Opereta: A Viúva Alegre

“Jamais deves buscar a coisa em si, a qual depende tão somente dos espelhos. A coisa em si, nunca: a coisa em ti.” Mario Quintana

Opereta Franz Lehár

A dúvida se impõe logo de cara: “A Viúva Alegre”, direção geral de Jorge Takla e musical de Silvio Viegas, é ópera ou teatro? O dever dos definidores já nos favoreceu e impediu o prosseguimento dessas perguntas insossas.

Trata-se de uma “opereta”, misto de apresentação onde estão reunidas as matizes de um e outro, pois os atores se dividem entre o canto e a dramaturgia, e a língua encenada pode ser a nativa. Além disso vislumbra-se os figurinos de Fabio Namatame e a cenografia de Paulo Corrêa, curvilíneas e ordeiras.

Entrevista: Nando Reis

“O entusiasmo como profissão é a mais nauseante das insinceridades.” Cesare Pavese

Bailão do Ruivão

Nando Reis nunca escondeu do público, mesmo por debaixo de sua barba ruiva, a preferência por um mundo pop. Até nas canções dos tempos de “Titãs” é possível perceber que ele era de longe o menos punk e mais afeito a românticas interações entre os da trupe. E eram nove, um número nada inexpressivo para uma banda de rock.

O novo álbum do cantor, intitulado “Sei”, uma das canções inéditas e mote da apresentação em 23 deste mês no Chevrolet Hall, terá o acompanhamento do grupo “Os Infernais” e desfilará toda a ânsia amorosa que pauta o trabalho composto por 15 faixas, um número fora do comum para os padrões da indústria. “Entendo o amor como o principal motor da humanidade, no sentido de me perceber inserido e envolvido numa sociedade onde não existo sem o outro”, afiança Nando.

Entrevista: Alceu Valença & Maestro Rodrigo Toffolo

“O sol derretera o asfalto. Os pés enterravam-se nele, deixando aberta sua polpa luzidia.” Albert Camus

Valencianas Orquestra Ouro Preto

Alceu Valença está com passagem comprada para Belo Horizonte e não pretende ficar pouco tempo na capital. Pelo menos é o que indicam as apresentações marcadas, para o dia 3 de novembro com a Orquestra Ouro Preto no Palácio das Artes (gravação do DVD “Valencianas”) e em espetáculo solo como uma das atrações do “BH Music Station”, dia 17 de novembro, com repertório em homenagem a Luiz Gonzaga, na estação Vilarinho.

A respeito do primeiro evento, Alceu comenta sobre a parceria que levou os frevos e forrós cantados nos carnavais para o ambiente orquestral: “Fiquei muito emocionado com o tratamento que o maestro Rodrigo Toffolo e o arranjador Mateus Freire deram às minhas músicas. São jovens virtuosos com um carinho muito especial pela música de concerto, mas também pela música popular brasileira”, declara.

Literatura: Carlos Drummond de Andrade

“se o poeta é um ressentido, e o mais são nuvens?” Carlos Drummond de Andrade

Literatura brasileira

Uma rosa aberta em plena guerra. Feia, no entanto ainda flor. No meio do caminho uma pedra. E o claro enigma no qual investiu-se o poeta. Mineiro de Itabira, Carlos Drummond de Andrade é comemorado hoje, data de seu aniversário, com exibição de filmes a partir das 18h na Livraria Mineiriana e sarau com a presença de escritores convidados a partir das 19h, com curadoria da poeta Thais Guimarães.

O evento criado no ano passado, com o nome de “Dia D”, pretende propagar os lírios e versos do poeta. Na parte da manhã, às 9h, a festa será no Museu das Minas e do Metal, onde também haverá exibição de filmes e leitura de poesias daquele considerado por especialistas “o maior de todos os poetas brasileiros”, dando continuidade ao festejo já iniciado no final de semana, com espetáculo teatral apresentado no Centro Cultural JK.

Show: Zélia Duncan (ToTaTiando)

“e eleva o peso do espaço
com todas as palavras não ditas” Luiz Tatit & Alice Ruiz

Totatiando

Na obra do artista plástico (escultor e pintor) Giorgio de Chirico, as coisas, muito além de pessoas, objetos ou asas (à imaginação), por isso o genérico de tudo, estão acopladas, transmutam-se, refratam e declamam a união como num campo magnético conduzido por imãs.

A arte de Luiz Tatit é igual, posto que difusa, e diferente, à reclusa recusa o elemento comum, congruente. O teórico que se intrometeu na ação fez questão de ungi-la a partir das conotações de verbo: a palavra desdobrada e aviltante, surpreendente – assustando – é o ás do baralho.

Entrevista: Angela Ro Ro

“Não, eu não sirvo de exemplo para ninguém. Troco até os acentos: digo amem ao invés de amém!” Angela Ro Ro

Amor meu grande amor

Angela Ro Ro desmente logo de cara que o novo álbum, gravado no Teatro Net Rio no último dia 15 de outubro, a ser lançado em 2013, seja comemorativo ao seus 30 anos de carreira: “Isso foi um equívoco de assessoria, pode riscar daí, me ajuda a desfazer esse engano, comecei a gravar em1979 e não estou celebrando nenhuma data específica, só a vida!”

“Feliz da Vida” dá nome ao disco que contém 13 canções inéditas, das 15 do repertório, e conta com a participação de Sandra de Sá (em “Beijos na Boca”), Jorge Vercilo (“Capital do Amor”), Diogo Nogueira (“Salve Jorge”), Ana Carolina (“Canto Livre”), Paulinho Moska (na canção título) e Roberto Frejat revisando os sucessos “Amor, Meu Grande Amor” e “Malandragem”.

Mestre Affonso (Samba)

“Nesses domínios é nobre a poeira,
Deixa que repouse intocada –
Não tens como removê-la,
Mas ela pode silenciar-te.” Emily Dickinson

Samba de Minas Gerais

Figura emblemática e provocativa do samba mineiro, Affonso Marra Filho, natural de Belo Horizonte, ganhou a alcunha de Mestre não apenas pela função desempenhada na bateria das mais importantes escolas de samba da capital, entre elas a “Chame, Chame”, “Canto da Alvorada”, “Bem Te Vi”, e outras.

Vencedor de diversos prêmios relacionados ao carnaval da cidade, desde cedo esteve imerso no mundo musical, onde travou amizade com Beth Carvalho, Alcione, Bezerra da Silva, Toninho Geraes, Fabinho do Terreiro e Zeca Pagodinho.

Milton Nascimento (Cantores brasileiros)

“Solto a voz nas estradas, já não quero parar
Meu caminho é de pedras, como posso sonhar
Sonho feito de brisa, vento vem terminar
Vou fechar o meu canto, vou querer me matar” Milton Nascimento & Fernando Brant

Canção da América

Dizem que ele se chama Milton. Dizem que é carioca. Dizem ser um dos maiores cantores do cenário brasileiro, crooner de primeira, além de tudo, compõe como poucos, muito, sem abrir mão da ama qualidade.

De todas essas afirmações certifico-lhes: ao menos duas são mentirosas. Não, não se chama Milton. Veio do Rio de Janeiro, mas não se apressem à precipitada conclusão. É mineiro. Mineiro de verso. Mineiro da prosa.

Artes Plásticas: Juarez Machado

“Você pergunta se eu conheci outro amor que não o platônico. Sim e não. Se a questão me tivesse sido colocada de outra forma: ‘Você experimentou a felicidade de um amor completo?’, minha resposta seria: não, não e não! Mas pergunte-me se sou capaz de compreender a força imensa do amor, e eu lhe direi: sim, sim e sim!” Tchaikovsky

Artes Plásticas

O traço recôndito de Juarez Machado, entre o histriônico e o escracho, circunda as formas minguadas e cheias do copo humano. Corpos escravos: Ora lunares, outrora sois paio, os narizes enamorados por luzes e tentações aromáticas seduzem os apreciadores do prato servido pelo artista plástico, mímico e escultor acrobático.

Falo isto de pestana baixa, pois o circular arrebol a que se configura a língua da madame logo tocará o rabo do gato. Ou será o contrário? Sonego uma contra-árida paisagem de elegantes bailes em meio a orgia de flores, e medo. Medo, esta palavra fingida: talvez seja a chave do cadeado.

Entrevista: Ziraldo

“Pintor, se queres assegurar
um lugar predominante
na Sociedade, é preciso que,
desde tua primeira juventude,
dês um terrível pontapé
na perna direita dela.” Salvador Dalí

Menino Maluquinho

Do porte de seus 80 anos, o cartunista, chargista, escritor, jornalista Ziraldo, para ficar no básico, é um moleque atrevido, maluquinho, menino. Obediente à sua própria escrita, afirma: “Tudo na vida tem limite, isso de ‘perder o amigo mas não a piada é, em si, uma piada. Ninguém é sozinho na vida. É preciso ter coragem para dizer as verdades e aguentar as consequências.”

E dá um pitaco a respeito do humor vigiado, politicamente correto, que nos espreita à vontade: “Na época do Pasquim criamos várias charges sobre a tragédia que se transformou no filme, aliás, belíssimo, ‘Os Sobreviventes dos Andes’, e o Quino, muito meu amigo, inventor da Mafalda, disse que era um absurdo fazer graça com aquilo, ao que eu retruquei que cada um tem o seu próprio absurdo, o humor tem um limite peculiar”, reflete.