não fazem mais sucesso” Paulo Leminski

Por vezes a força de uma canção é tanta que ela é suficiente para impulsionar toda uma carreira e chega, inclusive, a acoplar-se ao nome do intérprete. No Brasil, não são raros os compositores que ficaram marcados por um único sucesso. Motivo de orgulho para a maioria, alguns chegam a renegar o fruto da fama e recusam-se a cantar pela nonagésima vez “a mais pedida” nos shows. Mas, via de regra, ela permanece no coração dos fãs mesmo após vários anos.

4 Sucessos de João Roberto Kelly

“Eu passo as minhas horas a brincar com palavras.
Brinco de carnaval.
Hoje amarrei no rosto das palavras minha máscara.
Faço o que posso.” Manoel de Barros

João Roberto Kelly é autor de marchinhas de sucesso

Gravado por Elis Regina, Elza Soares, Cauby Peixoto, Ademilde Fonseca, Angela Maria, Emílio Santiago, Dalva de Oliveira e Agnaldo Timóteo (numa rara parceria com o poeta J. G. de Araújo Jorge), ele se orgulha, principalmente, de “ser cantado pelo povo”. Prestes a completar 80 anos no próximo dia 24 de junho, o geminiano João Roberto Kelly segue compondo marchinhas. Autor de sucessos carnavalescos do porte de “Cabeleira do Zezé”, “Mulata Bossa Nova”, “Maria Sapatão” e “Joga a Chave, Meu Amor”, Kelly colocou na praça sua mais recente criação através da internet, com um vídeo postado no YouTube onde, acompanhado por outros foliões, destila sua verve irônica. “Alô Alô Gilmar” faz troça de Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

6 marchinhas (quase) mineiras para o Carnaval

“Exaltação – Império Sentido na Avenida – Carnaval da síncope. Pratos limpos atirados para o ar. Circo instantâneo, pano rápido mas exato descendo sobre a sua cabeleira de um só golpe de carícia, e o teu espanto!” Ana Cristina Cesar

marchinha sobre temer e silvio santos

Nos últimos anos, além dos bares, BH tornou-se também a capital do Carnaval. Com uma programação ampla e diversificada a cidade passou a receber os tão tradicionais e antigos blocos carnavalescos que, fora remeter à memória, trouxeram suas próprias inovações com misturas inusitadas e, acima de tudo, festeiras. Vale fantasia, vale confete e serpentina, principalmente, vale alegria! Com esse intento selecionamos 6 marchinhas mineiras para você pular durante os 4 dias de farra e folia, cada uma delas distintas entre si, para privilegiar, como marca do carnaval de Belo Horizonte, justamente a diversidade. São elas uma marcha-rancho, uma marchinha entre o romance e a ironia, uma marcha em homenagem ao Carnaval e três marchinhas políticas, ambas com aquela já habitual pegada de humor. Vamos à festa foliar!

5 marchinhas compostas por mulheres

“Ó Abre alas/ Que eu quero passar
Eu sou da Lira/ Não posso negar
Rosa de Ouro/ É quem vai ganhar” Chiquinha Gonzaga

As compositoras, cantoras e instrumentistas têm mostrado a cara e mudado o panorama do Carnaval na cidade de Belo Horizonte, cujo aumento da visibilidade para canções compostas por mulheres é latente. Um exemplo prático é a presença de 15 autoras inscritas no Concurso de Marchinhas Mestre Jonas 2018. Apesar do recorde, o número ainda é inferior em relação ao de homens.

Mas é uma mulher a autora da primeira música carnavalesca de sucesso da nossa história: Chiquinha Gonzaga. Composta em 1899, a marcha-rancho “Ó Abre Alas” estourou no Carnaval de 1901 e é definida pelo Dicionário Cravo Albin da Música Brasileira como “pioneirismo da produção carnavalesca, antecipando-se em 20 anos à fixação do gênero”. A publicação ainda afirma que a música seguiu como a preferida dos foliões por nove anos seguidos, até as festividades de 1910.

14 atores e atrizes brasileiras que se arriscaram na música

“O mundo tornou-se novamente ‘infinito’: na medida em que não podemos rejeitar a possibilidade de que ele encerre infinitas interpretações.” Nietzsche

Música e interpretação se misturam no Brasil

Não é de hoje que os mundos da canção e da dramaturgia se encontram. Muitos foram os artistas brasileiros que desempenharam esses dois papeis. Na última quinta-feira (2) a atriz Eva Wilma resolveu estrear no ofício, a convite de seu filho, o cantor e compositor Johnnie Beat.

EVA WILMA
Aos 83 anos, a atriz participa do espetáculo “Crise, Que Crise?”, e canta pela primeira vez no palco. De acordo com ela, sua principal inspiração foi a paulistana Inezita Barroso (1925 – 2015), atriz, cantora e apresentadora do programa “Viola, Minha Viola”, durante mais de 30 anos, na TV Cultura.

Crítica: “Chacrinha, o Musical” diverte, mas não avança na história do protagonista

“Cada produto da fantasia, cada criação da arte deve, para existir, levar em si o seu próprio drama, isto é, o drama do qual e pelo qual é personagem. O drama é a razão de ser da personagem. É sua função vital, necessária para que ela possa existir.” Luigi Pirandello

Chacrinha, o Musical, com Stepan Nercessian

De volta aos palcos para celebrar o centenário de nascimento de Abelardo Barbosa, o espetáculo “Chacrinha, o Musical” deixa claro, desde o princípio, quais são os motivos do seu sucesso: ele está ali para divertir, e investe pesado em atrações que tragam riso e leveza ao público, tal como o protagonista homenageado, que imortalizou bordões do tipo: “eu não vim para explicar, vim para confundir”. Essa noção de que o que interessava a Chacrinha era a fantasia, e a ideia de que ele constituía sua personagem, sobretudo, no palhaço, é a responsável por um dos grandes trunfos da montagem. Logo na abertura, o cenário inspirado por cordéis pernambucanos (terra de nascimento do apresentador, natural de Surubim) sustém sobre a cena uma aura mágica, possibilitando ao espectador, justamente, fugir da realidade tacanha, obsoleta e pragmática a que a mera objetividade o relega. Cada núcleo de artistas que sobe ao palco – este disposto para reconstituir o esquema de auditório consagrado por Chacrinha – envolve a cena com coreografias bem ensaiadas, mas que em determinado ponto ficam monótonas.

10 músicas brasileiras para crianças

“Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
(…) Grande é a poesia, a bondade e as danças…
Mas o melhor do mundo são as crianças” Fernando Pessoa

Música brasileira feita para criança

“A infância é a camada fértil da vida”, definiu o poeta mato-grossense Nicolas Behr. Seu conterrâneo, Manoel de Barros preferiu o lado da brincadeira (nada mais apropriado, não é?) para tecer uma louvação parecida: “As Nações já tinham casa, máquina de fazer pano, de fazer enxada, fuzil etc./ Foi uma criançada mexeu na tampa do vento/Isso que destelhou as Nações”. A mesma irresponsabilidade infantil ganhou ode em versos de Fernando Pessoa: “Ai que prazer/Não cumprir um dever,/Ter um livro para ler/E não o fazer!/ (…) Grande é a poesia, a bondade e as danças…/Mas o melhor do mundo são as crianças”. Através da música, compositores brasileiros habituados ao universo “adulto” também se permitiram voltar aos primeiros anos, como Sidney Miller que, ao fim da canção “O Circo” (“Vai, vai, vai, começar a brincadeira/Tem charanga tocando a noite inteira/Vem, vem, vem, ver o circo de verdade”) de 1967, concluiu com saudade: “Foi-se embora e eu ainda era criança…”.