8 filmes inesquecíveis de Brigitte Bardot

“A saudade
É Brigitte Bardot
Acenando com a mão
Num filme muito antigo” Zeca Baleiro

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Brigitte Bardot completou 80 anos no último dia 28 de setembro. A atriz francesa foi considerada símbolo sexual das décadas de 1950 e 1960, e abandou a carreira em 1973 para se dedicar aos direitos dos animais. Afastada da vida pública já foi cantada em música por Caetano Veloso, Tom Zé, Jorge Veiga, Zeca Baleiro, o grupo teatral “Asdrúbal Trouxe o Trombone”, e é famosa a sua estátua localizada na cidade de Búzios, interior do Rio de Janeiro, onde passou temporada. Listamos abaixo 8 filmes inesquecíveis de sua trajetória.

5 filmes marcantes sobre a ditadura militar no Brasil

“Na bagagem, uma esperança desmedida.” José Carlos Oliveira

Batismo-de-Sangue

A ditadura militar no Brasil que durou 21 anos, de 1964 a 1985, é, certamente, um dos períodos mais nefastos e turbulentos da nossa história. O regime que instituiu a censura, o assassinato e a tortura também foi retratado através da arte do cinema em obras que, com a indignação e revolta dos que sofreram no período ou as consequências dele, produziram um retrato fiel, definitivo e de suma importância para quem pretende entender e respeitar o valor de uma democracia e da liberdade. Abaixo 5 filmes marcantes sobre a ditadura.

Análise: Zé Bonitinho foi expressão da fantasia

“Zé Bonitinho, o perigote das mulheres!” Jorge Loredo

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Oscarito é Oscarito, Grande Otelo é Grande Otelo, Al Pacino é Al Pacino e Ronald Golias é Ronald Golias, independente do papel que eles representem. Assim foi com Jorge Loredo, refém e cúmplice de seu Zé Bonitinho. Não há como dissociar a imagem do ator de sua mais aclamada personagem. Loredo participou de filmes no auge das companhias Atlântida e Vera Cruz, representantes da chanchada no Brasil, e inclusive estrelou “Sem essa, Aranha!”, protagonista com nome no título. Mas a força do público foi maior do que as suas vontades. Diagnosticado com osteomielite e tuberculose durante a juventude, foi incentivado pelos médicos a procurar uma companhia teatral para melhorar os ânimos. Em busca de um “papel sério”, passou, na primeira audição, para o monólogo cômico “Como Pedir Uma Moça em Casamento”. Zé Bonitinho não teve escolha, nascera fadado a fazer os outros rirem.

O documentário “Câmera, Close!”, dirigido por Susanna Lira em 2005, traça um sensível retrato de intérprete e personagem. Ao se valer de um dos bordões propagados por Zé Bonitinho no título, a diretora tenta se aproximar, sobretudo, de Jorge Loredo, e temos revelada uma personalidade reservada, muitas vezes amarga, e até certo ponto triste. Repete-se a crônica do palhaço que não consegue arrancar de si o próprio riso, tema explorado com propriedade por Selton Mello em seu longa-metragem de 2011, que generosamente concedeu espaço a referências do estilo; além de Loredo aparecem Moacyr Franco, Ferrugem, Teuda Bara e Tonico Pereira. Percebemos no documentário a frustração de Jorge, por estar confinado a Zé Bonitinho. Ator de múltiplos recursos, demonstrados na tela, exercia ainda a profissão de advogado. Imagine-se numa audiência com Zé Bonitinho.

Os hinos de futebol na música brasileira

“Vou torcer pro time que sou fã/Vou levar foguetes e bandeira!
Não vai ser de brincadeira/Ele vai ser campeão!
Não quero cadeira numerada/Vou ficar na arquibancada
Pra sentir mais emoção!/Porque meu time bota pra ferver
E o nome dele são vocês que vão dizer…” Neguinho da Beija-Flor

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Os quatro grandes clubes da cidade do Rio de Janeiro, além do à época popular, América, tiveram seus hinos compostos pelo não menos popular Lamartine Babo. Famoso pelas composições carnavalescas, mas também por peças românticas e valsas, sendo a mais conhecida uma parceria com Ary Barroso (“No Rancho Fundo”), não chega a ser espantoso o êxito de Lamartine nas duas frentes. Se formos prestar atenção existe um quê de glória, de exaltação, de alegria tanto no gênero da marchinha quanto no hino. Todas as outras agremiações cariocas também foram agraciadas pelo compositor, como o Bangu, Madureira, Bonsucesso, Olaria, São Cristóvão e Canto do Rio. Isso foi fruto de um desafio proposto pelo radialista Heber de Boscoli, que dividia com Lamartine os holofotes do programa “Trem da Alegria”. Ao enorme sucesso de uma marchinha em homenagem ao Flamengo, Heber solicitou que Babo tirasse da cartola um hino por dia, para os 11 times da primeira divisão do certame local.

Pelo talento de Lamartine Babo, os torcedores de Flamengo, Fluminense, Botafogo e Vasco entoam a plenos pulmões os versos de exaltação e glória, além dos resistentes e bravos apaixonados pelo América, clube de coração de Lamartine. Tim Maia emprestou como ninguém a potência da voz para celebrar essas músicas, com exceção do Botafogo, legou registros impressionantes dos clubes cariocas. Ele, outro apaixonado e torcedor convicto do América-RJ nos faz crer ser este o mais bonito dos hinos. Prova do poder da palavra e da intenção dos sentimentos. Em São Paulo, o radialista Lauro D’Ávila foi o responsável por compor melodia e letra do hino do Corinthians, clube mais popular do estado. Fundador do São Paulo Futebol Clube, Porfírio da Paz, político brasileiro com participação no governo de Getúlio Vargas, compôs o hino do clube mais vencedor brasileiro. Com a conquista de três campeonatos mundiais, três Libertadores da América e seis títulos do campeonato brasileiro.

O chocolate na cultura popular

“e por toda a calma latente e infinitamente doce,” Salvador Dalí

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Desde que se tem notícia do seu aparecimento ainda na era pré-colombiana dos países da América Central, o chocolate não serve apenas como alimento. Claro, a sua função principal é essa, até por ser difícil negar suas qualidades tão atrativas ao paladar. Mas é sobretudo por outros sentidos como visão, tato e olfato, que o chocolate atende a diversas intenções. Não por acaso está associado a celebrações como a Páscoa e o Dia dos Namorados. No universo da cultura popular é difícil uma arte que tenha escapado ao seu charme.

No cinema certamente a iniciativa mais marcante em relação ao tema é “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, de 1971, baseado no livro de Roald Dahl. O filme eternizou a figura excêntrica de Willy Wonka, vivido nesta versão por Gene Wilder e depois interpretado por Johnny Depp no longa-metragem lançado por Tim Burton em 2005. A ideia de um ambiente repleto e coberto por chocolate sensibilizou e encheu de água na boca a adultos e crianças. Outras duas obras marcantes são a mexicana “Como Água Para Chocolate”, de 1992, e “Chocolate”, com Juliette Binoche no papel principal, de 2000.

A nudez no cinema brasileiro

“e o charme da novidade caía pouco a pouco, como uma vestimenta, deixando ver nua a eterna monotonia da paixão, que sempre tem as mesmas formas e a mesma linguagem.” Gustave Flaubert

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A pornochanchada talvez tenha sido a época de maior popularidade do cinema brasileiro. Certamente não a de maior prestígio. Concorre, no auge, com o sucesso do seu antecessor de quem herdou parte do nome, as chanchadas nacionais. Essa designação atende à conhecida comédia de costumes. A diferença de uma para outra está, justamente, na inserção de um dos elementos responsáveis pelo aumento do público: a nudez. Curioso notar que embora tenha grande parte da cultura de massa influenciada pelo modelo norte-americano, neste ponto o cinema nacional se diferenciou bastante. Não é segredo que a tolerância dos Estados Unidos hollywoodiano com a violência é inversamente proporcional ao sexo.

Neste período de intensa repressão decorrente da ditadura militar instaurada no Brasil, a pornochanchada valeu-se de carta branca para mostrar o sexo. Afinal de contas, as preocupações eram com as mensagens engajadas dos artistas tropicalistas, do cinema novo e do teatro oficina, para focar em alguns exemplos, em temas que exploravam questões mais abrangentes e menos particulares que as ligadas ao amor e ao sexo. Este estilo criou alguns ícones e se apropriou de outros. Por exemplo, Nelson Rodrigues, um dos autores mais adaptados para as telonas, e os atores Paulo César Peréio, Sônia Braga, Darlene Glória, Lucélia Santos. A intensa exploração do corpo, sobretudo das mulheres, nas filmagens, levou algumas a renegarem a participação nesses clássicos.

Entrevista: Denise Lopes Leal coloca Shakespeare na rua

“Hei de monumentar os insetos!
(Cristo monumentou a Humildade quando beijou os
pés dos seus discípulos.
São Francisco monumentou as aves.
Vieira, os peixes.
Shakespeare, o Amor, A Dúvida, os tolos.
Charles Chaplin monumentou os vagabundos.)
Com esta mania de grandeza:
Hei de monumentar as pobres coisas do chão mijadas de orvalho.” Manoel de Barros

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Não chega a ser coincidência que a primeira e a recente experiência de Denise Lopes Leal no teatro tenha em comum o “bardo inglês”. Talvez destino. Certo é que esse ciclo se inicia na década de 1990. “Lembro que o primeiro espetáculo que assisti e que mexeu comigo foi o ‘Romeu e Julieta’ do Grupo Galpão, em 91, 92”, constata. Tinha por volta de 6 ou 7 anos, e estava na cidade natal, Sabará, onde ainda mora, no interior das Minas Gerais. “Aquilo ali me tocou de um jeito, que eu queria fazer aquilo. Eu queria fazer o que eles faziam. E eles faziam teatro na rua. Além de ter gostado da apresentação, gostei de ser na rua, para todos”, sublinha. Essa característica democrática Denise trouxe para a mais nova montagem. “Se essa rua fosse minha” conversa com o espaço público, e William Shakespeare, claro.

O sadomasoquismo no cinema

“Ah, as pessoas põem a ideia de pecado em sexo. Mas como é inocente e infantil esse pecado. (…) Sexo é o susto de uma criança.” Clarice Lispector

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A obra surrealista do espanhol naturalizado mexicano Luis Buñuel, e que por anos viveu na França, certamente recebeu influência do artista plástico Salvador Dalí. Mas também atuou de maneira assertiva sobre outros nomes. Por exemplo, o pernambucano Alceu Valença se vale do título de um dos filmes mais controversos de Buñuel para batizar uma popular canção. “La Belle de Jour” do compositor é transportada para a tropical praia de Boa Viagem, enquanto a película de Buñuel passa-se em dois campos distintos. O primeiro diz respeito a um frio interior francês, já o segundo, aparentemente na imaginação da protagonista, não economiza na temperatura. O tema do sadomasoquismo, além da conotação de tabu moral, servia para espezinhar a hipocrisia burguesa, o ideário religioso e a tênue linha entre prazer e dor. Não mudou muito até agora.

Nessa década de 2010, quem puxa a fila do assunto chega pela indústria como best-seller, produção americana com recorde de arrecadação no cinema, pontos que nos permitem notar, de cara, o diferencial entre as duas obras. “50 Tons de Cinza” é também baseada em livro, o que parece ser a única ligação com “A Bela da Tarde”, de Buñuel e que tem Catherine Deneuve no papel principal, tirada das páginas de Joseph Kessel. Além de preocupações estéticas, a intenção provocativa, e o habitual misto entre delírio e realidade, justamente por essas características Buñuel ergue com unhas e dentes a bandeira da reflexão, o que lhe impede concessões à rápida assimilação mercadológica. E. L. James, ao contrário, é um produto de mercado feito para o mercado. Está intrinsicamente ligada a ele. Se Buñuel criticava o moralismo, o folhetim contemporâneo só o reforça.

O poder da caricatura

“Aliás, cada passo na arte é sobre o fio da navalha, entre o ridículo e o brilhante.” Tom Zé

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Não é raro em manifestações políticas e carnavalescas que o artifício usado seja o de ridicularizar o oponente ou a si, para conquistar território e coração. No Brasil a caricatura ocupa-se principalmente do primeiro caso, embora também seja usada para homenagear personalidades do esporte, da cultura, e outros segmentos da sociedade. Porém, essa depende sempre do senso de humor de quem está do outro lado. Afinal se vale de um recurso nada cortês. Feita de uma observação que muitas vezes pode se considerar óbvia, exagera no traço mais marcante e já nada escondido de sua vítima.

Fellini, no cinema, mas que começou neste campo artístico, talvez seja a principal referência. Se já não bastasse a expressividade dos atores, ainda cria para eles um cenário e clima apropriados à extravagância. Há algo de lúdico na caricatura. Por sua característica hiperbólica pode soar impossível, fantasiosa. O que ao mesmo tempo atrai é esse universo distante da realidade pálida e a percepção de que a vida carrega nas tintas tanto quanto os ilustradores. O recente assassinato dos caricaturistas da revista francesa “Charlie Hebdo” é uma prova do poder de alcance e efeito da prática.

Artigo: fim do Ballet Jovem Palácio das Artes é tiro no pé

“Naturalmente, existem situações que deixam você sem palavras. Você tem apenas uma noção das coisas. Também as palavras não ajudam muito, elas apenas evocam as coisas. É aí que entra a dança.” Pina Bausch

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O encerramento das atividades do Ballet Jovem Palácio das Artes pertence ao comboio que também determinou o fim da Big Band Palácio das Artes, do Grupo de Choro Palácio das Artes e do Circuito Cultural da Praça da Liberdade. Medidas que desalentam os que acreditaram num governo mais preocupado com a cultura, o primeiro do PT no estado. Se esse foi o motivo do choro de Fernando Pimentel na posse, o certo é que abre-se uma orfandade cultural em Minas Gerais e Belo Horizonte.

Cada um dos projetos encerrados tinha sua importância referendada por casas lotadas, prêmios recebidos, prestígio junto a público e crítica. O Grupo de Choro dava conta de uma velha guarda, da preservação da história, da memória. Já o Ballet Jovem era fundamental na formação de novos bailarinos, muitos bolsistas, e representava o sonho, a esperança, a perspectiva, como na educação de base, não um paliativo para o profissional já maduro, entre virtudes e vícios, mas justamente o que mais se discute no Brasil, em todos os seus problemas amplos de saúde, educação, transporte e segurança: a raiz, o início.