20 Músicas Especiais de Caetano Veloso

“Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso
(E, sem dúvida, sobretudo o verso)
É o que pode lançar mundos no mundo” Caetano Veloso

Caetano Veloso é autor de Coração Vagabundo

A primeira palavra dita por Caetano Veloso foi “quem”. Ao menos quando se toma como base sua carreira fonográfica iniciada em 1965, com a edição do compacto simples que traz “Cavaleiro” (da onde se extrai a expressão) em um lado, e “Samba em Paz”, no outro. Hoje, uma licença poética digna da liberdade defendida pelo bardo de Santo Amaro desde o princípio das eras tropicalistas, nos permite dizer que todos sabem quem é ele, chame por Caetano, Caê ou até a abreviação de sobrenome que rendeu título de disco lançado em 1984, Velô. Afinal Caetano é muito, muitos, e tens um coração vagabundo capaz de guardar o mundo em mim. Para expressar essa diversidade escolhemos algumas das nossas canções prediletas deste leonino.

10 álbuns antológicos de Nara Leão

“(…) cujos terraços têm cor de
estrelas.
Os suaves olhos, caimos, não desdenhosos,
a chuva também dentro do processo.
Aquilo donde partes não é o caminho
e oliveira no vento embranquecida (…)
que brancura somada a essa brancura,
que candor?” Ezra Pound

Nara Leão foi musa da Bossa Nova

Dez álbuns da discografia de Nara Leão (1942 – 1989) foram disponibilizados nas plataformas digitais pela Universal Music. Os títulos abrangem a fase final de atividade da cantora, que morreu precocemente vítima de um câncer no cérebro. Intérprete associada à Bossa Nova por sua voz de extensão pequena e seu estilo intimista de cantar, o período captado pela compilação demonstra as habilidades de Nara, capaz de transitar com desenvoltura tanto pelo repertório romântico de Roberto Carlos quanto as inovações estilísticas de Caetano Veloso, Gilberto Gil e a trupe da Tropicália, além de ser a primeira a dar voz ao samba do morro carioca.

3 pérolas negras com Luiz Melodia

“mestressala/maravilha/contemporânea que vai
desde o largo do estácio/até a mais alta estrela
que brilha/sobre o atlântico/negro oceano
quando um dos muitos/nomes dele é ébano” Ricardo Aleixo

Luiz Melodia é autor de Pérola Negra

Pela lógica da sabedoria popular, o destino do garoto do Estácio já estava traçado desde o nascimento. Afinal de contas, se é comprovado que filho de peixe, peixinho é, logo, filho de melodia, Melodia o é; ao menos assim o foi nesta história. Herdeiro direto de Oswaldo Melodia, Luiz recriou o samba, inseriu elementos jamaicanos, chorou com a canção e chegou, inclusive, a ser posto sob o guarda-chuva dos “malditos” pela indeterminação de sua obra, o que, claro, configura mais um acerto do artista. Talentoso compositor, capaz de sacudir com poesia suas canções embriagadas por molejos e lancinantes tons percussivos, Luiz Melodia foi, também, destacado intérprete. Soube pescar para resgatar das profundezas várias pérolas negras da nossa música popular.

10 Mulheres & Duplas Femininas Que Marcaram a Música Sertaneja

“naquela paisagem lá de dentro
avermelha um sol rebento
esquentando o meu cantar” Luhli & Lucina

Mulheres na música sertaneja

1 – Irmãs Castro
Maria de Jesus e Lourdes Amaral formaram, em 1938, a primeira dupla de mulheres a gravar música sertaneja no Brasil. Escondidas dos pais, elas venceram o concurso “Descobrindo Astros do Futuro” na rádio Bauru, interior de São Paulo. Já reconhecidas como as Irmãs Castro, lançaram, em 1945, o sucesso “Beijinho Doce”, composição de Nhô Pai, nome artístico de João Alves dos Santos.

Análise: Jeanne Moreau personificou a liberdade feminina

“Viver, depois colocaremos uma etiqueta.” François Truffaut

Jeanne Moreau atriz de cinema francesa

Quem interpreta tem o costume de dizer que o trabalho acontece no corpo. Não através ou com, mas nele: tanto dentro quanto fora desta matéria que nos permite a existência terrena. No caso de Jeanne Moreau essa construção não ficava explícita. Difícil determinar se ali havia psicologismo, intuição ou preponderância física, fato é que o gesto se ajustava às intencionalidades – isto dito em seus melhores momentos no cinema assim como na amplitude das possibilidades cênicas, pois é o que se cristaliza dos ícones. Dito isto, o que permanece de Jeanne Moreau – em clássicos da tarimba do cínico “Os Amantes”, dirigido por Louis Malle; o existencialista “A Noite”, de Antonioni; e, principalmente, o provocativo “Jules e Jim”, de Truffaut – é o olhar inquisidor da atriz, tanto ou mais afirmativo em relação ao timbre de voz levemente travesso.

7 Faces Musicais do Poeta Drummond

“A boca está comendo vida.
A boca está entupida de vida.
A vida escorre da boca,
lambuza as mãos, a calçada.
A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.” Carlos Drummond de Andrade

Poesias de Drummond viram música

“parti-me para o vosso amor/que tem tantas direções/e em nenhuma se define/mas em todas se resume”. Para interpretar ao poeta – o dono dos versos – ninguém melhor do que ele próprio. No entanto, Carlos Drummond de Andrade teve sua escrita transformada não apenas na cabeça e coração dos leitores, como também através da música e do cinema. Sete faces que se transmudam em outras na obra daquele que tinha uma palavra de sua predileção: “taciturno”.

Entrevista: O encontro de Louise Cardoso com Leila Diniz

“Toda mulher é meio Leila Diniz…” Rita Lee

Louise Cardoso protagonizou o filme "Leila Diniz"

“Nem de amores eu morreria, porque eu gosto mesmo é de viver deles”. A frase pertence àquela que se habituou a contrariar padrões e dar a volta nos clichês. Mais do que atriz, Leila Diniz tornou-se símbolo da liberação feminina em plena ditadura militar no Brasil, tanto que, em 1969, após uma polêmica entrevista recheada de palavrões ao jornal O Pasquim, foi outorgada lei que ficou conhecida como Decreto Leila Diniz, e que ampliava a censura do regime antidemocrático. Não adiantou, pois ela seguiu desfilando liberdade até 1972, a despeito de empunhar bandeiras ou palavras tidas como as de ordem.

Quinze anos após a trágica morte de Leila num acidente de avião em Nova Déli, na Índia, Louise Cardoso recebeu a missão de interpretar a artista na cinebiografia lançada em 1987 e dirigida por Luiz Carlos Lacerda, o popular Bigode, amigo íntima da homenageada, tanto que trabalhou com ela, por exemplo, em “Mãos Vazias”, na adaptação para o romance de Lúcio Cardoso. “Assim que o convite chegou, a primeira coisa que fiz foi procurar conhecer a fundo a Leila. Vi seus filmes todos mais de uma vez, li muitas entrevistas dela, conversei com pessoas que conviveram intimamente, e depois o diretor Luiz Carlos Lacerda me emprestou os diários dela. Aí pude saber quem realmente era Leila Diniz, sua maneira de pensar o mundo, como sentia as pessoas, suas opiniões, desejos, sonhos, medos”, relembra Louise.

Centenários 2017: Dalva de Oliveira, a Estrela da Voz

“Quando chegar ao fim, abrirá os olhos e cantará sua música.
Vasta e só.” Cecília Meireles

Centenário de Dalva de Oliveira é celebrado

“Um dia as pessoas vão descobrir que Dalva de Oliveira é a nossa Billie Holiday”. A frase dita por Elis Regina na década de 1970 talvez não comova tanto as gerações atuais, cuja referência mais próxima da intérprete de “Bandeira Branca”, “Ave Maria Do Morro” e “Errei, Sim”, é a atuação de Adriana Esteves na minissérie “Dalva & Herivelto – Uma Canção De Amor”, transmitida pela Globo em 2010. Bernardo Martins, 36, neto da artista – ele é filho do também cantor Pery Ribeiro (1937 – 2012) – está disposto a mudar essa história e conta com bons argumentos a seu favor. Para o documentário que ele realiza em comemoração ao centenário da cantora, com previsão de lançamento para o mês de outubro – Dalva nasceu num dia 5 de maio, há um século – o cineasta entrevistou desde nomes consagrados da cultura nacional até um garoto de 13 anos, morador da periferia carioca e fã absoluto da estrela do filme.

10 músicas brasileiras para o Dia dos Namorados

“Às vezes se tenho uma tristeza, as andorinhas me
namoram mais de perto.
Fico enamorado.
É uma bênção.” Manoel de Barros

Músicas brasileiras cantaram as paixões de namorados

A tradição romântica marca a música brasileira desde o seu princípio, com valsas e boleros eternizados por nomes como Carlos Galhardo, Francisco Alves e outros apaixonados do gênero. Os primeiros ritmos com acento nacional, como as serestas e o samba-canção também seguiram esse estilo, destacando cantoras cuja entrega era possível sentir nas letras e interpretações, casos de Dolores Duran, Dalva de Oliveira e, mais à frente, Maysa. Não há uma época no nosso cancioneiro em que alguém não se declare de amor. Com a proximidade do Dia dos Namorados, celebrado no Brasil nesta segunda (12), músicas para embalar os corações é o que não falta…

10 Clássicos da Festa Junina

“O rito acontece quando um poema, achando que as palavras não bastam, se encarna em gestos. Um rito é um poema transformado em festa.” Rubem Alves

Clássicos da música brasileira para festa junina

Comemorada no Brasil desde o período colonial e trazida pelos portugueses, as festas juninas adquiriram, com o tempo, características típicas do país, pródigo, justamente, em misturar influências. Além de saudar os santos, pular a fogueira em trajes alusivos à vida no interior, adornar de balões o cenário e se deleitar com canjica, quentão e milho, não falta às comemorações muita música. E talvez seja na canção aonde mais se faça notar a absorção brasileira. Fortemente baseada em gêneros nordestinos, as festividades do mês de junho legaram alguns clássicos para o cancioneiro nacional, que contemplam de Luiz Gonzaga a Lamartine Babo, com a presença de Moraes Moreira e Assis Valente. As décadas abarcam, principalmente, os anos 1930, e vão até os 1980.