Show: Toninho Horta & Quarteto

“Um vento varre o mundo, varre a vida.
Este vento que passa, irretratável,” Carlos Drummond de Andrade

Toninho Horta

Uma donzela magricela vem tomando a cena sem medo, de assalto, ritmada. Estica a saia, retira o chapéu florido, apresenta-se como distinta dama: guitarra. O condutor, do violão: Toninho Horta.

No encalço, enamorando-se dela, vem um baixo e robusto senhor, de chapéu austero, marrom, retirado da cabeça calva, elegantemente. Apressa-se a pentear os bigodes cinzas, e, então, distingui-se. Ezequiel Lima empunha o contrabaixo.

Entrevista: Leandro Sapucahy

“Alguns procuram os padres, outros a poesia, eu, os amigos.” Virginia Woolf

Leandro Sapucahy

“Tenho a consciência de que o público, ás vezes, nem presta atenção, está lá, no show, só para azarar”, confirma Leandro Sapucahy, ao repercutir o estilo do trabalho “Baile do Sapuca – Sapucapeta”, posto no mercado em formato DVD pela gravadora Sony Music.

Gravado no Rio de Janeiro, na casa de shows Marina da Glória, o baile nasceu “despretensiosamente, de maneira muito espontânea”, e acabou se transformado em verdadeiro fenômeno de proporções nacionais, lotando espaços em Brasília, Maranhão, Piauí, Natal, Salvador e São Paulo.

Humor: Jorge & Mateus – O Que É Que Tem?

“Já que não conseguimos amar-nos uns aos outros, por que não tentamos amar-nos outros aos uns?” Quino

Jorge e Mateus-O Que É Que Tem?

Dizer que o estilo autodenominado sertanejo (em alguns casos, universitário) colocou Goiás no mapa da popular canção brasileira, soa injusto. É inegável a quantidade de duplas estridentes, com refrões amargos, a emanarem da região. No entanto, é bom um exercício histórico.

Muito antes de Jorge & Mateus, surgira Zezé di Camargo & Luciano. E ainda antes deles, em tempos, hoje, remotos, despontou por aquelas bandas, com o preconceito da intelectualidade contra a cara, um tal Odair José, a cantar pílulas anticoncepcionais, prostitutas e empregadas.

Entrevista: Trio Triz

“Com celeste golpe nos fere
E não lhe achamos a cicatriz,
Apenas uma diferença interna,
Lá, onde jazem os sentidos.” Emily Dickinson

Trio Triz

O “Conexão Vivo no Inimá” encerra sua edição 2012 hoje, às 20h, no Museu Inimá de Paula (rua da Bahia, 1.201), com apresentação do elogiado projeto Triz, formado por André Mehmari, Chico Pinheiro e o mineiro Sérgio Santos. Os ingressos custam R$10 e R$5 (meia).

O fato de os três serem compositores, conta Sérgio, teria sido um facilitador da união. “Privilegiamos a criação. A música precisa de uma elaboração harmônica, melódica e rítmica”. No palco, o repertório será basicamente o presente no primeiro CD do trio.

Entrevista: Ritchie

“A manhã se dá a todos,
A noite, para alguns poucos;
A raros afortunados,
A luz da madrugada.” Emily Dickinson

Ritchie

“Cansamos de ouvir que o rock jamais decolaria no Brasil”, avisa Ritchie, inglês radicado no país há quatro décadas, responsável pelo sucesso pop “Menina Veneno”, que, agora, ao completar 60 anos (o aniversário foi em 6 de março), grava pela primeira vez um disco em que utiliza a língua mãe. “Todos os vocais foram registrados na primeira tomada, sem precisar de segundos ‘takes’, isso nunca tinha acontecido antes”, orgulha-se.

A celebrada data serviu de mote para que o cantor intitulasse o novo trabalho de ’60’, não apenas alusivo à particular primavera, mas como especial homenagem à efervescente década que mostrou ao mundo sucessos dos The Beatles, Rolling Stones, Beach Boys, The Animals, e outros. Todos estes estão fora do disco de Ritchie, não porque não tenham feito parte de sua adolescência musical, pelo contrário.

Humor: A Grande Família

“O poema é uma bola de cristal. Se apenas enxergares nele o teu nariz, não culpes o mágico.” Mario Quintana

A Grande Família

O seriado “A Grande Família” completa 40 anos da primeira exibição, em 1972, quando a trama escrita por um time de redatores, que ia de Max Nunes a Paulo Pontes, passando por Oduvaldo Viana Filho (o Vianinha) e Armando Costa, invadiu os televisores nacionais. Com direção de Milton Gonçalves, no primeiro ano, e Paulo Afonso Grisolli, nos seguintes, a atração contou com bela recepção do público, e permaneceu ocupando a grade até 1975.

Os personagens eram os mesmos. Centrada na família Silva, a série descortinava a rotina de Lineu, Nenê, Tuco, Bebel, Seu Flor, Agostinho e Júnior, o único filho do casal suprimido na mais recente versão (em virtude do viés político que tornou o personagem anacrônico com o passar do tempo). Esta iniciou-se em 2001, e trouxe como novidade, claro, a mudança dos atores. Porém a qualidade do elenco manteve-se intacta, inegável trunfo capaz de seduzir crianças, jovens e adultos de variadas idades.

Literatura: Histórias divertidas para crianças (dormirem)

“Dorme, só existe o sonho. Dorme, meu filho. Que seja doce.” Caio Fernando Abreu

egon-schiele-portrait-of-waly

Essas histórias que nunca sei como começar. Encontrei três cegas na rua. Elas me reconheceram. Eu não as vi direito. Disseram terem sentido presença minha em tempos remotos, dispersos, mortos mesmo.

Perdidas, uma belisca a bunda da outra em sinal de alegria. Raiou uma luz nos olhos das três ceguinhas. Velhas, apoiando os cotovelos onde a dor sussurrou misto de saudade com lembranças amenas, começaram a perguntar covardemente.

The Rolling Stones (Cantores internacionais)

“hipsters com cabeça de anjo ansiando pelo antigo contato celestial com o dínamo estrelado na maquinaria da noite,” Allen Ginsberg

The Rolling Stones

Das piores tragédias há de erigir sobre o mundo concreto uma banda maleável. O rapazola atrevido, de cabelos desgrenhados, atende ao chamado de Mick. Jagger eriça a língua em direção a maçãs, quentes acenos labiais.

Brian, o ruivo instrumentista viciado em sensações, experimenta do sax ao trombone, guitarra ao banjo, harpa, gaita e acordeom. Mas entre elas – as fadas sensoriais – intrometem-se os duendes trapaceiros a traficarem mortíferos desejos.

Entrevista: Saulo Laranjeira + Clara Becker + Gereba

“Luiz, respeita Januário, Luiz, respeita Januário
Luiz, tu pode ser famoso, mas teu pai é mais tinhoso
E com ele ninguém vai, Luiz! Respeita os oito baixo do teu pai!
Respeita os oito baixo do teu pai” Luiz Gonzaga

Saulo Laranjeira

Cem anos após o nascimento, num dia 13 de dezembro de 1912, Luiz Gonzaga é celebrado com homenagens de norte a sul do país. Gereba Barreto, compositor baiano que conviveu com o mestre, afirma o incômodo que Luiz sentia com o rótulo de “forrozeiro”. “Era o sonho dele ser reconhecido também como compositor”.

O CD “Luas do Gonzaga”, lançado de forma independente pelo compositor, conta com a participação de Gilberto Gil, Zeca Baleiro, Lenine e outros, e joga luz sobre esse lado menos conhecido de Gonzagão, o de compositor de valsas, choros e mazurcas. “A música de Luiz Gonzaga está no DNA do brasileiro”, opina Gereba a respeito da permanência da obra de Gonzagão.

Show: Geraldo Azevedo (Salve São Francisco)

“A tragédia é o estado natural do homem.” Lúcio Cardoso

Show de Geraldo Azevedo

Geraldo Azevedo tenta debater-se contra as águas lamacentas, poluídas, sujas, dum outrora paradisíaco e transbordante em peixes, rio São Francisco. A luta não é vã, lega-nos clássicos, daqui um tempo estimados com a devida consequência, afora os que já o são, peças de Luiz Gonzaga, principalmente.

Por hora, o povo impacienta-se, irritado, irascível, pede os mesmos momentos, velhos costumes, manias. Não é culpa de Geraldo Azevedo que se acostume o público a tão belas canções que estes só queiram ouvi-las. A conta cabe à plateia, pouco atrevida, preguiçosa, recusa-se a apreciar o inédito.