3 músicas brasileiras para Tiradentes

“Ele representava o eterno dissidente, o constante inconformado, o eterno rebelde.” Reinaldo Arenas

Tiradentes foi retratado na música de Minas

Símbolo da insurgência por sua atuação destacada na Inconfidência Mineira – mártir e principal símbolo do movimento – o alferes Joaquim José da Silva Xavier teve sua trajetória retratada na música, no cinema, na literatura, no teatro e nas artes plásticas, dentre outras manifestações culturais igualmente populares, tanto que o apelido tornou-se, inclusive, nome de cidade mineira: Tiradentes. Especificamente na canção, o rebelde Tiradentes foi exaltado em forma de samba-enredo, usado em paródia carnavalesca e cantado com lirismo numa valsa cuja matriz principal é o chorinho. Seja como for, sua imagem permanece levando para gerações a premência da liberdade, ainda que tardia.

Entrevista: Jhê Delacroix, entre a irreverência e a preocupação histórica

“Tomo para mim uma tarefa inteira:
A de guardar um tempo, o todo que recebe
E livrá-lo depois de um jugo permanente.
Outros te guardarão. Não eu que só pretendo
Libertar na alegria o coração e a mente.” Hilda Hilst

Obra da artista plástica Jhê Delacroix

Ela imitava Sandy e Simony e ouvia Daniela Mercury, não necessariamente ao mesmo tempo. Entre as faxinas da mãe “escutava uma gama imensa de música de um determinado estilo”, sucesso na época, como a dupla sertaneja Zezé di Camargo & Luciano. “Não nasci Clarice Lispector por pouco”, confessa ela que, ao ser questionada sobre o nome artístico, responde como a autora de “A Maçã no Escuro”. “É segredo, só as crianças sabem”, ri-se. Assim Jhê Delacroix, natural de Niterói, no interior do Rio de Janeiro, e residente em Belo Horizonte há quatro anos mantém o mistério e não entrega pistas de parentesco com o pintor francês famoso por telas políticas, de que é o maior exemplo “A Liberdade Guiando o Povo”. Mas deixa claro que com seus 28 anos e alma lavada sem ter onde secar – para parafrasear Cazuza – navega entre a irreverência e a preocupação histórica. De volta à meninice Jhê recorda seus primeiros tempos. “Sempre amei escutar música e como também tinha essa aptidão imitava os artistas pros meninos mais velhos pra poder enturmar”.

15 Músicas de Sucesso no Carnaval

“O Carnaval é a invenção do Diabo que Deus abençoou…” Caetano Veloso

Músicas de sucesso no carnaval

Cantado em verso e prosa e de cabo a rabo no Brasil todo, o Carnaval é certamente a festa popular do país mais reconhecida intramuros e além deles, pois feito, principalmente, de exaltação e liberação de costumes, transas e bodes. Com a bênção de Baco, Deus e o Diabo, a festança se estende por 4 dias entre os 4 cantos e becos e bocas por avenidas, blocos, ruas, confetes e serpentinas. Tradição maior a folia canta suas alegrias, tristezas e esperanças, em forma de sátira, gozo ou lamentação desde que o mundo é mundo, mas, no caso, aqui vamos da década de 1930 até os anos 2000, com direito a Carmen Miranda, Braguinha, Assis Valente, Caetano Veloso, Gal Costa e tudo o mais!!!

4 marchinhas para o Carnaval de BH

“Parece que o olho deles
Esticou, ficou maior…
É claro, estão esperando
A volta do carnaval.” Murilo Mendes

Festa na capital mineira reúne vários foliões

Nos últimos anos, além dos bares, BH tornou-se também a capital do Carnaval. Com uma programação ampla e diversificada a cidade passou a receber os tão tradicionais e antigos blocos carnavalescos que, fora remeter à memória, trouxeram suas próprias inovações com misturas inusitadas e, acima de tudo, festeiras. Vale fantasia, vale confete e serpentina, principalmente, vale alegria! Com esse intento selecionamos 4 marchinhas para você pular durante os 4 dias de farra e folia, cada uma delas distintas entre si, para privilegiar, como marca do carnaval de Belo Horizonte, justamente a diversidade. São elas uma marcha-rancho, uma marchinha entre o romance e a ironia, e duas marchinhas políticas, ambas com aquela já habitual pegada de humor. Vamos à festa foliar!

5 músicas revolucionárias com Clementina de Jesus

“Desde então, os povos das montanhas dizem que a amizade ajuda a tornar as pessoas mais livres.” Contos Africanos

Clementina de Jesus, a rainha Quelé da música brasileira

Somente o fato de gravar o primeiro disco com mais de 60 anos de idade já foi uma revolução de Clementina de Jesus dentro da música popular brasileira, ainda mais cantando ritmos de origem africana com sua voz típica daquelas paragens. Clementina de Jesus foi uma revolucionária do cancioneiro popular sem para isto empunhar bandeiras, pulsos ou brasões, sua presença de espírito – no que o sentido alude ao sincretismo nacional – em todos os sentidos, ao cantar as memórias de seu povo escravo e impor sua figura feminina, negra e de origem humilde, determinaram novos paradigmas para a concepção que se instaurava naquele período. A influência seguiu e deve permanecer por muito tempo ainda, forte e livre, como a ladainha de nossa Rainha Quelé Clementina.

10 músicas brasileiras para o coração

“Sei eu se quando
A tua mão
Senti pousando
Sobre o meu braço,
E um pouco, um pouco,
No coração,
Não houve um ritmo
Novo no espaço?” Fernando Pessoa

Artistas brasileiros fizeram músicas para o coração

Na boca dos cantores, na pena dos poetas e sob o olhar dos amantes e das paixões tardias, ele recebe vários contornos, cores diversas, mas a expressão é sempre a mesma: símbolo do sentimento; representa o amor e a vida. Por isso foi instituída data para não esquecermos que ele merece cuidados. Para celebrar o Dia Mundial do Coração, listamos abaixo 10 músicas brasileiras sobre o tema. Materno, leviano ou vagabundo; em desalinho ou de estudante; o coração do Brasil bate em seu TIC-TAC ao ritmo de forró, xote, samba, marcha e até tango. Dramático ou satírico, apaixonado ou tranquilo, o coração vem de Vicente Celestino, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Elba Ramalho, Zeca Pagodinho, ao ritmo da vida que recebe a música como remédio e amiga.

10 sucessos da música infantil brasileira

“As Nações já tinham casa, máquina de fazer pano,
de fazer enxada, fuzil etc.
Foi uma criançada mexeu na tampa do vento
Isso que destelhou as Nações” Manoel de Barros

O universo infantil deu vários sucessos para a música brasileira

A música que versa sobre o universo infantil nem sempre é só para crianças, embora tenda a atendê-las. Ou seja, talvez, para a criança que teima em existir em cada um de nós. Afinal tudo na vida é feito para se ter alegria, voltar a brincar com a leveza e plenitude dos primeiros anos. Com essa intenção, muitos dos nossos cantores e compositores cravaram verdadeiros sucessos da música infantil brasileira no nosso imaginário popular, desde a década de 1940, passando pelos anos 1950, 1960 e assim por diante até os anos 2000. Com múltiplas abordagens, reafirmando o caráter diversificado da nação, passeamos ao sabor de Braguinha, Carequinha, Mamonas Assassinas, Os Trapalhões, Zacarias, Jô Soares, Adriana Partimpim e relembramos a infância.

9 músicas carnavalescas de Moraes Moreira

“Alegria, alegria é o estado que chamamos Bahia
De todos os santos, encantos e axé, sagrado e
Profano, o baiano é carnaval…” Moraes Moreira & Armandinho Macedo

Moraes Moreira é o autor de vários sucessos de carnaval

Baiano de Ituaçu, no interior do estado, Moraes Moreira escreveu uma canção apenas para dizer que não era Alceu Valença. Ele mesmo reconhece que o engano tem fundamento, pois, apesar de usar “bigode e ele não”, as influências pernambucanas são recorrentes em suas músicas, especialmente a predileção por frevos. Moraes foi dos principais artífices na consolidação do “Trio Elétrico” com voz, sendo um de seus primeiros cantores, e, por muitos carnavais, despontou ao lado de Armandinho, Dodô e Osmar nas ruas da Bahia. Um dos fundadores dos “Novos Baianos” o espírito e a energia inovadora e entusiasmada jamais o abandonaram e, talvez por isso, Moraes soe como carnavalesco mesmo quando compõe baladas com o poeta Paulo Leminski ou lega à nossa música popular brasileira o melhor de suas reflexões existenciais.

Análise: A herança das Carmen’s na música brasileira

“Teus lábios cor das papoilas,
Vermelhos como o carmim,
Não são lábios nem papoilas
São pedaços de cetim.” Florbela Espanca

Carmen Costa, Carmen Silva e Carmen Miranda, cantoras do Brasil

Com a morte de Carmen Silva encerra-se, ao menos em vida, a dinastia deste nome na música brasileira. A herança das três, no entanto, permanece, em seus diferentes espectros e singularidades. A mais conhecida delas, Carmen Miranda, representa também o maior número de paradoxos. Símbolo de brasilidade, nascida em Portugal, alçou o país à fama internacional ao se apresentar nos palcos e participar de filmes emblemáticos na terra do Tio Sam, os Estados Unidos da América.

Carmen Costa guarda mais semelhanças com a outra xará, exemplo o fato de ambas terem trabalhado como empregada doméstica, o que expõe também traço marcante da sociedade brasileira. Também participou de chanchadas nacionais e gravou sucessos carnavalescos, cujo mais expressivo continua sendo “Cachaça”, que tem entre seus compositores Mirabeau.

10 músicas sobre comportamento de Gilberto Gil

“Meu caminho pelo mundo…
Eu mesmo traço,
A Bahia já me deu,
Régua e compasso…” Gilberto Gil

O cantor e compositor Gilberto Gil

Useiro e vezeiro em misturar as influências, ritmos e estilos, tropicalista por vocação e origem, baiano de nascimento e brasileiro até a espinha, Gilberto Gil é dos compositores mais ouvidos e repetidos por bocas e becos e lonas, e para isso há motivo mais do que consistente. É que com sua geleia geral o autor de “Aquele Abraço”, “Toda Menina Baiana”, “A Paz”, e tantos, mas tantos outros sucessos sempre manteve o olhar como de cronista, não preso aos fatos, porém transformando-os – por sua concepção poética e fluida do mundo – em instrumentos de reflexão e mudança. Talvez aí resida o segredo de Gil estar-nos tão próximo, pois afinal fala sobre comportamento não a partir da moral, e, sim, arte, e não inventaram ainda melhor maneira de comunicação e contato.