Nara Leão (Cantoras brasileiras)

Cantora brasileira

A artista Nara Leão podia parecer indefesa para aqueles que escutassem sua voz, mas não percebessem a presença explícita do que cantava sua boca, seus gestos contidos e sua interpretação diminuta. Nara era imensa como um leão. Não em seu corpo, de porte médio. Não em seus cabelos, cortados ao pé do ouvido. Nem em sua voz, de fato, pequena. Mas em sua participação como artista dentro daquilo que se convencionou chamar de música popular brasileira, bossa nova, samba do morro carioca ou tropicália. Nara Leão nunca foi uma cantora convencional. Mas convenceu a todos com seu timbre lisonjeiro e desafiador. Natural de Vitória, no Espírito Santo, morreu aos 47 anos, depois de lutar por uma década contra um tumor no cérebro.

Núbia Lafayette (Romantismo)

Cantora brasileira

A cantora Núbia Lafayette, natural de Assu, no Rio Grande do Norte, foi devota de um estilo de cantar recorrente nos grandes cantores de sua geração, fazendo uso de sua voz extensae sua capacidade para interpretações dramáticas. Colecionou sucessos ao longo da carreira como “Casa e comida, ”Devolvi”, “Seria tão diferente”, “Solidão”, e tem Alcione como uma das milhares de fãs declaradas.

Ritchie (Pop)

Cantor

A Inglaterra arrecadou para si a primazia do invento do futebol. Ao que o Brasil abocanhou a tradição e a ginga que apenas a cria, e não o inventor, é capaz de esbaldar.

No Reino Unido, nasceu o garoto loiro de olhos azuis, fã dos Beatles e Rolling Stones, Richard David. Mas o Brasil, há o assanhado e íntimo Brasil foi logo lhe pegando pela cintura, chamando de Ritchie e concedendo abrigo e abraço para seu talento.

“Menina Veneno,
O mundo é pequeno demais
Pra nós dois
Em toda cama que eu durmo
Só dá você, só dá você…”

Teatro: Nelson Rodrigues

O gênio do escritor brasileiro que revolucionou a dramaturgia e o jornalismo

Teatro brasileiro

Nelson Rodrigues foi, a vida inteira,um misto entre o sagrado e o profano. Foi tarado e santo, gênio e louco, revolucionário e reacionário, e por fim ninguém melhor do que ele próprio para defini-lo: foi um anjo pornográfico.

Suas peças e crônicasnada mais são do que o retrato dele próprio e do que o cercava e moldurava.Como todo artista, sua obra está completamente contaminada dele mesmo, da flor da pele ao pó do osso (como diria Caetano Veloso).

Joubert de Carvalho (Seresta)

Maringá

Haveria algo que Joubert de Carvalho não soubesse realizar? Pois até mesmo a marchinha de carnaval lhe deu o primeiro sucesso. Não entro aqui em questão de mérito ou dificuldade. Mas é porque é tido e havido que esta não era sua prioridade. Profissão de currículo e diploma debaixo do braço, medicina, à qual se dedicou de maneira parcial, pois existia outra dama atentando-lhe os olhos: Música. E como seria possível ainda assim conseguir um cargo no Instituto dos Marítimos, promovido a médico do Estado? Rumores apontam para a troca de favores. Sendo que no Brasil inaugurou a medicina psicossomática e compôs a única canção a inspirar nome de cidade, o caso parece solucionado. O mineiro nascido em Uberaba que passou parte da adolescência em São Paulo e praticamente toda a vida adulta no Rio de Janeiro, favoreceu a sensibilidade através do uso do seu ‘ouvido interno’, como ele falava. Existem saberes intransponíveis em laudas. Como o susto de alegria perante uma Música.

Show: Quem Não Chora Não Mama

Projeto Pizindin homenageia Jacob do Bandolim com performance luxuosa

Grupo de Choro

A noite em homenagem a Jacob não poderia ter outro convidado como destaque especial: o bandolim. Carregado pelas mãos sensíveis do jovem solista Marcos Frederico, os dois, instrumento e instrumentista, se encarregaram de enfeitar a festa com anedotas, timbres e notas.

Acalentado pelo carisma e simplicidade do seu idealizador, o veterano mestre do gênero Mozart Secundino, responsável pelo manejo do violão, o grupo de choro ‘Quem Não Chora Não Mama’ subiu ao palco do Conservatório da UFMG na noite da última segunda-feira em sua completude que reúne características mistas dos integrantes.

Literatura: Estive em Lisboa e lembrei de você

Livro de autor mineiro investe em narrativa fragmentada e coloquial

Literatura brasileira

Há um fato não desvelado sobre recente obra do autor mineiro Luiz Ruffato. Na verdade, dentre muitos, há um que me salta especificamente aos olhos, aparentemente de relevância questionável. É possível que isso nem tenha passado pela cabeça do autor, mas o seu protagonista guarda outra interseção com a realidade além de também ter nascido em Cataguases. Sérgio de Souza Sampaio, o Serginho, é homônimo de primeiro e último nomes do compositor esquecido que estourou com o hit “Eu quero é botar meu bloco na rua”, e depois desapareceu no olhar obscurecido do grande público.

Villa-Lobos (Música clássica)

Música clássica

Um menino de pés descalços, cabelos penteados na brisa do pasto, revigora o som do piano, da aurora, dos animais, ao juntá-los em uma roda de choro, localizada próxima à sua residência.

Aventuras na selva amazônica ganham ruídos de lendas. Mas qual a real diferença entre lenda e folclore, senão a música a erguê-las em mil alto-falantes, cantos imitando pássaros, crianças ensinado adultos em solidária demonstração de amor à arte no Maracanã, o maior estádio de futebol do Brasil.

Cinema: Pornochanchada

Movimento do cinema nacional teve Nelson Rodrigues como referência

Pornochanchada

Nelson Rodrigues foi um dos preferidos, se não o escolhido, para ter suas obras passadas ao olho do “buraco da porta” da pornochanchada. O auto-apelido do dramaturgo, “anjo pornográfico”, era a cara descarada do gênero surgido na década de 70 para resgatar um jeito simples de contar histórias e atrair o público, combinando pornografia baratinha, quase inocente, sem os escândalos boateiros de sexo explícito, com muito deboche, comédia irônica e violenta. Algum autor mais indicado do que o jornalista dos contos da “Vida como ela é”? Difícil imaginar, afinal todos os personagens da pornochanchada podiam ser vistos como a dama do lotação, a prostituta Geni ou os malandros interessados em estupros de qualquer tipo.

Jacob do Bandolim (Chorinho)

Chorinho

O coração explosivo fulminou o homem-bomba. A última letra do primeiro nome, embora muda, já prenunciava o início musical do instrumento que ele iria tocar. Hoje ainda se fala no seu bandolim. Assanhado, diabinho maluco, bole-bole, doce de coco. Ainda se ouvem suas vibrações, sua alvorada e a ginga do Mané. “Jacob toca Jacob, os outros tocam bandolim”. Disse Radamés Gnatalli sobre aquele que dominou o choro e não conteve as lágrimas e emoções, despejou tudo nas cordas de um pequeno pedaço de madeira que ele abraçou com coração pronto a explodir em notas e melodias. Discípulo de Ernesto Nazareth e Pixinguinha, Jacob do Bandolim é, segundo o coro de entendedores do gênero como Sérgio Cabral e Henrique Cazes, “o maior instrumentista que o Brasil já teve.” Um mestre.