Entrevista: Ataídes Braga

Entrevista com o cineasta, historiador, pesquisador, roteirista e professor Ataídes Braga.

1- Qual o grande diferencial do cinema brasileiro para os demais cinemas que se praticam no mundo?

Toda cinematografia tem importância mas o que difere cada uma delas é o registro de sua identidade, sua cultura, seus valores, a representação de seu povo, enfim, o caráter do brasileiro não pode ou não deveria ser apresentado senão pelo brasileiro com riscos de serem caricaturados.

2- Qual movimento mais influenciou o cinema brasileiro?

Cada época teve uma marca e vários registros de influências são notados, por exemplo, o nosso primeiro cinema foi muito influenciado pelas vivências de muitos pioneiros que eram estrangeiros, italianos, portugueses; já as tentativas industriais pelo modelo americano e italiano; o cinema novo e um cinema independente dos anos 50/60 claramente pelo neorealismo italiano e pela nouvelle vague francesa; as pornochanchadas pelo cinema erótico italiano e depois vários cineastas, a partir dos anos 80, por todo mundo de fora e de dentro do Brasil.

Entrevista: Jards Macalé

Músico segue como espécime raro e livre na estrada musical 

Músico

Torquato Neto, Emilinha Borba, Debussy, Wally Salomão, Dóris Monteiro, Beethoven, Cazuza, Guimarães Rosa, Radamés Gnatalli, Tim Maia, Glauber Rocha, Jacques Brell, Itamar Assumpção confluem-se no rio JARDS, de ondas sonoras como o “bater de asas de uma borboleta.” “Quero, principalmente, o som do silêncio.”

MACALÉ, apelido de garoto ruim de bola e habilidade no violão, supera definições sobre música. Permanece incapturável e característico, espécime raro em qualquer época: “Joguei pela janela os catálogos todos, samba, funk, música moderna, contemporânea, antiga. A carteira de identidade da música é a própria. Som é som. Não som é não som. E não som também é som. Não entendo essa necessidade desesperada de complicar a compreensão.”

Entrevista: Lobão

Músico demonstra carinho e admiração por artistas marginalizados 

Entrevista músico

“Eu sou nada e é isso que me convém, eu sou o sub do mundo, o que será, o que será, que me detém?”. Lobão sempre marcou território como contraponto do panorama nacional e invariavelmente se insurge contra vozes totalizantes. Os versos de El Desdichado II servem como pequena amostra desse papel fundamental em que o artista atua. Especialmente numa sociedade cada vez mais preocupada em fechar sentidos e definir padrões de experiência estética superiores. Para atender ou quebrar as expectativas, o músico concedeu entrevista durante noite de autógrafos na livraria FNAC, e foi só elogios a nomes esquecidos pela grande mídia e estimados por ele. A lenda de que o temido lobo não compreende afagos desfez-se como um novelo mal tricotado.

R.: Como foi a história do violoncelo que você deu de presente ao Jards Macalé? Ele contou que vocês se encontraram no Baixo Leblon de madrugada e 8 meses depois chegou encomenda do ‘senhor Lobão’.
A história é mais complicada. Ela começa em 95. O Jards queria aprender a tocar violoncelo e eu tinha um. Aí fomos para o meu apartamento, eu morava no 18º andar e acabou a luz. Isso impossibilitou que a gente tocasse. Então a gente sempre se encontrava no show do Paulinho da Viola e tocava no assunto. Até que eu me mudei para um apartamento menor e aquele violoncelo virou um ‘trambolho’ dentro de casa. Liguei para o Jards, falei: ‘você quer aprender a tocar?’. Ele disse que queria. Inclusive não sei como acaba a história. Se ele está tocando ainda.