Entrevistas: Flautistas de BH tomam conta do pedaço

“Quando a flauta soou
um tempo se desdobrou
do tempo, como uma caixa
de dentro de outra caixa.” João Cabral de Melo Neto

O pedaço do fêmur de um jovem urso das cavernas foi encontrado, há cerca de 43 mil anos, na Eslovênia. A descoberta é considerada o mais antigo instrumento musical do mundo, a flauta paleolítica. A profusão de trabalhos liderados pelo ancião dos instrumentos musicais em BH chama atenção num cenário que, via de regra, teve como protagonistas o violão, a guitarra e o piano. Porém, a resposta para essa tendência não é exata, como, aliás, é típico das artes. Leia abaixo as entrevistas com flautistas da cidade.

7 discos marcantes de Zeca Pagodinho, por Luiz Antônio Simas

“Água da minha sede
Bebo na sua fonte
Sou peixe na sua rede
Pôr do sol no seu horizonte” Dudu Nobre e Roque Ferreira

Do Zeca Pagodinho descoberto numa roda de samba no Cacique de Ramos em 1981 por Beth Carvalho mudaram, principalmente, “os quilinhos a mais”, segundo palavras do próprio. A fartura a que o rapaz humilde, criado em Xerém, no interior do Rio de Janeiro, passou a desfrutar, tem a ver com uma carreira que, desde que começou, não interrompeu mais a rota de sucessos.

A comemoração dos 60 anos de idade amanhã, dá início a um calendário que conta com o lançamento de uma cinebiografia dirigida por Roberto Faustino e Marcos Altberg, inspirada no livro “Zeca Pagodinho: Deixa o Samba Me Levar” (de Jane Barbosa e Leonardo Bruno), sobre a vida do cantor e compositor que, no ano passado, virou tema de musical (“Zeca Pagodinho: Uma História de Amor ao Samba”), e saiu em uma vitoriosa turnê ao lado de Maria Bethânia.

7 discos consagradores de Djavan, por Hugo Sukman

“sabia que vivemos numa rede remota
de tempo e água e ondas e sons e chuva,
sem saber se existimos ou se somos seu sonho.” Pablo Neruda

O surgimento de Djavan na música popular brasileira foi um espanto. O músico nascido em Maceió era diferente de tudo o que então se conhecia. As canções de alto teor simbólico, embaladas por melodias com um feitio pop, levaram o compositor a se tornar um dos recordistas em temas de novelas. O primeiro sucesso foi “Fato Consumado”, que tirou o segundo lugar no Festival Abertura da Globo, em 1975.

Envolvido em recente polêmica após elogiar o presidente Jair Bolsonaro, o cantor chega aos 70 anos em plena atividade. O mais recente álbum foi “Vesúvio”, de 2018. O jornalista e crítico musical Hugo Sukman elege e comenta os sete discos mais marcantes da carreira de Djavan. “O Djavan de hoje é meio assim, um compositor maduro capaz de renovar formatos tradicionais e sempre descobrir novidades na forma musical que inventou e vem inventando desde o primeiro disco”, analisa Sukman.

Entrevistas: Diretoras, atrizes, produtoras e pesquisadoras debatem sobre assédio

“arte não é pureza, é purificação, arte não é liberdade, é libertação.” Clarice Lispector

Uma menina de 13 anos havia sido abusada sexualmente e contou a história para Tarana Burke. Na hora, a ativista afro-americana nascida no Bronx, nos Estados Unidos, não soube o que dizer. Mais tarde, ela entendeu que queria ter dito apenas “eu também”. Esse foi o gatilho para que Tarana criasse, em 2006, o movimento Me Too (tradução literal de “eu também”, em inglês), a fim de promover a empatia entre mulheres negras que foram vítimas de abuso sexual. A primeira plataforma digital a disseminar a campanha foi o Myspace, naquela época uma das mais populares redes sociais.

Passados 11 anos, o movimento voltou à tona, em 2017, com a força de uma ressaca marítima. Publicada no “The New York Times” no dia 5 de outubro daquele ano, a reportagem intitulada “Harvey Weinstein pagou os acusadores de assédio sexual por décadas” começou a minar um cruel império de silêncio, ao revelar o que parcela considerável da indústria cinematográfica norte-americana já sabia: o poderoso produtor de filmes de Hollywood era um contumaz abusador sexual.

Entrevista: Renato Teixeira segue tocando em frente com sua viola

“Quem ornamenta o azul
das manhãs
são os sabiás.” Manoel de Barros

Numa noite de Natal, na madrugada de 25 de dezembro, o compositor Geraldo Roca (1954- 2015) atirou contra a própria cabeça e pôs fim a sua vida. Assim, ele escolheu a mesma data da morte do cineasta Charlie Chaplin para sair de cena. Naquele ano, Renato Teixeira, 73, e Almir Sater, 61, dupla responsável pela histórica “Tocando em Frente”, colocara em prática um sonho antigo. Depois de décadas, os dois finalmente gravaram um disco inteiro juntos. Em 2018, “AR” (que alude tanto às primeiras letras dos nomes de ambos quanto ao sentido de respirar) ganhou um segundo volume. Foi inevitável em “+ AR” homenagear Roca. Confira abaixo a entrevista completa de Renato Teixeira.

Entrevistas: Simone Zuccolotto e Paulo Mendonça celebram 20 anos do Canal Brasil

“Se quiser, banco o francês
Quase tão bem como ele.
Sou brasileiro, bem sei,
Mas sou mais universal.” Murilo Mendes

Malabarismos automobilísticos e consultas de ocultismo. Foi assim que o Canal Brasil “começou”, há 20 anos, num dia 18 de setembro de 1998. A descrição corresponde à sinopse do primeiro filme exibido pela emissora. “Sonho Sem Fim”, dirigido por Lauro Escorel, não por acaso contava a história de um dos precursores do audiovisual no país: o gaúcho Eduardo Abelim, que, para conseguir produzir seus filmes, subia em veículos em movimento e jogava cartas para adivinhar o futuro. Como o protagonista, a trajetória do Canal Brasil também se firmou nesses três pilares: pioneirismo, resiliência e coragem. Confira abaixo as entrevistas com a apresentadora Simone Zuccolotto e o diretor-geral do canal, Paulo Mendonça.

Entrevistas: especialistas debatem o cenário do funk em BH

“a poesia
me chupa gostoso
prova o meu
gosto
me provoca me
morde me dá o
gozo” Bruna Kalil Othero

“Pulsos e camadas sutis que se acumulam, como um pano de fundo misterioso, uma camada de suspense que é liderada por um ponto minimalista, sinuoso, causando uma sensação estranha, um ritmo deslizante, solto, um tanto imprevisível”. Com essas palavras, o pesquisador e jornalista Gabriel Albuquerque, natural do Recife, procura desvendar a marca de um gênero que, não raro, é tachado de pobre, violento e pornográfico.

“O funk mineiro tem um toque espacial, evanescente, atmosférico e fragmentado. Eu diria que é um funk espectral”, completa Albuquerque, que faz referência ao uso de um beat (andamento rítmico) conhecido pelo nome de “panela”, “latinha” ou “garrafa”, em músicas como “Viciei Nessa Garota”, de MC Dennin, “Nóis É Bandido Vida Loka”, de MC L da Vinte, e “Bota Tudo Nela”, de MC Kaio, expoentes da nova cena belo-horizontina. Confira abaixo o depoimento de três especialistas sobre esse tema que está cada vez mais quente!

Entrevista: Funkeiro MC Papo vai da Piriguete ao Texas

“quero gozar da comida: quero gozar da bebida: quero ser bom quero ser amante quero ser amigo mas não consigo: sobre o tatami, os gusanos me servem de coberta.” Wally Salomão

“Pulsos e camadas sutis que se acumulam, como um pano de fundo misterioso, uma camada de suspense que é liderada por um ponto minimalista, sinuoso, causando uma sensação estranha, um ritmo deslizante, solto, um tanto imprevisível”. Com essas palavras, o pesquisador e jornalista Gabriel Albuquerque, natural do Recife, procura desvendar a marca de um gênero que, não raro, é tachado de pobre, violento e pornográfico. Um dos precursores do funk mineiro, MC Papo, responsável pelos hits “Piriguete” e “BH É O Texas”, analisa o cenário atual do gênero na cidade. Confira a entrevista completa na íntegra abaixo.

Entrevista: Valesca Popozuda exalta a liberdade sexual da mulher

“Demoro a aprender
que a linha reta é puro desconforto.
Sou curva, mista e quebrada,
sou humana. Como o doido,
bato a cabeça só pra gozar a delícia
de ver a dor sumir quando sossego.” Adélia Prado

Na linha evolutiva da música sexual brasileira, é possível dizer que, entre Rita Lee e Karol Conka, o funk de Tati Quebra-Barraco, Deize Tigrona e Valesca Popozuda se impôs como ponto nevrálgico. No começo dos anos 2000, Tati foi a responsável por entoar os versos “se eles quer que você mame/ manda eles te chupar”, invertendo a lógica estabelecida pelo universo machista. Valesca Popozuda, intérprete de “Quero Te Dar”, fala de sua experiência: “A liberdade feminina sempre existiu, só que era medrosa. Eu quis libertar as mulheres. Por que não falar do nosso órgão genital?”, questiona a artista. Confira a entrevista com Valesca na íntegra. 

Entrevista: Mano Brown defende Lula e critica a mídia

“Ah, aprende-se o que é preciso que se aprenda; aprende-se quando se quer uma saída; aprende-se a qualquer custo. Fiscaliza-se a si mesmo com o chicote; à menor resistência flagela-se a própria carne.” Franz Kafka

Todo o trabalho de Mano Brown à frente dos Racionais MC’s está fundamentado na observação social e na defesa da camada mais pobre da sociedade, frequentemente atingida pela violência no país. Por essas e outras, não é de se espantar a tomada de posição do rapper diante do estado de coisas que têm determinado a política nacional desde as manifestações de junho de 2013.

“Eu acompanhei esse processo desde o início, quando começaram a cogitar o impeachment da Dilma, com a história das pedaladas fiscais, a gente já sabia que o desfecho seria a prisão do Lula”, garante. No final do ano passado, o rapper chegou a postar em suas redes sociais uma foto ao lado do ex-presidente e de Chico Buarque, após uma partida de futebol em que os três participaram. Sem esconder o apoio, ele entoou em seus shows, mais de uma vez, o coro de “Lula Livre”.