Francis & Olívia Hime – Almamúsica (ao vivo)

“Les mots font l’amour” André Breton

Francis e Olivia Hime

Não sei ao certo, mas me parece que nenhuma poetisa tocou tanto no verso ‘alma’ quanto Florbela Espanca. Com a varinha musical, baliza da poesia, recorrente feitio da portuguesa. Também em seu sobrenome “Alma” estava presente. Foi em um concerto dedicado às canções do maestro e compositor austríaco Gustav Mahler, que Olivia Hime rabiscou as primeiras linhas do que se tornaria “Almamúsica”, música que dá nome ao primeiro trabalho dividido com o marido, Francis Hime.

Após o lançamento do formato em estúdio, o álbum chega à versão ao vivo, em CD e DVD, pela Biscoito Fino. No repertório, autores como Dorival Caymmi, Chico Buarque, Vinicius de Moraes, Tom Jobim. Mas o surpreendente é a declaração, entre espanto e conformação, de Olivia, ao deparar-se com indagação de amiga: “Você lembra qual era o nome da mulher de Mahler?”, “Sim”, ela responde: “Alma”.

Natal

“Procurem por toda parte
Pura ou degradada até a última baixeza
Eu quero a estrela da manhã.” Manuel Bandeira

Natal

O Natal se aventura à meia-noite com o som que vem do choro do Menino Jesus.

O som de passos que caminham em direção ao Salvador trazendo-lhe oferendas.

Os Três Reis Magos presenteiam como graça, agradecimento.

É o sinal de devoção àquele que eles acreditam trazer em si a soma da união, dos bons valores, do amor à vida que se espalha em cada grão de areia, ou gota d’água.

É o som surdo duma alegria que se vê no rosto de Maria e se faz na contemplação de José.

Entrevista: Bibi Ferreira

“O fato de sermos habitados por uma nostalgia incompreensível seria mesmo assim o sinal de que existe um além.” Eugène Ionesco

Bibi Ferreira

Bibi Ferreira acaba de lançar novo CD, ‘Natal em Família’, pela Biscoito Fino. Concomitantemente, a partir do dia 8 de janeiro, retoma os palcos do Rio de Janeiro, no Municipal Carlos Gomes, com o espetáculo ‘Histórias & Canções’. Nada mal para uma iniciante. Com a exceção de que a entrevistada, aos 90 anos, totaliza igual quantia de carreira. Acredite, com 24 dias de vida, ela estreava no teatro.

Na ocasião, Bibi substituiu uma boneca desaparecida instantes antes da apresentação de ‘Manhãs de Sol’, de Oduvaldo Vianna. De lá para cá, interpretou Edith Piaf, deu voz e corpo à palpitante ‘Gota d’água’, peça de Chico Buarque e Paulo Pontes, além de uma intensa dedicação ao teatro, tanto na direção quanto protagonizando. O passar do tempo lhe legou muitas lembranças e uma certeza única: “Sou uma batalhadora, uma atriz, uma mulher feliz”, diz.

Entrevista: Toni Garrido

“Morre e transforma-te!” Goethe

Toni Garrido

Elba Ramalho tornou icônica música composta por Dominguinhos e Nando Cordel, a versar sobre a saudade do lar. “De volta pro meu aconchego” reflete o temor de andar de avião, que obriga o sanfoneiro nordestino a percorrer longas distâncias de ônibus.

Arnaldo Antunes também avistou o tema, com a raivosa e política “Volte para o seu lar”, na qual difama a polícia, a doença, a miséria, e recolhe-se a uma casa esquecida, mas que ainda abriga confraternizações sinceras, quando todos se sentam na mesa para comer com a mão.

Show: Edson Cordeiro (canta Herivelto Martins)

“Hoje amam, amanhã’ squecem,
Ora dores, ora alegrias;
E o seu eternamente
Dura sempre uns oito dias!…” Florbela Espanca

Edson Cordeiro

O breu, proposital, impedia-nos de vê-lo entrar em cena. Somente o piano de Miguel Briamonte foi possível distinguir na escuridão. Tal nome seria repetido tantas vezes, naquela noite, que jamais nos esqueceremos.

Quando a agudíssima voz ressoou no palco do teatro lotado, houve um minuto de espanto. Infinitamente inferior ao presenciado no momento em que se acenderam as luzes. Pois dotado daquela voz, inebriante, surgia uma miniatura de gente.

Show: Toninho Horta & Quarteto

“Um vento varre o mundo, varre a vida.
Este vento que passa, irretratável,” Carlos Drummond de Andrade

Toninho Horta

Uma donzela magricela vem tomando a cena sem medo, de assalto, ritmada. Estica a saia, retira o chapéu florido, apresenta-se como distinta dama: guitarra. O condutor, do violão: Toninho Horta.

No encalço, enamorando-se dela, vem um baixo e robusto senhor, de chapéu austero, marrom, retirado da cabeça calva, elegantemente. Apressa-se a pentear os bigodes cinzas, e, então, distingui-se. Ezequiel Lima empunha o contrabaixo.

Entrevista: Leandro Sapucahy

“Alguns procuram os padres, outros a poesia, eu, os amigos.” Virginia Woolf

Leandro Sapucahy

“Tenho a consciência de que o público, ás vezes, nem presta atenção, está lá, no show, só para azarar”, confirma Leandro Sapucahy, ao repercutir o estilo do trabalho “Baile do Sapuca – Sapucapeta”, posto no mercado em formato DVD pela gravadora Sony Music.

Gravado no Rio de Janeiro, na casa de shows Marina da Glória, o baile nasceu “despretensiosamente, de maneira muito espontânea”, e acabou se transformado em verdadeiro fenômeno de proporções nacionais, lotando espaços em Brasília, Maranhão, Piauí, Natal, Salvador e São Paulo.

Humor: Jorge & Mateus – O Que É Que Tem?

“Já que não conseguimos amar-nos uns aos outros, por que não tentamos amar-nos outros aos uns?” Quino

Jorge e Mateus-O Que É Que Tem?

Dizer que o estilo autodenominado sertanejo (em alguns casos, universitário) colocou Goiás no mapa da popular canção brasileira, soa injusto. É inegável a quantidade de duplas estridentes, com refrões amargos, a emanarem da região. No entanto, é bom um exercício histórico.

Muito antes de Jorge & Mateus, surgira Zezé di Camargo & Luciano. E ainda antes deles, em tempos, hoje, remotos, despontou por aquelas bandas, com o preconceito da intelectualidade contra a cara, um tal Odair José, a cantar pílulas anticoncepcionais, prostitutas e empregadas.

Entrevista: Trio Triz

“Com celeste golpe nos fere
E não lhe achamos a cicatriz,
Apenas uma diferença interna,
Lá, onde jazem os sentidos.” Emily Dickinson

Trio Triz

O “Conexão Vivo no Inimá” encerra sua edição 2012 hoje, às 20h, no Museu Inimá de Paula (rua da Bahia, 1.201), com apresentação do elogiado projeto Triz, formado por André Mehmari, Chico Pinheiro e o mineiro Sérgio Santos. Os ingressos custam R$10 e R$5 (meia).

O fato de os três serem compositores, conta Sérgio, teria sido um facilitador da união. “Privilegiamos a criação. A música precisa de uma elaboração harmônica, melódica e rítmica”. No palco, o repertório será basicamente o presente no primeiro CD do trio.

Entrevista: Ritchie

“A manhã se dá a todos,
A noite, para alguns poucos;
A raros afortunados,
A luz da madrugada.” Emily Dickinson

Ritchie

“Cansamos de ouvir que o rock jamais decolaria no Brasil”, avisa Ritchie, inglês radicado no país há quatro décadas, responsável pelo sucesso pop “Menina Veneno”, que, agora, ao completar 60 anos (o aniversário foi em 6 de março), grava pela primeira vez um disco em que utiliza a língua mãe. “Todos os vocais foram registrados na primeira tomada, sem precisar de segundos ‘takes’, isso nunca tinha acontecido antes”, orgulha-se.

A celebrada data serviu de mote para que o cantor intitulasse o novo trabalho de ’60’, não apenas alusivo à particular primavera, mas como especial homenagem à efervescente década que mostrou ao mundo sucessos dos The Beatles, Rolling Stones, Beach Boys, The Animals, e outros. Todos estes estão fora do disco de Ritchie, não porque não tenham feito parte de sua adolescência musical, pelo contrário.