Show: Falamansa (As Sanfonas do Rei)

“É um olhar fugidio,
Olhar que dura um instante,
Mas deixa um rasto de estrelas
O doce olhar saltitante…” Florbela Espanca

Forró na Torre

Porque o show na companhia dos amigos é sempre confortante. Estou bonzinho hoje, sem demagogia. Fui assistir ao “Falamansa”, o Forró que já não é lá meus pés de patas nem quadris de gazelas. Mas a minha cara, pouco suada em conferência aos demais, é a de Luiz Gonzaga.

Foi por isso e para vê-la, à bailarina, ah, vocês não sabem, precisam vê-la dançar e rodopiar por serpentinas e confetes absolutamente invisíveis e claros enquanto dança, e provoca uma aceleração ínfima, de tão bonita é o sorriso da bailarina. Sim, ela não sorri com os dardos disparados em frente ao arco. Ela é a flecha duma índia abismal e antecedente, muito antes da dança ser séria.

Dança: Festa Junina

“Suas coxas me escapavam
como peixes surpreendidos,
metade cheias de luz,
metade cheias de frio.” García Lorca

bandeirinhas

Bandeirinhas coloridas dançam uma quadrilha ao sabor do vento e da canjica.
A noiva veste branco, o padre sua bata preta e o noivo está amarelo de tanto medo!
Ao redor deles, os convidados completam a festa com roupas de todas as cores.
As mulheres com seus vestidos de chita e Maria Chiquinha no cabelo.
Os homens de camisa xadrez, calça remendada com panos coloridos e chapéu de palha.
Aquelas que ainda não encontraram um noivo fazem simpatias para Santo Antônio.
Aqueles que já encontraram uma noiva pedem a chave dos céus para São Pedro.
E aqueles que não querem uma coisa nem outra pulam a fogueira de São João!

Dança: Circo Moscou

“que todo o amor assim como todo o conhecimento é lembrança” Kierkegaard

espetáculo no gelo

Passaram-se dias desde que esmiuçou coração gelado. Duas perninhas desinibidas, assanhadas o suficiente para patinar no gelo, brotaram de dentro mim noite. Rufos nos tambores, palhaços, moedinhas douradas, tudo claro como a luz de Sininho, noite.

Havia uma comoção no ar, gárgulas esperavam na fila, para entrar, aconchegar-se em seu lugar, com a paciência de moscovitas. Acostumados à guerra, ao frio, eles agüentam firmes, duros, gélidos. De dentro de suas bocas um bafo seco conduz sorrisos elétricos ligados na ignição.

Dança: Frevo

Tradição pernambucana segue irrestrita!

Festa brasileira

Frevo guarda chuva, solta o sol na praça. Bonecos de Olinda, pernas de pau, os canhões são braços, que acenam aos anões, donos do espetáculo, borrifando alegria, pecado, gíria, molecada em vestes, despida.

Alceu Valença e Antônio Nóbrega, Capiba e essa gente monta, se esconde na moita, na mata, meio dia, noite inteira, bebedeira, capim e cachaça, algibeira, tem gim e alaga de inundação e prece o verso do poeta, profeta das horas intermináveis. O Frevo é a festa que nunca acaba.

Dança: Valsa

Tradição européia introduziu-se ao Brasil por meio da Corte Portuguesa

Dança

Em 1808, junto com a Corte Portuguesa, chegava ao Brasil um gênero musical que transformaria toda a história das composições românticas feitas no país: a valsa.

De caráter inicialmente apenas instrumental e executada por grandes orquestras, a valsa era dançada e apreciada pela nobreza nos luxuosos salões imperiais da época, tendo inclusive Dom Pedro I como um de seus compositores.

Dança: Antônio Nóbrega

Espetáculo proporciona texto, imagem e som com rebuliço brasileiro

Dança

Ninguém mais tem paciência para sentar e ouvir. Mas com Antonio Nóbrega é necessário o gesto. Munido por conhecimento de causa, suscita na platéia dúvidas e respostas. Afinal, toca rabeca ou violino? Nenhuma, é a questão. Todas, a solução.

Condecorado embaixador pelos ouvintes atentos, balanceia sentidos vários em três categorias. Chama ao palco as moças, recatadas pelos músicos dotados, transmitem em carne e osso o que as imagens digitais passaram, e cada obra tem sua verdade.

Dança: Tango-a-Tierra

Noite de gala da dança argentina brinda os espectadores com atrevimento

Dança

Um rrrádio dos anos 40, e uma aura futurista. São os contrastes que conduzem o espetáculo da companhia argentina ‘Tango-a-Tierra’, dirigida por Gillermo Salvat e Silvia Grynt. Como nos pares que se lançam, cruzam, entrelaçam, cortam, masculino e feminino, com tesoura cega: os sentidos do corpo mais aguçados.

Logo ao abrir das cortinas, um suntuoso conjunto brinda-nos em posição de ataque, anfitriões da casa, tomam posse de seus instrumentos e servem aos convidados doses nada moderadas de melodia e cordas que sossegam a madeira, adormecem o bandoneon e submetem a sinfonia a uma metáfora de creme.