Wanderley Cardoso (Jovem Guarda)

Jovem Guarda

Os olhos verdes de Wanderley Cardoso. Deixavam as garotas da platéia, os ‘brotos’, como eles chamavam, alvoroçadas. Mas não eram apenas os olhos. Era todo um charme conduzido pela voz sensível e sedosa. De que ele fazia uso tanto para cantar em cima do palco quanto em bastidores.

‘O bom rapaz’ da Jovem Guarda despertava a admiração de mulheres e homens. E recebia homenagens das mais variadas. Desde declarações desesperadoras de amor no burburinho até nomes de cachorros. Isso mesmo. E por outra celebridade. Outro cantor não menos famoso que assim batizou o seu animal de estimação, amigo doméstico preferido, o exagerado Cazuza.

Álbum: Toque Dela

Segundo disco solo de Marcelo Camelo carrega frescor da primavera

Álbum Marcelo Camelo

Afeito à mudança que a primavera busca ao derrubar as folhas do outono com seus jardins de flores, Marcelo Camelo reluz altaneiro, dispensa da soberba em ‘Toque Dela’, segundoálbum solo.

‘A noite’ invade os vidros do reservatório de peixe e águas com fulgor de cabrito em festa do interior: “nos romances e mistérios dessa clareira…”. Ave rabeca, clarinete e sax!

Álbum: sou / nós

Primeiro trabalho solo de Marcelo Camelo condensa solidão ao barroco

Marcelo Camelo

Bucólico e minimalista, Marcelo Camelo caminha entre relva e plantas aquáticas, bonitas, que agora me escapam o nome. Monet as pintou em belo estudo impressionista. Trevo Dom Quixote dos morridos.

‘Téo e a gaivota’ sobrevoam a mata inerte, assolada em lodos, lamas, engodos, em tramas: “todo amor encontra sempre a solidão”. Romanos algarismos, distintos, destinos, reverberam as cruzadas, sinos sonos: “os ais e os hão de ser”. ‘Tudo passa’.

Artes Plásticas na TV

Espaço reservado à propagação de arte plástica na TV brasileira é reduzido

Artes Plásticas

Às artes plásticas nunca coube papel de destaque na televisão brasileira, talvez porque a consolidação da segunda ocorreu justamente no período em que a primeira se marginalizou de vez, através do manifesto neo-concreto assinado por artistas que faziam uso de referências múltiplas (cosmopolitas e provincianas) como Hélio Oiticica, Lygia Clark e Amílcar de Castro, entre outros.

Qual seria então o lugar marcado para essas artes na atual programação da televisão brasileira? Primeiro é bom referir que as artes plásticas contemporâneas, principalmente a partir desse momento denominado neo-concretismo, nunca aceitaram demarcações definidas, e por isso é tão difícil a tratativa do assunto em um veículo que ao longo dos anos vem se notabilizando por facilitar a compreensão do espectador e oferecer respostas ágeis e práticas.

Literatura: A Menina do Macramê

“da vitrola o som de um solo de clarineta parecendo uma enguia do mar subia em espiral pelo ar agitado.” Truman Capote

Flávio de Carvalho

Cabelos cortados ao pé do ouvido. Nara Leão de pele morena. Aquela vozinha pequenininha capaz de rugir.

‘Me aproveita, amor. Que eu não serei a mesma para sempre’ – disse, cerrando os lábios. ‘Tenho fases, como a lua’. Sentada no chão de encostas, ergue os braços em desagravo. Puxa uma linha, mais outra, cruza os fios de bege castanho imitando ouro.

O que a torna assim tão fascinante é justamente essa história atrás dos pontos.

Hebe Camargo (Cantoras brasileiras)

Cantora brasileira

Hebe Camargo canta ‘Quem É?’

Quem a vê hoje assim tão bem vestida na televisão, não imagina que já foi uma caipira. E de microfone em punho, de sair pelos interiores cantando moda de viola de braço dado com a sua irmã, Rosalinda. Ou ela é que era a Rosalinda? E a outra a Florisbela? Não tenho certeza.

Com muito menos desenvoltura do que se vê hoje na televisão, mas com o mesmo jeito tranqueiro e desinibido que ela sempre teve. Desde os motivos de roda até os altos estandartes do amor, proferidos pelo Rei Roberto Carlos, ela sempre cantou as palavras.

Nara Leão (Cantoras brasileiras)

Cantora brasileira

A artista Nara Leão podia parecer indefesa para aqueles que escutassem sua voz, mas não percebessem a presença explícita do que cantava sua boca, seus gestos contidos e sua interpretação diminuta. Nara era imensa como um leão. Não em seu corpo, de porte médio. Não em seus cabelos, cortados ao pé do ouvido. Nem em sua voz, de fato, pequena. Mas em sua participação como artista dentro daquilo que se convencionou chamar de música popular brasileira, bossa nova, samba do morro carioca ou tropicália. Nara Leão nunca foi uma cantora convencional. Mas convenceu a todos com seu timbre lisonjeiro e desafiador. Natural de Vitória, no Espírito Santo, morreu aos 47 anos, depois de lutar por uma década contra um tumor no cérebro.

Núbia Lafayette (Romantismo)

Cantora brasileira

A cantora Núbia Lafayette, natural de Assu, no Rio Grande do Norte, foi devota de um estilo de cantar recorrente nos grandes cantores de sua geração, fazendo uso de sua voz extensae sua capacidade para interpretações dramáticas. Colecionou sucessos ao longo da carreira como “Casa e comida, ”Devolvi”, “Seria tão diferente”, “Solidão”, e tem Alcione como uma das milhares de fãs declaradas.

Ritchie (Pop)

Cantor

A Inglaterra arrecadou para si a primazia do invento do futebol. Ao que o Brasil abocanhou a tradição e a ginga que apenas a cria, e não o inventor, é capaz de esbaldar.

No Reino Unido, nasceu o garoto loiro de olhos azuis, fã dos Beatles e Rolling Stones, Richard David. Mas o Brasil, há o assanhado e íntimo Brasil foi logo lhe pegando pela cintura, chamando de Ritchie e concedendo abrigo e abraço para seu talento.

“Menina Veneno,
O mundo é pequeno demais
Pra nós dois
Em toda cama que eu durmo
Só dá você, só dá você…”

Teatro: Nelson Rodrigues

O gênio do escritor brasileiro que revolucionou a dramaturgia e o jornalismo

Teatro brasileiro

Nelson Rodrigues foi, a vida inteira,um misto entre o sagrado e o profano. Foi tarado e santo, gênio e louco, revolucionário e reacionário, e por fim ninguém melhor do que ele próprio para defini-lo: foi um anjo pornográfico.

Suas peças e crônicasnada mais são do que o retrato dele próprio e do que o cercava e moldurava.Como todo artista, sua obra está completamente contaminada dele mesmo, da flor da pele ao pó do osso (como diria Caetano Veloso).