4 preciosidades musicais de Belchior

“Quando eu estou sob as luzes/não tenho medo de nada
E a face oculta da lua/que era minha aparece iluminada
Sou o que escondo sendo uma mulher
Igual a tua namorada/mas o que vês
Quando mostro estrela de grandeza inesperada” Belchior

Quando gravou o seu primeiro LP, em 1974, o Brasil vivia, há dez anos, sob o pleno domínio da tenebrosa ditadura militar que assolou o país até 1985. Para a música de Belchior esse contexto era imponderável. Nascido no interior cearense, as agruras de uma pobreza social uniam-se à violência estabelecida pela política em suas crônicas, cujas letras eram transformadas em música com o auxílio do violão. Todavia, o caráter altamente narrativo e a maneira marcada de se expressar – com forte referência do canto falado de Bob Dylan e da dicção pausada da carioca Nora Ney, sucesso absoluto na “Era de Ouro” do rádio – deram às canções de Belchior, especialmente quando interpretadas por ele, uma característica muito diferente de tudo o que se fazia na sua época. A palavra, ali, se posicionava antes da melodia, e sobressaltava a ela sem nenhuma culpa. Tanto que ainda hoje é possível recitá-las como um manifesto.

Entrevista: O Canto Bossa Nova de Leila Pinheiro

“Deixai-me carpir, crianças/a vossa imensa desdita.
Prendestes as esperanças/numa gaiola maldita.
Do fundo do meu silêncio/eu vos incito a lutardes
contra o Prefixo que vence/os anjos acorrentados
e ir passear pelas tardes/de braço com os namorados.” Vinicius de Moraes

Uma noite em 1962, mais precisamente no dia 21 de novembro, ficou marcada na história da bossa nova, quando grandes nomes do gênero musical se apresentaram no icônico Carnegie Hall, em Nova York. Quase seis décadas depois, algumas coisas mudaram e outras permanecem. Hoje, Wanda Sá, 72; Marcos Valle, 73; Roberto Menescal, 79; Leila Pinheiro, 56; e o grupo vocal MPB4 sobem ao palco do Palácio das Artes, às 21h, para reencenar o histórico concerto.

Na ocasião, Tom Jobim, João Gilberto, Luiz Bonfá, Oscar Castro Neves e seu quarteto, Sérgio Mendes, Carlos Lyra, Chico Feitosa, Milton Banana, Sérgio Ricardo, Normando Santos, Agostinho dos Santos, Dom Um Romão, Ana Lúcia, Bola Sete e Carmen Santos, além de Wanda e Menescal, que participam do show desta sexta-feira (9), encararam uma plateia formada preponderantemente por norte-americanos, em que se destacavam músicos do jazz como Dizzy Gillespie, Gerry Mulligan, Tony Bennet, Herbie Man e Miles Davis, que afirmou, em 1972: “Só existe a música erudita europeia, a música negra americana e a música popular brasileira”.

Entrevista: Samuel Rosa homenageia Jorge Ben Jor

“A chuteira veste o pé descalço
O tapete da realeza é verde
Olhando para bola eu vejo o sol
Está rolando agora, é uma partida de futebol” Samuel Rosa & Nando Reis

Um encontro com “velhos amigos” e a filha de uma musa. As revelações podem surpreender, inclusive, aos mais aficionados pela carreira de Jorge Ben Jor, 72. Neste domingo (28), o cantor se apresenta ao lado da banda Skank e da cantora Céu, 37, na praça da Estação, dentro do projeto “Nívea Viva”, a partir das 16h30. Samuel Rosa, 50, vocalista do Skank, explica que a relação com Ben Jor existe desde o início da carreira do grupo, nos anos 90. “Como ele diz, ‘somos velhos amigos’. Quando começamos, tocando em bares e juntando dinheiro para fazer o nosso primeiro álbum independente, porque a gente não vislumbrava a possibilidade de chegar numa gravadora nessa época, o Jorge ficou sabendo que a gente ia regravar uma música dele, ‘Cadê o Pênalti?’, e ficou muito interessado na banda”, relembra.

Centenários 2018: 10 sucessos de Adelino Moreira

“Boemia, aqui me tens de regresso
E suplicante te peço a minha nova inscrição
Voltei pra rever os amigos que um dia
Eu deixei a chorar de alegria, me acompanha o meu violão” Adelino Moreira

Angela Maria, Núbia Lafayette, Maria Bethânia, Angela Ro Ro, Tetê Espíndola e até o grupo punk Camisa de Vênus gravaram suas canções, mas é impossível dissociar o nome de Adelino Moreira da voz de Nelson Gonçalves. Tanto que o cantor gaúcho ganhou o epíteto de “O Boêmio”, após o estrondoso sucesso de “A Volta do Boêmio”, música de Adelino lançada por Nelson em 1957. A essa altura, a dupla já havia emplacado “Última Seresta”, “Meu Vício É Você” e outros hits da década de 1950. “Naquela época existia uma ligação muito forte entre o cantor e o compositor, que já fazia as músicas pensando em quem ia interpretar”, conta o radialista Acir Antão, apresentador do programa “A Hora do Coroa” na rádio Itatiaia. “O samba-canção é choro, tanto que antigamente falava-se choro-canção, e o Adelino assimilou isso numa música feita para combater o bolero”, completa.

10 músicas de sucesso “chiclete” no Carnaval

“a fama é uma senhora muito gorda que não dorme com a gente, mas quando a gente desperta ela está sempre olhando para nós, aos pés da cama.” Gabriel García Márquez

Músicas de sucesso no Carnaval

Com uma lógica de descarte cada vez mais acelerada permanece a dúvida sobre quanto tempo dura o sucesso hoje. O fato de não terem planejado todo esse retorno midiático coloca uma nova questão na mesa: quanto tempo ele vai durar? Uma breve busca pelas músicas cantadas com entusiasmo pelos foliões na última década revela um cenário pouco otimista, afinal de contas, a maioria perdeu espaço. “Todas as culturas do mundo têm esse tipo de música, são os clássicos da fuleragem. ‘Ai Se Eu Te Pego’ é igual ‘Macarena'”, compara o produtor musical Carlos Eduardo Miranda. “Fenômenos populares sempre foram efêmeros porque são consumidos à exaustão e dificilmente chegam ao próximo passo. O que mudou foi que tínhamos artistas de carreira e pouca vendagem convivendo lado a lado com os imediatistas. Não há como haver a sofisticação de outrora com um ensino cada vez mais miserável. Os letristas de hoje são um retrato da educação que tiveram”, completa o DJ Zé Pedro, dono do selo Joia Moderna. Michel Teló, Parangolé, Banda Vingadora, Wesley Safadão, e outros, integram a nossa lista. Confira!

Hit pra toda vida: 10 artistas marcados por 1 único sucesso

“acabo como começo
canções de fracasso
não fazem mais sucesso” Paulo Leminski

Por vezes a força de uma canção é tanta que ela é suficiente para impulsionar toda uma carreira e chega, inclusive, a acoplar-se ao nome do intérprete. No Brasil, não são raros os compositores que ficaram marcados por um único sucesso. Motivo de orgulho para a maioria, alguns chegam a renegar o fruto da fama e recusam-se a cantar pela nonagésima vez “a mais pedida” nos shows. Mas, via de regra, ela permanece no coração dos fãs mesmo após vários anos.

10 pérolas musicais de Sidney Miller

“O amor que atenua
O tiro no peito e o sangue na rua
A fome, a doença, não sei mais por que
Que noite, que lua, meu bem, pra quê?” Sidney Miller

Comparado a Chico Buarque no início da carreira, o carioca Sidney Miller é, nos dias atuais, um nome bem menos reconhecido do que seu conterrâneo e contemporâneo. Mas o motivo para os elogios eram justos, tanto que, em 1967, a cantora Nara Leão selecionou quatro canções de Chico e cinco de Miller para compor o álbum “Vento de Maio”. A timidez do compositor falecido aos 35 anos, há quase quatro décadas, é hoje apenas lembrança para os mais próximos. Já a acuidade das letras embebidas em poesia permanece ao dispor de todos.

10 filmes marcantes com Meryl Streep

“Já fui loura, já fui morena,/já fui Margarida e Beatriz.
Já fui Maria e Madalena./Só não pude ser como quis.
Que mal faz, esta cor fingida/do meu cabelo, e do meu rosto,
se tudo é tinta: o mundo, a vida,/o contentamento, o desgosto?” Cecília Meireles

Meryl Streep é recordista de indicações ao Oscar

Recordista de indicações ao Oscar nas categorias ligadas à atuação, Meryl Streep volta a concorrer em 2018 por seu papel em “The Post: A Guerra Secreta do Jornalismo” e, com isto, passa a ter o nome incensado na Academia pela 21ª vez. Editor-chefe do site “Papo de Cinema”, o crítico de cinema Robledo Milani garante que “quem contesta essas indicações é porque não conhece o trabalho dela”. Aos 68 anos, a atriz acumula mais de 70 longa-metragens no currículo.

“O que mais me chama a atenção é a capacidade dela de não se mostrar Meryl Streep. Cada personagem é um mergulho naquele personagem e uma vontade de desaparecer para dar vazão a uma outra vida. Ela não repete maneirismos, consegue sublimar a persona, o que é também uma demonstração de humildade”, afiança Milani. O crítico elege os momentos mais marcantes da trajetória da atriz norte-americana.

Análise: Musa, Tônia Carrero preferiu os palcos de teatro

“É isso mesmo! Exatamente! Dar vida a seres vivos, mais vivos que aqueles que respiram e vestem roupas! Menos reais, talvez, porém mais verdadeiros.” Luigi Pirandello

Tônia Carrero faleceu aos 95 anos de idade
Paulo Autran dizia que ela sofria preconceitos pela aparência. O fato de ter sido considerada uma das atrizes brasileiras mais bonitas de todos os tempos pesou, no início da carreira, tanto contra quanto a favor de Tônia Carrero. Como quem abre portas, a primeira impressão provocava, de cara, um encantamento. No entanto, por algum período ela foi questionada quanto ao talento. Autran, justamente o companheiro mais longevo nos palcos de teatro, denunciava a discriminação no meio artístico em relação à possibilidade de conjugar inteligência, sensibilidade e beleza. É compreensível que todas essas qualidades numa só pessoa cheguem a incomodar em um meio tão pautado pela vaidade. Aliás, para Tônia a palavra de ordem era quase seu antônimo: humildade. Engraçado que poucas vezes ela tenha se apagado para dar vazão a uma personagem. Tônia foi uma atriz personalista, e que invocava um estilo.

10 maiores vendedores de discos do Brasil

“Obras, satisfações, glórias, tudo se esvai e se esbate. Pelos trinta anos, a gente que se julgava Shakespeare, está crente que não passa de um ‘Mal das Vinhas’ qualquer; tenazmente, porém, ficamos a viver, esperando, esperando… o quê? O imprevisto, o que pode acontecer amanhã ou depois. Esperando os milagres do tempo e olhando o céu vazio de Deus ou Deuses, mas sempre olhando para ele, como o filósofo Guyau.” Lima Barreto

Rita Lee é mulher que mais vendeu discos no Brasil

Corria o ano de 1982 quando uma invenção abalou as estruturas do mercado musical com promessas de revolução. Na mesma data, Belo Horizonte ganhava uma loja de discos que, a princípio, só comercializava compactos, fitas-cassetes e vinis, já que o tal CD ainda demoraria cinco anos para chegar ao Brasil, mas só se estabeleceria a partir de 1995. Crises de diferentes níveis não impediram Halina Souza de, ao lado do irmão, permanecer à frente da Discoplay: Discos Raros, localizada na rua dos Tupis desde o nascimento. Atualmente o foco da empreitada é justamente o CD, com espaço para o DVD.