Até que um quarto nos separe

“Sobrevivi à morte sucessiva das coisas do teu quarto.
Vi pela primeira vez a inútil simetria dos tapetes e o azul diluído
Azul-branco das paredes. E uma fissura de um verde anoitecido
Na moldura de prata. E nela o meu retrato adolescente e gasto.” Hilda Hilst

06_Gustav_Klimt_Kiss_06

Às 7 da manhã em ponto, o despertador em formato de relógio nas cores azul e cinza, com ponteiros costumeiramente pretos, toca o som de uma sirene aguda como a da ambulância quando em desespero para passar pelos carros na avenida tentando salvar mais uma vida.

Em tédio e desespero, o advogado Carlos Alberto desperta ao som de seu despertador-relógio e ouve na rádio o “Cotidiano” de Chico Buarque a lhe conformar.

Rádio preto velho da marca Phillips, maltratado pelo tempo e pelas vezes em que foi derrubado do criado-mudo castanho ao lado de sua cama, sem querer, num impulso de insônia e medo.

Rádio que ficou ligado a noite inteira, pois Carlos Alberto só dorme com ele acordado, e agora o desliga pois já está de pé.

10 anos da morte de um dos maiores atores do cinema

“Foi então que vi Brando. Um metro e oitenta, cabeça grande como a do maior Buda, lá estava ele, em cores de gibi, (…) com um sorriso sereno no rosto que brilhava na chuva e na luz da rua. Uma divindade, sem dúvida; mais do que isso, porém, realmente. Apenas um rapaz sentado num monte de açúcar.” Truman Capote

marlon-brando

No dia primeiro de julho de 2004, há 10 anos, morria Marlon Brando, um dos maiores atores da história do cinema. Mesmo quem nunca viu nenhum filme protagonizado pelo astro certamente já ouviu falar nesse nome. Associado tanto a sucessos quanto a tragédias particulares, Marlon Brando foi descrito por muitos como “um artista brilhante” e “uma pessoa detestável”. Ele mesmo se assumia péssimo pai. Alguns fatos reforçam a tese de Brando. O filho foi preso por matar o cunhado e a filha suicidou.

5 Filmes Inesquecíveis de Robin Williams

“Fazer reviver seu personagem juvenil e esforçar-se para, confundindo-se com ele, substituí-lo pelo que é no presente. É a mim mesmo que vejo nessa comédia do chefe, meu futuro.” Milan Kundera

robin-williams

Robin Williams foi um dos atores mais celebrados na indústria do entretenimento cinematográfico norte-americano. Múltiplo, atuou tanto em comédias escrachadas, quanto românticas, infantis e até desenhos animados. Também deu a sua contribuição para as películas dramáticas, tendo arrebatado o Oscar de melhor ator coadjuvante por sua atuação em “Gênio Indomável”. Listamos abaixo 5 filmes marcantes da vasta carreira de sucessos de Robin Williams, falecido neste dia 11 de agosto de 2014, aos 63 anos.

5 personagens inesquecíveis de José Wilker

“ALEGRIA, compassa um círculo e diz: aqui o tempo é meu.
ALEGRIA, o personagem que não larga o seu instrumento um só momento.” Wally Salomão

jose-wilker-dona-flor

1- Roque Santeiro: na novela de Dias Gomes o ator cearense Zé Wilker, natural de Juazeiro do Norte, vivia o seu protagonista mais marcante na teledramaturgia brasileira, muito em razão dos companheiros que tinha em volta. Ele dividia quadros hilários com Lima Duarte, o Sinhozinho Malta e Regina Duarte, a Viúva Porcina.

2- Vadinho: na primeira adaptação cinematográfica de “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, um dos maiores sucessos do baiano Jorge Amado, Wilker dá vida ao malandro Vadinho, um mulherengo incorrigível para quem nem a morte é o limite. Contracenando com Sônia Braga e Mauro Mendonça, a cena em que o fantasma do ator caminha nu ao lado dos dois tornou-se uma das mais marcantes do nosso cinema.

8 filmes inesquecíveis de Sophia Loren

“com freqüência é levantada a cortina e deixa-se entrar a luz crua, no preciso instante em que a deusa está fruindo a penumbra e as cores baças” Nietzsche

sophia-loren

A atriz italiana Sophia Loren completou no último dia 20 de setembro, 80 anos. Diva da sensualidade e de filmes icônicos, Sophia está para sempre na história do cinema como um de seus mitos mais indecifráveis e permanentes. Nascida em Roma, ela permanece em atividade no cinema e na televisão. Para comemorar a data, elegemos 8 filmes marcantes protagonizados por Loren.

8 filmes inesquecíveis de Brigitte Bardot

“A saudade
É Brigitte Bardot
Acenando com a mão
Num filme muito antigo” Zeca Baleiro

brigitte-bardot

Brigitte Bardot completou 80 anos no último dia 28 de setembro. A atriz francesa foi considerada símbolo sexual das décadas de 1950 e 1960, e abandou a carreira em 1973 para se dedicar aos direitos dos animais. Afastada da vida pública já foi cantada em música por Caetano Veloso, Tom Zé, Jorge Veiga, Zeca Baleiro, o grupo teatral “Asdrúbal Trouxe o Trombone”, e é famosa a sua estátua localizada na cidade de Búzios, interior do Rio de Janeiro, onde passou temporada. Listamos abaixo 8 filmes inesquecíveis de sua trajetória.

5 filmes marcantes sobre a ditadura militar no Brasil

“Na bagagem, uma esperança desmedida.” José Carlos Oliveira

Batismo-de-Sangue

A ditadura militar no Brasil que durou 21 anos, de 1964 a 1985, é, certamente, um dos períodos mais nefastos e turbulentos da nossa história. O regime que instituiu a censura, o assassinato e a tortura também foi retratado através da arte do cinema em obras que, com a indignação e revolta dos que sofreram no período ou as consequências dele, produziram um retrato fiel, definitivo e de suma importância para quem pretende entender e respeitar o valor de uma democracia e da liberdade. Abaixo 5 filmes marcantes sobre a ditadura.

Análise: Zé Bonitinho foi expressão da fantasia

“Zé Bonitinho, o perigote das mulheres!” Jorge Loredo

Ze-Bonitinho

Oscarito é Oscarito, Grande Otelo é Grande Otelo, Al Pacino é Al Pacino e Ronald Golias é Ronald Golias, independente do papel que eles representem. Assim foi com Jorge Loredo, refém e cúmplice de seu Zé Bonitinho. Não há como dissociar a imagem do ator de sua mais aclamada personagem. Loredo participou de filmes no auge das companhias Atlântida e Vera Cruz, representantes da chanchada no Brasil, e inclusive estrelou “Sem essa, Aranha!”, protagonista com nome no título. Mas a força do público foi maior do que as suas vontades. Diagnosticado com osteomielite e tuberculose durante a juventude, foi incentivado pelos médicos a procurar uma companhia teatral para melhorar os ânimos. Em busca de um “papel sério”, passou, na primeira audição, para o monólogo cômico “Como Pedir Uma Moça em Casamento”. Zé Bonitinho não teve escolha, nascera fadado a fazer os outros rirem.

O documentário “Câmera, Close!”, dirigido por Susanna Lira em 2005, traça um sensível retrato de intérprete e personagem. Ao se valer de um dos bordões propagados por Zé Bonitinho no título, a diretora tenta se aproximar, sobretudo, de Jorge Loredo, e temos revelada uma personalidade reservada, muitas vezes amarga, e até certo ponto triste. Repete-se a crônica do palhaço que não consegue arrancar de si o próprio riso, tema explorado com propriedade por Selton Mello em seu longa-metragem de 2011, que generosamente concedeu espaço a referências do estilo; além de Loredo aparecem Moacyr Franco, Ferrugem, Teuda Bara e Tonico Pereira. Percebemos no documentário a frustração de Jorge, por estar confinado a Zé Bonitinho. Ator de múltiplos recursos, demonstrados na tela, exercia ainda a profissão de advogado. Imagine-se numa audiência com Zé Bonitinho.

Os hinos de futebol na música brasileira

“Vou torcer pro time que sou fã/Vou levar foguetes e bandeira!
Não vai ser de brincadeira/Ele vai ser campeão!
Não quero cadeira numerada/Vou ficar na arquibancada
Pra sentir mais emoção!/Porque meu time bota pra ferver
E o nome dele são vocês que vão dizer…” Neguinho da Beija-Flor

hino-futebol

Os quatro grandes clubes da cidade do Rio de Janeiro, além do à época popular, América, tiveram seus hinos compostos pelo não menos popular Lamartine Babo. Famoso pelas composições carnavalescas, mas também por peças românticas e valsas, sendo a mais conhecida uma parceria com Ary Barroso (“No Rancho Fundo”), não chega a ser espantoso o êxito de Lamartine nas duas frentes. Se formos prestar atenção existe um quê de glória, de exaltação, de alegria tanto no gênero da marchinha quanto no hino. Todas as outras agremiações cariocas também foram agraciadas pelo compositor, como o Bangu, Madureira, Bonsucesso, Olaria, São Cristóvão e Canto do Rio. Isso foi fruto de um desafio proposto pelo radialista Heber de Boscoli, que dividia com Lamartine os holofotes do programa “Trem da Alegria”. Ao enorme sucesso de uma marchinha em homenagem ao Flamengo, Heber solicitou que Babo tirasse da cartola um hino por dia, para os 11 times da primeira divisão do certame local.

Pelo talento de Lamartine Babo, os torcedores de Flamengo, Fluminense, Botafogo e Vasco entoam a plenos pulmões os versos de exaltação e glória, além dos resistentes e bravos apaixonados pelo América, clube de coração de Lamartine. Tim Maia emprestou como ninguém a potência da voz para celebrar essas músicas, com exceção do Botafogo, legou registros impressionantes dos clubes cariocas. Ele, outro apaixonado e torcedor convicto do América-RJ nos faz crer ser este o mais bonito dos hinos. Prova do poder da palavra e da intenção dos sentimentos. Em São Paulo, o radialista Lauro D’Ávila foi o responsável por compor melodia e letra do hino do Corinthians, clube mais popular do estado. Fundador do São Paulo Futebol Clube, Porfírio da Paz, político brasileiro com participação no governo de Getúlio Vargas, compôs o hino do clube mais vencedor brasileiro. Com a conquista de três campeonatos mundiais, três Libertadores da América e seis títulos do campeonato brasileiro.

O chocolate na cultura popular

“e por toda a calma latente e infinitamente doce,” Salvador Dalí

chocolate

Desde que se tem notícia do seu aparecimento ainda na era pré-colombiana dos países da América Central, o chocolate não serve apenas como alimento. Claro, a sua função principal é essa, até por ser difícil negar suas qualidades tão atrativas ao paladar. Mas é sobretudo por outros sentidos como visão, tato e olfato, que o chocolate atende a diversas intenções. Não por acaso está associado a celebrações como a Páscoa e o Dia dos Namorados. No universo da cultura popular é difícil uma arte que tenha escapado ao seu charme.

No cinema certamente a iniciativa mais marcante em relação ao tema é “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, de 1971, baseado no livro de Roald Dahl. O filme eternizou a figura excêntrica de Willy Wonka, vivido nesta versão por Gene Wilder e depois interpretado por Johnny Depp no longa-metragem lançado por Tim Burton em 2005. A ideia de um ambiente repleto e coberto por chocolate sensibilizou e encheu de água na boca a adultos e crianças. Outras duas obras marcantes são a mexicana “Como Água Para Chocolate”, de 1992, e “Chocolate”, com Juliette Binoche no papel principal, de 2000.