Entrevistas: Simone Zuccolotto e Paulo Mendonça celebram 20 anos do Canal Brasil

“Se quiser, banco o francês
Quase tão bem como ele.
Sou brasileiro, bem sei,
Mas sou mais universal.” Murilo Mendes

Malabarismos automobilísticos e consultas de ocultismo. Foi assim que o Canal Brasil “começou”, há 20 anos, num dia 18 de setembro de 1998. A descrição corresponde à sinopse do primeiro filme exibido pela emissora. “Sonho Sem Fim”, dirigido por Lauro Escorel, não por acaso contava a história de um dos precursores do audiovisual no país: o gaúcho Eduardo Abelim, que, para conseguir produzir seus filmes, subia em veículos em movimento e jogava cartas para adivinhar o futuro. Como o protagonista, a trajetória do Canal Brasil também se firmou nesses três pilares: pioneirismo, resiliência e coragem. Confira abaixo as entrevistas com a apresentadora Simone Zuccolotto e o diretor-geral do canal, Paulo Mendonça.

22 programas marcantes na história do Canal Brasil

“A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil” Manuel Bandeira

Para comandar um programa na emissora é preciso ter estilo. Esse parece ser o principal recado que o canal enviou ao longo de uma história em que se dedicou a fomentar a cultura nacional, abarcando cinema, música, teatro, literatura e as artes plásticas, sem deixar o humor de lado e priorizando, sempre, a liberdade criativa. Listamos abaixo 20 programas inesquecíveis dessas duas décadas no ar.

Entrevista: O caminho do rap de Marcelo D2 a Hungria Hip Hop

“É preciso mais uma vez uma nova geração que saiba escutar o palrar os signos.” Ana Cristina Cesar

Encontros de astros do rap com artistas de outros segmentos ficaram comuns. Criolo gravou com Ivete Sangalo. Marcelo D2 se dedicou a cantar o samba de Bezerra da Silva. Renegado está em turnê com a Orquestra Ouro Preto. Enquanto isso, Emicida, Hungria Hip Hop e Karol Conka dividem a trilha sonora da atual temporada de “Malhação” com uma nova safra de funqueiros. “Ter uma música em novela da Globo é uma quebra de barreiras. O rap está alcançado lugares que nunca imaginamos”, afirma Hungria. Para completar, o rapper canadense Drake fez história ao se tornar o primeiro artista a bater os 50 bilhões de reproduções em streaming.

Marcelo D2

1 – Qual a importância para você de participar de um festival como o Saravá, que já traz no próprio nome uma ode às raízes negras e reúne um time de artistas como DJ Negralha, DJ Xeréu, Parceria Fina e outros, cuja trajetória esteve sempre voltada para o hip hop, reggae, rap e soul?
Esse lance de raiz é uma parada muito presente pra mim. Meu próximo trabalho, o “Amar é para os Fortes”, por exemplo, é todo produzido por um coletivo que chamamos de “mulato”. E, longe do significado pejorativo que muita gente associa ao termo, mulato é essa mistura que é indissociável ao brasileiro, é essa miscigenação de raízes que define a nossa identidade. Então, pra mim é uma honra participar da primeira edição de um festival como o Saravá. E dividir o palco com essa rapaziada é uma responsabilidade grande.

Centenários 2018: Ingmar Bergman foi único ao fazer sempre o mesmo filme

“as dores amainaram, o corpo está dormente e a luz solar reflete-se, por alguns instantes, sobre a grande cama, lá onde ela está deitada, pequena e encolhida, com as mãos abertas. Volta e meia, percorre o pequeno corpo num estremecimento, parecido com um soluço, mas, que é, agora, quase tranquilo. O pequeno pêndulo, com seu pastor tocando flauta, mede, imperturbado, o tempo.” Ingmar Bergman

Ingmar Bergman (1918-2007) faz sempre o mesmo filme. Assistir a cada um deles é uma experiência única. Algumas palavras podem dar conta do seu cinema, como nostalgia, remorso, existencialismo, abandono, angústia, socorro, mas uma delas se sobressai. Quem já teve a oportunidade de ler um roteiro escrito pelo sueco tem a possibilidade de se perguntar o porquê dele ter preferido a sétima arte à literatura. É com agudez, poesia, riqueza de detalhes, e ritmo que o diretor tece os caminhos que o levam direto para a interrogação. Dúvida é a palavra que melhor descreve a prolífica obra de Ingmar Bergman. Não como em Godard ou mesmo Tarkovski, mas em seu sentido mais clássico.

10 faces artísticas do inesquecível Ivon Curi

“Acaso será que existe um autor capaz de indicar ‘como’ e ‘por que’ uma personagem lhe nasceu na fantasia? O mistério da criação artística é idêntico ao do nascimento natural” Luigi Pirandello

Ivon Curi já era, na década de 50, o que hoje se costuma chamar de artista plural. Além de cantar em vários idiomas, ele era capaz de interpretar – tanto na música, quanto no cinema – da comédia ao drama. Nessa dobradinha, sempre levava uma arte para a outra, ou seja, atuava musicalmente e cantava com dramaticidade. Mineiro de Caxambu, Ivon logo migrou para o Rio de Janeiro, então grande meca da cultura nacional. O legado, para além dos sucessos, foi a grandeza de carregar a sátira, a brincadeira e a impertinência charmosa para patamares, até então, jamais explorados. Gravou, ao todo, mais de 50 discos.

Beijar é uma arte! 15 manifestações culturais sobre o beijo

“Profundezas de rubi não drenadas
Escondidas num beijo para ti;
Faz de conta que esta é um beija-flor
Que ainda há pouco me sugou.” Emily Dickinson

Compositor, produtor e instrumentista mineiro, Geraldo Vianna colocou em todas as plataformas digitais seu mais novo trabalho, “O Beijo – Um poema musical”, na última quinta-feira (13), data em que se comemora o Dia Internacional do Beijo. O álbum apresenta 14 faixas que refletem sobre o tema, algumas em parceria, como no caso de “O Beijo”, assinada com Fernando Brant. Além disso, uma obra do compositor erudito Robert Schumann ganhou letra de Murilo Antunes. “O beijo é um gesto, uma atitude que atravessa a história da humanidade e representa momentos importantes em nossa vida, nos conduzindo a várias experiências e sentimentos. Desde o carinho, o respeito e a sensualidade, até o beijo histórico que induz à traição. Além de tudo isso ele nos dá várias formas de prazer”, infere Geraldo. O disco, que sofreu “influências literárias de Florbela Espanca, Castro Alves e García Lorca”, vai ser apresentado em show ainda no primeiro semestre deste ano, mas não tem previsão de ser lançado em edição física. Vianna define o trabalho como “uma declaração de que a música mora no meu coração”.

10 filmes marcantes com Meryl Streep

“Já fui loura, já fui morena,/já fui Margarida e Beatriz.
Já fui Maria e Madalena./Só não pude ser como quis.
Que mal faz, esta cor fingida/do meu cabelo, e do meu rosto,
se tudo é tinta: o mundo, a vida,/o contentamento, o desgosto?” Cecília Meireles

Meryl Streep é recordista de indicações ao Oscar

Recordista de indicações ao Oscar nas categorias ligadas à atuação, Meryl Streep volta a concorrer em 2018 por seu papel em “The Post: A Guerra Secreta do Jornalismo” e, com isto, passa a ter o nome incensado na Academia pela 21ª vez. Editor-chefe do site “Papo de Cinema”, o crítico de cinema Robledo Milani garante que “quem contesta essas indicações é porque não conhece o trabalho dela”. Aos 68 anos, a atriz acumula mais de 70 longa-metragens no currículo.

“O que mais me chama a atenção é a capacidade dela de não se mostrar Meryl Streep. Cada personagem é um mergulho naquele personagem e uma vontade de desaparecer para dar vazão a uma outra vida. Ela não repete maneirismos, consegue sublimar a persona, o que é também uma demonstração de humildade”, afiança Milani. O crítico elege os momentos mais marcantes da trajetória da atriz norte-americana.

Análise: Musa, Tônia Carrero preferiu os palcos de teatro

“É isso mesmo! Exatamente! Dar vida a seres vivos, mais vivos que aqueles que respiram e vestem roupas! Menos reais, talvez, porém mais verdadeiros.” Luigi Pirandello

Tônia Carrero faleceu aos 95 anos de idade
Paulo Autran dizia que ela sofria preconceitos pela aparência. O fato de ter sido considerada uma das atrizes brasileiras mais bonitas de todos os tempos pesou, no início da carreira, tanto contra quanto a favor de Tônia Carrero. Como quem abre portas, a primeira impressão provocava, de cara, um encantamento. No entanto, por algum período ela foi questionada quanto ao talento. Autran, justamente o companheiro mais longevo nos palcos de teatro, denunciava a discriminação no meio artístico em relação à possibilidade de conjugar inteligência, sensibilidade e beleza. É compreensível que todas essas qualidades numa só pessoa cheguem a incomodar em um meio tão pautado pela vaidade. Aliás, para Tônia a palavra de ordem era quase seu antônimo: humildade. Engraçado que poucas vezes ela tenha se apagado para dar vazão a uma personagem. Tônia foi uma atriz personalista, e que invocava um estilo.

Pocilga: o Surrealismo Social de Pier Paolo Pasolini

“Cessa estes ecos porcos,
Esta imundície coxa, este braço torto
Reabre o tapume verde do poço,
Salta dentro, ao negrume tosco
E se nada resta afoga-se no lodo” Ana Cristina Cesar

Pasolini filmou Pocilga em 69

Após chamar Hitler de “fêmea assassina” logo na introdução, a cena seguinte apresenta um curral de porcos prontos para serem abatidos. A sordidez das imagens se completa através da trilha original tocada ao piano por Benedetto Ghiglia. Trata-se do filme italiano “Pocilga”, lançado em 1969, e chamado em sua língua pátria de Porcile. Ainda que seja definido pelo crítico Luiz Santiago como:

Uma de suas realizações mais estranhas, não necessariamente pelo conteúdo (até porque existe Saló ou 120 dias de Sodoma), mas pelo fato de o filme também ser tido pelo diretor como uma grande metáfora ou ainda um grande jogo sádico entre psicologia humana, política e sociedade, tríade que pontua a civilização e é responsável tanto pelo seu aparente sucesso quanto pelo seu
comprovado fracasso (SANTIAGO, 2014).

14 atores e atrizes brasileiras que se arriscaram na música

“O mundo tornou-se novamente ‘infinito’: na medida em que não podemos rejeitar a possibilidade de que ele encerre infinitas interpretações.” Nietzsche

Música e interpretação se misturam no Brasil

Não é de hoje que os mundos da canção e da dramaturgia se encontram. Muitos foram os artistas brasileiros que desempenharam esses dois papeis. Na última quinta-feira (2) a atriz Eva Wilma resolveu estrear no ofício, a convite de seu filho, o cantor e compositor Johnnie Beat.

EVA WILMA
Aos 83 anos, a atriz participa do espetáculo “Crise, Que Crise?”, e canta pela primeira vez no palco. De acordo com ela, sua principal inspiração foi a paulistana Inezita Barroso (1925 – 2015), atriz, cantora e apresentadora do programa “Viola, Minha Viola”, durante mais de 30 anos, na TV Cultura.