Entrevista: Alceu Valença & Maestro Rodrigo Toffolo

“O sol derretera o asfalto. Os pés enterravam-se nele, deixando aberta sua polpa luzidia.” Albert Camus

Valencianas Orquestra Ouro Preto

Alceu Valença está com passagem comprada para Belo Horizonte e não pretende ficar pouco tempo na capital. Pelo menos é o que indicam as apresentações marcadas, para o dia 3 de novembro com a Orquestra Ouro Preto no Palácio das Artes (gravação do DVD “Valencianas”) e em espetáculo solo como uma das atrações do “BH Music Station”, dia 17 de novembro, com repertório em homenagem a Luiz Gonzaga, na estação Vilarinho.

A respeito do primeiro evento, Alceu comenta sobre a parceria que levou os frevos e forrós cantados nos carnavais para o ambiente orquestral: “Fiquei muito emocionado com o tratamento que o maestro Rodrigo Toffolo e o arranjador Mateus Freire deram às minhas músicas. São jovens virtuosos com um carinho muito especial pela música de concerto, mas também pela música popular brasileira”, declara.

Entrevista: Angela Ro Ro

“Não, eu não sirvo de exemplo para ninguém. Troco até os acentos: digo amem ao invés de amém!” Angela Ro Ro

Amor meu grande amor

Angela Ro Ro desmente logo de cara que o novo álbum, gravado no Teatro Net Rio no último dia 15 de outubro, a ser lançado em 2013, seja comemorativo ao seus 30 anos de carreira: “Isso foi um equívoco de assessoria, pode riscar daí, me ajuda a desfazer esse engano, comecei a gravar em1979 e não estou celebrando nenhuma data específica, só a vida!”

“Feliz da Vida” dá nome ao disco que contém 13 canções inéditas, das 15 do repertório, e conta com a participação de Sandra de Sá (em “Beijos na Boca”), Jorge Vercilo (“Capital do Amor”), Diogo Nogueira (“Salve Jorge”), Ana Carolina (“Canto Livre”), Paulinho Moska (na canção título) e Roberto Frejat revisando os sucessos “Amor, Meu Grande Amor” e “Malandragem”.

Entrevista: Ziraldo

“Pintor, se queres assegurar
um lugar predominante
na Sociedade, é preciso que,
desde tua primeira juventude,
dês um terrível pontapé
na perna direita dela.” Salvador Dalí

Menino Maluquinho

Do porte de seus 80 anos, o cartunista, chargista, escritor, jornalista Ziraldo, para ficar no básico, é um moleque atrevido, maluquinho, menino. Obediente à sua própria escrita, afirma: “Tudo na vida tem limite, isso de ‘perder o amigo mas não a piada é, em si, uma piada. Ninguém é sozinho na vida. É preciso ter coragem para dizer as verdades e aguentar as consequências.”

E dá um pitaco a respeito do humor vigiado, politicamente correto, que nos espreita à vontade: “Na época do Pasquim criamos várias charges sobre a tragédia que se transformou no filme, aliás, belíssimo, ‘Os Sobreviventes dos Andes’, e o Quino, muito meu amigo, inventor da Mafalda, disse que era um absurdo fazer graça com aquilo, ao que eu retruquei que cada um tem o seu próprio absurdo, o humor tem um limite peculiar”, reflete.

Entrevista: Cássio Scapin

“Moralidade é simplesmente uma atitude que adotamos frente às pessoas que não gostamos.” Oscar Wilde

A Viúva Alegre

Depois de se apresentar em Belo Horizonte com a peça “O Libertino”, dirigida por Jô Soares, o ator Cássio Scapin volta à capital atuando em outro espetáculo de contexto histórico: “A Viúva Alegre é um clássico, a opereta mais encenada no mundo”.

Porque isso acontece? As razões, para o intérprete de Njégus, segundo ele um “personagem cômico”, estão, em primeira estância, no pano de fundo da tragédia cômica cheia de traços oscarwildeanos que expõe a aristocracia em suas atitudes mais sórdidas: “A música em si é belíssima, maravilhosa, só ela já vale o espetáculo”, anima-se.

Entrevista: Fernanda Takai

“Mas o antigo espelho, que vira e revira
nos seus longos anos de existência
coisas e rostos aos milhares;
mas o antigo espelho agora se alegrava
e exultava de haver mostrado sobre si
por um instante a beleza culminante.” Konstantinos Kaváfis

Fundamental com Andy Summers

As crônicas de Fernando Sabino a respeito de sua passagem pela Inglaterra renderam o livro “A Inglesa Deslumbrada”, onde o humor dá o tom periférico à ousadia do escritor.

Já a mais recente passagem do inglês Andy Summers pelo Brasil, astro da extinta banda The Police, resultou em parceria com a amapaense Fernanda Takai, residente em Belo Horizonte há tempo bastante para considerar-lhe mineira quem o quiser assim.

Entrevista: Curumin

“O corpo não traslada, mas muito sabe; adivinha se não entende.” Guimarães Rosa

CD Arrocha

O lema dos samurais é uma flor: “hoje é um bom dia para morrer”, ou, em palavras sutis, “viver o presente sem medo”. O vermelho duma cerejeira pode facilmente confundir-se com o sangue, correndo, espesso, líquido, intransponível.

No rio onde caminha a principal foz da música Curumin passou os dedos: “Gravar uma faixa com o Herbie Hancock é algo impressionante, com certeza o mais genial com quem já toquei.”

Entrevista: Zeca Pagodinho

“O ataque de uma borboleta agrada mais que todos os beijos de um cavalo.” Mario Quintana

Deixa a vida me levar

“Não ouço o que há de pior na música brasileira”, é com estas palavras que Zeca Pagodinho exalta o samba, o pagode, o próprio disco, mote da apresentação no Chevrolet Hall na próxima sexta-feira, 19 de outubro, encerrando a turnê de mais um festivo sucesso da carreira do compositor de Xerém.

Mas Zeca também não se fecha para o que há de novo. “Vida da minha vida” compila antigos êxitos, como a canção “Pôxa”, do pouquíssimo gravado Gilson de Souza, redescoberta por Zeca quando este ouvia a rádio Tupi, do Rio de Janeiro, a inéditas composições, entre elas homenagem ao neto de Pagodinho, intitulada “Orgulho do Vovô”, em parceria com Arlindo Cruz.

Entrevista: Vander Lee + Dibigode

“Leva meu samba, meu mensageiro, esse recado, para o meu amor primeiro” Ataulfo Alves

compositor mineiro Ataulfo Alves

Esgueirando-se do jogo proposto pelo musicólogo Ary Vasconcelos, o músico e compositor Vander Lee é incapaz de sublinhar Ataulfo Alves em uma só palavra. Prefere três: cultura matuta mineira. E se estende prazerosamente: “É a impressão mineira ao samba, uma visão de mundo carregada de culpa, ligação familiar e anti-malandragem, típica da nossa Zona da Mata.”

O músico, que se apresenta hoje pelo Projeto Compositores.BR no Palco do Sesc Palladium, pretende esmiuçar o repertório de Ataulfo Alves a partir de canções clássicas que o tempo se encarregou de eternizar, como “Você passa, eu acho graça”, “Ai que saudades da Amélia”, e “Meus Tempos de Criança”.

Entrevista: Ataídes Braga

Entrevista com o cineasta, historiador, pesquisador, roteirista e professor Ataídes Braga.

1- Qual o grande diferencial do cinema brasileiro para os demais cinemas que se praticam no mundo?

Toda cinematografia tem importância mas o que difere cada uma delas é o registro de sua identidade, sua cultura, seus valores, a representação de seu povo, enfim, o caráter do brasileiro não pode ou não deveria ser apresentado senão pelo brasileiro com riscos de serem caricaturados.

2- Qual movimento mais influenciou o cinema brasileiro?

Cada época teve uma marca e vários registros de influências são notados, por exemplo, o nosso primeiro cinema foi muito influenciado pelas vivências de muitos pioneiros que eram estrangeiros, italianos, portugueses; já as tentativas industriais pelo modelo americano e italiano; o cinema novo e um cinema independente dos anos 50/60 claramente pelo neorealismo italiano e pela nouvelle vague francesa; as pornochanchadas pelo cinema erótico italiano e depois vários cineastas, a partir dos anos 80, por todo mundo de fora e de dentro do Brasil.

Entrevista: Jards Macalé

Músico segue como espécime raro e livre na estrada musical 

Músico

Torquato Neto, Emilinha Borba, Debussy, Wally Salomão, Dóris Monteiro, Beethoven, Cazuza, Guimarães Rosa, Radamés Gnatalli, Tim Maia, Glauber Rocha, Jacques Brell, Itamar Assumpção confluem-se no rio JARDS, de ondas sonoras como o “bater de asas de uma borboleta.” “Quero, principalmente, o som do silêncio.”

MACALÉ, apelido de garoto ruim de bola e habilidade no violão, supera definições sobre música. Permanece incapturável e característico, espécime raro em qualquer época: “Joguei pela janela os catálogos todos, samba, funk, música moderna, contemporânea, antiga. A carteira de identidade da música é a própria. Som é som. Não som é não som. E não som também é som. Não entendo essa necessidade desesperada de complicar a compreensão.”