Entrevista: Ana Cecília Costa cria mundos com sua arte

“Uma mulher que ama poderá desejar muito ser mãe, porém, o desejo apenas, embora profundo e intenso, não é suficiente. Entretanto, um dia ela se tornará mãe, sem, contudo, ter-se apercebido do momento em que isso se deu. O mesmo acontece com o artista: vivendo, ele reúne em si um sem-número de germes de vida e nunca poderá afirmar ‘como’ e ‘por que’, num determinado momento, um desses germes vitais penetrou a sua fantasia para tornar-se, também ele, uma criatura viva, no plano da vida superior, acima da volúvel existência de todos os dias.” Luigi Pirandello

Atriz Ana Cecília Costa é protagonista da peça "A Língua em Pedaços"

Ana Cecília Costa não nasceu ontem, mas também não se atrela ao tempo para determinar os próximos passos. Com ganas e energia de quem está sempre começando, ela segue em cartaz com o projeto “A Língua em Pedaços”, do qual foi mentora e onde interpreta a protagonista Santa Teresa D’Ávila, que tem partes de sua vida contadas no espetáculo dirigido por Elias Andreato com texto de Juan Mayorca e atuação de Joca Andreazza. “Esse é um espetáculo que desejo levar por muito tempo, porque Teresa D’Ávila é uma personagem inesgotável, atemporal, me faz muito bem interpretá-la, e percebo que também faz bem ao público ouvi-la. Temos tido uma recepção maravilhosa por onde passamos. Possivelmente, voltaremos com a peça em São Paulo ano que vem no Mosteiro de São Bento”, anseia. Mas não para por aí, ao contrário.

Entrevista: Octávio Cardozzo canta do âmago suas liberdades

“Então, coragem! Larga os humanos sentidos,
E no âmago do mundo entremos comovidos!
E digo com razão: o homem, ser pensante,
É como um animal no deserto perdido” Goethe

Octávio Cardozzo se prepara para lançar "Âmago"

As pouco mais de duas décadas de existência enganam. Nesse período Octávio Cardozzo participou de coletivos musicais, lançou álbuns em grupo, esteve em cena em espetáculo em que se misturavam poemas e canções, apareceu em rede nacional em programa de auditório com direito a jurados, dentre outras peripécias semelhantes. Provas de que soube aproveitar, ou melhor, dedicou parte considerável de seu tempo à arte. Agora, a prosa não poderia ser outra. Cantor, compositor e produtor executivo na empresa Peleja Musical, atualmente Octávio concilia o curso de Literatura na UFMG com os preparativos para o lançamento de seu primeiro álbum solo, financiado coletivamente. “‘Âmago’ é meu primeiro disco solo, que é um resgate da minha essência como cantor e uma busca por maior entendimento daquilo que me toca, do que faz realmente sentido pra mim musicalmente. É este movimento de ir ao âmago e relembrar alguns desejos perdidos ou esquecidos pelo caminho”, retrata. Também a escolha de como fazê-lo não nasceu por acaso.

Entrevista: Artistas de Minas exaltam espírito rebelde da música de Janis Joplin

“pensávamos os mesmos pensamentos da alma, chapados e de olhos tristes, cercados pelas retorcidas raízes de aço das árvores da maquinaria,” Allen Ginsberg

Janis Joplin foi símbolo de rebeldia na década de 1960

Ela se foi aos 27 anos há mais de quatro décadas, mas se é verdade que na música o tempo é fundamental, também o é que, através dela, os limites se transpõe. Ao menos no caso de Janis Joplin. Cantora de rock e blues a norte-americana despontou junto à geração de Jimi Hendrix e Jim Morrison, influenciada por nomes como Billie Holiday, Aretha Franklin e Etta James. A voz rascante e os excessos dentro e fora do palco foram algumas de suas marcas, além das canções carregadas de desvios amorosos e hinos à libertação. Kícila Sá, multiartista, atriz e cantora, acredita que Janis se diferenciou de seus pares pela “interpretação e atitude. Só não digo que ela era uma atriz por que realmente sinto que ela viveu cada palavra que cantou, cada lágrima que derramou, cada grito que berrou. Janis tirava do útero uma voz difícil de ser comparada com qualquer outra cantora da época. Além de tudo ela foi uma mulher a frente do seu tempo”, constata.

Escute seu coração…

“Nosso corpo é infinitamente mais sábio que a nossa cabeça. O corpo é sábio mesmo sem ter consciência da sua sabedoria. Inconsciente é o nome para a sabedoria do corpo.” Rubem Alves

Fitas da consciência alertam para prevenção de doenças

O uso de laços coloridos na área da saúde para ajudar na mobilização e conscientização da população sobre riscos e tratamentos começou ainda na década de 1990, com a tradicional fita vermelha da AIDS. Hoje em dia elas são várias, e se relacionam também com os meses. Em referência ao “Dia Mundial do Coração”, por exemplo, celebrado no dia 29 do mês, instituiu-se o “Setembro Vermelho”, com o intuito de prevenção a doenças cardíacas. Nessa linha a Oncocentro de Belo Horizonte oferece acompanhamento cardiológico especializado para pacientes em tratamento de câncer.

A doutora Ariane Macedo, fundadora e atual vice-presidente do Grupo de Estudos de Cardio-Oncologia da Sociedade Brasileira de Cardiologia desde 2014 esclarece que “o tratamento oncológico (rádio ou quimioterapia) pode afetar o coração a curto ou a longo prazo, por isso a importância do acompanhamento”. De acordo com Ariane “o tratamento oncológico pode causar em alguns pacientes uma intoxicação no sistema cardiovascular (no músculo cardíaco, no pericárdio – que é a membrana que envolve o coração -, ou nos vasos sanguíneos)”. A medida adotada pela Oncocentro de BH para prevenir complicações foi determinar a presença do médico cardiologista dentro da clínica e oferecer aos pacientes o tratamento. “Eu atendo a todos os pacientes, o que permite um acompanhamento preciso e imediato, além do contato direto com o oncologista para discussão dos casos”, sublinha Ariane.

Entrevista: Brasileiro Fred Oliveira participa de filme favorito ao Oscar

“A música desce, assim como desce o pesado ramo cheio de flores, pois assim tem que ser, para continuar vivendo, para continuar até a última gota de alegria.” Allen Ginsberg

Fred Oliveira atua como engenheiro de áudio em Los Angeles

Vale apostar que pouca gente sabe que um brasileiro nascido em Porto Alegre e criado em Belo Horizonte deu a sua contribuição para um dos filmes favoritos a levarem o Oscar em 2017. Para além da polêmica envolvendo a retaliação ao longa-metragem de Kleber Mendonça Filho, “Aquarius”, na categoria filme estrangeiro, a imprensa especializada tem se deleitado em tecer elogios e cravar uma estatueta na bolsa de apostas que sempre precede tal acontecimento. Trata-se de “LA LA LAND”, musical dirigido por Damien Chazelle que conta com Emma Stone e Ryan Gosling no elenco. E conta também com Fred Oliveira, músico, guitarrista, produtor musical e engenheiro de som que integra a equipe de mixagem do longa-metragem. “Foi um experiência extremamente gratificante e de muito aprendizado. Tradicionalmente, quando um longa-metragem dessa dimensão chega ao estágio de pós-produção, ou seja, quando o trabalho de mixagem se inicia, já existe uma edição finalizada do vídeo, e a música que acompanha o filme já foi composta e gravada”, diz. O filme tem previsão de lançamento para dezembro.

Para entender melhor qual foi exatamente o papel de Fred no processo ele o explica de maneira didática e, ao fazê-lo, deixa claro o quanto funções aparentemente técnicas contribuem para a estética e o conteúdo da produção, motores de toda obra de arte. “O trabalho do engenheiro de mixagem, descrevendo de maneira simplificada, consiste em coletar todo o material de áudio disponível, como música, diálogos, efeitos sonoros, e sons de ambiência, combiná-lo em uma sessão única, no caso sessão se refere a um conjunto de arquivos gerados pelo software de mixagem, que combina áudio e vídeo, geralmente se utiliza o Pro Tools (ferramenta recorrentemente utilizada para dublagem), e reorganizá-lo de maneira que cada elemento ocupe seu lugar, e fique em destaque em determinados momentos para dar vida ao filme. O diálogo não deve competir com a música, que por sua vez, não deve competir com o vídeo. O objetivo é atingir um equilíbrio para que tudo soe natural, mas, ao mesmo tempo, intensificar o efeito emocional do filme”, sublinha. O musical já garantiu o prêmio de “Melhor Atriz” para Emma Stone no Festival de Veneza.

Entrevista: Bruna Kalil Othero, a voz e o corpo da nova poesia

“mastiguei
a poesia
com meus dentes civilizatórios
comi
as suas carnes
degustei-lhe
os ossos” Bruna Kalil Othero

Bruna Kalil publicou livro de poesias aos 20 anos

Embora exista quem diga que para o poeta o silêncio é um sinal de perfeição, Bruna Kalil Othero começa com palavras “anônimas por serem voz do povo”, como diria Jorge Amado, e que bem prescindiriam de aspas, mas que ela faz questão de assinar para se juntar ao coro. “Primeiramente, Fora Temer”, declara. Em seguida ao agradecimento pelo convite para a entrevista, a mineira da capital nascida numa primavera do ano de 1995 começa a traçar o próprio percurso por palavras que muitas das vezes nascem não se sabe de onde e vão para qualquer lugar, ou para todos os lugares, tal sua amplidão e sede de liberdade. “Eu já queria publicar desde os 15 anos de idade. Aos 19, já com a gaveta cheia, percebi que havia um livro ali. Encontrei uma estética norteadora – aqui, o quase – e organizei os poemas. Com a organização feita, fui à caça de editoras. Recebi alguns orçamentos, caríssimos inclusive, mas não queria publicar nesse esquema, que é o mais comum para autores iniciantes, infelizmente. Daí encontrei o Gustavo Abreu, editor da Letramento. Conversamos, ele gostou do projeto e seguimos parceiros até hoje”, celebra.

Como se constata, Bruna, aos 21 anos incompletos, publicou o primeiro livro aos 20, “Poétiquase”, no ano passado. Afora isso, sua experiência catalogada inclui também participação na antologia “Sarau Brasil”, de 2014, e nas publicações “O Emplasto” e “Germina – Revista de Literatura e Arte”. Com o poema “Memória Estéril” venceu recentemente, em julho, o prêmio Maria José Maldonado de Literatura, da Academia Volta-redondense de Letras.  Nele estão presentes os versos: “não insisto na memória/das coisas obsoletas/as cartas os namorados os poemas que escrevo/são filhos bastardos/sem colo/sem tetas”. Estudante de Letras na UFMG, a escritora empreende pesquisa que analisa a presença do corpo na poesia contemporânea brasileira de autoria feminina, publica em blogs, já escreveu peças de teatro, romance, contos e promete novo livro de poesias para o ano que vem. “Guardo um tanto de coisas novas na gaveta, leia-se Google Drive”, brinca. Para quem quiser encontrá-la, para além dos livros, Bruna também tem realizado e participado de diversos saraus e eventos ligado à literatura e as artes em geral na sua cidade.

Entrevista: Tito Marcelo, um nome para se prestar atenção

“Aqui, zona de tato e calor, margem do ser
Larga periferia, olha teu corpo de carne
Tua medida de amor, o que amaste em verdade.” Hilda Hilst

Apesar de já ter lançado dois discos, "O Futuro Ligeiro da Demora" tem sabor de estreia para o artista

O passado, como analista de sistemas, vai ficando cada vez mais para trás. O chamado da música soou mais forte e Tito Marcelo resolveu não se opor ao que parecia inevitável. “Hoje me aceito como artista”, diz o moço. Atualmente com 41 anos, ele dá sua cara a tapa lançado um álbum de título instigante – “O Futuro Ligeiro da Demora” -, e para o qual convidou uma pá de gente boa, como o percussionista Marcos Suzano. A produção foi entregue ao baixista André Vasconcellos. Apresentado à imprensa por Mauro Ferreira (que ressalta influências de gente como Bob Marley, Gonzagão, Legião Urbana, Lenine e até Michael Jackson e Titãs), o disco traz 11 faixas de vieses distintos. Nascido no Recife em dezembro de 1974, Tito Marcelo mora hoje no Rio de Janeiro, embora confesse que tenha sido criado musicalmente em Brasília.

Em seu currículo, constam dois discos anteriores, que o fizeram conhecido em duas das cidades citadas: a capital federal e a sua terra natal. Com o novo petardo, ele visa ampliar o espectro de seu público. E a vontade se reverbera no número de faixas que ele chegou a compor para o novo trabalho: nada menos que 31! Claro, junto ao produtor, o artista submeteu o material a uma peneira, e as 11 que compõem o álbum foram, pois, selecionadas. Em entrevista à Esquina Musical, Tito falou mais sobre o trabalho, que também agrega o trompetista Jessé Sadoc, o baterista João Viana e o guitarrista Torcuato Mariano. Confira!

Entrevista: Cátia de França apresenta seu caleidoscópio multicolorido

“À cigarra, queimando-se em música,
ao camelo que mastiga sua longa solidão,
ao pássaro que procura o fim do mundo,
ao boi que vai com inocência para a morte.

Sede assim qualquer coisa
serena, isenta, fiel.

Não como o resto dos homens.” Cecília Meireles

Cátia de França3_Mariana Kreischer

Se para o artista a definição é um limite, deste mal Cátia de França não padece. Na estrada, literalmente, há praticamente 40 anos, embora sempre retorne às origens, na Paraíba, em João Pessoa e seguindo a tradição lírica dos maiores prosadores e poetas de sua terra de palmeiras onde canta o sabiá, a cantora, compositora, escritora, artista plástica, com bem aventuranças pela sétima arte, une o regionalismo ao universal mantendo a essência de seu trabalho. Para este ano, prepara novidades, depois de algum tempo longe das estantes fonográficas. A música que nomeia o novo e aguardado álbum, “Hóspede da Natureza”, como de costume, carrega influências literárias. “A identidade do disco é múltipla. A veia aorta é Henry David Thoreau, a letra da canção-título veio diretamente do livro dele, ‘Walden ou, A Vida nos Bosques’ (de 1847, considerada a bíblia do movimento hippie). Mas nem todas as faixas são preocupadas com ecologia. É um apanhado de quem sou eu nesse tempo todo de careira. É um olhar que passeia por diversas circunstâncias, é como se fosse uma foto minha, feita de vários ângulos”, compara com sabedoria, Cátia.

Com lançamento feito pelo selo Porangareté, iniciativa do filho e da ex-companheira de Cássia Eller, Maria Eugênia, em parceria com a Natura Musical, o disco teve um longo processo de gestação, com gravações iniciadas no ano de 2005 e finalizadas em 2006, há quase dez anos atrás. Toda essa demora foi também fruto da falta de apoio e incentivo ao projeto que, agora, segundo Cátia, recebe as “condições à altura do que merecia”. Uma turnê já está programada por regiões do país em que a entrevistada morou e fez história, como Recife, João Pessoa, sua terra natal, Vitória no Espírito Santo, e as capitais de São Paulo e Rio de Janeiro. O novo álbum conta com 14 faixas, quase todas inéditas, e traz no currículo a produção de Rodrigo Garcia, além de músicos de peso acompanhando a cantora que é também instrumentista, tais como Marcelo Bernardes (integrante de longa data da banda de Chico Buarque), a percussionista Lan Lan, o guitarrista Walter Villaça e outros não menos importantes, como o baterista Alex Merlino, Jander Ribeiro, responsável pela pandeirola, Zé Marcos nos teclados, e, por fim, Nando Vásques no baixo.

Entrevista: Dulce Quental lança disco de inéditas com músicas antigas

“Todo mundo é parecido, quando sente dor
Mas nu e só ao meio-dia, só quem está pronto pro amor” Dulce Quental

Dulce-Quental

Dulce Quental prepara uma surpresa. Um disco de músicas inéditas com gravações antigas. Habituada ao paroxismo, a cantora de carreira espaçada retorna ao mercado fonográfico em grande estilo. Um dos motivos da ausência sentida encontra-se na incursão por outras áreas do conhecimento artístico, em especial a literatura.  “Eu gosto de escrever a beça. E acho que no futuro quando estiver cansada dos palcos irei só escrever. Tenho um livro de crônicas publicado e um romance (na ordem ‘Caleidoscópicas’ e ‘Memória Inventada’). Tudo feito de forma independente. Está por aí. Na ‘Amazon’ (empresa de vendas online). Fiquei cinco anos trabalhando nele. Mas foi muito sofrido o processo. É difícil demais escrever bem. Difícil ser simples. Ora dessas, eu volto. Estou de férias da literatura. Agora quero colocar a boca no trombone e cantar pra subir”, avisa. Como de costume, é bom não duvidar de Dulce.

“Música e Maresia” compila 11 gravações realizadas entre 1991 e 1994, período em que Quental não lançou disco, mas que mesmo assim apareceu como a compositora de sucessos da banda “Barão Vermelho”, “Cidade Negra” e de Leila Pinheiro, Simone, Anna Carolina, Roberto Frejat e outros artistas. A artista explica porque só agora a cria verá a luz do dia. “Eu sempre tive o desejo de lançar um disco com essas gravações. Estava esperando o momento certo. Mas foi preciso um empurrão de amigos e colaboradores para acontecer. A gente não faz nada sozinho. Acho também que só estou conseguindo por causa do momento da indústria. A volta do vinil. A possibilidade de um artista independente lançar seu próprio selo e distribuir diretamente através de uma plataforma digital sem o intermédio de uma gravadora”, justifica. Muitas dessas canções permanecem inéditas apenas na voz de Dulce, já tendo sido lançadas por alguns dos nomes citados acima.

Entrevista: banda “Green Morton” apresenta rock autoral sem frescuras

“o que explica a vaguidão, o brilho de vidro, em nossos olhos.” Virginia Woolf

Green-Morton

O estereótipo nunca é suficiente, mas não deixa de ser significativo que o nome da banda tenha surgido em uma mesa de bar, em meio a algumas (muitas) cervejas. A homenagem ao charlatão cujo pai homenageou o anestesista. Formada em 2011, por quatro integrantes nascidos na capital, surgia em Belo Horizonte a “Green Morton”. O guitarrista Zé Mário explica em detalhes. “Já tínhamos tido conversas sobre nomes, mas nenhum tinha agradado a todos e, depois de várias cervejas, surgiu um assunto sobre o paranormal charlatão brasileiro Thomaz Green Morton, todo mundo riu muito e um amigo nosso que estava na roda mandou ‘Green Morton é um nome bom pra banda hein?’, todo mundo riu de novo, mas adotamos o nome”, rememora.

Batizados foram atrás de mais informações, como o sujeito que consulta o horóscopo a fim de entender o significado de sua alcunha. “Carregamos um pouco de ironia em algumas músicas, então acabou encaixando. Depois descobrimos que também era o nome do inventor da anestesia, William Thomas Green Morton, e que esse era o motivo do nome do paranormal, ou seja, legal demais!”, completa Zé. Já os caminhos para o som da banda foram menos ao acaso e mais fundamentados numa ligação tanto afetiva quanto musical, sem dispensar, jamais, os mistérios intuitivos preponderantes a esta arte. Júlio D’Agostini conta como chegou à bateria. “A minha maior influência para gostar de rock foi o meu irmão, lembro, quando tinha uns 13 anos, de ir aos ensaios da banda que ele tinha com os amigos da escola”, recorda.