Beijar é uma arte! 15 manifestações culturais sobre o beijo

“Profundezas de rubi não drenadas
Escondidas num beijo para ti;
Faz de conta que esta é um beija-flor
Que ainda há pouco me sugou.” Emily Dickinson

Compositor, produtor e instrumentista mineiro, Geraldo Vianna colocou em todas as plataformas digitais seu mais novo trabalho, “O Beijo – Um poema musical”, na última quinta-feira (13), data em que se comemora o Dia Internacional do Beijo. O álbum apresenta 14 faixas que refletem sobre o tema, algumas em parceria, como no caso de “O Beijo”, assinada com Fernando Brant. Além disso, uma obra do compositor erudito Robert Schumann ganhou letra de Murilo Antunes. “O beijo é um gesto, uma atitude que atravessa a história da humanidade e representa momentos importantes em nossa vida, nos conduzindo a várias experiências e sentimentos. Desde o carinho, o respeito e a sensualidade, até o beijo histórico que induz à traição. Além de tudo isso ele nos dá várias formas de prazer”, infere Geraldo. O disco, que sofreu “influências literárias de Florbela Espanca, Castro Alves e García Lorca”, vai ser apresentado em show ainda no primeiro semestre deste ano, mas não tem previsão de ser lançado em edição física. Vianna define o trabalho como “uma declaração de que a música mora no meu coração”.

6 marchinhas (quase) mineiras para o Carnaval

“Exaltação – Império Sentido na Avenida – Carnaval da síncope. Pratos limpos atirados para o ar. Circo instantâneo, pano rápido mas exato descendo sobre a sua cabeleira de um só golpe de carícia, e o teu espanto!” Ana Cristina Cesar

marchinha sobre temer e silvio santos

Nos últimos anos, além dos bares, BH tornou-se também a capital do Carnaval. Com uma programação ampla e diversificada a cidade passou a receber os tão tradicionais e antigos blocos carnavalescos que, fora remeter à memória, trouxeram suas próprias inovações com misturas inusitadas e, acima de tudo, festeiras. Vale fantasia, vale confete e serpentina, principalmente, vale alegria! Com esse intento selecionamos 6 marchinhas mineiras para você pular durante os 4 dias de farra e folia, cada uma delas distintas entre si, para privilegiar, como marca do carnaval de Belo Horizonte, justamente a diversidade. São elas uma marcha-rancho, uma marchinha entre o romance e a ironia, uma marcha em homenagem ao Carnaval e três marchinhas políticas, ambas com aquela já habitual pegada de humor. Vamos à festa foliar!

Crítica: “Chacrinha, o Musical” diverte, mas não avança na história do protagonista

“Cada produto da fantasia, cada criação da arte deve, para existir, levar em si o seu próprio drama, isto é, o drama do qual e pelo qual é personagem. O drama é a razão de ser da personagem. É sua função vital, necessária para que ela possa existir.” Luigi Pirandello

Chacrinha, o Musical, com Stepan Nercessian

De volta aos palcos para celebrar o centenário de nascimento de Abelardo Barbosa, o espetáculo “Chacrinha, o Musical” deixa claro, desde o princípio, quais são os motivos do seu sucesso: ele está ali para divertir, e investe pesado em atrações que tragam riso e leveza ao público, tal como o protagonista homenageado, que imortalizou bordões do tipo: “eu não vim para explicar, vim para confundir”. Essa noção de que o que interessava a Chacrinha era a fantasia, e a ideia de que ele constituía sua personagem, sobretudo, no palhaço, é a responsável por um dos grandes trunfos da montagem. Logo na abertura, o cenário inspirado por cordéis pernambucanos (terra de nascimento do apresentador, natural de Surubim) sustém sobre a cena uma aura mágica, possibilitando ao espectador, justamente, fugir da realidade tacanha, obsoleta e pragmática a que a mera objetividade o relega. Cada núcleo de artistas que sobe ao palco – este disposto para reconstituir o esquema de auditório consagrado por Chacrinha – envolve a cena com coreografias bem ensaiadas, mas que em determinado ponto ficam monótonas.

Os 5 videoclipes brasileiros mais visualizados

“À glória sucede/o que sucede à água:
por mais água que beba,/qual lhe sacia a sede?
Diverso o sucesso,/basta-lhe um verso
para essa desgraça/que se chama dar certo.” Paulo Leminski

Anitta vai lançar um clipe a cada mês

Após um relativo hiato vivido entre a era de ouro da MTV – nas décadas de 80 e 90 era o único canal cuja programação se resumia a transmitir vídeos musicais 24 horas por dia – e o boom das plataformas digitais, o videoclipe retomou seu protagonismo. A argumentação ganha força quando se constata que os artistas mais populares do país nos últimos anos lançaram mais videoclipes do que álbuns. Os principais gêneros a apostar no formato são o funk e o sertanejo universitário. Anitta, por exemplo, contabiliza quatro discos e 31 vídeos. Em janeiro, a sertaneja Marília Mendonça lançou três clipes de uma só tacada, enquanto a dupla Simone & Simaria mantém o posto de clipe brasileiro mais visto na história do YouTube, feito alcançado no primeiro mês de 2017.

12 videoclipes que já fizeram história

“A imagem inteligente é uma das formas que o cinema tem de ser profundo.” Luis Fernando Veríssimo

Videoclipes históricos no Brasil e no mundo

Aquele do Michael Jackson virando zumbi, do Freddie Mercury com roupas femininas ou, ainda, o do Raul Seixas cercado por relógios são exemplos de casos onde as músicas podem ser mais lembradas pelas imagens do que pelos sons. “Thriller”, “I Want to Break Free” e “Tente Outra Vez” continuam sendo belas canções, mas fica difícil avaliar se o impacto seria o mesmo se não fosse pelos videoclipes.

Entrevista: Jhê Delacroix, entre a irreverência e a preocupação histórica

“Tomo para mim uma tarefa inteira:
A de guardar um tempo, o todo que recebe
E livrá-lo depois de um jugo permanente.
Outros te guardarão. Não eu que só pretendo
Libertar na alegria o coração e a mente.” Hilda Hilst

Obra da artista plástica Jhê Delacroix

Ela imitava Sandy e Simony e ouvia Daniela Mercury, não necessariamente ao mesmo tempo. Entre as faxinas da mãe “escutava uma gama imensa de música de um determinado estilo”, sucesso na época, como a dupla sertaneja Zezé di Camargo & Luciano. “Não nasci Clarice Lispector por pouco”, confessa ela que, ao ser questionada sobre o nome artístico, responde como a autora de “A Maçã no Escuro”. “É segredo, só as crianças sabem”, ri-se. Assim Jhê Delacroix, natural de Niterói, no interior do Rio de Janeiro, e residente em Belo Horizonte há quatro anos mantém o mistério e não entrega pistas de parentesco com o pintor francês famoso por telas políticas, de que é o maior exemplo “A Liberdade Guiando o Povo”. Mas deixa claro que com seus 28 anos e alma lavada sem ter onde secar – para parafrasear Cazuza – navega entre a irreverência e a preocupação histórica. De volta à meninice Jhê recorda seus primeiros tempos. “Sempre amei escutar música e como também tinha essa aptidão imitava os artistas pros meninos mais velhos pra poder enturmar”.

Crítica: “Cheiro de Manga” saúda o corpo como a um estado de espírito

“A pele trans (luz). Si/dá. A carne é mansa. E den
tro o hirto centro: semen/te do existir e hi
fen do prazer. Não vi?/E é fruta. E ou é fruto
do inconsciente? Abrupto/estar, não-ser-aí?
Ou é silêncio ou gri/to? Ou é sumo ou suma
teológica? Uma/fruta? Fruto-em-si?” Heládio Brito

Laura de Castro protagoniza Cheiro de Manga

“Cheiro de Manga” nasce após uma experiência de Laura de Castro na África. Ou é possível conceber que o espetáculo é gerido durante a viagem, e que a sua permanência no corpo de Laura o trazem agora a outras plagas. Pois uma das capacidades do teatro é a de alargar tempo e espaço; outro fato pelo qual seria redutor restringir a atração à dança. “Cheiro de Manga” tem por princípio propor muito mais do que movimentos coreografados, embora a partir deles dispare suas noções de estupor e identidade – mas eles, aqui, são ponto de partida (disparador) e não chegada, não conclusão, longe de aspirar a algo retilíneo e determinado. Os elementos cênicos como o cenário, o figurino, a trilha sonora e as pontuais inflexões da luz corroboram na direção da mesma frequência de despojamento e encontro propostos pelo corpo de Laura. Ele respira, escuta, fala, cheira, toca, e expande suas sensações interiores para fora. Assim, a experiência ocorre na acepção da palavra, de assimilação no gesto, no ato, na sensibilidade da pele que através de caminhos encontra alma.

Crítica: Espetáculo “Nuvens de Barro” assimila poeta ao absurdo

“As coisas não querem mais ser vistas por pessoas razoáveis:
Elas desejam ser olhadas de azul –
Que nem uma criança que você olha de ave.” Manoel de Barros

Nuvens de Barro se inspira em textos de Manoel de Barros

É desafiador transpor uma obra rica imageticamente para outro campo de imagem. No caso: quando a imagem contida numa palavra passa a estar contida num corpo. Esse ambicioso projeto foi encarado, por exemplo, por dois cineastas, o austríaco Michael Haneke e o britânico Alfred Hitchcock, que adaptaram textos de Kafka para a tela grande. O espetáculo “Nuvens de Barro”, encenado pela Cia. de Dança Palácio das Artes, escolhe a obra de Manoel de Barros para a empreitada. Se fatores importantes da poesia do pantaneiro aparecem na montagem o cerne lhes escapa. Lá estão a liberdade, a brincadeira, a audácia e a proximidade, porém, aquele que pretendeu “monumentar as miudezas” transformava o absurdo em simplicidade, já a peça o compreende ao contrário. Com uma linguagem pura, infantil, quase arcaica, Barros eliminava excessos formais para que a exuberância resplandecesse ali, na palavra, na imagem. Ao expor os versos do poeta em sua condição literal, o espetáculo retira da obra o vigor e a contundência que residem, justamente, em sua alma figurada. Para Manoel, absurdo era o mundo prático, e não o avesso. Nos melhores momentos os gestos e elementos cênicos alcançam a singeleza.

Crítica: “Não existe vida no talvez” dispara gestos a favor da coragem

“Humildade de amar só por amar. Sem prêmio
que não seja o de dar cada dia o seu dia
breve, talvez: límpido, às vezes; sempre isento.
Ir dando a vida até morrer.” Cecília Meireles

"Não existe vida no talvez" é espetáculo de dança contemporânea

O título autoexplicativo não inibe a criatividade da Cia. Cena Alternativa. No espetáculo “Não existe vida no talvez”, levado à cena no Espaço Cultural Meia Ponta, a prerrogativa serve como disparador para que, através da dança contemporânea, os artistas desfilem sobre o tablado gestos nutridos de beleza e, sobretudo, necessidade. Há uma fina noção estética a conduzir todo o espetáculo que jamais se perde ou retrai-se, sendo responsável por marcar as movimentações sem com isto amarrá-las, vista tanto na escolha da trilha, a se acoplar com suavidade aos passos, quanto em outras opções fundamentais, preponderantemente figurino e cenário. Tanto isto que um se fundirá ao outro. Essa organicidade é observada junto a todos os elementos que compõe a dramaturgia, fato admirável quando se trata de tema tão vasto. Vastidão esta que não se ignora, mas, ao contrário, ganha amplitude pelos textos da dança.

Crítica: “Pai Contra Mãe” exacerba poder de resistência e cultura negra

“Mas então que é o tempo? É a brisa fresca e preguiçosa de outros anos, ou este tufão impetuoso que parece apostar com a eletricidade?” Machado de Assis

Cia. Fusion apresenta espetáculo Pai contra Mãe

Não é por acaso que um espetáculo tão moderno como “Pai Contra Mãe”, da Cia. FUSION de Danças Urbanas, tenha suas raízes fincadas em um conto ambientado no século XIX – por sinal cujo autor, Machado de Assis, negro nascido no Morro do Livramento, pouco frequentou escolas públicas e jamais teve acesso à universidade – já nessa aparente contradição a montagem almeja dizer algo. Aliás, nada é por acaso nesse espetáculo em que cada movimento nunca se descola do texto, que opta por uma linguagem simbólica e não descritiva, artifício que amplia ainda mais o impacto descarregado sobre a plateia. Outra escolha importante é a de não ignorar a presença da plateia, e, novamente, sem referir-se diretamente a ela amarrar um canal de comunicação que permite aos dançarinos encará-la como quem encara a realidade. Aquela realidade que, exposta aos olhos em suas feridas e profundidades, alcança com brilho e vigor as pontas que unem o passado escravocrata aos dias atuais.