12 videoclipes que já fizeram história

“A imagem inteligente é uma das formas que o cinema tem de ser profundo.” Luis Fernando Veríssimo

Videoclipes históricos no Brasil e no mundo

Aquele do Michael Jackson virando zumbi, do Freddie Mercury com roupas femininas ou, ainda, o do Raul Seixas cercado por relógios são exemplos de casos onde as músicas podem ser mais lembradas pelas imagens do que pelos sons. “Thriller”, “I Want to Break Free” e “Tente Outra Vez” continuam sendo belas canções, mas fica difícil avaliar se o impacto seria o mesmo se não fosse pelos videoclipes.

Análise: Paulo Silvino colocou corpo expressivo a favor das piadas

“Posso inventar qualquer coisa, zombar dos outros, criar toda espécie de mistificações, fazer todo tipo de piadas e não ter a impressão de ser um mentiroso; essas mentiras, se quiser chama-las mentiras, sou eu, tal como sou; com essas mentiras, não simulo nada, na realidade com essas mentiras estou dizendo a verdade.” Milan Kundera

Paulo Silvino deu vida ao porteiro Severino

Se o modelo de beleza grega é pautado pela constância entre equilíbrio, simetria, harmonia e proporcionalidade, o que esta noção sugere como risível aponta justamente para o contrário. Diante deste segundo quadro, podemos nos deparar, frente ao ridículo, com outras duas possibilidades: repulsa ou empatia. Quando esta segunda reação acontece estamos, inevitavelmente, no campo do humor. No caso do ator Paulo Silvino, uma observação panorâmica revela o uso destas valências em todos os personagens que ele, literalmente, incorporou ao longo da trajetória. Não que sua representação buscasse o realismo ou alguma naturalidade, ao contrário. Com trejeitos e cacoetes típicos das definições de caricatura, Silvino soube colocar seu corpo expressivo e abundante a favor de piadas tão imediatas quanto uma assimilação física da realidade. Criou bordões cuja impulsão vinha mais da estética que do conteúdo. Prova é que a mera reprodução das palavras utilizadas não é capaz de alcançar o sentido delas quando imprimidas na tela por meio das atuações.

Análise: Jeanne Moreau personificou a liberdade feminina

“Viver, depois colocaremos uma etiqueta.” François Truffaut

Jeanne Moreau atriz de cinema francesa

Quem interpreta tem o costume de dizer que o trabalho acontece no corpo. Não através ou com, mas nele: tanto dentro quanto fora desta matéria que nos permite a existência terrena. No caso de Jeanne Moreau essa construção não ficava explícita. Difícil determinar se ali havia psicologismo, intuição ou preponderância física, fato é que o gesto se ajustava às intencionalidades – isto dito em seus melhores momentos no cinema assim como na amplitude das possibilidades cênicas, pois é o que se cristaliza dos ícones. Dito isto, o que permanece de Jeanne Moreau – em clássicos da tarimba do cínico “Os Amantes”, dirigido por Louis Malle; o existencialista “A Noite”, de Antonioni; e, principalmente, o provocativo “Jules e Jim”, de Truffaut – é o olhar inquisidor da atriz, tanto ou mais afirmativo em relação ao timbre de voz levemente travesso.

7 Faces Musicais do Poeta Drummond

“A boca está comendo vida.
A boca está entupida de vida.
A vida escorre da boca,
lambuza as mãos, a calçada.
A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.” Carlos Drummond de Andrade

Poesias de Drummond viram música

“parti-me para o vosso amor/que tem tantas direções/e em nenhuma se define/mas em todas se resume”. Para interpretar ao poeta – o dono dos versos – ninguém melhor do que ele próprio. No entanto, Carlos Drummond de Andrade teve sua escrita transformada não apenas na cabeça e coração dos leitores, como também através da música e do cinema. Sete faces que se transmudam em outras na obra daquele que tinha uma palavra de sua predileção: “taciturno”.

Entrevista: O encontro de Louise Cardoso com Leila Diniz

“Toda mulher é meio Leila Diniz…” Rita Lee

Louise Cardoso protagonizou o filme "Leila Diniz"

“Nem de amores eu morreria, porque eu gosto mesmo é de viver deles”. A frase pertence àquela que se habituou a contrariar padrões e dar a volta nos clichês. Mais do que atriz, Leila Diniz tornou-se símbolo da liberação feminina em plena ditadura militar no Brasil, tanto que, em 1969, após uma polêmica entrevista recheada de palavrões ao jornal O Pasquim, foi outorgada lei que ficou conhecida como Decreto Leila Diniz, e que ampliava a censura do regime antidemocrático. Não adiantou, pois ela seguiu desfilando liberdade até 1972, a despeito de empunhar bandeiras ou palavras tidas como as de ordem.

Quinze anos após a trágica morte de Leila num acidente de avião em Nova Déli, na Índia, Louise Cardoso recebeu a missão de interpretar a artista na cinebiografia lançada em 1987 e dirigida por Luiz Carlos Lacerda, o popular Bigode, amigo íntima da homenageada, tanto que trabalhou com ela, por exemplo, em “Mãos Vazias”, na adaptação para o romance de Lúcio Cardoso. “Assim que o convite chegou, a primeira coisa que fiz foi procurar conhecer a fundo a Leila. Vi seus filmes todos mais de uma vez, li muitas entrevistas dela, conversei com pessoas que conviveram intimamente, e depois o diretor Luiz Carlos Lacerda me emprestou os diários dela. Aí pude saber quem realmente era Leila Diniz, sua maneira de pensar o mundo, como sentia as pessoas, suas opiniões, desejos, sonhos, medos”, relembra Louise.

A Arte imita a Vida

“Não tenho absolutamente nenhuma ojeriza pelas adivinhas; acho até que são bastante úteis, pois mantêm e sustentam no nosso espírito essa coisa que é mais necessária à nossa vida que o próprio pão: a ilusão.” Lima Barreto

Nelson Xavier interpreta Chico no cinema

Pixinguinha, Chacrinha, Bozo e Carlos Marighella irão viver novamente, graças à magia do cinema. Figuras da atualidade como Roberto Carlos, Erasmo Carlos, o maestro João Carlos Martins e a trupe do Planet Hemp também terão suas vidas contadas na tela grande em 2017. Nada que já não tenha acontecido com Olga Benário, Leila Diniz, Luz Del Fuego, Noel Rosa, Tiradentes, Heitor Villa-Lobos, Xica da Silva, Madame Satã e Bruna Surfistinha. A prática é comum também fora de terras brasileiras – vide os casos de Napoleão, Gandhi, Edith Piaf, Truman Capote, Oscar Wilde e mais uma infinidade – e, embora crescente, está longe de ser novidade. No entanto, a quantidade de filmes com essa temática prevista para estrear no Brasil este ano revela que há algo de novo acontecendo no mercado.

Em 2016, por exemplo, a cinebiografia de Elis Regina levou 538 mil espectadores às salas de cinema, sendo a nona maior bilheteria de um filme nacional no ano. Protagonizado por Andreia Horta, a mimese da personagem impressionou leigos e especialistas, embora o longa-metragem não tenha sido tão bem recebido pela mídia especializada, que acusou a “opção claramente conservadora do ponto de vista cinematográfico, o que, aliás, é norma do cinema brasileiro atual”, escreveu o crítico Inácio Araújo. Luiz Bolognesi, roteirista do filme, ao lado de Hugo Prata (diretor) e Vera Egito, afirma que a maior dificuldade em uma empreitada deste vulto “é condensar uma vida que teve 36 anos em uma hora e meia de duração, pois é preciso estabelecer um recorte e definir a linha que iremos seguir para contar a história”. No caso de “Elis” a opção foi priorizar “a relação dela com os homens, desde o pai, passando pelos maridos (Ronaldo Bôscoli e César Camargo) até os amantes, pois tiveram uma importância fundamental na obra dela, foram todas relações intensas e atribuladas que ela levou para a música”, considera.

Memória: Josephine Baker simbolizou liberdade feminina nos anos 1920

“Pela manhã, como deve sentir-se poderoso o vento
Ao se deter em mil auroras,
Desposando cada uma, rejeitando todas
E voando para seu esguio templo, depois.” Emily Dickinson

Josephine Baker foi símbolo de exotismo e popularidade

Há um século e uma década nascia para o mundo Freda McDonald, que para sempre permaneceria desconhecida dele. Porém sua personagem é ainda lembrada. Josephine Baker, junção do próprio sobrenome com o do marido é referência imediata para o universo da dança, dos costumes, da luta pelos direitos da mulher, dos negros e de todas as minorias perseguidas. Sua contribuição artística, ao contrário do percebido pela extensa maioria em sua época, portanto, transcendeu aos critérios momentâneos orientados pela estética a fim de alcançar aquele valor concedido às obras-primas: marcou profundamente a maneira de pensar da humanidade; ou, ao menos, sugeriu novas aberturas para ela. Natural do meio-oeste dos Estados Unidos, quando chegou à maioridade migrou para Paris, onde, dizia-se, respirava-se vanguarda e liberdade; naqueles “Loucos Anos 20” por lá passavam pintores como Picasso e escritores do porte de Hemingway e Gertrude Stein, considerada mentora intelectual de muitos deles. Mas não havia nada como o exotismo de Josephine Baker. Trazia, ao seu lado, Chiquita, uma guepardo de estimação.

Análise: “Estação Plural” exalta a diversidade sexual e de gênero

“Aviso que vou virando um avião. Cigana do horário nobre do adultério. Separatista protestante. Melindrosa basca com fissura da verdade. Me entenda faz favor: minha franqueza era meu fraco (…) Não olho para trás. Aviso e profetizo com minha bola de cristais que vê novela de verdade e meu manto azul dourado mais pesado do que o ar. Não olho para trás e sai da frente que essa é uma rasante: garras afiadas, e pernalta.” Ana Cristina Cesar

Atração é comandada por trio de apresentadores

Tendo como princípio a diversidade sexual e de gênero, o programa “Estação Plural”, exibido nas segundas-feiras a partir das 22h na TV Brasil, amplia o leque para a raiz e o radical inerente ao tema: diversidade de vida que almeja à tolerância e ao respeito. No elogio ao múltiplo a descoberta de que a riqueza concentra-se no que é vário, e não singular. São paradoxos esmiuçados com consciência, experiência e conhecimento: somos todos únicos e iguais em alguma medida, e é pela identificação humana que devemos reconhecer no outro todas as diferenças que nos propiciam uma existência passível de exuberância. No comando da atração Ellen Oléria, Fefito Oliveira e Mel Gonçalves exibem personalidades tão distintas quanto complementares, não no sentido limitador, mas na coesão que os tons encontram por serem de diferentes peças, para além do quebra-cabeça, mas, por ora, uma sinfonia, aonde a música foge e se oferece harmônica justamente pela impalpabilidade.

Análise: 30 anos da morte de Andrei Tarkovsky, cineasta do tempo

“Você olha um relógio. Ele funciona, mostra as horas. Você tenta compreender como ele funciona e o desmonta. Ele não anda mais. E no entanto essa é a única maneira de compreender…” Andrei Tarkovsky

Tarkovsky é um dos maiores cineastas da Rússia

Há pessoas que morrem para tornarem-se eternas, e há outras que nascem para isso. Andrei Tarkovsky viveu somente 54 anos, o suficiente para determinar-se como um dos mais relevantes cineastas já surgidos na Terra. Natural de uma aldeia do interior da Rússia, sua morte precoce, em Paris, é, até hoje, cercada de controvérsias, tendo-se atribuído o câncer que ele, sua esposa, e o ator principal do filme, Anatoli Solonitsyn desenvolveram a uma contaminação química adquirida nos locais de gravação do longa-metragem “Stalker”, um dos mais enigmáticos do diretor. Aliás, a película é exemplar no que tange às características preponderantes do cinema de Andrei. A capacidade para realizar através de imagens pensamentos críticos e complexos, permeados por uma adesão poética do espaço sem, com isto, anular aspectos inerentes a condições por definição matemáticas, e que buscam explicar a nossa existência, como expressões da física e das ciências.

Entrevista: Ana Cecília Costa cria mundos com sua arte

“Uma mulher que ama poderá desejar muito ser mãe, porém, o desejo apenas, embora profundo e intenso, não é suficiente. Entretanto, um dia ela se tornará mãe, sem, contudo, ter-se apercebido do momento em que isso se deu. O mesmo acontece com o artista: vivendo, ele reúne em si um sem-número de germes de vida e nunca poderá afirmar ‘como’ e ‘por que’, num determinado momento, um desses germes vitais penetrou a sua fantasia para tornar-se, também ele, uma criatura viva, no plano da vida superior, acima da volúvel existência de todos os dias.” Luigi Pirandello

Atriz Ana Cecília Costa é protagonista da peça "A Língua em Pedaços"

Ana Cecília Costa não nasceu ontem, mas também não se atrela ao tempo para determinar os próximos passos. Com ganas e energia de quem está sempre começando, ela segue em cartaz com o projeto “A Língua em Pedaços”, do qual foi mentora e onde interpreta a protagonista Santa Teresa D’Ávila, que tem partes de sua vida contadas no espetáculo dirigido por Elias Andreato com texto de Juan Mayorca e atuação de Joca Andreazza. “Esse é um espetáculo que desejo levar por muito tempo, porque Teresa D’Ávila é uma personagem inesgotável, atemporal, me faz muito bem interpretá-la, e percebo que também faz bem ao público ouvi-la. Temos tido uma recepção maravilhosa por onde passamos. Possivelmente, voltaremos com a peça em São Paulo ano que vem no Mosteiro de São Bento”, anseia. Mas não para por aí, ao contrário.