Centenários 2015: Alceu Penna traçou e coloriu uma ode à beleza

“Sol, s.m.
Quem tira a roupa da manhã e acende o mar
Quem assanha as formigas e os touros
Diz-se que:
se a mulher espiar o seu corpo num ribeiro
florescido de sol, sazona
Estar sol: o que a invenção de um verso contém” Manoel de Barros

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Oliviero Toscani, fotógrafo italiano, afirma que “Caravaggio e Michelangelo, sim, eram publicitários”, ao contrário dele, conhecido por campanhas polêmicas da marca Benetton. E justifica: “Criaram imagens que reproduziam o ideal de beleza no qual a Igreja Católica acreditava”. Para alguns artistas, o adjetivo “moda” é insuficiente. Alceu Penna, mineiro de Curvelo, que tem o centenário de nascimento comemorado neste ano de 2015, é um deles. Célebre pela criação de “As Garotas” na revista “O Cruzeiro”, de 1938 até 1964, Alceu transitou por categorias de entretenimento mantendo o ofício afiado na ponta do lápis. Assinou fantasias de carnaval e peças para desfiles da Rhodia. Se como estilista Penna é quase um solitário no país, ao lado de nomes como Clodovil, Dener, Zuzu Angel e Ronaldo Fraga, é possível constatar no desenho uma larga tradição nacional, especialmente na caricatura, isso sem mencionar mestres da pintura como Tarsila do Amaral e Portinari.

5 perguntas nunca respondidas por Elke Maravilha

“Mas, ao escrever-lhe, tinha em mente outro homem, um fantasma feito das lembranças mais ardentes, das leituras mais belas, dos desejos mais intensos; e, ao final, ele tornava-se tão verdadeiro e acessível que ela palpitava maravilhada, sem poder, todavia, imaginá-lo claramente, de tanto que ele se perdia, como um deus, sob a abundância de seus atributos. Morava em uma região azulada, onde escadas de seda balançavam-se nas sacadas, sob o sopro das flores, sob o luar. Sentia-o por perto; ele viria e a arrebataria toda em um beijo. A seguir, caía do alto, dilacerada, pois aqueles impulsos de amor vago a cansavam mais do que as grandes devassidões.” Gustave Flaubert

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Elke Maravilha é uma das mais exóticas e pitorescas personalidades do cenário brasileiro, basta olhar o número de vezes em que interpretou a si mesma em novelas, cinemas e seriados para constatar essa afirmação. Elke é, em si, a sua própria personagem. Natural da Rússia, despatriada no país de origem e cassada no Brasil, onde veio para morar e combateu a ditadura, Elke adotou a nacionalidade alemã. Como cantora é capaz de interpretar em seu primeiro idioma, o russo, mas também em português e alemão, indo de peças bávaras a xotes do sertão nordestino, em homenagens a Luiz Gonzaga.

Conhecida, sobretudo, como jurada de programas de calouros, onde fez fama junto a um público massificado, Elke começou a carreira como modelo, e o exemplo de beleza grega que ao longo do tempo foi substituído pelo exotismo pode ser conferido em fotografias antigas. Assim, Elke exerce o papel de uma força irreverente, libertária, culta e que ao mesmo tempo despreza todos os pedantismos, lugares comuns e baratos. Em outras palavras Elke conserva aquela qualidade tão cara a todos os artistas, o poder de transformação, a capacidade da contradição, o eterno martírio da dúvida e a busca pelo prazer.

O humor no cinema brasileiro

“Do cômico ao excitante, haveria somente um passo?” Milan Kundera

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As comédias nacionais são a nova vedete dos barões da indústria cinematográfica. Tradicionalmente, o Brasil é um país onde o humor se impõe, não por acaso aqui se instala a “piada pronta” e também os ditados, que buscam elaborar e mistificar uma realidade que tende para a fantasia, a caricatura. Essa característica pode ser vista em outras áreas, por exemplo, as artes plásticas, através das charges, e mais recentemente o teatro também vem sendo alvo de um número excessivo de montagens cômicas, especialmente após o aparecimento da categoria denominada “stand-up comedy”, uma importação norte-americana, como se supõe pelo nome.

No cinema essa “tradição oral” é mais antiga. O primeiro gênero que se estabeleceu na telona como linguagem brasileira, embora obviamente influenciado pela cultura europeia, foi o das chanchadas, típica comédia de costumes. Por essa brecha entraram para a história da arte brasileira nomes como Grande Otelo, Oscarito, Dercy Gonçalves, Consuelo Leandro e o pioneiríssimo Ankito, raro caso de artista que ainda assinava sem sobrenome. Num segundo momento, referenciado por essa trupe, o cinema apresentou um leque mais variado, tanto de humor quanto de abordagem, através inclusive da pornochanchada, que acrescentava a nudez e o erotismo a situações ridículas e absurdas. Daí para frente houve a consagração de Jorge Dória, Tonico Pereira, Hugo Carvana e muitos outros baluartes do estilo.

11 músicas brasileiras sobre dinheiro

“E os traidores da linguagem
………n e a malta da imprensa
E os que mentiram por salário;
os corruptos, os corruptores da linguagem
os corruptos que puseram a cobiça no dinheiro
Sobre o prazer dos sentidos;” Ezra Pound

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Da permuta ao escambo, do parcelamento ao pagamento à vista, do financiamento coletivo ao crédito sem limites, o assunto dinheiro não passa incólume em vários lares e mesas de botecos. Na música brasileira não é diferente. E essa moeda tem muitas faces. Através do rock, do samba, da marchinha, da tropicália, do samba-rock e da MPB; Caetano Veloso, Cazuza, João Donato, Léo Jaime, Angela Ro Ro, Martinho da Vila, Tim Maia, Paulinho da Viola, Moacyr Franco e muitos outros provam que há certas delícias na vida que não têm preço. Embora alguém sempre pague por elas.

POP-PÓS-ART (COM TOQUES DE SURREALISMO): A NOVA (PÓS) ARTE DA COLAGEM

“Mas é que eu não sabia que se pode tudo!” Clarice Lispector

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Pop-pós-art não é um movimento, nem alistamento, nem chamada. Até porque essas degenerações já estão passadas. Pop-pós-art pode ser entendida como um novo gênero, ou pra ficar mais bonito ainda, nova arte da colagem.
Sua influenciadora, a pop-art criava leituras novas através da imagem de ícones populares. A pop-pós-art não descarta nem limita populares, eruditos ou celebridades. Cria leituras e imagens novas a partir de frases, citações, textos, poemas, figuras, figurinhas e figurões pop e cult.
A matéria prima do processo é a colagem, que redimensiona o material ao deslocá-lo de seu lugar de origem, criando assim um novo (ou novos) significado (s) para ele.
A idéia da crítica depende do estilo do autor, podendo ser cínica ou feroz. Dessa forma, a utilização das colagens funciona não apenas como crítica àquele que está sendo referido, mas também como homenagem, e mais ainda, como explicitação das referências do autor, mostrando de onde partiu a idéia daquela sentença. (conferindo teor confessional ao gênero)

Centenários 2015: Orson Welles foi imenso na briga contra a indústria

“[O cinema] É o maior trem elétrico que um menino já teve.” Orson Welles

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O próprio Orson Welles admitia ser conhecido por apenas um sucesso. “Estava na Itália e um italiano me perguntou, em italiano, porque não tinha feito mais nenhum filme depois de ‘Cidadão Kane’”, relata. Embora tenha atuado até 1985 e dirigido até 1974, não é de todo espantoso que a produção de estreia nos cinemas, lançada em 1941, siga como o estigma do diretor. O impacto da produção permanece até hoje: pela técnica apurada, a ousadia na narrativa e a maneira incisiva com que descasca um dos temas mais delicados para a sociedade norte-americana. Baseado na vida do milionário William Randolph Hearst, ‘Cidadão Kane’ custou caro a Welles, sempre incluído na lista dos melhores filmes de todos os tempos, mas também responsável pelo acirramento da briga do diretor com a indústria cinematográfica.

Conhecido pela rebeldia, Orson apareceu pela primeira vez para os holofotes numa transmissão radiofônica, ao simular uma invasão alienígena nos Estados Unidos a partir da leitura dramatizada de “A Guerra dos Mundos”, do escritor britânico H. G. Wells. Evidentemente acrescentou seu humor ao texto com pitadas de ironia. No Brasil, o “cineasta marginal” Rogério Sganzerla não se conformava com a tentativa frustrada de Welles filmar no país o documentário “É Tudo Verdade”, que procurava desmistificar uma imagem folclórica para o exterior, mas que desagradou a ditadura militar instaurada à época e teve o projeto abortado. A partir dessas impossibilidades, da falta e incapacidade brasileira no mundo do cinema, do social e da política, Sganzerla fundou sua obra. A trajetória de Roberto Marinho, dono da Rede Globo, também foi contada e censurada no Brasil, em documentário intitulado “Além do Cidadão Kane”, e que se referia à ligação de Marinho com os órgãos da ditadura militar.

10 músicas brasileiras para as mães

“minha mãe dizia

– ferve, água!
– frita, ovo!
– pinga, pia!

e tudo obedecia” Paulo Leminski

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Ao contrário do que se costuma dizer de outras espécies, mãe não é tudo igual, e muito menos muda apenas de endereço. Na música brasileira o referido tema já foi tratado de diversas maneiras, do cômico ao dramático, da homenagem à acusação. Até Paulo Francis se intrometeu na história para afirmar que uma das mais célebres composições nacionais estende-se a um número incalculável de seres vivos. Caetano Veloso, Cazuza, Adoniran Barbosa, Chico César, Renato Russo também deram o seu palpite, que invariavelmente ganhou ressonância nas interpretações de Cássia Eller, Ângela Maria, Agnaldo Timóteo, Demônios da Garoa, e outros. Porquê mãe é mãe, inclusive a do juiz.

Crítica: exposição “Assis Horta: Retratos” mostra condição humana

“A poesia começa no momento preciso em que o objeto se torna vítreo, transparente, deixando ver coisas que nenhuma inspeção óptica objetiva poderia revelar.” Rubem Alves

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Fotografia e pintura, enquanto obra de arte, nada têm a ver com registro (embora o programa creia nesta tendência). Mas com ver, enxergar e revelar. Diga-se de passagem, isto se aplica a todas as artes: cinema, literatura, teatro, música, arquitetura e as demais artes plásticas.

No Palácio das Artes, em Belo Horizonte, até o próximo dia 7 de junho, a exposição “Assis Horta: Retratos”, conta com 200 fotografias 3×4, um painel de 360º da cidade de Diamantina e outras relíquias, como a reprodução do estúdio do artista e objetos de revelação da época. Revelação, aliás, é a palavra-chave para este trabalho. Assis, de 97 anos, conterrâneo de Juscelino Kubitschek e onde Chica da Silva fez história, contribuiu para revelar ao mundo os rostos dos trabalhadores brasileiros que pela primeira vez no país eram contemplados com uma carteira de trabalho, e como diz o programa da exposição, aspiravam à eternidade ao terem as imagens impressas nas décadas de 1930 a 1950.

Saia do armário você também!

“‘pode se contrapor ao argumento da ne
cessidade militar’(generalíssimo e)
e o eco responde ‘não há defesa


contra a razão’(freud)–a gente paga a despesa
mas não abre a boca. A liberdade não é uma beleza?” e. e. cummings

jose-simao

Está para ser inventado discurso mais maçante e chato que o da BUSCA PELA VERDADE!
Fazendo-se, é lógico, pequenas e honrosas exceções à Igreja Católica na luta contra o sexo não-animal (aquele que é feito sem a intenção do reproduzir) e ao Estado na luta contra as drogas não-legais (aquelas que são as mais legais).
Essa bandeira sem cores relembra, em parte, O Manual do Guerreiro da Luz, com sua saudação quase onírica: Ó Guerreiro bravo, vás em direção ao ideal que te conduz!

5 motivos para o sucesso de Friends

“Tenho amigos tão bonitos. Ninguém suspeita, mas sou uma pessoa muito rica.” Caio Fernando Abreu

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Mais de 10 anos após o fim da série criada por David Crane e Marta Kauffman, “Friends” pode ser considerado um clássico do entretenimento norte-americano, e pelo poder de penetração da cultura de massa do país, até mundial. Na tentativa de elucidar os motivos responsáveis pelo êxito da trama, 5 possíveis características são apontadas. Não é qualquer atração que resiste ao fôlego de uma década no ar e mais outra dela amparada pelo passado para permanecer presente na memória e no cotidiano de seus adoradores. Aos méritos da história.