Bob Dylan (Cantores internacionais)

Cantores internacionais

Não, não me atrevo a dizer conhecer Bob Dylan. Mas também quem será, nem o mais arguto detetive parecerá (nos termos de parecer) o contrário. E a essa altura das pedras que rolam (aqui está meu jogo de palavras) uma pesquisa surgiria inócua. Portanto abstenho-me, levo e trago apenas os bolsos furados, cheios de canções surradas do folk, livre-me.

Que este não é o seu nome, não, não é o seu nome, sonâmbula dica na porta da geladeira às 4h da manhã, em busca do que? Robert Allen (uma coincidência com o poeta beat americano) Zimmerman, nascido no Minnesota, neto de imigrantes judeus russos, ou apenas um garoto.

“The answer, my friend
Is blowin’ in the wind
The answer
Is blowin’ in the wind”

Show: Alceu Valença & Orquestra Ouro Preto

Músico pernambucano une as influências à mineralidade do erudito

Show com Orquestra

Alceu Valença é o artista tipicamente, genuinamente, nativamente brasileiro, um popular. Por isso a apresentação sua acompanhado da Orquestra Ouro Preto é desastre aéreo, explosão culpada de comoção, transformação e sentimento pela perda de algo tão precioso que volta (à origem).

O sino da capela inicia o ritual da noite, ainda faltando presença do mestre de cerimônia, sendo a regência entregue aos trabalhos do maestro Rodrigo Toffolo, empunhado de vestimenta e musicalidade adequadas. Frevos, batuques, badulaques, pérolas esquecidas o nome, por esse vão, reles manuscrito póstumo.

“A bruma leve das paixões que vêm de dentro
Tu vem chegando pra brincar no meu quintal
No teu cavalo, peito nu, cabelo ao vento
E o sol parando nossas roupas no varal”

Teatro: O Libertino

Cássio Scapin destaca-se em peça dirigida por Jô Soares

Cássio Scapin

Chegar até o destino é um problema. Afinal, a filosofia oferece muito mais perguntas do que soluções. Essa é a função atroz reverenciada pelo humor de Jô Soares e seus dirigidos no espetáculo ‘O Libertino’, apresentado no teatro SesiMinas no último domingo.

Romance do dramaturgo francês Éric-Emmanuel Schmitt, a peça recebe contornos que aproximam o espectador brasileiro de uma realidade de época, fator por vezes aplaudido, mas que no meu julgo perde um pouco do charme da apresentação, tão bem disposto em roupas (ou na falta delas, no caso do ator principal Cássio Scapin) e cenário.

Hyldon (Soul Music)

Hyldon as dores do mundo

Muita gente desconhece o baiano de pronúncia improvável, radicado no Rio de Janeiro, responsável pela fermentação de ritmo americano em terras tupiniquins, ao lado de Tim Maia e Cassiano. Bolo de influências revolvidas ‘na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapê’.

Hyldon é palavra simples, circunflexa, direta como flecha no alvo da matriz Soul Music. São dele os verbos, melodias e batidas de duas das mais repetidas canções dos últimos setembros, primaveris, de retomada, entoadas tanto bêbadas quanto sobriamente, em reuniões de dor de cotovelo e saudade.

“E eu vou, esquecer de tudo
As dores do mundo
Não quero saber quem fui
Mas sim o que sou”

Literatura: A Subversão da Ilegalidade

Discussão sobre a descriminalização da maconha

A Subversão da Ilegalidade

A boca seca e os velhos olhos vermelhos voltaram de vez?

Não, porque sempre estiveram aí. São mais antigos que a ressaca de Capitu e a discussão já solucionada por Clarice Lispector sobre quem veio primeiro, se o ovo ou a galinha.

As drogas quase sempre fizeram parte da história do homem. A origem da maconha data de 2723 a.C., segundo registros da Farmacopéia Chinesa, tendo chegado na Europa por volta do século XVIII, assim como no Brasil, de acordo com documentos referentes à época das Capitanias Hereditárias.Da mesma forma, as drogas também fizeram parte da vida e obra de artistas importantes e por vezes fundamentais na história da arte.

Cinema: Tropa de Elite

Uma reflexão sobre os valores imprimidos no sucesso nacional de bilheteria

Cinema nacional

Diariamente jovens são presos no Morro e estampam a capa de jornais por posse de drogas ou crimes mais ilegais. Morro geográfico, conhecido como favela ou aglomerado, e morro que dá nome à causa.

Jovens que por vezes são estudantes de classe média a alta, cursam Odontologia, outros Gestão Ambiental, e talvez estivessem fazendo alguma pesquisa para a faculdade ligada ás ervas provenientes do seio da Mãe Natureza. Capturados pela Polícia prestam depoimento e são liberados.

Show: Acir Antão & Sarau Brasileiro

Noite de dança e lembranças enternece corações saudosos

Show História Oral e Musical de Belo Horizonte

A noite começou com atraso. Compensado pelo belo número que estava reservado aos que compareceram ao espaço ‘Centro e Quatro’ para ver e ouvir Acir Antão contar e cantar as histórias de Belo Horizonte. Acompanhado pelo grupo de choro ‘Sarau Brasileiro’, o show que estava programado para as 20h se iniciou às 21h, com a apresentação de um vídeo.

Estrelado pelo radialista farto de boas histórias e causos pontuais que traçaram a linha da nova capital mineira, como ele diz, ‘nascida sob a égide do novo’, em substituição à barroca Ouro Preto, o clima começou a esquentar com mornas passagens de lembranças que bafejam na nuca aquela saudade gostosa.

Jorge Veiga (Samba)

Samba

Jorge Veiga, o Caricaturista do Samba, nasceu no dia 14 de abril de 1910, no subúrbio do Engenho de Dentro, Rio de Janeiro, e faleceu no dia 29 de junho de 1979. O cantor se tornou famoso por interpretar com voz fanhosa e sorriso fácil, sambas de breque, anedóticos e malandros, que o tornaram a mais perfeita tradução do malandro carioca metido a grã-fino da década de 50.

“Doutor de anedota e de champanhota
Estou acontecendo no Café Soçaite
Só digo a chanté
Muito merci all right
Troquei a luz do dia pela luz da light”

Sérgio Sampaio (O Rei & o fora da lei)

Trajetórias de Sérgio Sampaio e Roberto Carlos são comparadas

Eu quero é botar meu bloco na rua

As águas de Itapemirim deram ao mundo um Rei e um fora da lei. Um médico e um monstro. Cachoeiro, no masculino, maturou a seleção natural entre aquele que seria quase unânime em agasalhar corações maternos e o que exacerbava feminilidade na postura prática. Pernas cruzadas, cabelos longos e negros como lágrimas ou labirintos, boca embicada à espera de um batom corrosivo vermelho que pintava seu nome nos encartes dos discos: Sérgio Sampaio. O outro prescinde apresentação, Roberto Carlos.

Dona Ivone Lara (Samba)

Sonho Meu

Dona Ivone Lara. Ah, Dona Ivone Lara, quanta força de menina há no respeito com que te tratam. Pois conquistou essa alcunha brincando, bulindo travessuras, esquentando na xícara de café o leite adormecido da manhã, ao que chamaram essa diversão de samba-enredo, você aceitou, porque não? Afinal contava a história da sua vida, os sonhos, as fantasias, de bonecos que desfilariam nas avenidas do Rio, com toda a elegância imaginada, no coração verde e branco do Império Serrano.

“Carnaval
Doce ilusão
Dê-me um pouco de magia
De perfume e fantasia
E também de sedução
Quero sentir nas asas do infinito
Minha imaginação