Artes Plásticas: Camille Claudel

“Dôo-me até onde penso,
E a dor é já de pensar,
Órfão de um sonho suspenso
Pela maré a vazar…” Fernando Pessoa

Escultura Valsa

A onda traz até mim um cachorro. Tem olhos cor de rosa, língua pra fora a singrar os mares. Não vai haver facilidades, encontro-me num parto complicado. Anestesia não esconde a culpa de parir o que sou e não veio, nem existe na rede nem espada em riste. Pescadores jogam promessas.

Vago. Levanto-me. Mistério das missas. Miríades dos rejeitados. Erguido da rocha de sais. Sou eu a escultura de Camille Claudel. Perdão ou cura no papel, assinada pelo médico com broca. Hospício de minhas loucuras. Sanidade das minhas mártires. Erro e crio o novo. Procrio gazela no cio da mata come-me fogo, argila-lama, mata.

Artes Plásticas: G. T. O.

Mostra revela arte genuína do mestre mineiro da escultura

Artes Plásticas

Vede o verde em flor? A roçar nos alvos campos, de brancura incolor? Chama-se magia esmeralda, a esmerada música. A que se julgou. Sob o deleite dos homens. Que em meio ao jardim sem flores. Inventaram meios de se re-compor.

Martelo com asa de besouro vira o quê? Vôo cego, casca rija. Árvores e árvores transformadas no corte da madeira que assimila o homem: desejos, angústias, saudades, loucura. Sigla ou iniciais capazes de representar o todo resto do mundo.

Artes Plásticas: Goya

Exposição salienta espírito contestador do artista

Artes Plásticas

Eu chorei de felicidade, como há muito não chorava chuva… Os meus contemporâneos são todos inertes refluxos, tenho que amanhecer. Nas profundezas de Goya, espúrios jatos de massa grossa, pastosa, espessa camada sob a superfície viva da vida. “Escrever com sangue”, explode Nietzsche.

É um gozo, um regozijo dançar no lago escuro do amor trêmulo. A arte ilumina redenção aos desesperados. A opulência das carnes defronta o olho vítreo da fome. Violência que brota bruta. “Não escondam a loucura”, pragueja Allen Ginsberg.

Artes Plásticas na TV

Espaço reservado à propagação de arte plástica na TV brasileira é reduzido

Artes Plásticas

Às artes plásticas nunca coube papel de destaque na televisão brasileira, talvez porque a consolidação da segunda ocorreu justamente no período em que a primeira se marginalizou de vez, através do manifesto neo-concreto assinado por artistas que faziam uso de referências múltiplas (cosmopolitas e provincianas) como Hélio Oiticica, Lygia Clark e Amílcar de Castro, entre outros.

Qual seria então o lugar marcado para essas artes na atual programação da televisão brasileira? Primeiro é bom referir que as artes plásticas contemporâneas, principalmente a partir desse momento denominado neo-concretismo, nunca aceitaram demarcações definidas, e por isso é tão difícil a tratativa do assunto em um veículo que ao longo dos anos vem se notabilizando por facilitar a compreensão do espectador e oferecer respostas ágeis e práticas.