Beijar é uma arte! 15 manifestações culturais sobre o beijo

“Profundezas de rubi não drenadas
Escondidas num beijo para ti;
Faz de conta que esta é um beija-flor
Que ainda há pouco me sugou.” Emily Dickinson

Compositor, produtor e instrumentista mineiro, Geraldo Vianna colocou em todas as plataformas digitais seu mais novo trabalho, “O Beijo – Um poema musical”, na última quinta-feira (13), data em que se comemora o Dia Internacional do Beijo. O álbum apresenta 14 faixas que refletem sobre o tema, algumas em parceria, como no caso de “O Beijo”, assinada com Fernando Brant. Além disso, uma obra do compositor erudito Robert Schumann ganhou letra de Murilo Antunes. “O beijo é um gesto, uma atitude que atravessa a história da humanidade e representa momentos importantes em nossa vida, nos conduzindo a várias experiências e sentimentos. Desde o carinho, o respeito e a sensualidade, até o beijo histórico que induz à traição. Além de tudo isso ele nos dá várias formas de prazer”, infere Geraldo. O disco, que sofreu “influências literárias de Florbela Espanca, Castro Alves e García Lorca”, vai ser apresentado em show ainda no primeiro semestre deste ano, mas não tem previsão de ser lançado em edição física. Vianna define o trabalho como “uma declaração de que a música mora no meu coração”.

Entrevista: O Canto Bossa Nova de Leila Pinheiro

“Deixai-me carpir, crianças/a vossa imensa desdita.
Prendestes as esperanças/numa gaiola maldita.
Do fundo do meu silêncio/eu vos incito a lutardes
contra o Prefixo que vence/os anjos acorrentados
e ir passear pelas tardes/de braço com os namorados.” Vinicius de Moraes

Uma noite em 1962, mais precisamente no dia 21 de novembro, ficou marcada na história da bossa nova, quando grandes nomes do gênero musical se apresentaram no icônico Carnegie Hall, em Nova York. Quase seis décadas depois, algumas coisas mudaram e outras permanecem. Hoje, Wanda Sá, 72; Marcos Valle, 73; Roberto Menescal, 79; Leila Pinheiro, 56; e o grupo vocal MPB4 sobem ao palco do Palácio das Artes, às 21h, para reencenar o histórico concerto.

Na ocasião, Tom Jobim, João Gilberto, Luiz Bonfá, Oscar Castro Neves e seu quarteto, Sérgio Mendes, Carlos Lyra, Chico Feitosa, Milton Banana, Sérgio Ricardo, Normando Santos, Agostinho dos Santos, Dom Um Romão, Ana Lúcia, Bola Sete e Carmen Santos, além de Wanda e Menescal, que participam do show desta sexta-feira (9), encararam uma plateia formada preponderantemente por norte-americanos, em que se destacavam músicos do jazz como Dizzy Gillespie, Gerry Mulligan, Tony Bennet, Herbie Man e Miles Davis, que afirmou, em 1972: “Só existe a música erudita europeia, a música negra americana e a música popular brasileira”.

Entrevista: Samuel Rosa homenageia Jorge Ben Jor

“A chuteira veste o pé descalço
O tapete da realeza é verde
Olhando para bola eu vejo o sol
Está rolando agora, é uma partida de futebol” Samuel Rosa & Nando Reis

Um encontro com “velhos amigos” e a filha de uma musa. As revelações podem surpreender, inclusive, aos mais aficionados pela carreira de Jorge Ben Jor, 72. Neste domingo (28), o cantor se apresenta ao lado da banda Skank e da cantora Céu, 37, na praça da Estação, dentro do projeto “Nívea Viva”, a partir das 16h30. Samuel Rosa, 50, vocalista do Skank, explica que a relação com Ben Jor existe desde o início da carreira do grupo, nos anos 90. “Como ele diz, ‘somos velhos amigos’. Quando começamos, tocando em bares e juntando dinheiro para fazer o nosso primeiro álbum independente, porque a gente não vislumbrava a possibilidade de chegar numa gravadora nessa época, o Jorge ficou sabendo que a gente ia regravar uma música dele, ‘Cadê o Pênalti?’, e ficou muito interessado na banda”, relembra.

Centenários 2018: 10 sucessos de Adelino Moreira

“Boemia, aqui me tens de regresso
E suplicante te peço a minha nova inscrição
Voltei pra rever os amigos que um dia
Eu deixei a chorar de alegria, me acompanha o meu violão” Adelino Moreira

Angela Maria, Núbia Lafayette, Maria Bethânia, Angela Ro Ro, Tetê Espíndola e até o grupo punk Camisa de Vênus gravaram suas canções, mas é impossível dissociar o nome de Adelino Moreira da voz de Nelson Gonçalves. Tanto que o cantor gaúcho ganhou o epíteto de “O Boêmio”, após o estrondoso sucesso de “A Volta do Boêmio”, música de Adelino lançada por Nelson em 1957. A essa altura, a dupla já havia emplacado “Última Seresta”, “Meu Vício É Você” e outros hits da década de 1950. “Naquela época existia uma ligação muito forte entre o cantor e o compositor, que já fazia as músicas pensando em quem ia interpretar”, conta o radialista Acir Antão, apresentador do programa “A Hora do Coroa” na rádio Itatiaia. “O samba-canção é choro, tanto que antigamente falava-se choro-canção, e o Adelino assimilou isso numa música feita para combater o bolero”, completa.

10 filmes marcantes com Meryl Streep

“Já fui loura, já fui morena,/já fui Margarida e Beatriz.
Já fui Maria e Madalena./Só não pude ser como quis.
Que mal faz, esta cor fingida/do meu cabelo, e do meu rosto,
se tudo é tinta: o mundo, a vida,/o contentamento, o desgosto?” Cecília Meireles

Meryl Streep é recordista de indicações ao Oscar

Recordista de indicações ao Oscar nas categorias ligadas à atuação, Meryl Streep volta a concorrer em 2018 por seu papel em “The Post: A Guerra Secreta do Jornalismo” e, com isto, passa a ter o nome incensado na Academia pela 21ª vez. Editor-chefe do site “Papo de Cinema”, o crítico de cinema Robledo Milani garante que “quem contesta essas indicações é porque não conhece o trabalho dela”. Aos 68 anos, a atriz acumula mais de 70 longa-metragens no currículo.

“O que mais me chama a atenção é a capacidade dela de não se mostrar Meryl Streep. Cada personagem é um mergulho naquele personagem e uma vontade de desaparecer para dar vazão a uma outra vida. Ela não repete maneirismos, consegue sublimar a persona, o que é também uma demonstração de humildade”, afiança Milani. O crítico elege os momentos mais marcantes da trajetória da atriz norte-americana.

Entrevista: Aos 70 anos, músico Tavito revê sua trajetória

“Eu quero a esperança de óculos
E meu filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal” Tavito & Zé Rodrix

Tavito compôs "Casa no Campo" com Zé Rodrix

Aos 13 anos de idade, Luís Otávio Carvalho ganhou o seu primeiro violão. Conhecido desde a infância como Tavito, o compositor aprendeu o ofício de maneira autodidata, participando de festas e serenatas na capital mineira. Autor de clássicos como “Casa no Campo” (com Zé Rodrix) e “Rua Ramalhete” (com Ney Azambuja), ele partilhou da convivência com nomes fundamentais do Clube da Esquina, como Milton Nascimento, Toninho Horta e Nelson Angelo. Nascido em Belo Horizonte, o músico destaca os momentos mais especiais de suas sete décadas de história.

Entrevista: A MPB nunca foi tão fofa

“Seu manto azul oculta corujas e morcegos.
Quem dera acreditasse no carinho –
O rosto da imagem suavizada por velas,
Derramando, só em mim, seus olhos meigos.” Sylvia Plath

Mallu Magalhães e a MPB Fofa

Além do signo astrológico, Caetano Veloso se inspirou na figura “solar e luminosa” (como já disse em entrevistas) de Dadi Carvalho, à época baixista do grupo Novos Baianos, para compor, em 1977, a música “O Leãozinho” (que no disco “Bicho”, sucede “Tigresa”). Quarenta anos depois, a canção ganhou três regravações quase simultâneas (sem falar no próprio Caetano, que a interpreta em show feito com os três filhos). E isso nada tem a ver com efeméride. A mineira Roberta Campos iniciou os trabalhos com versão divulgada no formato de single.

Já o EP “Anavitória Canta Para Pessoas Pequenas, Pessoas Grandes e Não Pessoas Também” trouxe o registro da dupla de Tocantins. Por último, Ana Vilela (que estourou com o hit “Trem Bala” em 2016) escolheu a obra do baiano de Santo Amaro para ser a única não autoral de seu disco de estreia, lançado no último mês de outubro e que traz como título apenas o nome da cantora de Londrina. “Tenho uma tatuagem no braço com a palavra ‘leãozinho’ porque minha tia Simone cantava ela para mim antes de dormir, quando eu era criança. Sou apaixonada por essa música”, conta Ana.

Entrevista: Gal Costa sem medo nem esperança

“Mas baby não se adiante, aos meus desejos
Nunca se atrase pro próximo beijo
Não me reprima, não me azucrina
Não me aluga, senão posso ficar uma arara” Lulu Santos

Gal Costa prepara inéditas para 2018

“Sim, eu pedi uma música a ela, mas ainda não recebi”. Intérprete de Tom Jobim, Caetano Veloso, Mallu Magalhães, Arnaldo Antunes, Dorival Caymmi, Jards Macalé, Luiz Melodia, Roberto Carlos e Céu, uma das cantoras mais requisitadas do Brasil assim confirma que pretende registrar, em seu próximo álbum, uma canção inédita da autora de hits como “Infiel” e “Amante Não Tem Lar”. Gal Costa, 72, adianta que o sucessor de “Estratosférica Ao Vivo”, que acaba de ser lançado em CD, DVD e nas plataformas digitais, “sai no primeiro semestre de 2018”. “Irei gravar ainda esse ano”, completa.

Além de Marília Mendonça, símbolo da nova geração de sertanejo universitário chamado por setores da imprensa de “Feminejo” – por supostamente colocar as mulheres em primeiro plano – o repertório vai abarcar músicas de Djavan, Criolo, Gilberto Gil e Nando Reis, feitas especialmente para o primeiro trabalho de inéditas da cantora desde 2015. Com Gil e Reis, Gal ainda realiza, até dezembro, o espetáculo “Trinca de Ases”. “Não posso adiantar muito mais que isso para não estragar a surpresa”, disfarça a baiana.

Entrevista: Roberto Menescal elege 6 discos preferidos

“Toda a arte é feita de silêncio – inclusive a própria música.” Mario Quintana

Roberto Menescal completa 80 anos

Talvez ele nem fosse músico. É o que afirma Roberto Menescal que, nesta quarta (25) completa 80 anos de vida, dos quais 60 foram dedicados à música. A estreia foi acompanhando ao violão a cantora Sylvinha Telles (1934 – 1966), em 1957. “O sonho do meu pai era que eu trabalhasse no Banco do Brasil ou na marinha, porque eram profissões mais seguras”, informa o compositor capixaba, autor de clássicos sobre a paisagem carioca como, por exemplo, “O Barquinho” e “Rio”, parcerias com Ronaldo Bôscoli (1928 – 1994).

“Um dia o Tom Jobim bateu na minha porta e me deu a desculpa que eu precisava para seguir na música”, recorda. Menescal dava aulas de violão “para mocinhas da zona sul que não sabiam tocar”, quando recebeu o convite do Maestro Soberano para gravar “Orfeu da Conceição”, peça escrita por Vinicius de Moraes que se transformou em disco e virou até filme. “Ele queria me dar cachê e eu não quis receber. Me mandou largar tudo e seguir na música. Jobim é o meu grande mestre”, exalta Menescal. Cantor bissexto, violonista dos mais requistados, arranjador e produtor musical de um sem número de trabalhos ligados à bossa nova, o aniversariante aproveita a oportunidade para presentear os fãs com a lista dos discos que mais o influenciaram.

Entrevista: O encontro de Louise Cardoso com Leila Diniz

“Toda mulher é meio Leila Diniz…” Rita Lee

Louise Cardoso protagonizou o filme "Leila Diniz"

“Nem de amores eu morreria, porque eu gosto mesmo é de viver deles”. A frase pertence àquela que se habituou a contrariar padrões e dar a volta nos clichês. Mais do que atriz, Leila Diniz tornou-se símbolo da liberação feminina em plena ditadura militar no Brasil, tanto que, em 1969, após uma polêmica entrevista recheada de palavrões ao jornal O Pasquim, foi outorgada lei que ficou conhecida como Decreto Leila Diniz, e que ampliava a censura do regime antidemocrático. Não adiantou, pois ela seguiu desfilando liberdade até 1972, a despeito de empunhar bandeiras ou palavras tidas como as de ordem.

Quinze anos após a trágica morte de Leila num acidente de avião em Nova Déli, na Índia, Louise Cardoso recebeu a missão de interpretar a artista na cinebiografia lançada em 1987 e dirigida por Luiz Carlos Lacerda, o popular Bigode, amigo íntima da homenageada, tanto que trabalhou com ela, por exemplo, em “Mãos Vazias”, na adaptação para o romance de Lúcio Cardoso. “Assim que o convite chegou, a primeira coisa que fiz foi procurar conhecer a fundo a Leila. Vi seus filmes todos mais de uma vez, li muitas entrevistas dela, conversei com pessoas que conviveram intimamente, e depois o diretor Luiz Carlos Lacerda me emprestou os diários dela. Aí pude saber quem realmente era Leila Diniz, sua maneira de pensar o mundo, como sentia as pessoas, suas opiniões, desejos, sonhos, medos”, relembra Louise.